<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498</id><updated>2012-02-17T02:50:19.501Z</updated><title type='text'>O Livreiro</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>110</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-7478543403305186405</id><published>2009-07-20T16:33:00.011+01:00</published><updated>2011-03-20T22:49:35.867Z</updated><title type='text'>Sabes Que És Livreiro Se...</title><content type='html'>- Vês um estafeta da TNT na rua e choras porque achas que ele te vai entregar 28 volumes da DLB.&lt;br /&gt;- Não deixas o funcionário dos CTT sair da porta da tua casa enquanto não vais lá dentro "ver se há devoluções para recolher", porque "esses manhosos hoje não se escapam".&lt;br /&gt;- Perguntas às funcionárias das caixas do Continente se elas têm cartão de cliente.&lt;br /&gt;- Utilizas termos de gente rude como "acartar" e "empacotar".&lt;br /&gt;- Procuras as tuas compras no supermercado por editora.&lt;br /&gt;- Tens as mãos e braços tipo funcionário da mina de Aljustrel.&lt;br /&gt;- Sabes distinguir o Rodrigo Guedes de Carvalho do José Rodrigues dos Santos.&lt;br /&gt;- Sempre que alguém se queixa de alguma coisa (tipo dores nas costas ou do estado da nação) dizes que a culpa é "... daqueles capitalistas da FNAC".&lt;br /&gt;- Tens medo que a LeYa te compre também.&lt;br /&gt;-Vês um qualquer gajo de pólo preto na rua e soltas um "tão colega?", enquanto acenas tristemente, como que partilhando a sua dor.&lt;br /&gt;- Passas o tempo todo na praia a criticar os livros que as pessoas estão a ler, irritando solenemente a tua fenomenal companhia.&lt;br /&gt;- Entras em toda e qualquer livraria por onde passes, dentro e fora do país, levando também à loucura quem se encontre contigo.&lt;br /&gt;- Achas autores como Kafka e Dostoievsky demasiado comerciais.&lt;br /&gt;- Só consideras um livro bom quando chega a menos de 3 exemplares.&lt;br /&gt;- Não acreditas que exista boa edição para além da Relógio d'Água e da Assírio &amp;amp; Alvim.&lt;br /&gt;- Quando vês um brasileiro a aproximar-se de ti dizes institivamente que não tens o "Quem Mexeu no Meu Queijo" ou "O Caçador de Pipas".&lt;br /&gt;- Consegues explicar a uma pessoa que "O Caçador de Pipas" é o mesmo livro que "O Menino de Cabul".&lt;br /&gt;- Dizes piadas que ninguém entende tipo "Ahah não te banhas no mar porque tens medo que o Melville escreva um livro sobre ti".&lt;br /&gt;- Consegues dizer com uma cara séria e voz credível que sim, o "Comer, Orar, Amar" é um bom livro.&lt;br /&gt;- Tens o dom de arrumar 3453 livros no sítio onde cabem no máximo 10.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-7478543403305186405?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/7478543403305186405/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=7478543403305186405&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7478543403305186405'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7478543403305186405'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2009/07/sabes-que-es-livreiro-se.html' title='Sabes Que És Livreiro Se...'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-845244353733342503</id><published>2008-06-11T13:02:00.003+01:00</published><updated>2008-06-11T13:06:42.150+01:00</updated><title type='text'>Antes de Partir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Pensei que tinha fechado o estabelecimento de vez. Até o disse, em voz alta, na livraria, quando escrevi o meu último post: “Agora é de vez!”. Claro que o cliente que andava a passear ficou a contemplar-me com um ar desconfiado, mas a isso já eu estou habituado.&lt;br /&gt;São dois os motivos que me trazem novamente a este sítio. A saber:&lt;br /&gt;- O primeiro motivo prende-se com o facto de haver cada vez mais colegas de profissão a lerem. E pensar que eu comecei a escrever isto para os meus quatro colegas. Quase 25000 visitas depois, aqui estou eu. Mas, colegas: comentem. Mandem mails, partilhem as vossas experiências e eu até as colocarei aqui, se assim o desejarem. Era uma honra para mim. E para vocês. Mas, comuniquem. Reclamem, por exemplo, se, sei lá, vou dar assim uma ideia completamente aleatória, receberem mal ou não forem aumentados, se estão descontentes com alguma coisa, seja o que for. Venham de lá esses textos.&lt;br /&gt;- O segundo motivo prende-se com a (brilhante) edição do livro “O Livreiro”, para breve. Os textos serão trabalhados e deste blog nascerá um livro. Penso que uma edição pura e dura não faria muito sentido. Irei aglutinar temas recorrentes, eliminar certas e determinadas referências de cariz pessoal que têm pouco interesse e assim nascerá a edição definitiva d’O Livreiro. Portanto, vós que estais interessados (porque eu sei que estão), digam qualquer coisa ali para o mail.&lt;br /&gt;E de momento é tudo.&lt;br /&gt;Cumprimentos para todos os colegas. Vocês estão aqui. (Sei que não estão a ver mas finjam que eu estou a bater no coração). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-845244353733342503?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/845244353733342503/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=845244353733342503&amp;isPopup=true' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/845244353733342503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/845244353733342503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2008/06/antes-de-partir.html' title='Antes de Partir'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-4483103335435264201</id><published>2008-04-11T11:21:00.001+01:00</published><updated>2008-04-11T15:31:08.765+01:00</updated><title type='text'>Fonéticamente Perfeito</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Existe alguma dificuldade nas pessoas em perceberem porque diabo não vendemos livros escolares. Claro que nós, cidadãos do Mundo, apesar de haver uma outra indicação em contrário, tentamos auxiliar estes pais desesperados na obtenção do que eles tanto desejam. Num pacato Domingo de manhã estava a explicar a uma senhora onde poderia obter os seus livros na zona de Cascais, onde ela era residente. Ela estava contente com a explicação, porque a livraria em causa era relativamente perto da sua casa. Até que um senhor que andava a deambular à volta do balcão decidiu intervir:&lt;br /&gt;- Peço desculpa, eu peço desculpa de interromper, mas eu tenho uma livraria...&lt;br /&gt;Nisto tira o papel da mão da senhora e começa a coçar a cabeça.&lt;br /&gt;- Você já não encontra isto.&lt;br /&gt;A senhora ficou naturalmente preocupada.&lt;br /&gt;- Não encontra, e eu vou lhe dizer como é que vai fazer para comprar isto: ora bem, - O homem começa a fazer uns gestos circulares, quase acertando nos clientes que iam passando e falava cada vez mais alto. - Você apanha a auto estrada, vai até à loja da Porto Editora em Lisboa. Lá compra o primeiro livro. Depois volta para Cascais, apanha o IC19 ali em Sintra e vai à loja da Texto no Cacém, depois volta pelo IC19 para Cascais. É garantido.&lt;br /&gt;- Eu prefiro ir a Cascais... É mais rápido. – A cliente começava a ficar assutada&lt;br /&gt;- Não, não faça isso! Vai para Lisboa, depois volta, vai ao Cacém e volta, e fica logo tratada! Acredite em mim!&lt;br /&gt;O senhor lá foi embora perante o olhar espantado da senhora, que não evitou comentar comigo o facto de estar assustada e perplexa com o itinerário que o senhor lhe tinha traçado. E claro que disse que ia seguir o meu conselho e ir a Cascais. Quem sabe, sabe, e o Livreiro é que sabe.&lt;br /&gt;Outro momento interessante foi protagonizado por uma senhora brasileira que julga se movimentar pela alta sociedade e possuir uma classe inigualável. Primeiro ficou chocadíssima porque não tínhamos a biografia do Eric Clapton (ou Eriki Clapiton), quando já a tinha visto à venda no Brasil. “Tem no Brasil e aqui não!”, disse, chocada. Pois, filha, pensei eu. Com o Dengue já são duas coisas que vocês têm e nós não, é uma maçada. Depois pediu a biografia da, e passo a citar, Rrrraudrey Rrrepburrn, ou Audrey Hepburn para os leigos. Pensei, por momentos, que a senhora ia cuspir um pulmão, tal a dificuldade em pronunciar Audrey Hepburn.&lt;br /&gt;Um dos nossos clientes habituais durante os dias da semana é um senhor cujo discurso se torna cada vez mais imperceptível à medida que vai falando. Ele começa as frases perfeitamente, mas tem um tique que faz interrompê-las com sons do tipo “ahn”, “ohn” e “hum”. O nosso colega Mestre Pitágoras, que entretanto abandonou o barco (e aproveito aqui para desejar toda a sorte do mundo para ele), tentou atendê-lo, e o resultado foi o excelente. O cliente aproximou-se do balcão e fez a seguinte pergunta enigmática: “Bom dia, tem o livro do... OHN?”. O Mestre hesitou e pediu para repetir. O cliente disse: “Aquele livro... HUM?”. Ele ficou sem perceber e o cliente afastou-se e foi ver uns livros. Passado um ou dois minutos voltou. “Tem aquele livro... Aquele foi escrito pelo... HUM?” E o Mestre ficou sem perceber novamente, tendo ido o cliente embora frustradissimo.&lt;br /&gt;Pois bem, esta semana ele voltou e mais uma vez a conversa começou bem, com um discurso claro e perceptivel: “AHN HUN OHN?” Soltou ele quando chegou ao balcão. Bom dia, respodi eu. É que entretanto arranjei um dicionário. “Tenho aqui um cheque do HUM.” Tudo bem, pensei eu.. Até que um cliente, obviamente desconhecendo o fosso onde se ia meter, chamou a atenção desse cliente para um cheque que pendia perigosamente do seu bolso. A conversa, meus amigos, foi épica:&lt;br /&gt;- Olhe, peço desculpa de me intrometer, mas o senhor têm aí um cheque a cair.&lt;br /&gt;- AHN?&lt;br /&gt;- Têm aí um cheque a cair do bolso.&lt;br /&gt;- Ah, muito obrigado.&lt;br /&gt;- Não lhe quis pegar no cheque, ainda aparecia aí o C.S.I e me tirava as impressões digitais.&lt;br /&gt;- HUM? Que é isso?&lt;br /&gt;- Crime Scene Investigation, não conhece?&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- É um program de televisão.&lt;br /&gt;- SOU UM INTELECTUAL, POR AMOR DE DEUS, NÃO PERCO TEMPO COM ESSAS COISAS AHN? HUM?- Bom, não concordo consigo nesse aspecto, acho que nada tem a ver com intelectualidade, mas pronto.&lt;br /&gt;O senhor do “hum” afastou-se por uns segundos enquanto o outro cliente me fazia umas perguntas sobre livros. Nisto, surge de repente um livro a escassos centimetros da cara do cliente, fazendo o recuar uns passos, assustado.&lt;br /&gt;- Está a ver este livro? – Pergunta o senhor do “hum”.&lt;br /&gt;- Sim... – O outro cliente estava cada vez mais desconfiado.&lt;br /&gt;- Foi o meu patrão que mo recomendou à muitos anos. O meu patrão foi Prémio Nobel do OHN? – Fantástico, pensei eu. O patrão dele foi Prémio Nobel do OHN, seja lá o que isso for. – Uma maravilha. – Finalizou.&lt;br /&gt;Depois saiu da loja, tendo pedido entretanto para nós guardarmos o livro dele, enquanto ia dar uma volta. Logicamente, quando voltou, perguntou o seguinte.&lt;br /&gt;- Tem aí guardado o meu OHN?&lt;br /&gt;E assim anda a Livraria, estranha como sempre. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-4483103335435264201?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/4483103335435264201/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=4483103335435264201&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/4483103335435264201'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/4483103335435264201'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2008/04/fonticamente-perfeito.html' title='Fonéticamente Perfeito'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-950821747148553067</id><published>2007-12-27T12:51:00.000Z</published><updated>2007-12-30T11:05:59.836Z</updated><title type='text'>O Natal, Essa Enfermidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Intensas reivindicações e eventos anómalos depois, surjo aqui, ainda não recobrado, para vos deixar mais uma breve crónica sobre o período mais temido por alguém que alguma vez tenha colocado o pé atrás de um balcão: o Natal. Claro que a pluralidade das pessoas deve achar misterioso o facto de eu considerar o Natal como a pior de todas as épocas conhecidas pela humanidade (peste negra incluída), mas a esse tipo de coisas já estou eu acostumado. O grande problema do Natal, caros leitores, são, basicamente, as pessoas. Porque com as pessoas surgem ainda mais pessoas tresloucadas e fora de si, surgem pessoas apressadas, demoradas, enfim, todo um manancial de seres (às vezes pouco) humanos, aqui na loja.&lt;br /&gt;Temos a senhora que quer dar livros de arquitectura a um arquitecto. O normal. Pede-me, educadamente, um livro sobre arquitectura antiga. Quando lhe mostro um livro sobre igrejas medievais, sua construção, plantas e tudo o que tenha a ver com arquitectura, ela perde as estribeiras: “IGREJAS? ISSO NÃO TEM NADA A VER COM ARQUITECTURA!”. Obviamente que não tem, e o erro foi meu. Porque toda a gente, incluindo eu, devia saber que as igrejas são feitas a partir da arte da pastelaria, e não da arquitectura. Isso de arquitecturas e engenharias é tudo balelas. É só mudar um ou dois ingredientes e, em vez de uma bola de Berlim, temos uma Sé de Lisboa.&lt;br /&gt;Raramente as pessoas sabem o que querem. Esta cliente em particular apenas sabia que queria um livro passado em África, não sabendo especificar nada mais. Na impossibilidade de ajudá-la, ela pergunta: “Então diga-me lá, onde é que é a zona de África?”. Não percebo como é que ela não viu logo, com os leões e as dunas.&lt;br /&gt;A língua portuguesa é traiçoeira, já nós o sabemos. Mas os portugueses conseguem ainda torná-la mais intrincada. Temos o senhor que pretende adquirir livros de “ORALGAMI”, que será origami feito com a boca, penso eu. Ou então algo de cariz sexual que prefiro nem saber o que é. Temos também o senhor que procura o segundo volume do livro Eragon, de seu nome “ELDESPE”, onde o autor preferiu optar por caminhos de índole, cariz ou natureza sexual. E por fim, temos a senhora que procura uma prenda de Natal para a sua filha: “Eu queria aquele livro, aquele para miúdas de catorze anos, o Prepúcio, sim, é isso, chama-se Prepúcio e é assim para adolescentes, elas gostam dessas coisas, sabe o que é?” Sei, mas o que a senhora quer chamava-se Crepúsculo. Não sei até que ponto as raparigas de catorze anos deveriam gostar dessas coisas, mas, estamos no século vinte e um, eu já não digo nada.&lt;br /&gt;Nesta altura natalícia a loja está cheia de colaboradores. Raramente partilhamos todos este espaço ao mesmo tempo, portanto há que saber organizar as tarefas. O nosso caro Professor Bond (mais uma vez, parabéns pelo terceiro lugar na categoria de melhor blog de literatura de 2007) estava firme e hirto nos embrulhos, como é seu apanágio e costume, quando eu fui abordado por duas jovens excitadas que queriam algo como “o diário do meu pipi”. Sabendo que o elas queriam era “O meu Pipi”, livro proveniente do blog com o mesmo nome, por momentos não perguntei, em voz alta e com a loja cheia, “BOND, VISTE O MEU PIPI?”. Seria, sem dúvida, um momento curioso.&lt;br /&gt;Gostei igualmente de uma cliente que queria trocar um livro porque alguém “TEVE O DESPLANTE DE ME OFERECER O LOBO ANTUNES. EU ABOMINO O HOMEM, ESTÁ A VER? ODEIO. NÃO O SUPORTO: ESTÁ A PERCEBER? NÃO POSSO COM ELE!” Eu estava prestes a oferecer-lhe o dicionário de sinónimos para ela continuar a demonstrar o seu desagrado com o Lobo Antunes, mas ela foi-se embora (sem trocar o livro) enquanto continuava a barafustar pela loja fora. Eu até a compreendo. O Lobo Antunes tem muitas letras nos romances dele, e palavras, e o gajo, com a mania, ainda lá tem frases! O convencido que um gajo tem de ser para fazer uma cena dessas. Enfim&lt;br /&gt;A minha cliente preferida deste Natal não poderia deixar de ser a senhora que procura livros de culinária para oferecer à sua filha, ainda criança. Estava tudo a correr pelo melhor até eu sugerir o livro “A Vóvó Ensina-te a Cozinhar”. A senhora arregalou-os olhos e disse: “ACHA? ACHA MESMO? ALGUMA VEZ EU DARIA ISSO Á MINHA FILHA! ISSO É UMA VERGONHA, ESSES LIVROS SÃO UMA VERGONHA!”. Eu não devo ter conseguido esconder o meu espanto, e ela continuou: “ESSES LIVROS RETRATAM A AVÓ A COZINHAR E, IMAGINE-SE! A PASSAR A FERRO! ALGUMA VEZ A AVÓ DELA PASSA A FERRO?! ELA TEM DEZENAS, DEZENAS DE CRIADAS! SE AS CRIANÇAS VISSEM UMA AVÓ A PASSAR A FERRO ELAS TINHAM UM CHOQUE TÁ A VER? UM CHOQUE! ALGUMA VEZ, A AVÓ A FAZER SEJA O QUE FOR!”. Depois passou a explicar o que queria: “EU QUERIA UMA DAQUELAS COISAS; DAQUELES LIVROS DE CULINARIA PARA JOVENS, TÀ A VER? O MEU FILHO FOI PARA BEJA ESTUDAR E EU DEI-LHE O LIVRO E DISSE: TOME, QUERIDO, TOME LÁ ISTO E FAÇA UNS HAMBURGUERS OU QUALQUER COISA!” Que mãe atenciosa, pensei eu. Isto sim é espírito de Natal. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Boas Festas para todos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-950821747148553067?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/950821747148553067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=950821747148553067&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/950821747148553067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/950821747148553067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/12/dizem-que-natal-mas-daqui-no-consigo.html' title='O Natal, Essa Enfermidade'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-3641514998342718061</id><published>2007-12-05T12:26:00.001Z</published><updated>2007-12-05T12:26:59.270Z</updated><title type='text'>Quase Natal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É com muito gosto, que, depois de conseguir sair daquele labirinto a que chamamos livraria, venho aqui deixar mais um singelo post.&lt;br /&gt;Antes de dar início a mais uma crónica de carácter, cariz, ou outros sinónimos que se consigam recordar, natalício, queria dar as boas vindas ao nosso colega Mestre, num regresso apenas passível de ser equiparado ao regresso do próprio D. Sebastião. Aparentemente o nosso douto colega decidiu deixar os ares da cidade, e nós achamos que ele fez muito bem. Realmente fazia nos falta alguém que arrumasse uma estante e respectivas gavetas por tema, depois por editora, em seguida por autor, depois por cor, a seguir por sabor e finalmente por odor. Claro que há uma acesa discussão relativamente ao que vem primeiro, se o sabor ou se o odor, mas até chegarmos a uma conclusão ele continua a arrumar à sua maneira.&lt;br /&gt;Já o nosso excelso colega Gulbenkian, agora mais arredado dos seus princípios humanitários (consta que teve quase para pedir o Fernando Nobre em casamento), tem na sua mente que o livro Timbuktu, de Paul Auster, é a solução para todos os males de que padece a humanidade.&lt;br /&gt;- Olhe, queria um livro daqueles de auto-ajuda, para a pessoa se sentir melhor...&lt;br /&gt;- Para se sentir melhor? Timbuktu. Depois de ler este livro sente-se logo melhor, é uma história lindíssima.&lt;br /&gt;- Mas é sobre o quê?&lt;br /&gt;- É sobre um vagabundo que morre e depois o cão dele anda à procura dele e morre também. Lindíssimo. Poético, até.&lt;br /&gt;- ....&lt;br /&gt;Duvido que exista alguém nas livrarias por este Portugal fora que tenha vendidos tantos livros do Timbuktu como ele.&lt;br /&gt;- Bom dia, queria um livro de desporto.&lt;br /&gt;- Desporto? Ora bem... Timbuktu.&lt;br /&gt;- Timbuktu?&lt;br /&gt;- Sim. É um livro sobre um cão. E os cães correm. E correr é desporto.&lt;br /&gt;As Edições Asa devia começar a dar presentes ao rapaz. Até porque ouvi dizer que ele me vai oferecer um exemplar no Natal.&lt;br /&gt;- Boa tarde, queria um livro de medicina.&lt;br /&gt;- Sim senhora, tem aqui o Timbuktu.&lt;br /&gt;- Desculpe, eu não disse medicina veterinária.&lt;br /&gt;- Ah, mas não deixe o cão da capa enganá-la. Isto é um cão com sentimentos humanos.&lt;br /&gt;Esta livraria sem o Timbuktu basicamente mais valia fechar as portas.&lt;br /&gt;Voltando aos clientes, que é para isso que aqui estamos, gostei muito da senhora que ficou a empatar a fila de pagamento porque queria confirmar se constava nas fotografias do livro da Mocidade Feminina Portuguesa. Compreendo a dificuldade da senhora, com os buços da altura aquilo fica muito difícil de se distinguir.&lt;br /&gt;O Livro de São Cipriano continua a aterrorizar os mais incautos. Especialmente um casal que, ao procurar um livro de esoterismo, quando viu o Livro de São Cipriano (O Verdadeiro Capa de Aço e Letras de Sangue e Páginas de Papel e Pó de Estante e o Raio Que o Parta) me disse:&lt;br /&gt;- Jovem, queima isto. Queima isto, jovem. Não deixes isto aqui.&lt;br /&gt;Eu peguei no livro e arrumei no sítio, dizendo que já estava habituado.&lt;br /&gt;- Não abras isso. Deus te proíba de abrires isso.&lt;br /&gt;Apeteceu-me dizer-lhe que já trabalhava numa livraria, que pior não me podia acontecer.&lt;br /&gt;Também gostei muito de atender um senhor que queria livros de astrologia. Indiquei-lhe o livro do Paulo Cardoso. Apenas porque temos muito e precisamos do espaço para outras coisas. Ele ficou muito espantado.&lt;br /&gt;- Não, eu queria assim algo mais técnico e científico, isto é tudo mentiras. Queria mesmo para ler os astros e ver o futuro, mas assim mais científico e exacto.&lt;br /&gt;Devia apresentá-lo ao Professor Bambo, é destes clientes que ele precisa.&lt;br /&gt;Se há algo de que eu gosto mesmo são clientes adeptos do self-service. Eles vão tirar livros dos expositores mais altos, tentam passar os cartões nas máquinas do Multibanco, tiram os talões das caixas, é uma maravilha. Mas ninguém foi tão longe como uma senhora. Estava no balcão e vejo um cartaz da montra a abanar e por fiquei curioso, passando depois a ficar estupefacto quando vejo um cabelo encaracolado e um casaquinho de velhinha a passar pela montra. Então não é que a intrépida senhora foi montra a dentro para colocar o livro que algum colega tinha tirado para ela consultar? É de clientes destes que nós precisamos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-3641514998342718061?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/3641514998342718061/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=3641514998342718061&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/3641514998342718061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/3641514998342718061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/12/quase-natal.html' title='Quase Natal'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-3240387130931572978</id><published>2007-09-24T12:20:00.001+01:00</published><updated>2007-09-24T18:15:15.733+01:00</updated><title type='text'>Tal Como Jig-me Ling-pa disse a Jig-me Gyal-wai Nyu-gu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há quem se interrogue, e, admita-se, que eu sou pessoa para admitir coisas com uma inusitada facilidade, com toda a razão, onde é que eu ando. Certamente que muitos de vós, imbuídos do mais profundo e benemérito espírito de simpatia, crêem que eu li “O Segredo” e me tornei, assim, com toda a simplicidade, da noite para o dia, num milionário excêntrico. Não, com mais pena minha do que vossa, não ganhei o Euromilhões ou sequer li o Segredo. Até porque por o título de “Segredo” em algo que milhões de pessoas lêem é triste. Se fosse segredo ela não contava a ninguém, a mal-formada. Bom, se alguém enriqueceu foi mesmo a autora e parabéns para ele por explorar, perdão, ajudar milhões de pessoas por esse mundo fora.&lt;br /&gt;Sou rico, isso sim, em experiências e acontecimentos rocambolescos, para deleite do ocasional leitor. Ser rico em coisas dessas não ajuda muito na vida. Já experimentei dizer que vou pagar a prestação da casa com uma história sobre clientes que fazem isto e aquilo. Não resultou. Com a do carro também não. E com a escola da minha filha, também não. E olhem que eram historias das boas. Ao contrário das que vou contar a seguir.&lt;br /&gt;O Dalai Lama esteve cá em Portugal. Consta que disse que há muitas afinidades entre Portugal e o Tibete. Principalmente em termos de invasão chinesa. Como tal, tivemos uma campanha especial sobre o senhor e os seus dizeres, com livros variados sobre o Budismo. Há um em particular que nos tocou a todos pela sua simplicidade. “O Caminho da Grande Perfeição”. Deixo aqui, se me permite, o primeiro parágrafo do prefácio de Sua Santidade o Dalai Lama: “Jig-me Gyal-wai Nyu-gu, que foi um dos mais eminentes discípulos de Jig-me Ling-pa, o grande mestre do Dzog-pa Chen-po Long-chen Nying-thig, proferiu um ensinamento oral sobre Long-chen Nying-thig e o seu discípulo Dza Pal-trul Rinpoche transcreveu-a, intitulando-a KUNZANG LA-MAI ZHAL-LUNG”. Cá está, eu proponho desde já este livro como parte integrante do plano nacional de leitura. Qualquer criança em fase de aprendizagem adorará ler passagens como esta.&lt;br /&gt;Muitas pessoas não ficaram indiferentes à vinda de Sua Santidade. Os livros venderam-se bem e levantaram a curiosidade de algumas crianças. Uma delas perguntou à mãe quem era o Dalai Lama. E a conversa foi a seguinte:&lt;br /&gt;- Mãe, quem é o senhor careca?&lt;br /&gt;- É o Dalai Lama.&lt;br /&gt;- Quem é o Dalai Lama?&lt;br /&gt;- É o líder do Budismo.&lt;br /&gt;- O que é o Budismo?&lt;br /&gt;- É uma religião.&lt;br /&gt;- Mas o que é que ele faz?&lt;br /&gt;- Ele é o líder religioso.&lt;br /&gt;- O que é isso?&lt;br /&gt;- Então, ele é líder dos recursos humanos do Tibete.&lt;br /&gt;Como toda a gente sabe, o Dalai Lama tinha passado antes pela contabilidade e pelo marketing, mas foi nos recursos humanos que encontrou a sua vocação.&lt;br /&gt;Na semana passada, devido à transladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro, surgiram novas edições dos seus livros, e com eles uma acrescida procura das suas obras. Um cliente, ciente do que se passava, ligou para cá:&lt;br /&gt;- Bom dia, tem aí o Malhadinhas?&lt;br /&gt;- Ainda não recebemos a reedição.&lt;br /&gt;- É que hoje vão lhe levantar o esqueleto, e mandá-lo lá para o outro lado, e enquanto mexem nos ossos vão ler o Malhadinhas.&lt;br /&gt;- Ah…&lt;br /&gt;Que maneira tão carinhosa de se referir aos restos mortais do grande Aquilino.&lt;br /&gt;Não quero parecer paranóico, mas acho que o Jel ligou para aqui a gozar comigo. Ligou para cá um cliente, com a voz exactamente igual a um dos bonecos do Jel, com a seguinte conversa:&lt;br /&gt;- Ora então bom dia.&lt;br /&gt;- Bom dia.&lt;br /&gt;- Tem prosas?&lt;br /&gt;- Provas? De que ano?&lt;br /&gt;- Prosas. Provas. Prosas.&lt;br /&gt;- ??&lt;br /&gt;- Então. Há poesias. E há prosas. Tem prosas?&lt;br /&gt;- Sim, temos livros em prosa. Que autor procura.&lt;br /&gt;- É um qualquer, que é para oferecer. Mas tem que ser prosas. Tem ai prosas?&lt;br /&gt;- Sim, temos variados livros em prosa, é só uma questão de o senhor vir cá e ver o que lhe parece mais adequado.&lt;br /&gt;- Mas é prosas?&lt;br /&gt;- Exacto.&lt;br /&gt;Jel, se foste tu pá, quase me apanhaste. Se não, foi apenas mais um acontecimento que não servirá para me pagar nada. Nem um queque. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-3240387130931572978?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/3240387130931572978/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=3240387130931572978&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/3240387130931572978'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/3240387130931572978'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/09/tal-como-jig-me-ling-pa-disse-jig-me.html' title='Tal Como Jig-me Ling-pa disse a Jig-me Gyal-wai Nyu-gu'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-4730989919958282417</id><published>2007-07-27T11:13:00.000+01:00</published><updated>2007-07-27T11:20:18.004+01:00</updated><title type='text'>Tornar-se Humano</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;As férias são sempre algo positivo. Permitem-nos olhar para trás, para além da névoa fresca do passado recente e analisar tudo o que se passou de modo mais calmo e eficaz. Há quem diga que as férias também dão para descansar, mas eu acho que isso são mitos do calibre, por exemplo, de clientes ao que são,  ao mesmo tempo, simpáticos, gastadores, educados e agradecidos. São mitos, pura e simplesmente mitos.&lt;br /&gt;Confesso que creio piamente na existência de clientes que decoram o que têm de dizer antes de passarem aquela entrada de madeira velha e se dirigirem ao devoluto balcão. Depois, sendo confrontados com alguma pergunta, perdem as estribeiras. Uma cliente chega ao balcão e despeja, sem mais nem menos, um nome de um pintor. Acontece que, em livros de arte (tal como noutras secções…) por vezes o nome do pintor é o próprio título do livro. Perguntei se era esse o título do livro que procurava. A cliente ficou ofendidíssima, e respondeu: “ELE NÃO É UM TÍTULO, É UM AUTOR!”. Quem me acode, pensei eu, que já ofendi a humanidade do tal pintor. Chamei-lhe título, o que, assim como assim, é uma ofensa gravíssima.&lt;br /&gt;O que me leva a outro acontecimento. Outra cliente (qualquer dia faço uma estatística do número de homens e mulheres que figuram aqui neste espaço…) vem a andar para o balcão, acabada de entrar, com a loja praticamente vazia. Éramos dois no balcão e ficámos a aguardar que a senhora chegasse. Assim que o fez, dissemos logo bom dia e ficámos à espera do seu pedido. Ela faz uma pausa de cinco segundos e diz: “HÁ AQUI ALGUMA PESSOA QUE ME POSSA AJUDAR?”. O que foi uma pena, porque eu gosto de ajudar os clientes, mas pessoas, a trabalhar numa livraria, não costuma haver. Há uma pessoa, o Gulbenkian, esse poço de ética (consta que rejeitou um projecto com o comediante famoso e tudo, devido à ética), mas naquele momento, pessoas, nem vê-las. Lá teve de se contentar com a nossa ajuda. Dá para alguma coisa, mas não se pode comparar ao ser ajudada por pessoas. Como eu a compreendo.&lt;br /&gt;Depois temos o executivo que espreita quatro ou cinco vezes enquanto estou a fazer o pagamento no Multibanco. Dobra-se todo sobre o balcão, para ver o que eu estou a fazer antes, durante ou depois. E tudo porque eu vi que era um cartão que tinha desconto, e fiz o desconto sem ele pedir. E é assim que ele agradece. Sempre a espreitar para trás do balcão, sempre a olhar para mim. Mas coragem para dizer alguma coisa? Até depois de receber o pagamento, de conferir o talão, ele volta para trás e vai espreitar. Perguntei se necessitava de mais alguma coisa, disse que não e fugiu. Totó. Nem era homem para dizer, na minha cara, que eu lhe estava a clonar o cartão. Alguma vez eu clonava o cartão dele? Ainda apanhava a totózice dele, aposto que aquilo é contagioso. Sou muito selectivo nessas coisas. Totó.&lt;br /&gt;Já o nosso colega mais recente também tem a sua apetência para apanhar personagens. Numa das noites que estive com ele, apanhámos uma mãe e respectiva filha capaz de nos deixar com uma irresistível vontade de dar uns goles na benzina que temos no back office. Primeiro era o tom de voz caracterísco daquelas personagens, capaz de rebentar os tímpanos até para um admirador confesso de música aos berros cantada por gajos aos berros. Depois, vem a mãe ao balcão perguntar se o livro do Bill Bryson, “Breve História de Quase Tudo”, é tanga. Está lá escrito atrás que ganhou um prémio para melhor livro científico. Obviamente que é tanga, aquilo só está ali para enganar. Depois lembraram-se de comprar uma enciclopédia que tinha na capa várias personagens historicamente relevantes. Chegaram ao balcão, pousaram a enciclopédia, e o que se passou foi o seguinte: “Mãe, eu sei que estes são!” Diz a filha com cerca de 19 anos. “Ah sim então diga lá”. E começa a filha, apontando para o Infante D. Henrique, “Este é o Afonso Henriques!”. A mãe arregala-lhe os olhos. “Ah, então é o Colombo!”. A esta altura já eu e o meu colega estávamos a ir buscar as pipocas e a Coca-Cola, porque isto é entretenimento da melhor qualidade. Penim, põe os olhos nesta mãe e filha, está aqui o futuro da SIC. Em seguida, apontanto para Napoleão e Wellington: “Este é o Napoleão, este é o Bonaparte!”. Obviamente, Napoleão Bonaparte era o estado de fusão deles, tipo Dragon Ball, aliás, Napoleão é considerado o Son Goku da história francesa. Até nosso Senhor Jesus Cristo não escapa: “Este é Jesus Cristo. Ou não?”. É normal a confusão, porque sem a cruz nas costas podia ser só um gajo barbudo de toga branca. Até que a mãe aponta para Mandela e diz: “E este sabe quem é, Martoca?”. A jovem olhou, pensou (quer dizer, isto é algo que eu afirmo sem total certeza) e disse: “Ah. É um prémio Nobel.” A mãe sorriu. “É o George W. Bush! Prémio Nobel da Paz”. Até nos engasgámos com as pipocas. Bush, Mandela, são parecidos &lt;st1:personname productid="em tudo. Desde" st="on"&gt;em tudo. Desde&lt;/st1:PersonName&gt; os ideais políticos à cor da pele, são praticamente indiferenciáveis. Tentaram (e vamos colocar aqui todo o nosso ênfase, por favor, no tentaram) preencher o folheto para aderirem ao nosso cartão de cliente. Ninguém sabia bem a morada, e muito menos o código postal. Aparentemente o novo formato de código postal é totalmente desconhecido para elas. “PONHA AÍ UM QUALQUER QUE ISSO VAI LÁ DAR Á MESMA!” Grita a mãe para a filha, do outro lado da loja. Admira-me como é que elas próprias conseguem chegar a casa. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-4730989919958282417?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/4730989919958282417/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=4730989919958282417&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/4730989919958282417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/4730989919958282417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/07/tornar-se-humano.html' title='Tornar-se Humano'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-7604026642716598497</id><published>2007-06-13T14:09:00.000+01:00</published><updated>2007-06-13T14:10:51.013+01:00</updated><title type='text'>Tenho o Curso Todo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vivemos numa época conturbada. Não que isso tenha alguma coisa a ver com o que vou aqui escrever de seguida, mas fica bem dizê-lo, faz-me parecer atento e crítico em relação à sociedade onde me insiro. Mas, no fundo, eu sou apenas mais uma alma atrás de um balcão, sujeito a mil e uma maleitas que podem (e irão, certamente) atingir-me, para gáudio de quem está desse lado, sentado em frente a um monitor. Ou em pé, todo nu, barrado com nutella (Nunca se sabe). Assim sendo, torna-se imperativo relatar o acontecimento seguinte, tentando sempre evitar o temível pensamento de que o senhor em questão não foi enviado por algum de vós, sequiosos que estão por mais relatos aqui do vosso escriba.&lt;br /&gt;Estava a ser uma tarde calma. O gerente tinha ido tratar dos seus assuntos de gerente, e eu e o grande Santo aqui estávamos, em amena cavaqueira. Até que o senhor Santo decidiu ir encher o bandulho com o seu lancezinho, deixando-me aqui à mercê de qualqer maníaco que pudesse aparecer.&lt;br /&gt;Quase de imediato surge um senhor de cabelo grisalho, barba por fazer, dentes a variar num bonito tom entre o preto e o castanho, um distinto e acolhedor bafo a tinto de garrafão e uma vestimenta a combinar.&lt;br /&gt;“Eu é que sou o dono disto!” – Grita ele, ao entrar na loja. – “Eu tenho cartão daqui! Não me conhece?”. Muito bom, pensei eu, logo agora que estava sozinho apanho com um senhor que tem alguns problemas de dicção, qual presidente da junta. Ele aproxima-se do balcão, encosta-se nele e diz: “Eu queria folhas daquelas cortadas, assim folhas! Do costume!”. Expliquei-lhe que não vendíamos folhas. Ele parou de falar, olhou à sua volta, circunspecto, levou as mãos à cintura e disse: “Tão mas isto não é a papelaria Fernandes?”. Aparentemente não, e pensei que tinha acabado aqui. “Olha esta! Mas eu também sou vosso cliente!”. Estava enganado. “Já que aqui estou quero um livro, até é editado por vocês, chama-se Conhecer!”. Tentei obter mais informações, não me soube explicar melhor. Pesquisei, não surgia nada. “Afinal não é conhecer, é Viver! Sim, Viver! É sobre animais!”. Eu já via a pesquisa a dobrar com o cheiro do álcool, mas tentei continuar. Em vão. “Então, é Viver, sobre animais, em inglês. Sobre animais em extinção! É isso! Life Animals. Life. Animals, Life, mas ao contrário!”. Além de enólogo é poliglota. Tinha-me saído o jackpot. Continuei sem encontrar nada. “Sim quero os livros em inglês porque tenho o curso todo!”. Life Animals = Animais em Extinção? As coisas que se aprendem atrás de um balcão. “Tenho o curso todo, veja lá que até tive para ir para os Estados Unidos!”. Pena não ter ido já, pensei eu. “Sabe, eu sou o melhor capista em Portugal. Faço capas. E até já me convidaram para ir para os Estados Unidos. Mas não fui. Não gosto. Aliás, já fiz capas para vocês e tudo. Não tenho é máquina.” E parafusos também não… “É que é o seguinte: eu até comprava uma máquina, mas não me cabe em casa. Se entrasse a máquina, eu tinha de dormir na rua, e com a chuva é mau. E a máquina, apanhar chuva também estragava-se logo não é?” Nem mais, nem mais.&lt;br /&gt;Nesta altura o Santo, já farto de rir à minha conta, faz uma chamada interna, para que eu fingisse que atendesse o telefone e ele se fosse embora. Em vão. Eu fingia que falava ao telefone e ele não se calava. Fui até à secção infantil, fingir que ia buscar um livro e ele veio atrás de mim.&lt;br /&gt;“Sabe que sou o melhor capista em Portugal? Já me convidaram para ir para os Estados Unidos, mandaram me uma carta! Mas eu não vou, aquela merda é só porrada.” É uma perspectiva sociológica digna de ser aprofundada. Eu continuava a procurar um livro qualquer e ele continuava a falar. “Eu podia ir para os Estados Unidos, porque tenho o curso de Inglês todo. Já lhe disse?”. Acho que já tinha falado assim por alto disso… “Até recebi uma carta para me convidarem!” Nisto, tira do bolso um monte de papéis e desdobra uma carta, efectivamente escrita em inglês. Eu já estava a pensar que talvez ele não fosse assim tão alucinado. Mas quando ele me põe a carta à frente dos olhos leio o seguinte: “Your VISA card hás been canceled due to illegal…”. Estes americanos têm maneiras deveras estranhas de convidar uma pessoa para o seu país. “Está a ver? Convidaram-me, mas eu não vou, é só porrada”. Este deve andar a ver wrestling a mais. Voltou à conversa dos livros, perguntou-me onde poderia encontrá-los, eu indiquei-lhe que tentasse na zona do Chiado, porque lá há várias livrarias antigas. O que eu fui dizer…&lt;br /&gt;“Chiado? Bairro Alto? Fui ontem ao Bairro Alto, cantar ao Chico! Conhece o Chico?!” Ainda não tive esse prazer, infelizmente. “Tem de ir, tem de ir. Para cantar lá ou aguentas ou não! Eh Touro! Eh Touro!” Dizia ele, enquanto fingia ser um forcado. Depois cantou (?) um bocado e continuou: “Fui cantar ao Chico! Ou aguentas ou não!”.&lt;br /&gt;Aparentemente não aguento, não… &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-7604026642716598497?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/7604026642716598497/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=7604026642716598497&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7604026642716598497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7604026642716598497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/06/tenho-o-curso-todo.html' title='Tenho o Curso Todo'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-2028694552147210730</id><published>2007-05-21T18:24:00.000+01:00</published><updated>2007-05-21T18:48:15.387+01:00</updated><title type='text'>A Brilhar Desde, Deixa Lá Ver... Há Muito Tempo.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É com toda a autoridade que a posição de livreiro (independentemente de não ser uma profissão reconhecida institucionalmente… este blog poderia ter o melindroso título de “O Caixeiro” o que, vistas bem as coisas, tira um pouco do romantismo inerente à profissão) me confere que faço a seguinte afirmação: o mundo está perdido. E quando digo perdido não me refiro a aquele sentimento que se apodera de nós quando damos a terceira ou quarta volta ali para os lados de Cinfães e ficamos sem saber bem onde estamos e para onde vamos. Perdido no sentido metafísico da coisa, e assim. E porquê?&lt;br /&gt;Primeiro, temos uma velhinha, que, à primeira vista, facilmente mereceria o epíteto de amorosa, que queria livros do Álvaro de Campos porque, segundo ela, “eu confundo-os a todos, já não sei o quem é o Álvaro e quem é o Ricardo Reis ou o Pessoa”. O que, diga-se em abono da verdade, é perfeitamente natural. Se a senhora já tem ar de quem confunde os nomes dos filhos, o que dizer dos heterónimos de Pessoa? Depois de lhe dar o livro que ela procurava, incumbiu-me de outra missão: encontra um livro sobre a história dos Judeus. Tínhamos um sobre a história do Judaísmo, mas não era bem isso que ela queria. E aí começou o seu triunfante discurso: “Ah filho, isso do Judaísmo não quero, era mais a história dos Judeus, o povo, está a ver? Quer dizer, eu sei onde eles estão, e melhor, onde eles deviam estar, que era lá para baixo em África e não onde estão hoje em dia, e só foram para lá arranjar guerras, deviam era ter ido para África, lá para o fundo, que era para onde deviam ter ido. “ Aquele senhor alemão do bigode ridículo iria adorar esta senhora.&lt;br /&gt;Depois temos o cliente que, com a loja vazia, começa a espreitar para o back Office. A princípio pensei que procurava alguém, mas quando ele se dirigiu para mim percebi que não era isso. “Então, amigo”, diz ele. O que, para ficarem a saber, é sempre mau sinal. Quando um cliente se refere a nós como amigo é caso para ficarmos de pé atrás. “Então, amigo, por acaso não tem aí quadros, nem posters?”. Respondi negativamente, e ele voltou à carga: “Não tem mesmo quadros nem posters?”. Respondi novamente da mesma forma, e ele aí ficou desarmado: “Pronto, eu digo-lhe o que queria. Sabe aqueles posters de gajas, assim, pronto, gajas nuas e boas, por acaso não têm aí?”. Há que referir em nome do rigor histórico que o senhora, cada vez que dizia "boas e nuas" fazia com as mãos o gesto universal de mulher curvilínea. É normal ele perguntar isto, visto a nossa livraria ser apenas uma fachada para um negócio de pornografia ilegal, mas de qualquer forma fiquei confuso. “ É que eu tenho uma parede vazia no quarto e queria ter assim uma gaja boa, está a ver?”. Como ele estava numa nobre demanda vi-me forçado a ajudá-lo, enviando para a Kodak mais próxima, onde, passe a publicidade, fazem uns quadros todos janotas a partir de fotos. Fica mais um acto revelador de um profundo humanismo.&lt;br /&gt;Mas nenhum humanismo se compara ao do nosso colega e amigo Gulbenkian. Um cliente aproxima-se de mim e pede-me um livro alusivo ao seguinte tema: estar às portas da morte, passar para o lado de lá e depois voltar. É um tema bastante complicado, e, tanto eu como o Gulbenkian, estávamos com algumas dificuldades. Até que me recordei do livro “E Depois?”, que retrata, ficcionalmente, uma experiência de quase morte. Mas o Gulbenkian, qual herói encapuzado, decide ir mais longe. “Então e ali um livro que temos, “Viver Melhor a Quimioterapia?”. A expressão do cliente oscilou entre a surpresa, depois a tristeza e por fim uma desconsideração abismal. “A ideia era animá-lo.”, diz o cliente. Ah, como é danado este Gulbenkian.&lt;br /&gt;Já hoje de manhã, o primeiro cliente foi digno de registo. Tudo parecia correr dentro da normalidade até ao momento de ele pagar e se ter esquecido do cartão de cliente. Ora, como não estava para chatices, decidiu fazer um novo. Denotou algumas dificuldades em preenchê-lo, enchendo o formulário de setas e riscos. Depois entrou num enternecedor monólogo: “Isto do cartão é bom porque a vossa loja é boa. Eu vou a muitos sítios e tenho que procurar muito, aqui não, aqui encontro muita coisa. E compro. E é barato. Sou um cliente muito antigo. Vosso e da Valentim de Carvalho. Sim, porque vocês antigamente eram uma luz no meio da MER-DA. Agora a Valentim perdeu muito com a Fnac, e levou uma batelada nos livros e nos discos. Veja lá o Top da FNAC, aquilo é para rir, é um conjunto de MER-DA! Mas eu não gosto desses franceses e prefiro vir aqui, aqui e à Valentim de Carvalho, porque sou um cliente antigo”. Foi aqui nesta altura que ele entrou em loop até sair pela porta, sempre a falar sem parar. Bela maneira de começar o dia. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-2028694552147210730?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/2028694552147210730/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=2028694552147210730&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/2028694552147210730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/2028694552147210730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/05/brilhar-desde-deixa-l-ver-h-muito-tempo.html' title='A Brilhar Desde, Deixa Lá Ver... Há Muito Tempo.'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-5751389719101728795</id><published>2007-04-25T16:56:00.000+01:00</published><updated>2007-04-25T16:58:08.908+01:00</updated><title type='text'>Este é O Livreiro Sem Estudos</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Como eu gosto da nova campanha do governo, “Novas Oportunidades”, onde se vê uma sorumbática e abatida Judite de Sousa a arrumar uns livros. Curioso é que 90% das pessoas que trabalharam aqui tinham ou estão a tirar formação superior. Mas pronto, o Shor Zé é que sabe de licenciaturas, quem somos nós para questionar os seus projectos? Formação é muito bonita, mas e que tal emprego? E que tal o facto de estando as pessoas em formação deixem de contar para as estatísticas do desemprego, fazendo assim parecer que as politicas do governo estão a funcionar? Se houvesse um blog chamado “O Primeiro-Ministro” eu ia visitar, seria uma barrigada de riso!&lt;br /&gt;Chegou uma cliente ao balcão com um saco, dizendo aos quatro ventos que tinha um livro com defeito. Rapidamente me ofereci para trocar o livro à senhora, e mal ela começa a tirar o livro do saco eu reparo que é o “Cemitério de Pianos” do José Luís Peixoto. Tendo lido o livro (grande livro) percebi logo o que vinha seguir. “É que a partir da página cento e tal as frases não coincidem umas com as outras, e eu começo a ler uma coisa, depois aparece outra sem ligação, depois outra, depois vou apanhar o resto da primeira coisa, isto tem defeito!”. Expliquei à senhora que era mesmo assim e expliquei as razões para isso. Ela ficou desconfiada: “Mas como é que sabe? Foi mesmo o autor que disse isso?”. Ela levou o livro de volta mas não pareceu muito convencida. Ser um escritor muito à frente tem destas coisas.&lt;br /&gt;Por vezes, ao arrumar a livraria, deparo-me com os livros mais estranhos que nunca me tinham passado pelas mãos. Um dos últimos casos é o da colecção “A Saúde Do Diogo”, que tem títulos muito bonitos e animadores. Vejamos o caso dos clássicos “Diogo Vai à Clínica” e “Diogo Vai Ao Hospital”. São duas bonitas experiências, diferentes entre si que merecem cada uma o seu livro. A minha questão e: para quando o livro “Diogo Vai Ás Urgências Mas Estas Estavam Encerradas”? Outro clássicos incluem o enternecedor “Diogo é Operado”, o inspirador “Diogo Tem Alergias” e o drama “Diogo Tem Diabetes”. Resta saber quando sai o resto da colecção, nomeadamente o “Diogo Morre” e o “Diogo é Autopsiado” e o final feliz, “Diogo é Cremado”.&lt;br /&gt;O que dizer dum cliente que vagueia pela loja, mal ela abre, durante dez ou quinze minutos e depois passa por mim e diz, com o tom mais irado do mundo: “TAMBÉM NUNCA TEEM NADA!” e dirige-se para a porta? Pensei que ele se tinha passado, mas depois o facto de o ver, quando uma senhora deixa cair os seus dez saco do Gato Preto à frente da montra, gritar “VÁ FORÇA! FORÇA NISSO!”, fiquei com a certeza de que ele era sempre assim. Deus o ajude.&lt;br /&gt;Há assuntos sobre os quais eu prefiro permanecer ignorante. Um deles são as “Provas de Fricção para o 9º ano” que um cliente me pediu, ontem. Será que o filho dele anda nalguma escola onde o deboche é um lugar comum? Lá está, prefiro  não saber.&lt;br /&gt;Depois temos a velhinha inofensiva que caminha para o balcão, enquanto eu vou pensando já em que livro da Sveva Modignani é que ela quer, e me deixa logo sem resposta. “Tem livros de Cientologia?”. Depois de refeito do choque, respondi afirmativamente. Claro que temos. Qualquer livraria que se preze tem livros de Cientologia, a base de todo o conhecimento humano. Levei a senhora comigo, lentamente, pelo meio das gôndolas até à secção de esoterismo. Quando chegámos, ela foi clara nos seus objectivos: “Olhe que eu quero um livro de Cientologia, mas dos sérios!”. Claro que é dos sérios, aliás, relativamente à Cientologia é dificíl encontrar algo que não seja sério. Fazem cada pergunta… Comecei a mostrar-lhe os livros que temos, e ela ficou desconfiada: “Mas isto é a sério?”. Mais a sério não podia ser, expliquei à senhora, pois os livros eram redigidos pela mão divina do criador da Cientlogia, L. Ron Hubbard. Ela ficou mais descansada. Mas agora outra dúvida inquietava a sua mente: “Então e qual é o melhor para começar?”. Aí tive de puxar dos galões de ilusionista e ludibriar a senhora, lendo o título e umas palavras da contra capa  Este é o “Cientologia – Fundamentos do Pensamento”, e fala nas raízes da Cientologia e nos seus fundamentos, disse eu. A senhora ficou maravilhada: “Ahhhh, então você percebe disto…”. Na altura pensei que era bom. Agora que penso que ela acredita na Cientologia, o meu mérito sai bastante mal tratado nesta questão. Enfim.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-5751389719101728795?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/5751389719101728795/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=5751389719101728795&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/5751389719101728795'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/5751389719101728795'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/04/este-o-livreiro-sem-estudos.html' title='Este é O Livreiro Sem Estudos'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-2084552128804656465</id><published>2007-04-03T22:01:00.000+01:00</published><updated>2007-04-03T22:11:32.435+01:00</updated><title type='text'>E Vão 100. Este é Dos Grandes.</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Aqui estou, segundo o Blogger, a redigir o meu centésimo post. Parecendo que não, e tendo em conta que alguns dos posts são o que se denomina vulgarmente por “testamentos”, já é qualquer coisa. O quê precisamente não sei bem dizer, mas é qualquer coisa. E claro, lá por ser o centésimo post não quer dizer que não tenham que gramar com mais do mesmo. Portanto ora aqui vai.&lt;br /&gt;A infância é uma época bonita na vida de uma pessoa. Permite-nos brincar, sonhar, aprender e especialmente entrar nas lojas e dirigir-nos ao balcão passando à frente de tudo e todos e interrompendo a soberana figura do livreiro. Esta criança conseguiu a minha atenção à força, e não esperou para fazer o pedido: “OLHE, QUERIA VER ALI O LIVRO DA ESTROMANIA QUE ESTÁ NA MONTRA!”. A mãe olhou para ele de lado: “Tu queres ver o quê?”, o que, curiosamente, era o mesmo que eu estava a pensar. “O LIVRO DA ESTROMANIA! TÁ ALI FORA!”. Tive de lhe pedir para me mostrar o que raio é que ele queria, porque já tinha percebido que não íamos sair dali tão cedo. Então a tal “ESTROMANIA” não era senão o livro “Bem-vindo Ao Mundo Do Wrestling”. O que é praticamente a mesma coisa. Agora percebo que ele queria dizer “Wrestlemania”, apesar de isso não estar no título ou não ser o nome do desporto em si, foi um bom esforço mas precisa de treinar mais. Talvez em vez de ver uns gajos suados a dar umas mocadas na cabeça um dos outros devia aprender a ler. Não sei, digo eu, não percebo nada de educação.&lt;br /&gt;Um cliente bastante decidido aproxima-se de mim e pergunta: “Tem livros de plantas? É que eu preciso de livros sobre plantas… Onde é a secção das plantas?” Saí do balcão e desloquei-me, com o cliente a seguir-me, até à secção de plantas e disse aqui tem a secção de plantas. E o que responde o cliente? “Ah, mas eu queria era mesmo livros de árvores!”. Ah brincalhão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há funções deveras entediantes inerentes ao trabalho numa livraria, sendo que a conferência de créditos é uma delas. Estava eu com quatro facturas na mesa e no colo, confirmando valores um por um, num papel com letra pequena e mal imprimida, quando aparece um cliente a espreitar para dentro do back Office. Pousei as facturas e segui para o balcão. A minha colega estava a atender, estava outra senhora na fila e estava o senhor a pôr-se à frente. Perguntei quem estava primeiro, e a senhora, assustada, queria dar lugar ao senhor mas eu não o permiti. Ele não achou piada: “ISTO É INCRIVEL, QUANDO A LOJA ESTÁ CHEIA É MAIS RÁPIDO, POIS QUANDO A LOJA ESTÁ CHEIA POEM TODA A GENTE A TRABALHAR!” Pois, eu estava no escritório a brincar com as facturas às mamãs e aos papás, na esperança que dessem uns créditos bonitos quando ele me interrompeu. Ele não percebeu que eu só trabalho quando há mais de dez pessoas na loja. Menos que isso não merece a minah atenção.&lt;br /&gt;Definitivamente, e voltando a um assunto que abordei no testamento, perdão, no post anterior, há qualquer coisa que faz de mim Livreiro, mesmo nas folgas. A minha pequena filha insistiu em vir dizer olá ao Santo. É o respeito pelo divino. Enquanto ela estava a conversar com ele (e se o Santo gosta de conversar com alguém que tem o mesmo nível emocional que ele) eu fiquei parado na loja, a observar. É então que chega um senhor ao pé de mim e pergunta se temos um certo e determinado livro. E eu sem farda, sem nada, era apenas um anónimo parado no meio da loja. Alguma coisa há que nos distingue. Por favor digam que não é algum odor estranho.&lt;br /&gt;Dizem que as crianças são a alegria da casa, eu digo que as Tias são a alegria da loja. Elas berram, esbracejam, dançam, fazem a festa sozinhas. Depois de andarem horas a ver livros e a fazer barulho, finalmente decidiram oferecer um livro sobre armas a um amigo, e queria oferecer um postal, e passo a citar, “QUE TIVESSE ASSIM DUAS BOAZONAS COMO NÓS!”. Obviamente que não preciso de dizer que as duas senhoras na casa dos sessenta anos não se enquadravam no perfil de boazonas. Mas fica a boa disposição. Na despedida, ficou o aviso de uma das amigas para a outra: “TEMOS DE IR À NOITE, E NÃO DEIXES A TERESA BORREGAR!”. Ah, como é bonito ouvir termos de equitação ou aviação na mesma frase que nomes de mulher.&lt;br /&gt;Há clientes indignados, alguns com toda a razão. E há outros que são como este cliente que passa na montra, visivelmente irritado, mete a cabeça dentro da loja, olha à volta e diz: “AQUI SÓ TEM LIVROS!”, da forma mais irritada e nervosa que possam imaginar. E continua furiosamente pelo corredor fora. Ora tendo em conta que este local é, lá está, uma livraria, penso que não estamos diante de um caso paranormal. Mas talvez isto só seja claro para umas quantas mentes iluminadas.&lt;br /&gt;Para terminar, que o testamento já vai longe e ainda nem sequer decidi a quem deixar a minha Playstation2, temos a cliente que estava desesperada: “POR FAVOR, QUERO UM DECRETO-LEI!”. Tentem perguntar o que é que ela queria concretamente, mas ela só dizia: “QUERO UM DECRETO-LEI! SEI LÁ! NÃO HÁ NENHUM LIVRO QUE TENHA UM DECRETO-LEI?”. É nestas alturas que penso que dava jeito ter ali o Sr. Jurista como colega. Disse à cliente que não havia nenhum livro com esse título, tentei novamente perguntar a que era referente o decreto-lei, ou se sabia o autor ou editora. A resposta surgiu ainda mais nervosa: “ENTÃO! O AUTOR DO DECRETO-LEI É O ESTADO! O ESTADO!”. Sem mais alternativas, levei a senhora até ao local do direito para ela dar uma vista de olhos, tentando sempre fazer perguntas que a levassem a dizer qualquer coisa coerente. O melhor que consegui foi: “QUERO UM DECRETO-LEI DE LIMPEZAS! E JÁ LIGUEI PARA CASA NACIONAL IMPRENSA DA MOEDA E NÃO ME SOUBERAM RESPONDER!”. Apesar de ter feito um ar surpreendido, obviamente que no fundo sabia que ninguém lhe conseguia responder seja o que fosse. Os senhores da Casa da Moeda não são milagreiros. Lá saiu a senhora, altamente desiludida por não ter encontrado o seu decreto-lei. Boa sorte, e o que o senhor Estado, o que redige os decretos-lei, te acompanhe! Bom escritor, o gajo.&lt;br /&gt;Obrigado pelas leituras, comentários bons, maus e esquizofrénicos. Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-2084552128804656465?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/2084552128804656465/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=2084552128804656465&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/2084552128804656465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/2084552128804656465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/04/os-outros-so-grandes-este-maior-e-vo.html' title='E Vão 100. Este é Dos Grandes.'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-7657695328083783141</id><published>2007-03-01T13:19:00.001Z</published><updated>2007-03-01T13:53:46.654Z</updated><title type='text'>O Que Faço Aqui?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por muito que pudesse estar alheado da realidade, nas nuvens, distraído do mundo, ouvir, mal entro na loja, uma coisa como: “Ah, isso é como ter problemas na Tiróide, mas ao contrário!”, faz me logo lembrar que, sim, sou Livreiro.  E o que é um problema da Tiróide, mas ao contrário? Prefiro não saber...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois, antes sequer de tirar o casaco e mostrar ao mundo a bela farda, já estavam umas adolescentes espanholas a abordar-me. E antes de passar à questão propriamente dita das adolescentes espanhola, há que abordar outra questão. Como é que raio elas, estando eu de casaco e parado junto à entrada da loja, apenas a ver um livro, sabiam que eu era Livreiro? Como? Emanará o Livreiro um odor a bolor típico dos livros? Ou teremos isso estampado na testa? Eu não sei, a verdade é que por vezes estou de farda e de identificador e ainda assim amigos, ainda assim perguntam se eu trabalho na Livraria. É verídico. Que mais preciso fazer para as pessoas verem que trabalho aqui? Bem, talvez os engraçadinhos digam coisas como “ah e tal e se trabalhasses?”. É um ponto de vista. Mas a verdade é que me fazem essa pergunta mesmo quando eu carrego uma valente pilha de livros. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Passando novamente às adolescentes espanholas, a primeira coisa que a mais destemida me diz é: “Tienes un libro antigo?”. Eu tentei, através do método Socrático, fazer perguntas que desvendassem um pouco o mistério. Qual seria o livro antigo? Autor, editora, título? Nada disso. Ela apenas repetia “libro antigo” como se a vida dela dependesse disso. Depois, sempre que tentava estabelecer alguma comunicação, dizia “no entiendo” e elas e as amigas riam-se nervosamente, agarradas umas às outras. Onde é que está o Gulbenkian, esse verdadeiro poliglota, quando precisamos dele? E onde estava o Santo, esse dominador de pitas nacionais e estrangeiras? Se há um livro engraçado que costumamos ter junto ao balcão é a agenda Maria Raquel. É uma bonita agenda, azul na edição deste ano, com uma senhora de fato de treino a correr em direcção a parte incerta. E a agenda vem dentro de uma embalagem que inclui um pedaço de cartão que anuncia, além do preço, as ofertas e qualidades da agenda. E que fantásticas oferendas são estas, cortesia da agenda Maria Raquel? O belo do avental e do bloco de compras, ficando assim munidas, desde já, com as mais importantes ferramentas que uma mulher pode necessitar. Se quiserem incluir o direito ao voto e à equidade no trabalho entre homens e mulheres, estão à vontade, mas isso é muita emancipação para a Maria Raquel. A agenda inclui também segredos de culinária, conselhos de beleza, medicina doméstica e anedotas. A prenda ideal para aquelas três ou quatro dona de casa que ainda existem neste vosso Portugal.&lt;br /&gt;Depois temos aquela cliente que andava a vasculhar os álbuns colocados em cima da mesa, mexendo e remexendo freneticamente e que, sem qualquer aviso prévio ou saudação educada, berra lá da outra ponta da mesa: “O QUE É QUE ESTE HOMEM FAZ DA VIDA?”. Uma pessoa fica sempre na dúvida, estará a falar connosco? Haverá alguém debaixo da mesa? E este homem quem? Decidi aguardar por novos desenvolvimentos. A senhora levantou um livro e disse: “O AUTOR DESTE LIVRO, O QUE FAZ NADA VIDA?”. Desloquei-me até à senhora, pois se continuasse a berrar daquela forma a senhora acabaria por perder a voz e, sem voz, não seria capaz de dizer parvoíces. E sem parvoíces não há blog. Lá fui eu, então, e antes de chegar junto a ela, já estava a falar outra vez: “É QUE EU NÃO VOU COMPRAR ISTO SEM SABER O QUE É QUE O AUTOR FAZ!”. Eu tentei procurar na capa e contracapa alguma indicação biográfica do autor, mas sem sucesso. Não havia qualquer informação disponível. A senhora não ficou nada contente: “DESCULPE LÁ, EU NÃO VOU COMPRAR UM LIVRO SEM SABER QUAL É A PROFISSÃO DESTE JOAQUIM VIERA! PODE SER PESCADOR, PODE SER QUALQUER COISA, SEI LÁ!”: É, é isso mesmo, é pescador, e nos intervalos da faina anda a recolher informações e fotografias para fazer um livro sobre o Portugal dos anos 50. Típico, aliás, de qualquer pescador. E que tal, não sei, vamos fazer assim um exercício louco, que tal se a profissão dele for, imagine-se lá, escritor? Sei que parece uma loucura, mas pode acontecer. Qual é a profissão deste escritor? É escritor. Seria o choque total.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-7657695328083783141?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/7657695328083783141/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=7657695328083783141&amp;isPopup=true' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7657695328083783141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7657695328083783141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/03/o-que-fao-aqui.html' title='O Que Faço Aqui?'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-7463593919675739957</id><published>2007-02-21T22:04:00.001Z</published><updated>2007-02-21T22:41:21.787Z</updated><title type='text'>Vai Tudo Dar Ao Mesmo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há coisas que, por muito que ouça, por muito que veja, me deixam sempre com um riso difícil de conter, com aquele sensação de que vou explodir em gargalhadas e lágrimas. Especialmente quando tenho, nada mais, nada menos, que o lobo do mar Gulbenkian ao meu lado. Uma tia e sua respectiva filha (reparem no inicio desta frase. Se traduzissem isto para um inglês, de certo ele perguntaria: mas não devia ser tia e sua respectiva sobrinha? Devia. Bem vindo a Portugal) procuravam, espalhafatosamente, uns livros. Primeiro a filha chega ao balcão e pede livros da Agatha Christie, e quando eu saio do balcão para indicar a respectiva secção, ela vira as costas e sai da loja para falar com umas pessoas. Eu fiquei parado junto à secção, estupefacto, enquanto o Gulbenkian já estava com ar de quem queria rir. Lá veio ela, lá escolheu os livros e pediu à mãe para pagar. A mãe tinha ar de quem era irmã dela, tanta a plástica. Quase que posso jurar que cada vez que ela sorria, só mexia o lábio esquerdo e levantava ao mesmo tempo a perna direita. Se fizesse um som tipo “GHHHHHHZ COMO TE LLAMAS? QUIERO SER COMO TU!” eu tentava por lhe uma moeda na boca a ver se saía um ovo com brinde. Antes de pagar atendeu o telefone e desatou aos berros, a dizer como ficava louca porque ia jogar o Chelsea. Depois viu um livro de cavalos e disse que estava lá o cavalo dela. Mas ela não estava porque estava fora. Quando finalmente se lembrou de pagar, entregou o seu VISA, mas esta não passava. Ela disse que era normal, porque, atenção, “É O MEU CARTÃO SUBRESSALIENTE!”. E a esta altura já eu pedia encarecidamente ao Gulbenkian para se ausentar para o Back Office porque se olhássemos um para o outro alguém ia perder o controlo.&lt;br /&gt;Depois há clientes que enganam. Veja-se o caso da adolescente com ar cândido, com todo o aspecto de quem acabou de largar as saias da mãe, e que se passeia junto à secção de livros juvenis. Cara de quem não tem mais de treze anos, roupa de quem não tem mais que quinze, vê os livros descansadamente. Quando se dirige para o balcão, penso que lá vem mais uma adolescente perdida que não sabe onde estão os livros do Diário de Sofia ou do Diário da Princesa. Mas o que ela diz é o seguinte: “Boa tarde, tem o MANUAL DA BRUXA SATANICA?”. Ora bem. Nem mais. “O Manual da Bruxa Satânica.” Deve ser um clássico da literatura juvenil que desconheço. É que, reparem, não é só o facto de ela querer o manual da Bruxa, ela quer o manual da Bruxa que  é Satânica. Podia ser uma bruxa cristã, ou hindu, porque não? Mas tinha logo de ser Satânica. A juventude está perdida. Depois de verem a Floribella vão fazer rituais satânicos para o quarto.&lt;br /&gt;A secção do esoterismo atrai realmente muita gente. Num destes dias tentei ir buscar um livro ao esoterismo, uma secção que não tem mais de um metro de largura, e estavam cinco pessoas a tentar ver o que por lá havia. Seis, a contar comigo. Fui empurrado e acotovelado por pessoal feio e vestido de preto enquanto via pentagramas. Não me acontecia nada parecido desde o concerto de Slipknot.&lt;br /&gt;Um senhor chega ao balcão e diz o seguinte: “Boa tarde, vinha aqui há procura de um livro que ajudasse ou ensinasse a escrever. É tenho lá em casa um miúdo, que por acaso é meu filho, que tem dificuldades!”. Por acaso é filho dele. Que curioso. O pessoal geralmente tem miúdos em casa mas é para outras coisas. Olhem a casa de Elvas. Também podiam dizer que tinham uns miúdos em casa. Lá encontrei um livro para o caro senhor, e, depois de alguma conversa, falámos sobre o que ajudaria à escrita. Ele defendia a prática. Eu defendia que, além da prática, a leitura é essencial. Até que ele diz o seguinte: “Ler livros para depois ir escrever é a mesma coisa que ver futebol na televisão e depois ir jogar. Não serve de nada!”. É aqui que eu  não digo mais nada, apenas fico a ouvir na esperança que surjam mais pérolas como esta.&lt;br /&gt;Há coisas que me fazem alguma confusão. Astrologia para bebés é uma delas. Duas amigas que procuravam o livro comentavam que “aquilo é mesmo igualzinho ao bebé da Maria! O que diz lá é como ele é e como faz!”. Estavam maravilhadas. Esse livro é uma boa ideia. É só copiar o que os outros dizem sobre os adultos e acrescentar um horóscopo tipo: “segunda-feira o seu bebé vai fazer chichi e chorar quando tem fome. No plano das relações vai dar-se bem consigo se for boa para ele. Já na parte da noite, vai acordar quando tiver a fralda suja.”. E as pessoas compram… E vão mais além, compram Astrologia para Animais. “Deixa-me cá ver se é hoje que o Rex me mija o sofá…”. Com livros assim, o mundo é um local melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-7463593919675739957?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/7463593919675739957/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=7463593919675739957&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7463593919675739957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7463593919675739957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/02/vai-tudo-dar-ao-mesmo.html' title='Vai Tudo Dar Ao Mesmo'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-7581422799435665336</id><published>2007-02-02T18:13:00.000Z</published><updated>2007-02-02T18:14:52.360Z</updated><title type='text'>Quem é o Mais Forte?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Para aqueles que temiam que eu tivesse perecido perante a temível e dura formação, eis que eu volto para vos sossegar. (A minha empresa põe os clientes em primeiro lugar) Nada temam, a formação não foi a lavagem cerebral que toda a gente dizia que ia ser. (A minha empresa é a melhor do mundo.) É verdade, aquilo até foi engraçado, ver que nas outras lojas também é tudo doido, quer sejam os clientes quer os colaboradores. (Vender é importante, e o cliente é de ouro.) Mas a formação passou-se bem, afinal de contas, foram apenas dois dias. (O atendimento Premium é importante para fidelizar o cliente). Claro que quando voltei ao trabalho não pude aplicar nada do que aprendi, mas não dei o tempo por mal empregue. (Temos de ajudar os clientes a ajudar a empresa.) Há sempre coisas úteis que ficam e que ajudam a desempenhar melhor esta espinhosa função. (Vender. Vender. Vender. Vender. Vender.)&lt;br /&gt;E, logo um dos primeiros clientes que apanho é um senhor que, antes sequer de eu ter posto em prática as tácticas de aproximação ao cliente, já está a disparar em todas as direcções: “QUERO UM LIVRO AHN? MAS LITERATURA A SÉRIO AHN? TENHO 3500 LIVROS AHN? E ESCREVO CONTOS.”. Eu respondi apenas: Ahn… E desloquei-me para as novidades, para ver o que poderia agradar ao senhor. Enquanto pesquisava, ele continuava: “3500 LIVROS AHN? E ESCREVO CONTOS. E QUERO UM LIVRO A SÉRIO, NADA DESSAS PARVOÍCES QUE POR AÍ ANDAM”. Comecei por lhe sugerir alguns livros, que ele prontamente recusou, dizendo pérolas como: “O QUÊ? JÁ LI TUDO DESSE AUTOR AHN?” (quando o autor em causa apenas tinha um livro), “JÁ LI ISSO PRÁI HÁ TRÊS ANOS AHN?” (quando o livro era português e tinha saído o ano passado), “JÁ LI ISSO EM FRANCÊS! JÁ LI ISSO EM ESPANHOL! JÁ LI ISSO &lt;st1:personname productid="EM ITALIANO AHN" st="on"&gt;EM ITALIANO AHN&lt;/st1:PersonName&gt;? JÁ LI EM INGLÊS!” eram as respostas que ia dando conforme eu ia lhe passando livros para a mãe. Quando lhe dei o novo livro de José Luís Peixoto para a mão (brilhante, claro), o cliente diz: “JÁ LI TUDO DELE AHN? ESTE NÃO! HMMMMM… É MAÇUDO?” pergunta o cliente, e eu disse que não era nada maçudo. “ENTÃO E DIGA ME LÁ, É LINEAR? NÃO GOSTO DE CONFUSÃO AHN?” Muito linear, é uma linha trás da outra, não há que enganar… Mostrei-lhe a parte da maratona, e o cliente até ficou azul: “AH QUE CONFUSÃO! NADA DISTO, NADA DISTO AHN?”. Depois mostrei-lhe Murakami, e ele folheou e disse: “OUÇA LÁ, EU NÃO SEI QUANTO A SI, MAS EU DE CERTEZA QUE NÃO FALO COM O MEU GATO E ELE ME RESPONDE! NÃO QUERO ISTO!” Elucidativo da gentileza do senhor. Farto de mostrar novidades, passei para os clássicos da literatura. A resposta era invariavelmente: “TENHO 3500 LIVROS AHN? ESCREVO CONTOS!”: Quando lhe mostrei Dostoievsky, disse: “JÁ LI &lt;st1:personname productid="EM RUSSO AHN. ISSO" st="on"&gt;EM RUSSO AHN. ISSO&lt;/st1:PersonName&gt; É MAÇUDO, SÓ SE FOSSE PARA LER NAS ESTEPES DA SIBÉRIA, É MAÇUDO!”. Era claramente isso que Fiodor Dostoievsky tinha em mente quando escreveu “O Idiota”. Eu tentei manter critérios de qualidade na apresentação dos livros, mas, passado dez minutos já não fazia ideia do que lhe estava a passar para a mão. E foi assim, a escolher aleatoriamente, que ele se decidiu finalmente por dois livros. Os livros para ele ou não eram literatura a sério ou eram maçudos.&lt;br /&gt;E não podia partir sem vos falar de uma personagem já habitual da loja. Não temos (ainda) alcunha para ele, mas ele é merecedor de uma. Costuma ir à loja, nunca comprou nada, e consegue fazer as perguntas mais estranhas e sem sentido ou sem utilidade que se possa imaginar. Por exemplo, ele passa na loja, aproxima-se do Santo e pergunta: “Quem é mais forte, a Patrícia ou o Bernard Cronwell?”. O Santo teve de pensar três vezes antes de responder, caindo a sua resposta no Bernard. Eu, se tivesse no lugar dele escolhia a Patrícia, porque apesar de ser mulher ainda levanta 80kg com facilidade, o que não é de desprezar. Não contente, o cliente continua “Então e quem é mais forte, o Bernard Cornwell ou o VacVandermint?”. O Santo nunca tinha ouvido falar do VacVandermint, mas não hesitou em eleger este como o mais forte. E lá seguiu, o cliente, feliz da vida. Mais tarde viemos a perceber que ele se referia a Val McDermid, o que tinha obrigado o Santo a mudar a sua resposta. A próxima vítima fui eu. Perguntou-me como é que se fazia uma base de dados de livros, como é que nós a tínhamos organizado, como é que a podíamos melhorar. Depois da longa (e eficiente) resposta que lhe dei, perguntou-me quem era melhor, se o John Le Carré ou o Robert Wilson. Disse que era o John Le Carré, e ele disse: “Pois, eu prefiro o Robert Wilson, é que vi o filme “O Fiel Jardineiro”, depois li o livro e não havia nada de novo, parecia tudo muito familiar.” Não argumentei esta parte, porque ele tinha toda a razão. Depois pediu-me para comparar o tamanho dos capítulos de um e de outro, e claro, se eram mais fortes que o Bernard Cornwell. Tive que dizer que não e dar a mão à palmatória, o Bernard é o maior. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-7581422799435665336?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/7581422799435665336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=7581422799435665336&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7581422799435665336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7581422799435665336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2007/02/quem-o-mais-forte.html' title='Quem é o Mais Forte?'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-5635488060656288491</id><published>2006-12-15T13:11:00.000Z</published><updated>2006-12-15T13:45:43.746Z</updated><title type='text'>Conselhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O Natal já está mesmo à porta e é a loucura total. O Gulbenkian está apaixonado e anda todo simpático para toda a gente. O Santo anda todo mal disposto (dizem que por ciúmes) o que traz um certo equilíbrio à loja.&lt;br /&gt;Neste mês a presença no balcão é uma constante devido ao aumento das vendas, o que faz com que a probabilidade de encontrar algo de estranho também aumente. Vejam o caso de um senhor, talvez com 75 anos, de panamá azul, cachecol cinzento, bem vestido. Chega ao balcão e lê o meu identificador, primeiro o nome, depois o nome e apelido. Boa, pensei eu, sabes ler. “Diga-me lá se tem aí uns calendários!”. E eu apontei-lhe os calendários de parede o que obviamente não lhe agradou: “Não jovem, eu quero daqueles que se dobram e ficam tipo pirâmide na mesa!”. Eu expliquei que não tínhamos, que tentasse a Papelaria Fernandes. E quando pensava que a conversa tinha ficado por ali, ele encosta-se ao balcão e aproxima-se de mim e diz, em voz baixa: “Oh jovem, então e gajas boas? Assim boas, gajas nuas, tem?”. E eu às vezes cometo a falácia de dizer que já vi tudo, que nada me surpreende. Eu não respondi e ele continuou: “Assim calendários de gajas boas, mostre-me lá onde tem isso escondido!”. Eu expliquei que todos os calendários que tínhamos estavam expostos e fui lá mostrá-los. Ele começou a ver o calendário enquanto dizia: “Aqui não há gajas, quem compra isto é só bichas, só bichas!”. E depois foi-se embora.&lt;br /&gt;Há clientes, repito mais uma vez, que não têm noção do ridículo a que se prestam em público. Veja-se o caso do senhor que maltrata constantemente a sua esposa, sempre que esta lhe propõe um livro para oferecer. Quando ela lhe propõe o livro sobre D. Sebastião ele explode e diz: “ACHAS MESMO MULHER?! ESSE GAJO! ESSE GAJO ESPANHOL É FACCIOSO E DIZ QUE OS ESPANHÓIS É QUE SÃO BONS E QUE ELES SAIRAM DE PORTUGAL PORQUE QUISERAM E QUE OS PORTUGUESES SÃO TODOS DOIDOS!”. Olhando para ele concordo na parte dos portugueses doidos.&lt;br /&gt;E depois temos clientes que têm ideias que pensam que iam ajudar ao melhor funcionamento da loja. Uma senhora sugeriu que, já que distribuímos um catálogo de Natal, os livros do catálogo deviam estar numerados e assim os clientes, para poupar o trabalho de dizer um nome composto por umas ou duas palavras, apenas diziam o número. Tipo restaurante chinês. Isso facilmente daria azo a uma pessoa pedir o número do Saramago e receber um Pato com Ananás.&lt;br /&gt;Um conselho: se não sabem, não inventem. Não finjam que sabem. Dá mau aspecto. Um cliente queria livros de ficção científica. Primeiro disse-me que não gostava muito de FC porque achava aquilo complicado para ler. Estranho, mas não comentei. Então lá lhe indiquei a secção da FC e ele lá ficou a ver os livros. Quando volta, traz o livro “O Carteiro De Pablo Neruda”, de António Skarmeta. Pousa o livro no balcão e diz: “Eu já li este livro e gostei muito. Não sabia era que era de ficção científica!”. Eu expliquei que o livro estava lá ao pé, em baixo, porque alguém o deixou lá. E que não era FC. Tudo bem que alguém que não conhecesse podia ver lá o livro e até pensar (apesar do título, sinopse e capa nada indicarem) que podia tratar-se de FC. Obviamente que ele não leu o livro, senão nunca diria que não sabia que era FC. Se bem que a ideia é interessante, imagino um carteiro inter galáctico, numa super nave a destruir alienígenas enquanto levava os poemas de Neruda. Ou melhor, destruía os alienígenas enquanto declamava Neruda.&lt;br /&gt;Depois temos os problemas com o cartão de cliente cujo supra-sumo é a senhora que não se lembra do cartão, não se lembra se perdeu o cartão (o que é uma noção gira para debater, o não se lembrar se perdeu) e melhor não se lembra que nome deixou no cartão (geralmente é o primeiro e último, mas isso são as pessoas normais). Então pediu um cartão novo. O meu conselho: esqueça o cartão novo e vá ao médico, porque essa memória já teve certamente melhores dias.&lt;br /&gt;E há clientes que teimam em inovar. “Bom dia, tem biologias de atletas famosos?” O que há a dizer numa situação destas? Temos ali a perna do Lance Armstrong, o pulso do Valentino Rossi e o pé do Liedson (gostávamos de ter a espinha, mas consta que ele não a tem...). Último conselho: tentem pelo menos acertar no que pedem. Biologias, biografias, não é bem a mesma coisa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-5635488060656288491?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/5635488060656288491/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=5635488060656288491&amp;isPopup=true' title='39 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/5635488060656288491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/5635488060656288491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/12/conselhos.html' title='Conselhos'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>39</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-5216655852537066490</id><published>2006-11-29T22:57:00.000Z</published><updated>2006-11-29T22:58:47.100Z</updated><title type='text'>Canta Comigo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Daqui a nada estamos no Natal. Aliás, pelos enfeites e pelas músicas qualquer pessoa acordada de um coma profundo poderia jurar que já estávamos a poucos dias do Natal. Claro que quando soubesse que é Fernando Santos o treinador do SLB, voltaria rapidamente ao coma. E aqui pela livraria, vai tudo na mesma. Pilhas e pilhas de livros a acumularem-se no back Office, mil e uma invenções para conseguirmos arranjar espaço para os livros na loja, é o pandemónio total. E a entrada e saída de pessoas continua, desde o meu último post saiu mais uma pessoa, e entrou hoje outra. É o Benfica dos anos 90, é o que vos digo. Eu gostava de ser o João Pinto, mas o Gulbenkian é mais parecido por causa da farta pelugem.&lt;br /&gt;E os clientes continuam em grande. Uma das características que define alguns clientes é o seu gosto pela música. Por um lado, temos a senhora que não resiste enquanto ouve Smiths aqui na loja. Para além do bater incontrolável do pé, temos um murmurar da letra. E quando a música ganha força, ela não se controla e começa a cantar. Até aqui, tudo bem. O problema, caros amigos, é que quando Morissey canta isto: “A jumped-up pantry boy / Who never knew his place / He said return the rings / He knows so much about these things” a senhora diz: “XAMPAPUMPYPOY / LALA NENE NU IS PEISSSE / AAAHHHH TAAAARNE TO ME / NINOES TOMATCHE ABAUTE  TITIEEEES” Lá está. O Morrissey ficaria orgulhoso. Outros clientes que gostam de música são aqueles que vêm pedir informações ou pagar alguma coisa e não tiram os headphones dos ouvidos. O tirar ou não tirar é me indiferente, agora ouvirem música enquanto falam comigo… Dá azo a conversas como:&lt;br /&gt;- O livro está esgotado.&lt;br /&gt;- Ahn?&lt;br /&gt;- Está esgotado. O livro.&lt;br /&gt;- Quê?&lt;br /&gt;- Não está disponível.&lt;br /&gt;- Não ouvi bem.&lt;br /&gt;O que não é nada mal-educado nem irritante. Mas enfim. Eu percebo que deve ser interessante ver me embrulhar ou procurar um livro ao som do Eye Of The Tiger, ou do tema da A-Team. Agora que penso nisso, deve ser bem janota. É que são coisas perigosíssimas e de uma adrenalina extrema.&lt;br /&gt;Mas às vezes os problemas de comunicação não surgem só com clientes agarrados à música. Reparem um caso em que um cliente me pergunta se fazemos descontos a lojistas. Eu disse isto: “Não, porque fizeram umas alterações no nosso sistema informático, o que significa que agora para podermos fazer um desconto temos de inserir o número do cartão (ACP, GGD, etc) que dá esse desconto…”. Resposta dele: “Então, mas faz ou não?”. Eu comecei a frase com Não. Depois dei a justificação desse não. E o cliente ainda ficou na dúvida. Antes clientes fãs de música do que lentos de raciocínio.&lt;br /&gt;E depois temos os clientes que têm características especiais na fala. Por exemplo, o cliente que falava num tom perfeitamente normal, calmíssimo, mas que cada vez que dizia a palavra “samba” saí-lhe algo como “SAMBÁÁÀ!”? “Bom dia, eu gostaria de saber se tem o livro a história do (sobe o tom de voz) SAMBÁÁÁ?”. Disse-lhe que não, mas ele continuou, num tom de voz normal: “Então e diga-me, costuma ter ou esta à espera de receber alguma coisa de (sobe novamente o tom de voz) SAMBÁÁÀ?”. Voltei a dizer que não e ele voltou ao tom normal. “Ah, estou a ver. Mas conhece algum livro de música ou algum autor que foque o tema do (sobe tom de voz) SAMBÁÁÀ?”&lt;br /&gt;A Floribella é um sucesso mundial. Estava eu aqui no balcão descansado quando passam na montra uns senhores a falar uma língua que me pareceu oriunda do médio oriente. Então iam andando e falando, naquela língua altamente imperceptível, quando param, olham para a montra, e um deles diz: “AH… FLORIBELLA!” e continuam a andar e a falar árabe, como se não fosse nada. A Floribella ainda vai acabar com o conflito no médio oriente, só vos digo.&lt;br /&gt;Outro tipo de clientes que eu gosto muito são os que sabem tudo mas ainda assim gpstam de perguntar. Reparem, chega uma senhora junto de mim e diz: “Olhe eu vi na Fátima Lopes ou coisa que o valha uma senhora chamada Maria Helena que é astróloga e disse que ia sair uma agenda dos anjos, é mesmo assim o título, e disse que saía sexta, sabe o que é?” Não sabia, mas passei logo a saber. E a agenda chegou mesmo na sexta. Só que a agenda não se vende, é parte integrante do livro de previsões da dita Maria Helena. E agora reparem como são as fãs da senhora. Uma cliente pegou na agenda e deu-me para pagar, perguntando: “Quanto custa?”. Eu disse que não custava nada, que era oferta do livro de previsões. “Então não quero.”. Ela estava disposta a pagar algum dinheiro só pela agenda. Por esse dinheiro, podia levar a agenda e o livro de previsões, mas não. Se eu tivesse dito que o livro das previsões é que era oferta, ela tinha levado a agenda toda contente. Picuinhas, estas viciadas em astrologia.&lt;br /&gt;As crianças são realmente muito naturais em tudo o que fazem. Até a entrar de bicicleta pela livraria a dentro, ver o que têm a ver, dar meia volta e saírem, como se não fosse nada. Talvez tenha olhado para a farda e pensou que lhe podíamos arranjar gasolina. Inteligentes, os putos.&lt;br /&gt;Bom Natal.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-5216655852537066490?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/5216655852537066490/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=5216655852537066490&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/5216655852537066490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/5216655852537066490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/11/canta-comigo.html' title='Canta Comigo'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-6106787211383487053</id><published>2006-11-17T15:25:00.000Z</published><updated>2006-11-24T18:38:29.215Z</updated><title type='text'>A Como é Que Está o Litro?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Devido à grande quantidade de pedidos de algumas pessoas e dois ou três animais (um periquito e dois cães), venho deixar aqui mais uma pequena crónica do mundo dos livros em geral.&lt;br /&gt;Antes de mais devo dizer que a minha ausência foi causada pelo excesso de trabalho daquela livraria infernal. Só temos, assim por alto, o triplo dos livros que deveríamos ter, mas isso é indiferente. Soma-se a isso uma baixa de dois ou três dias e mais entradas e saídas de pessoal do que no Benfica dos anos 90 e aí temos a razão da minha ausência.&lt;br /&gt;Mas, já que voltei, tenho que contar umas coisas. A primeira situação prende-se com o facto de alguns clientes, neste caso uma cliente, fazerem o maior ar de entendido do mundo quando estão a falar dos assuntos sobre os quais não tem o mínimo conhecimento. Reparem, o facto de comprarem um livro sobre algo que desconhecem e querem passar a conhecer é altamente louvável e, seguramente, melhor do que comprarem e fingirem que já conhecem. Então a cliente vem para o balcão, com o seu ar todo entendido diz, do alto da sua sabedoria: "Queria o TÃO da Física, se faz favor." Lá está, não é o Tao da Física que ela quer, é o Tão! Isso do Tao é para o pessoal do Taoismo e tal, o Tão não, o tão é para os cultos. Pensei em recomendar-lhe o Tão da Sexualidade ou o Tão da Gestão, mas era conhecimento a mais...&lt;br /&gt;Depois temos os já famosos grupos de amigas. Quanto mais novas, pior são. É muita hormona, muita excitação, alguém desligue a televisão na hora dos morangos, por favor. Reparem, primeiro foram umas raparigas que queriam livros do Mário de Sá-Carneiro, especialmente "o mais recente, qual é que saiu à pouco tempo?". Custou-me muito, quase tive que pedir ajuda, mas tive de dizer às raparigas que, infelizmente, o Mário de Sá-Carneiro já está morto assim há algumas dezenas de anos. A voz ainda tremeu, mas tinha de ser forte. Enfim, deveres do Livreiro. Relativamente ao outro grupo de amigas, cada uma queria um livro diferente, e iam saltando de trás umas das outras para a frente do balcão, a perguntarem tudo ao mesmo tempo. Pareciam aqueles bonecos que saltam de dentro das caixas, mas menos inteligentes. Depois, para além dos guinchos e dos berros, falavam todas ao mesmo tempo, aparecendo em cima dos ombros umas das outras, eu já estava a sentir alguma claustrofobia. Pior que elas só mesmo os clientes que se apoiam, com cotovelos e tudo, em cima dos livros que temos no balcão.&lt;br /&gt;No extremo oposto do grupo de raparigas doidas, temos as senhoras de idade. Tive a oportunidade única de assistir a um encontro mítico em frente ao balcão. É daqueles momentos em que me apetece ir buscar um banco e um pacote de pipocas e ficar a apreciar o espectáculo. Então as senhoras, a propósito do livro "Os Amores de Salazar", estavam a discutir as várias paixões do mesmo Salazar, porque a prima de uma e a melhor amiga de outra tinham andado metidas com o próprio Salazar. Segundo uma delas, teria sido mesmo a prima dela que lhe tinha dado cabo da cabeça. E eu a pensar que tinha sido uma cadeira. Não devia ter faltado tanto a história. Depois tive o prazer de conhecer um sócio do ACP, casado com uma delas, que tinha o número de sócio abaixo do 100! Incrível. Consta que é sócio desde o tempo em que o ACP tratava de carroças.&lt;br /&gt;Outra bela novidade é a chegada das fardas para os colaboradores da Livraria. Muito bonitas, são assim duma cor entre um bege e um castanho, com uma gola à Jorge Jesus, do tempo do Felgueiras, ou ainda à Eurico Gomes. Penso, aliás, tenho a certeza, que já vomitei coisas com melhor aspecto, cor e mesmo textura que aquela farda. Depois com a farda veio um pequeno manual que tivemos de assinar, tendo em conta o bom funcionamento da mesma. Não se pode fazer alterações. O que é pena porque estava a pensar em bordar um símbolo do SLB e por o número 21 nas costas, mas assim já não posso. Ai está outra boa comparação, é tão feia como o equipamento secundário do SLB. Depois, nem sequer é permitido dobrar as mangas. A única coisa que se pode usar por cima é o identificador. O meu fio de ouro com a minha foto vai ter de ficar para dentro, e o Gulbenkian vai ter de por os pêlos para dentro também. Também dizem que se tem de ter uma camisola suplente na loja. É compreensível, pois o Santo passa a vida a babar-se, ele não pode andar sem uma muda de roupa. É uma medida que se aplaude. Sinceramente, e sem menosprezar os trabalhadores da Galp pelo pais fora, parecemos uns trabalhadores de bomba de gasolina. Quando chega um cliente ao balcão não sei bem se hei de perguntar que livro quer ou se é para atestar.&lt;br /&gt;Um bem-haja para todos os que pedem para eu escrever. E para todos os que precisam de gasolina. Aos que precisam de livros, comprem online. Até à próxima!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-6106787211383487053?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/6106787211383487053/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=6106787211383487053&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/6106787211383487053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/6106787211383487053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/11/como-que-est-o-litro.html' title='A Como é Que Está o Litro?'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-7999525256670755671</id><published>2006-10-22T13:46:00.000+01:00</published><updated>2006-10-22T13:47:39.478+01:00</updated><title type='text'>A Livraria No Centro Do Mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta loja vai sentir a falta do Mestre, esse mito da matemática moderna. Nem que seja só pelo facto de ele ser, na sua essência, um íman de clientes bizarros. Veja-se o caso da cliente que, quando se aproxima do balcão, a primeira coisa que diz é “Posso mandar uma SMS?”. Eu e o Mestre olhámos incrédulos um para o outro, perante tão invulgar pedido. A senhora continuou: “É que eu perdi-me do meu marido e queria mandar-lhe uma SMS a dizer para ir ter comigo ao carro…”. Explicámos que não tínhamos maneira de enviar uma SMS, mas que se quisesse ligar do nosso telefone, estaria à vontade. Lá pegou no telefone, ligou ao marido, que não estranhou o facto de a mulher estar a ligar dum número estranho. E lá seguiu, toda contente. O episódio em si encerra pouca importância. Agora, porquê sempre na livraria? Porquê aqui? Há centenas de lojas aqui à volta. Porque é que ligam sempre para nós quando querem saber se o Continente está aberto, se há sapatarias e se vendem todo o tipo de marcas ou anda se sabemos o telefone de alguma loja em especial? Porquê nós? Depois admiram-se que eu seja um solipsista confesso…&lt;br /&gt;Há famílias manifestamente estranhas. Reparem no caso da mãe que vem com dois filhos para a livraria. Enquanto ela e a filha mais velha estão descansadas no balcão a tratar dos seus assuntos, o filho mais novo anda para a frente e para trás na loja, com um livro qualquer na mão, de braços esticados para a frente, enquanto soltava um som que é particularmente difícil de descrever. Seria qualquer coisa como um HHHHHMMMMMMMMMMMMMMM gutural, tipo o som de um zombie, mas bastante mais prolongado e mais alto. E então lá andava ele, HMMMMM para um lado, HMMMM para o outro, parecia que vivia num sofrimento imenso. Sempre que se cruzava com outra criança eu temia que ele dissesse “Brains…” e tentasse mordiscar o frágil crânio da outra criança. Depois, cada vez que passava por trás da mãe, esta dava-lhe, vou tentar dizer isto de uma forma educada e suave, uma carga de porrada. Basicamente era isto. E o petiz lá continuava, completamente zombificado, a andar para trás e para a frente, sem proferir qualquer palavra, apenas a gemer como se não houvesse amanhã. E pelo tamanho da mão e da violência da mãe, talvez não houvesse mesmo.&lt;br /&gt;Há casos de clientes que frequentam muito a loja, quase diariamente, mas nunca levam nada. Pelo menos de forma oficial, entenda-se. Os erros de stock têm que surgir de algum lado. E num destes últimos dias, enquanto partilhava o espaço com o grande Gulbenkian (o que já se sabe que é propício a acontecimentos de índole estranha e inacreditável), um desses clientes que nunca compra (aliás, o maior mito desse tipo de clientes) aproximou-se do balcão para comprar. Um livro. Com dinheiro. Eu e o Gulbenkian aguardámos aquele momento com uma enorme ansiedade. O cliente aproximou-se e o Gulbenkian, mais rápido do que a própria sombra, lança um sonoro e bem disposto “Bom dia!” na direcção do cliente. Só que este desviou-se do bom dia, e respondeu com um cantarolar, assim uma espécie de zumbido de vários tons. Meu Deus, pensei eu, sempre julguei que o cliente cantante fosse um mito, como o mito do cliente bem disposto e simpático ou da cliente divorciada de 43 anos que tem problemas afectivos e corpo de 23 anos (mito que agrada, e de que maneira, ao colega Santo). Mas não, era real, ele estava ali, perante nós, a cantarolar. Pagou e em seguida foi-se embora, e nós ficámos a apreciar o momento histórico. Em seguida, nas nossas habituais discussões filosóficas (que abrangem tudo desde o existencialismo, passando pelos mais variados problemas económicos e sociais, bem como pela inclusão de Hilário no onze titular do Chelsea frente ao Barcelona), discutimos o que fariam aqueles clientes que se deslocam diariamente à loja e nada levam. O argumento do Gulbenkian deixou-me logo sem palavras. Ele, um proficiente estudante de filosofia, um verdadeiro humanista, preparou-se para dar a sua visão do assunto e eu, mero aprendiz, esperava ansiosamente pela sua sabedoria. “Secalhar são indecisos”, disse, sabiamente. E calou-se. Que domínio da condição humana, das razões psicológicas e sociais que levam pobres almas a visitar uma livraria diariamente sem nada comprarem. Obrigado, Gulbenkian, obrigado…É que além de aprender sobre a vida em geral, ainda aprendo línguas, como o espanhol. Foi uma honra ver o Gulbenkian dizer a uma cliente espanhola, quando esta estava com dificuldades no multibanco: “Por EL código, por EL código”. É o maior.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-7999525256670755671?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/7999525256670755671/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=7999525256670755671&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7999525256670755671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/7999525256670755671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/10/livraria-no-centro-do-mundo.html' title='A Livraria No Centro Do Mundo'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-4633450247696270102</id><published>2006-10-08T18:36:00.001+01:00</published><updated>2006-10-14T15:41:06.175+01:00</updated><title type='text'>Sem Opinião</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isto de ser Livreiro tem que se lhe diga. Eu saio daqui homem, saio daqui preparado para a vida. O que é de espantar, tendo em conta que quando aqui entrei chamava-me Francisca Manuela. Reparem, muitas vezes estou eu descansado no balcão quando chegam clientes que dizem, com o ar mais desesperado do mundo, coisas como “Preciso de ajuda!”, “Estou perdida!” ou ainda “Pode ajudar-me?”. As frases, por si só, dizem pouco, mas o ar de desespero que as pessoas ostentam é algo digno de registo. Eu já disse uma vez, depois dessas frases espero sempre que digam que o seu filho foi raptado e eu tenho de o salvar ou algo do género. Mas não, geralmente querem, imagine-se, livros. É altamente enfadonho. Mas eu estou aqui para ajudar. Posso não saber onde está o Orgulho e Preconceito mas raios me partam se eu não salvo alguém das chamas. Um conselho, Sr. Sócrates, ponha uns livreiros no meio da floresta. Além de ajudarem nos fogos ainda podem orientar as pessoas perdidas.&lt;br /&gt;Às vezes penso que a minha mente está a pregar-me partidas, de tal forma é surreal o cenário com que me deparo. Estava a atender uma cliente, concentrado no meu trabalho, vejo pelo canto do olho um vulto a ver livros na prateleira superior sem qualquer dificuldade. Fiquei espantado por ver alguém tão alto, especialmente por se tratar de uma senhora. Claro que quando olhei a segunda vez reparei que ela estava em cima da estante. Desviou os livros para o lado e para o chão e subiu para cima da estante. É tudo dela, basicamente. É sempre engraçado quando os clientes deixam a sua marca, mas uma pegada é ir longe demais amiga. Ela estava a ver os livros de esoterismo, se calhar queria chegar ao céu.&lt;br /&gt;Por falar em esoterismo, uma cliente habitual, habitualmente chata, lá foi para a sua busca diária de livros esotéricos. De repente, começa a gritar: “ALGUÉM ME PODE AJUDAR?! ALGUÉM?!”. O meu colega Mestre (que, infelizmente, já partiu, e aproveito para desejar a melhor sorte no seu curso de matemática) dirigiu-se até lá, pensando que talvez a senhora estivesse a ser sugada por algum vortex para uma dimensão paralela. É comum na zona do esoterismo. Mas não. Ela apenas queria um livro da prateleira mais alta. É caso para berrar como se estivesse a morrer. O meu colega lá lhe deu o livro e voltou para o balcão. Eu tinha a sensação de que aquilo não ia ficar por ali. E não ficou. Ela volta a berrar, volta a chamar o meu colega. E qual era o seu problema desta vez? A senhora estava muito incomodada porque, e passo a citar, “Como é que é possível ver alguma coisa nesta prateleira? É que uns livros estão assim”, e aponta para a esquerda, “e outros estão assim” e aponta para a direita. As edições brasileiras por vezes têm, na lombada, a direcção da letra contrária à das edições portuguesas. A senhora estava profundamente indignada e altamente confusa. O mundo dela parecia estar prestes a desabar. Eu, aqui ao longe, observava atentamente o desenrolar da conversa. A senhora continuava a falar vigorosamente enquanto apontava ora para a esquerda ora para a direita. Lá veio para o balcão e pediu para embrulhar o livro, algo que fiz de forma irrepreensível. Mas a senhora não ficou contente. Veio com o temível pedido do laço, algo que tive de recusar porque simplesmente não temos. Ela ficou furiosa, e tentei explicar-lhe que o facto de termos ou não laço não depende de nós, meros livreiros. Eu apenas embrulho com o material que me dão. Ela ficou altamente irada e disse: “NÃO TEM LAÇO?” eu voltei a responder que não e diz ela: “E NÃO TEM OPINIÃO?”. Não, opinião não tenho, está esgotada no editor. Apesar de não ser pago para ter opinião, obviamente que tenho opinão. Até tenho opiniões a mais. Veja-se este blog. Mas a importância da minha opinião, tanto para o cliente como para a entidade empregadora anda assim a roçar o nulo. Mas pronto. Limitei-me a não responder e ela lá seguiu, furiosa. Não convém enervar uma cliente que não pára de comprar livros de esoterismo. A esta hora já tem um boneco de voodoo da minha pessoa.&lt;br /&gt;Antes de partir, queria deixar aqui uma mensagem para os informáticos que fazem as bases de dados das livrarias. Além da pesquisa por tema, título, editora ou ISBN, sugiro que ponham um campo de pesquisa denominado COR. Isto porque, em 40% dos casos, o único dado que as pessoas sabem dar de um livro é a cor. Já foquei aqui várias vezes a problemática da cor amarela nos livros (algo que daria uma bela tese). Ainda hoje, uma cliente disse que não sabia quem era o autor ou qual era o título do livro, mas que era “assim a atirar para o roxo”. Com dados desta precisão só mesmo um livreiro de baixa qualidade é que não o localizam. O que foi, obviamente, o meu caso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-4633450247696270102?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/4633450247696270102/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=4633450247696270102&amp;isPopup=true' title='20 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/4633450247696270102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/4633450247696270102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/10/sem-opinio_08.html' title='Sem Opinião'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>20</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-115910252332136114</id><published>2006-09-24T13:54:00.000+01:00</published><updated>2006-09-27T13:00:28.533+01:00</updated><title type='text'>Mitos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Antes de passar à habitual e fastidiosa descrição dos mui extraordinários acontecimentos desta livraria do Portugal recôndito, tenho de dar (com um considerável atraso) os meus parabéns à Noiva de Portugal, que, por estas alturas, já é a Esposa de Portugal. É com agrado que vemos a Esposa de Portugal juntar-se ao clube dos casados. Consta que agora espalha o seu poder livreiro numa pequena arena desse Portugal (há rumores que dão conta que ela até já vende bilhetes de espectáculos, um tabu aqui nesta livraria) e que já usa bandarilhas como ninguém. Boa sorte e felicidades para os projectos futuros. E nada de sujar a carpete da loja.&lt;br /&gt;Não há nada melhor do que começar a manhã, depois de uma chuvada torrencial e de filas intermináveis na Marginal, com uma torrente de insultos, queixas e reclamações de um cliente, por telefone. É bom, dizem que tem L-Casei qualquer coisa, e depois do telefonema sinto-me logo preparado para o resto do dia. Então o senhor, um suposto escritor, de longas barbas brancas e roupa do século XIX, ligou, exasperado, porque, às 10 horas e 20 minutos, ainda não lhe tínhamos ligado a avisar que o livro que tinha encomendado já tinha chegado. Ora, a loja tinha aberto à 20 minutos, era manifestamente cedo para este tipo de coisas. Claro que o facto de o livro vir directamente pelo vendedor, num favor especial para o nosso gerente (escapando assim a um mar de burocracia e tempo perdido), e de ter sido dito claramente ao cliente que poderia passar na livraria depois das 14, era completamente indiferente. Era às 10 e 20 que queria o livro, porque tinha que entregá-lo à hora de almoço. Como não tinha qualquer conhecimento do estado desta encomenda, pedi um segundo ao cliente e comecei a pesquisar na base de dados, para verificar se o dito livro tinha chegado. De repente, sem nada o fazer prever o cliente diz, irritado: “VOCÊ ESTÀ A VER NO COMPUTADOR?!”. Eu, incrédulo, olhei em volta a ver se localizava alguma câmara por onde pudesse estar a ser observado. Não posso com estes clientes omniscientes, já aquele habitual, Deus, é a mesma coisa. Com ele não erros de stock nem livros perdidos. “NÃO USE O COMPUTADOR, OBVIAMENTE QUE NÃO VAI ESTAR NO COMPUTADOR!”. Se calhar ele estava a referir-se a estar no computador fisicamente. Isso já era improvável. Atenção, improvável, não impossível. Já vi muita coisa por aqui…. Obviamente que se o livro já tivesse chegado já estaria na base de dados, foi o que expliquei ao cliente, e obtive a seguinte resposta: “SE ELE CHEGOU AGORA COMO É QUE PODE ESTAR NO COMPUTADOR?! NÃO SEI SE VEIO DA EDITORA OU DE UMA DELEGAÇÂO VOSSA, MAS NO COMPUTADOR NÃO ESTÁ CERTAMENTE!”. Tentei explicar ao cliente que assim que ele chegasse, nós ligaríamos a avisar. Mas foi basicamente o mesmo do que tentar explicar a um cão para não saltar à espinha da Tia Dolores quando esta passa lá em casa por ocasião do Natal. Voltaram os berros: “QUE INCOMPETENCIA! NÃO SE PODE DEPENDER DA EMPRESA, ÍNCOMPETENTES! SE SOUBESSE TINHA IDO EU A LISBOA!”. Lá está, o insulto fácil. Logo pela manhã. Disse ao cliente que o melhor, em situações de urgência, é o cliente ir mesmo à loja de origem, para não estar dependente de editores, estafetas, correios e livreiros em geral. São vários elos, é mais provável que algo corra mal. A reacção não se fez esperar: “QUE INFELICIDADE! QUE DECLARAÇÃO INFELIZ! AGORA É QUE DISSE TUDO, NÃO POSSO CONFIAR NA VOSSA INCOMPETENCIA!”. Sou, portanto, um infeliz, para além de ser responsável por diversas pessoas e entidades. Foi nesta altura que me despedi cordialmente, dizendo que assim que o livro chegasse nós o contactaríamos, para evitar quer tivesse de desejar ao senhor duras e longas sevícias ao som de Luís Represas. Gostei especialmente da parte em que ele mentia com todos (os quatro ou cinco) dentes que tem, quando dizia que lhe prometeram que o livro chegava de manhã, quando o próprio gerente lhe afiançou que a partir das 14 poderia vir buscar o livro, que, pasme-se chegou por volta das 11 tendo o cliente passado na loja por volta das 12. É sempre bom recebermos reclamações antes mesmo de as coisas correrem mal.&lt;br /&gt;Por cada cliente mau há outro cliente mau. E de vez em quando há um bom. Ou menos mau, bom é raro. Estava acompanhado do Mestre (que nos abandonará em breve) no balcão, quando chega um cliente, envergando orgulhosamente uma camisola de treino do Benfica, do tempo do Camacho, que pergunta por enciclopédias automóveis. O Mestre indicou-lhe prontamente o local dos livros sobre automóveis, mas o cliente não se moveu: “Pois, esses eu já vi, e eu já tenho, mas é que esses livros têm dois ou três anos. Já saíram muitos modelos.” Eu e o mestre concordámos, como bons livreiros que somos, e reiterámos que eram mesmo só aqueles que tínhamos. “Eu queria assim um tipo enciclopédia, prontos, é que já saíram mais modelos nos últimos três anos.” Estava quase no ponto do adormecimento, devido à repetição incessante do pedido do cliente, quando este lança a seguinte pérola: “Prontos, eu quero assim um livro de A a Z, com os modelos desdes 1700 e tal, com os carros a vapor, até hoje em dia, com os carros a gasolina e tal.”. Ah, os famosos carros a vapor do Séc. XVIII. Muita gente pensava que isso era um mito, mas não. Tenho mesmo de arranjar uma enciclopédia dessas. . &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-115910252332136114?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/115910252332136114/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=115910252332136114&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115910252332136114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115910252332136114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/09/mitos.html' title='Mitos'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-115806755355259291</id><published>2006-09-12T14:25:00.000+01:00</published><updated>2006-09-23T10:23:09.686+01:00</updated><title type='text'>Fresco e Fofo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estou, sinceramente, a pensar em mudar o título do Blog. Estava eu perto do balcão, o Gulbenkian no Back Office e o Mestre algures perdido na loja, de lista na mão, tentando fazer mais uma devolução, quando um senhor, aparentemente insuspeito, se aproxima de mim e me aborda calmamente, com um bom dia praticamente inaudível. Retorqui (como manda a Norma do Bom Livreiro, capítulo III, parágrafo 8, logo a seguir à secção sobre o uso ou não de roupa interior justa e florida) e ele, antes de falar novamente, aproximou-se mais de mim. Ora bem, eu, apesar de não ser propriamente a pessoa mais afável que conhecem, ainda dou uns bons 50-70cm de distancia de tolerância para quando uma pessoa fala comigo. Ora, este senhor, aproximou-se perigosamente dos 20cm, deixando-me, naturalmente, perturbado. Mas, nada me poderia preparar para o que vinha a seguir: “Tem aí daqueles livros de higiene, pronto, higiene, pronto, higiene da vagina, assim da mulher”. Ponto número 1: quando um cliente intercala a palavra pronto entre cada frase é caso para nos preocuparmos. Ponto número 2: Ainda bem que é da vagina da mulher. Se fosse de outro ser qualquer seria bastante pior. Eu perguntei, incrédulo, “higiene da mulher?”, ao que ele respondeu, ainda a falar mais baixo: “Sim, pronto, quer-se dizer, higiene da vagina da mulher, assim para fazer uns servicinhos, o habitual”. Servicinhos? Secalhar ia abrir um bordel. Habitual? Lamento desiludi-lo, mas nada do que o senhor diz é habitual. Indiquei-lhe a zona da saúde feminina, sem saber bem o que fazer. Não conheço nenhum livro que fosse de encontro ao que ele desejava, especialmente porque o livro “Como Manter a Passarinha Jeitosa e Afins” estava esgotado. Um quarto de hora mais tarde, encontrei-o a ver um livro da Paula Bobone. Pode ser que, com boas maneiras, ninguém repare no cheiro. Sendo assim, depois destes últimos episódios, estou a pensar em mudar o título do blog para “O Ginecologista”. Parece-me apropriado.&lt;br /&gt;Há clientes chatos. Não há outra forma de dizer, e peço desculpa se estou a ofender alguém. Imaginem: estou eu a tentar aturar um cliente obcecado por esoterismos e dietas fantasmas (é mesmo o termo técnico, porque ninguém as vê) quando uma cliente, que estava a ver livros de culinária a um metro de nós, ouve a conversa. O cliente dizia-me que queria livros técnicos de nutrição e NÃO de dietas. A cliente aparentemente só ouviu a parte das dietas, então, para espanto de todos, enquanto ia procurando livros para ela, ia interrompendo a minha conversa com o cliente, dizendo: “Tem aqui um livro de dietas. Tem aqui mais um livro de dietas. Tem aqui ainda outro livro de dietas” enquanto ia atirando os livros para junto de nós. Isto era especialmente querido da parte dela, especialmente porque ela fazia isto cada vez que eu dizia: “Não, não temos nada” ela respondia com um “Olhe que tem aqui mais um livro de dietas” e atirava-o para junto de nós. Se quisesse ajuda contratava um macaco.&lt;br /&gt;Hoje de manhã atendi um casal na casa dos 60 anos. Era muito divertido. Ela era irritante. Ele berrava com ela. Ela ficava mais irritante. Ele batia-lhe e mandava-a calar e ir se embora. O amor é lindo naquelas idades. Queriam livros sobre Portugal, em Inglês. Dei-lhes duas alternativas. Um livro de 16€ e um de 35€. Começaram por ver o de 35€. Acharam muito melhor. Texto, fotos, tudo melhor. “Uma classe!” disse ela. “Está calada porra!” disse ele. Depois viram o de 16€. Acharam fraquinho. Depois perguntaram os preços. E, miraculosamente, o de 16€ ganhou uma qualidade brutal num espaço de 1 minuto: “Ah sim, pois, este de 16€, realmente, é de classe, tem qualidade, e tem pouco texto, eles também não querem ler aquela chacha do que é ser português!” ao que o marido respondeu: “Cala-te porra!” e bateu-lhe mais uma vez. Depois tentámos fazer uma transacção comercial normal, mas era complicado, porque cada vez que eu falava, o cliente não ouvia bem, a mulher repetia, e ele batia-lhe e mandava-a embora. E ela ria. Levaram quatro exemplares, para mandar para os Estados Unidos. O acto do pagamento foi complicado. Ele queria usar o Visa. Ela queria que ele usasse o cartão Multibanco. Mandou a logo dar uma volta, acompanhando a frase simpática com um doce cachaço no braço. E ela riu-se. O pior de tudo (e, consequentemente, o mais engraçado) é que eles voltaram atrás para comprar outro livro e fizeram o mesmo circo novamente.&lt;br /&gt;Quando é que tenho férias outra vez? &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-115806755355259291?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/115806755355259291/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=115806755355259291&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115806755355259291'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115806755355259291'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/09/fresco-e-fofo.html' title='Fresco e Fofo'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-115684291466594148</id><published>2006-08-29T10:09:00.000+01:00</published><updated>2006-09-23T10:35:54.513+01:00</updated><title type='text'>Peito de Cristo!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De regresso ao trabalho, tenho passado a maior parte do tempo na companhia do Mestre. E, para minha infelicidade, tenho reparado que ele é o maior iman de personagens que existe à face da terra. E eu pensava que só aconteciam coisas estranhas quando estava com o Gulbenkian no balcão... Numa manhã que passou, estávamos os dois no balcão, cada um ocupado no seu posto de trabalho quando um senhor chega perto do balcão, pára perto dele e diz: "Tem o livro... VAGINA?". O Mestre, reconhecido conhecedor da intimidade feminina, prontamente corrigiu o cliente, dizendo-lhe que o livro que procurava seria, provavelmente, "A História de V" das Edições ASA. "VAGINA, o livro chama-se VAGINA, é o que quero", respondeu o cliente e mal o Mestre tentou explicar-lhe que não temos um livro com esse título, o cliente diz imediatamente: "VAGINA.". Simplesmente "VAGINA.". Lá foi o Mestre levar o cliente até ao livro, que, obviamente, era o livro que ele tinha sugerido. "VAGINA." e foi-se embora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Geralmente, quando partilhamos o balcão, esse espaço sagrado da loja, o Mestre fica encarregue da caixa, e eu, na mais pura inutilidade, apenas sirvo para abrir os sacos para que ele coloque lá os livros. Foi numa dessas ocasiões que um cliente, munido daquele magnífico sentido de humor que os clientes normalmente têm, diz: "Ena... É 2 em 1". A reacção da plateia foi o silêncio total, acompanhado de uma expressão de pesar profundo. Somos, como já referi, um público díficil.&lt;br /&gt;Num daqueles períodos em que me encontrava sozinho na loja entrou um padre, que prontamente se dirigiu à zona dos mapas. Procurou, procurou, e, finalmente lá encontrou um mapa que parecia agradar-lhe. Abriu o mapa em cima da mesa dos álbums e ficou ali, durante largos minutos, a estudar o mapa. Eu acho que não temos mapas com o caminho para a salvação, mas eu não sou de fiar. Parece que o mapa estava de acordo com as rígidas normas católicas (ao que parece nunca tinha praticado um aborto ou feito sexo com preservativo) e o Sr. Padre trouxe-o até ao balcão para pagar. Pensei em fazer-lhe uma ou duas perguntas, mas tinha medo que ele me condenasse à eternidade no inferno. E eu teria que lhe dizer oh Sr. Padre, mas eu já trabalho numa livraria num centro comercial. Ele provavelmente choraria e absolviria-me de todos os meus pecados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; Já no Domingo de manhã, esse dia sagrado das personagens, num dos dias mais parados do ano, estava o Mestre a tentar resolver a questão dos pedidos de cliente e eu a beber Coca-Cola à porta do back-office, quando ouço, vindo da porta: "OH JOVEM! OH, JOVEM!". Se há coisa que eu aprendi, e que deveria ser ensinado a qualquer pessoa que trabalhe no atendimento ao público, é que se aparecer alguém à porta a gritar "OH  JOVEM!" repetidamente é mau sinal. Fica o aviso. Bom, pousei a Coca-Cola e fiquei a ver o que se iria passar. O cliente, se assim se pode chamar, tinha um blazer azul, óculos fundo de garrafa, trazia uma pasta na mão esquerda e um cartão identificador no lado direito do blazer, escrito à mão. Ele entrou na loja e já vinha a falar desde lá de fora. Devo vos dizer que os primeiros dois minutos de conversa dele, a única coisa que conseguimos entender foi "livros medicinais", "gasto mil contos em livros", "plantas medicinais" e "oh jovem". O cliente tinha a voz completamente anasalada, dando toda uma nova dimensão à palavra "fanhoso". Já estávamos a achar aquilo altamente estranho, quando ele começa a dizer: "Eu sou o Dr. Astrólogo! Está aqui, está aqui!" e aponta para o identificador, escrito à mão, onde dizia, lá está, Dr. Astrólogo. "Mas você também é astrólogo, e o seu colega também! Você é astrólogo!" apontando para o Mestre. O Mestre é reverenciado por várias personagens ligadas ao sobrenatural e oculto, por isso eu não estava nada surpreendido. Mas o cliente continuou: "Eu sou astrólogo, quer ver?" e eu ai tive medo. Olha se ele diz que o Sporting ia ser campeão este ano? Eu entrava em coma já ali. Mas não. Foi muito pior. "Tem Bíblias? Mas eu quero Bíblias cristãs, nada de Bíblias de Jeovás!" e enquanto diz isto, põe a mão sobre o baixo ventre e encolhe a barriga de uma forma quase desumana para dentro, salientando brutalmente a caixa toráxica. "Sou astrólogo, está a ver? PEITO DE CRISTO! PEITO DE CRISTO ESTÁ A VER?!" dizia ele enquanto apontava para o ventre e caixa toráxica. "PEITO DE CRISTO!" repetia, enquanto o Mestre tentava a todo o custo tentar perceber em que dimensão é que ele se encontrava e eu basicamente tentava concentrar-me para não rir. Se estivesse com o Gulbenkian, a esta altura ja estávamos a rebolar a rir. O cliente continuou: "Este é o PEITO DE CRISTO! e você é o S. PEDRO!!!" diz ele, apontando para o Mestre. S. Pedro... Nada mau. Eu já estava ansioso por saber quem eu era. Ele não disse nada. Não tenho pinta de apóstolo. "Sou astrólogo e é por saber certas coisas e por não acreditar na igreja que eles dizem que sou maluco. É por isso que estou num sanatório!". A esta altura já ele nem queria saber de livros de plantas medicinais nem nada que se pareça. Depois, sem parar a conversa do sanatório, dirigiu-se para fora da loja, sempre a falar e a gesticular, enquanto desaparecia no horizonte. Peito de Cristo... O mais curioso é que até se assemelhava à cena da crucificação. Nunca mais vamos ser os mesmos. Até porque sempre que chover vou culpar o Mestre por isso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-115684291466594148?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/115684291466594148/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=115684291466594148&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115684291466594148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115684291466594148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/08/peito-de-cristo.html' title='Peito de Cristo!'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-115436063714350500</id><published>2006-07-31T16:42:00.000+01:00</published><updated>2006-08-25T21:29:33.876+01:00</updated><title type='text'>Anomalias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E eis que sem qualquer tipo de aviso encontro-me novamente de férias. E tudo graças ao nosso filantropo preferido, o verdadeiro senhor da escrita indecifrável, Gulbenkian. O grande Gulbenkian trocou as férias comigo, para eu poder passar as férias em família. Este homem é um senhor, este homem é um mister. Ele ajuda sempre que pode. Vejam este exemplo que eu creio ser paradigmático da sua boa vontade. Uma personagem que tem uma biografia recentemente editada (vou só dizer que o nome começa em L e acaba em S e tem as letras ili Caneça dispostas de forma perfeitamente aleatória no meio) foi, como já é hábito, dar uma espreitadela à livraria para ver se o seu livro estaria a vender bem. Ora, desde o primeiro minuto, Gulbenkian, sempre zeloso, achou que o livro representava um desperdício de espaço na loja. Então, à primeira oportunidade, despachou o livro para o back office, no sentido de encontrar espaço para a torrente imparável de novidades. É uma prática comum, o livro nem sequer estava a vender. Espantada por não ver nenhum livro, a personagem em causa dirigiu-se ao balcão e perguntou onde parava a sua biografia. Gulbenkian, fingindo que não sabia de nada, perguntou o nome do autor. A personagem ficou ruborizada, como se aquela pergunta , como se fosse um atentado à sua dignidade e fama. Verdade seja dita, ela é apenas a biografada, não é, efectivamente, a autora. Lá surgiu a resposta e Gulbenkian, eficiente como sempre, deu rapidamente com o livro na base de dados. Mas nada podia faser prever o que viria a seguir. Gulbenkian disse à senhora que tínhamos vendido todas as unidades do seu livro. Ela ficou radiante, pensou logo em pedir ao seu editor mais exemplares. Ele desaconselhou-a, explicando que isso seria tratado centralmente. E lá partiu ela, feliz da vida. E lá foi o Gulbenkian, colocar dois ou três livros na área das biografias. O resto continua lá dentro. Mais uma boa acção de Gulbenkian. Um dia o Cosmos que ele tanto maldiz irá compensá-lo por tudo. Já alguns clientes não conseguem conter os seus sentimentos em relação ao livro da senhora. Temos um caso que ilustra bem esta situação. Duas senhoras, perto dos 65 anos de idade, passeavam despreocupadamente pela loja. Ao ver o livro em questão, a senhora pára, olha o cuidadosamente e em seguida levanta-o bem alto, dizendo para a sua amiga: "Já-me vistes bem isto? Olha só o desperdício de árvores que aqui está!". Velhinhas mas acutilantes. Tenho curiosidade em saber o que pensam do livro Arlinda Mestre, a senhora que é jovem e devora a vida, nas palavras dela. Ouvi dizer que a vida é indigesta, secalhar é por isso que ela é assim. Não sei, não sou nutricionista.&lt;br /&gt;Nestas duas semanas vi-me obrigado violentamente a desempenhar funções para as quais não sou nem remunerado nem formado. Numa manhã aparentemente normal, deparo-me com um Multibanco fora de serviço. Tento ver o que se passa, mas surge sempre uma malfadada anomalia, a 4S8. Sem qualquer alternativa, lanço-me ao telefone e ligo para a assistência. Logo atende um homem prestável que parece interessadíssimo em ajudar-nos. O problema surge quando digo que a anomalia é a 4S8. "4S8? Não, não pode ser, isso não existe." Verifiquei, voltei a verificar, pedi a opinião de Mestre, o nosso colega matemático, perito em números, e ele confirmou. Aquilo, meus amigos, era um S. "Não pode ser! Não será 440?". 4-S-8, disse eu. Quanto muito seria 458, disse, mas 440 nunca. "Não, não pode ser". Depois de muita insistência, lá conseguiu perceber que a ideia era mesmo ir lá alguém à loja, e aí logo veriam o que seria. "Então vou mandar aí alguém, a anomalia é a 440 não é? Ah, 4-S-8. Pois, pois, então eu mando um técnico, para arranjar a anomalia 460. Ah, sim, sim 4S8, pois." Eu acho que ele estava a tentar hipnotizar-me por telefone ou coisa que o valha: "Não há qualquer anomalia...". Depois demonstrou o seu domínio da língua portuguesa: "Sim, bem, em 24 horas geralmente temos a resolu... A resolvi... A relosu... Pronto, isso resolve-se." Nem mais, quem fala assim não é gago! Agora, de férias, não vou estar lá quando o problema for resolvido. Há que ressalvar o facto de passado 72 horas o problema ainda persistir. Secalhar o 4-S-8 é uma anomalia tramada. "Olhe, é da assistência? É só para dizer que temos uma anomalia, o 4S8. O quê, o terminal vai autodestruir-se dentro de 5 minutos? Ah ok, está bem então." O nosso terminal é tramado, inventa anomalias.&lt;br /&gt;Boas férias!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-115436063714350500?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/115436063714350500/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=115436063714350500&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115436063714350500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115436063714350500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/07/anomalias.html' title='Anomalias'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-115374688811427791</id><published>2006-07-24T14:11:00.000+01:00</published><updated>2006-07-30T12:18:03.120+01:00</updated><title type='text'>Boas Acções</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Num regresso de férias que não pode ser considerado algo menor que heróico, volto para deparar-me com as adversidades e incidências rocambolescas do costume. Está tudo na mesma, basicamente. Tenho entrado 30 minutos antes da loja abrir, para tratar dos mais variados assuntos burocráticos, nomeadamente a “verificação do meu e-mail”, o protocolar “deixa lá ver o que diz A Bola hoje” e o administrativamente entediante “que CDs novos é que há aí para comprar”. Bom, é um trabalho árduo, tenho de admitir.&lt;br /&gt;O problema é que, para além dos aromáticos entregadores de mercadoria, surgem alguns telefonemas que atrasam o bom funcionamento da livraria. Hoje, por exemplo, ainda faltavam 20 minutos para a loja abrir quando liga uma senhora que queria um livro de Virgílio Ferreira. Livro esse que, para não variar, encontrava se esgotado. Depois de recuperar da desilusão causada pela não disponibilidade do seu livro, a cliente diz o seguinte: “Olhe, e podia dar-me só uma informação…”. Pensei logo que queria saber o Continente estava aberto ou qualquer uma das outras perguntas do costume, mas não: “Olhe, por acaso conhece, ou sabe se está aberta, uma loja chamada FNAC, F-N-A-C, FNAC, conhece? Acho que também vende livros…”. Não amiga, eles vendem enchidos e dos bons, aquilo é qualidade… Depois quis o telefone da FNAC, e eu, num esforço desesperado para me soltar das suas amarras, dei-o de bom grado. Fiz a minha boa acção do dia...&lt;br /&gt;Já diversas vezes mencionei aqui toda a problemática que envolve os pedidos de cliente. Verdade seja dita, a minha letra não é famosa. A do Santo também não é das melhores. Mas, a do Gulbenkian bate todos os recordes. A pessoa responsável pelos pedidos (vamos chamar-lhe, para protecção da sua identidade, “Noiva de Portugal”) queixa-se constantemente, e também muitas vezes, com toda a razão, da nossa letra. Nas suas palavras, a nossa “letra é má, mas a do Gulbenkian extravasa o razoável”. O meu problema em particular são os números. Entre quatros e noves, setes e uns, venha o diabo e escolha. Também, não vejo qual é o problema. Vão tentando todos os números até acertarem, as possibilidades não são infinitas. Mas, pelo menos, preencho na totalidade os dados absolutamente necessários para o bom desempenho de quem faz os pedidos. O Gulbenkian, para além da sua letra, também tem graves dificuldades no preenchimento das encomendas. Recentemente, apareceu um papel de encomenda com a letra dele (sem estar datado ou assinado) que dizia apenas México Insight Guide. Sem nome de cliente, sem número de telefone. Prevejo que, brevemente, Gulbenkian comece a deixar pedidos apenas preenchido com a palavra “LIVRO”. Apenas “LIVRO”. Para quê perder tempo com assuntos triviais? O que é a pessoa quer, afinal de contas? Um “LIVRO”, apenas e só um “LIVRO”. O resto a Noiva de Portugal que descubra. Para terem uma melhor noção da dimensão do problema do Gulbenkian, na semana passada, tive de me deslocar juntamente com ele, em mais uma boa acção,  à Universidade que frequenta, numa viagem que somente posso apelidar de alucinante, para recuperar um teste de Filosofia. Digamos que o conceito de “redução” aquando de uma travagem é totalmente desconhecido para ele. Sobrevivemos. É o que importa. Gulbenkian, o primeiro filósofo-baixista-voluntário-livreiro-escritor (mas certamente não o último, tenho certeza que ele deixará um vasto legado) do Universo, recebeu, quando se encontrava na praia a vislumbrar a sombra causada pelo seu pêlo corporal na areia, um telefonema da sua professora. Esta disse-lhe que nem soletrando conseguia perceber o que estava lá escrito. Quando vi o exame, dei-lhe toda a razão. Nem o próprio Gulbenkian percebia o que estava lá escrito. E reparem, o homem tinha feito um rascunho antes. Mais valia ter entregado o rascunho. Como é que posso descrever a letra dele? Gostaria de ter um paleógrafo disponível para me ajudar neste caso, porque é deveras complexo. Ora bem, imaginem uma pessoa normal a tentar escrever, com a mão esquerda (no caso de ser dextro) enquanto se deslocava num jipe sobre as dunas, de olhos vendados. É mais ou menos esse o resultado final. Uns hieróglifos imperceptíveis, apenas ao alcance dos predestinados. Consta (e estou a tentar ao máximo trazer provas disso) que, quando Gulbenkian fez os seus hieróglifos naquele teste de filosofia, abriu-se um portal no Egipto, capaz de nos fazer viajar através do espaço e do tempo. É verídico.&lt;br /&gt;Dêem graças a Deus de o blog não ser manuscrito. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-115374688811427791?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/115374688811427791/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=115374688811427791&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115374688811427791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115374688811427791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/07/boas-aces.html' title='Boas Acções'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-115168410308075280</id><published>2006-06-30T17:13:00.000+01:00</published><updated>2006-07-23T22:45:17.493+01:00</updated><title type='text'>C'est Les Vacances</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Entrei de férias ontem, mas senti-me pressionado para vir cá deixar mais uma tese sobre a vida rural dos vendedores de cautelas em Celourico-da-Beira. Mas, como não fui capaz de urdir uma tese com pés e cabeça (o costume, portanto), deixo-vos com mais acontecimentos da livraria.&lt;br /&gt;E se há acontecimento comum é o cliente que se encontra num dos maiores dilemas da humanidade (está actualmente classificado entre a discussão do aborto e da eutanásia) que é o “entro na loja com o carrinho das compras ou deixo-o lá fora, correndo o risco de ficar sem tomates”. Esta situação ameniza-se quando há companhia. Fica alguém a guardar as compras enquanto o outro vai e trata dos seus assuntos da livraria. E, foi mesmo ontem que, enquanto arrumava umas prateleiras na companhia do grande Gulbenkian, esse verdadeiro descende dos filósofos gregos (em pensamento e quantidade de pelo), surgiu um casal à procura do livro que optou pela táctica do “mulher fica com as compras, homem parte em busca do livro”. É uma táctica arrojada, poucas vezes executada. O senhor em causa não tinha muito jeito para encontrar livros, então a senhora, experiente, gritava lá de fora: “ESQUERDA, MAIS PARA CIMA, DIREITA, MAIS, MAIS PARA BAIXO!”. O Gulbenkian, mordaz e oportuno como sempre, disse que pareciam os saudosos Jogos Sem Fronteiras. E tinha toda a razão. Senti-me um verdadeiro Eládio Clímaco. Para mim, aquilo foi uma potente demonstração do primeiro “Marido Telecomandado” do mundo. Fiquei convencido.&lt;br /&gt;Com a chegada do verão aumenta a procura dos guias turísticos e dos mapas. Além do choque que é não termos mapas de Cascais, os clientes arranjam sempre maneira de se queixar de alguma coisa. Ou porque o guia é pequeno, ou porque é grande, ou porque há da Itália mais não há da Toscana ou porque não encontram o guia do Benim ou do Burkina Faso. Mas ninguém bate a senhora que pede um guia de África. Eu digo que não temos, e que nunca recebemos um guia de África, perguntando-lhe em seguida se queria algum país em especial. “Não, quero mesmo de África toda!” responde ela, já meio chateada e eu, sem poder fazer mais nada, volto a dizer que não temos nem vamos ter um guia de África. “Desculpe lá, se tem da Índia ou Alemanha, porque é que não tem de África?” inquiriu ela. Não consegui evitar, tive que lhe indicar o óbvio: “Pois, é que a Índia e Alemanha são países, África é um continente.” E bem grande, por sinal. Depois da senhora deixar passar na sua cara algumas cores entre o vermelho e roxo, soltou fumo das narinas e disse: “OBVIAMENTE QUE EU SEI QUE SÃO PAISES! E SEI QUE AFRICA É UM CONTINENTE! EU SEI A DIFERENÇA! EU SEI!”. Não era para ofende-la, mas ela estava a insistir demasiado. “Então, mas tem ou não tem?” Eu já tinha dito que não várias vezes, mas quem sou eu para dizer uma coisa dessas não é? O que eu digo não se escreve. Voltei a explicar-lhe que não tinha guias relativos a um continente no geral, só a alguns países em particular. Ela ficou furiosa e saiu. Não tive sequer tempo de lhe desejar boa viagem.&lt;br /&gt;Os clientes muitas vezes, apesar de dizermos que não temos um livro, insistem para que consultemos a base de dados. Mas, encontram sempre maneiras curiosas de o fazer. “Não pode ver no seu computadorzinho?”, “Não ver na sua list?a” ou o meu preferido “Pode consultar os seus ficheiros?”. Este último, quando é acompanhado de um ar desconfiado e tom de voz solene, faz me sentir como um agente da PIDE.&lt;br /&gt;O verão é também a época de algumas loucuras. Veja-se o caso de três amigas que estavam a consultar a secção de história. Pareciam ser pessoas normais (o que é difícil, nesta livraria). Até que começam a rir, a rir, a rir. Perdidamente, e aparentemente sem razão. Pelo meio dos risos conseguia ouvir um trémulo “vai dizer ao senhor, vai dizer ao senhor”. Não estava mais ninguém na loja, o “senhor” deveria ser eu. A piada não é isto, não se riam. Bom, finalmente uma delas ganha coragem, e entre o limpar das lágrimas diz: “Desculpe, podia ajudar-me? É que caiu ali uma coisa para trás…”. As outras riam. Eu disse que não havia problema, que, eventualmente, nós apanharíamos o livro que tinha caído. Elas riram ainda mais. “Não está a perceber, foi a minha peça que caiu lá para trás!” E riam as três, perdidamente. Deixou cair a peça dela, portanto? Certamente que era uma peça da cabeça, tal a figura que ela estava a fazer. Sem outra alternativa, lá tive que abandonar o meu posto de trabalho e ir afastar a prateleira. Depois da nuvem de pó dissipar-se, encontrei um caderno caído lá atrás. Entreguei-lhe o caderno. “Obrigado, salvou-me a vida” disse ela. Não quis desiludi-la, mas acho que o que ela tem não tem cura ainda… A minha pergunta é a seguinte: O que é que raio ela estava a fazer para o caderno ir ali parar? Acho que nem elas sabem.&lt;br /&gt;Boas Férias (para quem tem sorte de as ter…).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-115168410308075280?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/115168410308075280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=115168410308075280&amp;isPopup=true' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115168410308075280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115168410308075280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/06/cest-les-vacances.html' title='C&apos;est Les Vacances'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-115150439313936234</id><published>2006-06-28T15:18:00.000+01:00</published><updated>2006-07-22T09:14:24.473+01:00</updated><title type='text'>Live In Paris</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Já não posso ouvir Diana Krall. Imaginem isto: 5 ou 6 horas seguidas, 3 vezes por semana, sempre o mesmo CD. Sempre. Eu já não aguento, torna-se difícil fazer seja o que for com a constante repetição das músicas. De vez em quando surge uma música nova, a aparelhagem carrega outro CD. Surge uma ténue esperança, mas logo logo aparece a Feiticeira, essa paladina da repetição musical, e volta a por o CD da Diana Krall. Como se não bastasse o factor repetição, também tenho que estar constantemente a dizer aos clientes o que está a tocar. Todos os dias alguém pergunta o que está a tocar. E todas as vezes que isso acontece, sinto-me muito tentado a dizer: “Gosta?! Então leve! Já!”, mas, a moral e os bons costumes impedem que faça isso. Mas, ainda há pior. Além da repetição e das perguntas, temos algo infernal, demasiado horrendo para ignorar: o dançar. E se eles dançam. Confesso que a utilização do termo “dançar” pode ser considerada inadequada, mas é um termo familiar para a maior parte das pessoas (veja-se, por exemplo, Jerónimo de Sousa). É vê-los ai, espalhados pela loja, a dançar. Depois de várias horas de estudo, devidamente fundamentado por alguma leitura técnica, consegui dividir os dançarinos em dois grupos distintos. O primeiro grupo, composto maioritariamente por homens, executa um rápido abanar ou bater do pé, sempre fora de ritmo, com ramificações ao nível do estalar do dedo ou abanar da cabeça. Basicamente parece que estão com espasmos. Eles tentam cantarolar alguma coisa, mas o som que emitem é altamente imperceptível. Geralmente encontram-se nos cantos da loja, soltando pequenos espasmos e tiques ao que eles julgam ser o ritmo da música. Usam calças beges e camisas lisas. O cabelo é geralmente grisalho. O segundo grupo é composto maioritariamente por mulheres, e a dança é mais ao nível da coxa (como movimentos para trás e para a frente) e do joelho (movimentos para a esquerda e para a direita). O abanar de anca é por vezes de tal forma que, se mascassem pastilha, fariam boa figura nas movimentadas noites do parque Eduardo VII. Geralmente encontram-se nas esquinas da loja, entre as gôndolas. Relativamente ao grupo maioritário, infelizmente não tenho em minha posse dados estatísticos e correspondentes gráficos, mas, com base nas minhas investigações, diria que o grupo dominante é o grupo que abana a anca. Sei que posso vir a ser condenado pelos mais variados quadrantes da comunidade cientifica por uma observação ousada e inovadora como esta, mas é assim que penso. Ontem temi pela vida. Do meio do nada, um dos adeptos do espasmo foi se deslocando ao longo da loja, na direcção de uma abanadora de anca. Bom, meus amigos, senti-me como se fosse um explorador a observar o acasalamento entre dois Pandas. Decidi afastar-me e manter me em silêncio. Não queria perturbar o momento. Foi fascinante. Olharam um para o outro, reflectiram-se sobre o ridículo da figura que observavam, o que levou a reparem no ridículo da sua própria figura. O senhor limpou a garganta e saiu da loja embaraçado. A senhora ajeitou o cabelo e isolou-se num canto a contar uns livros. A Diana Krall continuou a cantar, e eu, infeliz, imaginava a tampa do piano a cair sobre os dedos de uma canadiana (e não americana, como alguns incultos para aí apregoam...) loura…&lt;br /&gt;No nosso balcão temos uns marcadores num expositor bastante curioso, e, obviamente, pouco prático. Digamos que a única utilidade que consigo deslindar é a sombra que lança sobre o monitor, impedindo que fique encadeado com os holofotes, enquanto escrevo estas linhas. Os marcadores dão mais trabalho do que dinheiro. É sempre comum ver putos ranhosos e pitas histéricas à procura do nome e seu significado. Soltam sempre uma leve risota por gostarem do significado do seu nome, ou arranjam sempre maneira de fazer troça do significado do nome dos companheiros. Mas, há sempre alguém que gosta de se desmarcar dos demais. Estava eu no back Office com aquele grande mouro de trabalho e colecionador de multas, Gulbenkian, quando ouvimos o seguinte comentário: “Filipe, amigo de cavalaria, Fransico, homem, livre, Aster… ASTER?! Que nome mais estranho!”. A jovem devia ter visto que estava a ler um marcador alusivo a uma flor. Sempre na ânsia de ir mais além, um cliente não quis ficar atrás: “Matilde, rainha da vitória, Daniela, juíza de Deus, João, agraciado por Deus, Gladíolo… GLADÍOLO?! QUEM É QUE SE CHAMA GLADÍOLO!? JOÃO, ANDA CÁ VER ISTO PÁ, Há UM GAJO CHAMADO GLADÍOLO!”.&lt;br /&gt;Para quê procurar vida extra-terrestre quando temos inteligência deste nível tão perto de nós?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-115150439313936234?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/115150439313936234/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=115150439313936234&amp;isPopup=true' title='26 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115150439313936234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115150439313936234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/06/live-in-paris.html' title='Live In Paris'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>26</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-115066387160404470</id><published>2006-06-18T21:50:00.001+01:00</published><updated>2006-06-18T21:51:11.616+01:00</updated><title type='text'>É pá, realmente, pá!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje atendi um verdadeiro marialva. Bigode, telefone bem seguro na mão, corrente de ouro no pulso e no pescoço, andar gingão, palmada no rabo da mulher logo à entrada. Vejo esta personagem e espero que não se dirija ao balcão. Provavelmente quer saber onde se vende A Bola, ou coisa parecida. Mas, afinal não: “Jovem, tudo bem? Pá, a minha mulher quer aprender de computadores, ou o caraças, podes me dar aí um dica?”. Muito bom, pensei eu, uma dica. Quem é que usa uma frase dessas, ainda para mais numa livraria. Acedi ao seu pedido e dirigi-me à zona de informática. Pelo caminho ainda o ouvi: “Esta mulheres, ainda agora saíram da cozinha e já querem computadores, oh caraças…”. Qualquer dia ainda votam, pensei eu. Chegámos ao local da informática e comecei a procurar a colecção “Para Totós” da Porto Editora. Era mais do que adequada. Não tínhamos o livro indicado, então procurei algumas alternativas. Devo dizer que foi complicado, porque procurar algo quando temos alguém ao nosso ouvido constantemente a debitar frases começadas e acabadas em “Pá” é uma tarefa árdua. Lá encontrei o livro e dei-o à senhora. Obviamente que o cliente o arrancou prontamente das mãos desta, e começou a folheá-lo. Claro que passado dois segundos, sem ter lido fosse o que fosse diz: “Pá, tão e não tens nada assim pó mais avançado?”. Ou bem que quer livros o mais básicos possíveis ou bem que não quer. Decidam-se. A senhora insistiu, e acabaram por levar aquele. E o que se seguiu, meus amigos, foi espectacular. O homem, tentando arrancar um desconto à força, lançou um número incrível de frases em apenas um minuto. Parecia saído de um concurso de televisão. Quem é que não se lembra daquela prova fantástica de um programa do Júlio Isidro, “Parvoíces para arranjar desconto, em apenas um minuto”? Ele seria imparável. Começou, ainda estava na zona da informática. “ISTO POR SER A PRIMEIRA COMPRA DÁ 50%  DE ESCONTO NÃO É PÁ? PÁ, E SE FIZERMOS UM CARTÃO? E SE PROMETERMOS VOLTAR CÁ E FICAR CLIENTES? E SE FORMOS SÓCIOS PÁ? E SE PAGARMOS A PRONTO? E SE PAGARMOS A CRÉDITO SEM JUROS PÁ? E SE PAGARMOS A DINHEIRO?”. Claro que não teve desconto. Mas valeu o esforço, pá.&lt;br /&gt;Realmente os clientes farejam o desconto. De vez em quando temos campanhas especiais de desconto, durante as quais alguns títulos seleccionados têm 10% de desconto. Obviamente que não pomos etiquetas de desconto em todos os livros. Mas, os clientes, sempre zelosos dos seus interesses, trazem sempre os livros que têm o autocolante, não vá o livreiro maldoso negar-lhes o desconto. Claro que, quando as campanhas acabam, acaba por ficar sempre um ou dois livros com a etiqueta. Aí, quando eles aparecem, não há outro remédio senão fazer mesmo o desconto. Mas, o que me intriga são alguns clientes acabam sempre por encontrar um livro perdido com desconto, por mais que tiremos etiquetas. No outro dia tive que mudar uma montra onde estavam alguns livros com desconto. Já estava em cima da hora de abertura, e se demorasse mais algum tempo lá vinha o segurança chatear. Então o que é que eu fiz? Escondi os livros com 10% de desconto debaixo dos que não tinham desconto, de modo a que não fosse possível vê-los. Ficou tudo em ordem. Ou assim pensei eu. Durante a tarde, surge uma senhora com o tal livro, com uma etiqueta de 10% de desconto. Perguntei educadamente à senhora onde é que tinha tirado o livro, pois podia haver mais livros com a etiqueta. “NA MONTRA, PORQUÊ?” responde ela. Na montra. Aqueles papéis com os avisos para não mexer na montra não interessam. Fui à montra e tinha a montra virada do avesso. A senhora, com o seu faro apurado, revirou a montra toda e lá encontrou, debaixo de 20 livros, um livro com desconto. Também devia entrar em concursos.&lt;br /&gt;Por falar em segurança, os deste centro comercial são muito especiais. Quando a loja é assaltada, ninguém vê nada, mas ai de quem for à montra enquanto a loja tiver aberta. Surge logo um segurança a chamar a atenção, indicando obviamente as possíveis represálias. E reagem da mesma forma a atrasos e nudez. Nunca percebi porquê. O que acho mais piada nestes seguranças é que não podem entrar nas lojas sem autorização. Fazem me lembrar os vampiros da Buffy. Aliás, consta que um vampiro da Buffy, ao ser comparado a um segurança de centro comercial, espetou ele próprio uma estaca no seu coração. Não o censuro. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-115066387160404470?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/115066387160404470/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=115066387160404470&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115066387160404470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115066387160404470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/06/p-realmente-p_18.html' title='É pá, realmente, pá!'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-115032265283296413</id><published>2006-06-14T23:03:00.000+01:00</published><updated>2006-06-15T09:06:36.820+01:00</updated><title type='text'>Só Às Vezes...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há que dar mérito à Margarida Rebelo Pinto. Eu sei, eu sei, é uma maneira bombástica, diria até quase surreal, de iniciar um post, mas o que é para ser dito tem de ser dito. E porquê? Por causa da fita que fecha o seu mais recente livro, “Diário Da Tua Ausência”. A fita, de cor bordeaux, é a principal atracção do livro. Senão vejamos, esta aparentemente inocente e simples fita serve muitos propósitos. O mais óbvio é manter o livro fechado, para não corrermos o desnecessário risco de queimarmos alguns neurónios. Mas, se por acaso, por alguma tentação mórbida e fetichista decidimos retirar a fita e ler o livro, temos duas hipóteses: Ou usamos a fita como um bonito garrote de modo a salientar as veias do pulso para as cortar de seguida, pondo fim à nossa miséria, ou ainda pode servir para cortar a respiração através de enforcamento. É praticamente um canivete suíço.&lt;br /&gt;Se há coisa que me deixa perplexo é o cartão de cliente. Esta prática de ter um cartão de cliente alastra-se a tudo o que são lojas, não sendo raro ver os clientes com uma carteira à parte só para albergar os vários cartões de clientes. E. o mais curioso de tudo, a maior parte dos clientes nem sabe para que é os cartões servem. “Tenho aqui um cartão, ou lá o que é, nem sei para que serve.”, ou então “Acho que tenho aqui um cartão vosso, isto serve exactamente para quê?” Quando eles dizem estas frases, os seus olhos brilham e o seu rosto ostenta uma curiosidade quase pueril, muitas vezes mostrando alguma dificuldade em conter a excitação. Porquê, pergunto eu? É apenas um cartão. Os clientes perguntam isto de uma maneira que faz-me sentir tentado a dizer: “Esse cartão dá-lhe automaticamente o super-poder da visão raio-x e força sobrenatural. Vai passar a conseguir saltar arranha-céus de uma só vez, fugir às bichas na ponte e às férias na Caaparica. Ah, e também acumula 10% de tudo o que compra, para depois receber um vale de desconto, mas isso pouco ou nada interessa!”.&lt;br /&gt;É prática comum ligarmos para outras lojas para reservar ou pedir que transfiram algum livro. E, é também bastante comum esse acto, aparentemente elementar, demorar uma eternidade, e também revelar-se infrutífero, com o colega a não encontrar o livro. Depois de vários e longos minutos colado ao telefone à espera de um qualquer livro, fico sempre à espera de o caro colega do outro lado da linha diga o seguinte: “Olhe, não encontrei o livro que me pediu, mas, ali atrás de umas estantes encontrei o Santo Gral, não sei se lhe interessa , veja lá, você é que sabe…”&lt;br /&gt;Uma das nossas colegas fez uma pequena operação cirúrgica às orelhas. Foi algo meramente estético, sem qualquer complicação, mas que, ainda assim, a obrigou a usar durante alguns dias uns enormes pensos brancos nas orelhas. Por muito que tentasse ocultá-los com o seu cabelo, eles eram por demais evidentes. Ora os clientes, simpáticos como sempre, não conseguiam desviar o olhar, algo que a incomodava. Claro que eu, altruísta como sempre, sugeri-lhe uma maneira de se divertir com a situação. Era muito simples, sempre que algum cliente ficasse especado a olhar ou referisse algo, ela diria apenas que tinha sido atacado por um bando de morcegos raivosos à saída do trabalho. Ela não achou piada. O humor não é o seu forte. E pelos vistos o meu também não.&lt;br /&gt;Estava eu no balcão, sossegado como sempre, compenetrado no meu trabalho, quando surgem duas senhoras brasileiras junto ao balcão. Primeiro pedem-me calendários do mundial. Não temos, nunca tivemos, facto que as deixou deveras incomodadas: “Como é que é possível, no Brasil há em todo lado né?” Tem toda a razão, mas o mais provável era levar o calendário e ser raptada mal saísse da loja. Mas o importante é o calendário. Depois deu uma volta pela loja, viu uns livros e voltou para falar comigo: “Oi, você pode ler enquanto trabalha?”, pergunta ela, pertinentemente. Efectivamente posso ler enquanto trabalho, mas não dá muito jeito ler Paul Auster enquanto se carregam pilhas de 30 livros. Levem isto como um conselho. Respondi que não, não podia ler durante o horário de trabalho. Claro que toda a gente passa os olhos por um livro ou outro, mas não vou dizer isso a um cliente. E qual é a resposta dela? “Ah, então não quero trabalhar aqui não!”. E foi embora. E eu lá fiquei. A ler, porque não estava para me chatear muito. Ser Livreiro às vezes tem as suas vantagens. Às vezes…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-115032265283296413?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/115032265283296413/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=115032265283296413&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115032265283296413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/115032265283296413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/06/s-s-vezes.html' title='Só Às Vezes...'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114959490843210469</id><published>2006-06-06T06:06:00.000+01:00</published><updated>2006-06-06T12:58:21.016+01:00</updated><title type='text'>Porquê Eu?</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Sem querer entrar em conspirações, acho que a maior prova de que o dia 6/6/06 não traz coisas boas é o lançamento do novo cd dos DZR’T. Imagino Satanás, no seu covil, a planear o seu regresso e escolher os seus súbditos: “Saddam, não… Muito velho… Bin Laden, não, pouca classe, vive numa caverna… O Goucha está ocupado… Hmmmm… Olha aqueles quatro abichanados que se abanam em palco como se fossem animais feridos… Sim, o terror! Vão ser estes os meus enviados para anunciar o fim do mundo! E que sons horrendos eles soltam! O quê Hitler? Eles estão a cantar?! Não posso! Tens a certeza?! Bom, se o dizes… Sim, sim, são estes os escolhidos!”&lt;br /&gt;Desde os remotos tempos da antiguidade os filósofos como Sócrates tinham como hábito, para além de ler os diários desportivos, questionar tudo o que fosse possível questionar. Quem sou? Para onde vou? De onde venho? Porque é que raio sou sempre eu a atender os clientes mais tresloucados? Eram todas questões válidas. Quando confrontado com esta ultima questão, era frequente ver Sócrates chorar compulsivamente. E aqui estou eu, no século XXI, com a mesma questão. Porquê eu? Quatro pessoas numa loja. 25% de hipóteses de ser abordado por um qualquer louco. A percentagem parece jogar a meu favor, mas, obviamente, ele vem ter comigo. O que se seguiu foi algo de inqualificável. O senhor começou a pedir livros de 1928, e, obviamente, ficou chocado quando verificou que nós não tínhamos nada do que ele queria. Dai a maldizer o país, classificando-o como sendo de terceiro mundo, e a usar todo e qualquer palavrão comum da língua portuguesa foi um instante. “EU JÁ TIVE ESSES LIVROS, MAS EMPRESTEI E ROUBARAM-ME. QUERES O HERMAN HESSE? TOMA. E O LIVRO? TCHAU, NUNCA RECEBI NADA!” disse, enquanto fazia algo semelhante a uma dança, em frente do balcão. Depois falou da nossa livraria, de outras livrarias que tinha visitado. E isso levou-o a falar de lojas de roupa. Lá ia reclamando sobre os preços, enquanto dançava para a frente e para trás, soltando um palavrão aqui, um palavrão ali, como se fosse nada com ele. Segundo ele, ninguém quer dar quarenta contos por umas calças da Trussardi! Depois disse que eu não podia ter boa roupa porque estava ali, atrás de um balcão, e quando soube a marca da minha camisa explodiu novamente. Porque a marca em questão é demasiado clássica e está praticamente falida. E disse que “OS PORTUGUESES NÃO SÃO BRITISH! NÃO SÂO BRITISH!”. O que, indo ao fundo da questão, até faz sentido. Os portugueses são portugueses. Se fossem britânicos, já não eram portugueses. Eram britânicos. E continuou: “SE FOR A INGLATERRA TEM UM PRETO NO AUTOCARRO A DIZER TICKETS PLEASE! TICKETS PLEASE! E VOCE O QUE É QUE FAZ? MANDA O À MERDA! AGORA CA EM PORTUGAL? SE MANDAR O MOTORISTA, HOMEM OU MULHER À MERDA, ELE MANDA O DE VOLTA! SABE O QUE EU FAÇO? FUJO. SE ME MALTRATAM, FUJO. SE ME BATEM FUJO. SE OS POLICIAS ME MALTRATAM, FUJO. NUNCA BATI. SOFRI? MUITO! POR ISSO É QUE VOU SER CAMIONISTA!”. Eu, a esta altura, já estava a olhar em frente, a pensar no que iria fazer hoje, no que seria o jantar. E os meus colegas, sem saber bem o que se estava a passar, viam aquele cliente a saltar, dançar, berrar. Ele continuou, apontando para a tatuagem que ostentava no braço esquerdo: “E AGORA SOU GAY! Estou a brincar consigo. INDA ONTEM LEVEI UM PAR DE CORNOS! MAS ESTAVA PREPARADO! ERA UM HOMEM MARAVILHOSO! VAI A ESTA HORA A CAMINHO DE BARCELONA, NO SEU CAMIÃO!”. Lá está a tara por camiões. Mas o pior ainda estava para vir. “EU VOU SER CAMIONISTA. TENHO AULAS HOJE! SE FOR, VOU, SE NÂO, OLHA, FO… SABE O QUE EU FAÇO AO MEU CAMIÃO?” Eu já estava por tudo, mas nada me podia preparar para o que vinha a seguir. O cliente bate numa agenda do Rock In Rio e diz: “FAÇO ISTO!” E lambe o livro, de uma ponta a outra, da forma mais pornográfica e lasciva que possam imaginar. “FAÇO ISTO PORQUE AMO O MEU TIR!”. Já tinha visto muita coisa, mas um cliente lamber um livro de alto a baixo foi algo novo. Já estava desesperado a esta altura, sem saber o que fazer para sair dali. Ele não parecia ter intenções de se ir embora. E os meus colegas, simpáticos, não sei do que é que estavam à espera para por o telefone a tocar e dizer que era para mim. O cliente continuou a falar, sobre despedimentos prévios, idas a França (tinha sotaques inglês e francês irrepreensíveis), contactos com um gerente de uma grande entidade bancária nacional, que, segundo ele, remonta ao tempo da sua casa de 1610 de Manique. “E EU VIA O GAJO A VIR NA ESTRADA E DIZIA: EH GAJO! E TIRAVA AS MAOS DO GUIADOR! RESULTADO, CAI DA BICICLETA. E O CAPACETE? ESTAVA EM CASA!” Pronto, isto explica muita coisa. Antes de se ir embora, perguntou o meu nome e disse para eu não comprar nada na tal loja de roupa. E saiu da loja, abanando-se como se não houvesse amanhã.&lt;br /&gt;E, tendo em conta que hoje é o dia 6/6/06, até podia ter razão…&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114959490843210469?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114959490843210469/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114959490843210469&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114959490843210469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114959490843210469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/06/porqu-eu.html' title='Porquê Eu?'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114898943212614796</id><published>2006-05-30T12:41:00.000+01:00</published><updated>2006-05-30T12:43:52.140+01:00</updated><title type='text'>Obviamente, Demito-o!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É quase morto por um calor insuportável que O Livreiro regressa às hostes do seu blog. O calor, meus amigos, o calor… Nós temos ar condicionado, por isso, não se está mal na loja. Mas, para quem vem de fora… Passou lá um cliente, com o já típico ar de veraneante, calções, chinelos, etc., que estava interessado no livro “Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas” de Dale Carnegie. Bom, é uma atitude nobre, querer fazer amigos. Mas talvez fosse melhor ele comprar o livro “Como Tomar Um Banhinho Jeitoso Antes de Sair de Casa” antes de tentar fazer amigos, porque, com aquele pestilento odor a segui-lo nem o Dale Carnegie o ajuda. O homem não faz milagres.&lt;br /&gt;Alguns clientes continuam a insistir nas velhas frases, e, por mais inverosímil que possa parecer, alguém lembra-se sempre de alguma maneira nova para as dizer. Veja-se o caso do já mítico “Se fosse bicho mordia!”, frase preferida dos clientes quando querem um livro que, espante-se, afinal se encontra diante dos seus olhos. Já dissertámos sobre variantes como “é como ir à horta e não ver as alfaces” ou o clássico “se fosse cão mordia”, mas, desta vez, deparei-me com um original e, porque não dizê-lo, brilhante comentário. Quando indiquei ao senhor a pilha de 50 exemplares do “Código Da Vinci” a um metro de si, o senhor exclama, entusiasmado: “EPAH! SE MORDESSE, MORDIA!”. Ora, ai está. Se mordesse, mordia. Parabéns, Capitão Óbvio, salvou o dia mais uma vez!&lt;br /&gt;Depois temos a habitual discussão do “já é boa tarde / ainda é bom dia”. Custava muito às pessoas responder tal e qual o que lhe dizem? Se digo bom dia, diziam bom dia. O mesmo para o boa tarde e boa noite. Quando respondem algo de diferente, enfim, aceita-se. O pior é quando, além de responderem de forma diferente, ainda acrescentam comentários. E é o costume, “boa tarde, porque já almocei”, ou “boa tarde porque já passa do meio-dia”, ou “bom dia porque ainda não é uma da tarde”. Mas, o meu preferido é o cliente que, depois de eu dizer um simpático Boa Tarde, responde “PARA MIM AINDA NÃO É TARDE!”, completamente ofendido. Abram alas para entidade reguladora do Universo! Peço imensa desculpa, se para si ainda não é boa tarde, não é para ninguém! Já agora, que dia é hoje? Não vá estarmos todos enganados.&lt;br /&gt;Devo vos dizer que aquele balcão é um lugar privilegiado para assistir a certos e determinados acontecimentos, como o já milenar “a minha vida é melhor do que a tua, amigo que não vejo à um ano”. Mas, às vezes, as coisas não correm como de esperado. A livraria, mais do que um estabelecimento comercial, é um ponto de encontro. Uma, vá lá, sala de estar do pequeno Portugal. Vejam o caso paradigmático dos dois amigos e respectivas mulheres e filhos que se encontram numa livraria. Encetam uma agradável conversa, com um dos amigos particularmente empenhado em mostrar os seus sinais de riqueza. E qual é um dos pontos fulcrais do seu triunfante discurso. O telemóvel, obviamente. “Queres ver o meu telemóvel?” Antes do pobre coitado dizer que não, já estava com o objecto a 3cm do nariz. “Tem Bluetooth, Internet,  MPTHREEEE, (Não é mp3, é mpTHREEEE), agenda, alarme, despertador… “ A lista de conteúdos era grande, realmente, e eu estava ansioso por ouvi-lo dizer que fritava batatas, mas, aparentemente, o telemóvel dele não é assim tão bom. Quando termina a extensa lista, foi a vez do amigo falar. E eis que, a única coisa que diz é: “Olha, mas ele está desligado.”. O pânico apoderou-se da cara do amigo. Voltou o telemóvel para ele, dizendo: “Não, não pode ser, ainda a bocado o carreguei, queres ver, devo ter desligado sem querer!”. E ligou o telemóvel, que, imediatamente, se desligou outra vez. Depois de voltar a ligá-lo, tentou tirar uma foto e o telefone bloqueou. “É topo de gama, garanto-te, é brilhante, queres ver umas fotos?” Era o desespero em pessoa. Quando o pobre amigo saiu, finalmente, o dono do telemóvel comenta para a mulher: “Telemóveis de 100€ é o que dá…”. Nem mais, nem mais…&lt;br /&gt;Realmente há coisas inexplicáveis. Alguém me dê um motivo (quem disser o mais plausível habilita-se a prémios fantásticos) para um cliente que se dirige ao balcão, onde estava com a minha colega, e diz “Queria o livro do General Humberto Delgado!”. Eu olhei para a minha colega, ela estava mais perto da saída do balcão. Ela percebeu a deixa e disse: “Só um segundo, vou ali buscar…”. E qual é a reacção do cliente? Basicamente foi isto: “JÁ VI QUE NÃO TEM! É MELHOR IR A OUTRO LADO, IR Á FNAC, INCRÍVEL!”, disse, enquanto esbracejava vigorosamente. E a minha colega perto do livro, olhava incrédula para ele. Acho que ele, obviamente, demitia-nos! Claro que ele, depois de ter dito furiosamente que iria à FNAC, saiu da loja para o lado exactamente oposto. Estava perdido, em todos os sentidos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até breve...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114898943212614796?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114898943212614796/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114898943212614796&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114898943212614796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114898943212614796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/05/obviamente-demito-o.html' title='Obviamente, Demito-o!'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114760499794877266</id><published>2006-05-14T12:01:00.000+01:00</published><updated>2006-05-30T12:46:45.883+01:00</updated><title type='text'>Montagem de Expositores Para Totós</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Têm sido uns dias atribulados, estes que vivemos. Quinta-feira de manhã, por entre uma enchente de pessoas logo às 11 horas, conseguimos ver uma rapariga desmaiar mesmo à frente da loja. Pobre criatura, trabalha num stand da Philips alusivo ao mundial, onde, os felizardos consumidores, podem habilitar-se a ganhar umas televisões e outras coisas que tais. Tudo bem que eles dizem que os prémios são de cair para o lado, mas a rapariga não devia levar isso tão à letra. Isto dos prémios tem que se lhe diga. Não é raro chegarem aqui pessoas com cupões para ganharem qualquer coisa. Nós tentamos explicar que não é aqui que se entregam os cupões, mas as pessoas não desistem. Quando finalmente param de reclamar para nos ouvir, nós explicamos que é “aqui à frente” que se entregam os cupões. As pessoas olham, dão uns passos para o lado para ver melhor e perguntam: “Aqui à frente? Onde?”. Basicamente é no stand no meio do corredor, a 2 metros da porta, que tem mais de 10 metros de comprimento, com cabines ENCARNADAS, em cima de um tapete VERDE, que dizem MUNDIAL DE PREMIOS em letras garrafais. Eles até têm uma baliza com um televisor de plasma lá dentro, por amor de Deus! Como é que é possível não ver?&lt;br /&gt;Estava eu no balcão com o grande Gulbenkian, esse grande filantropo, figura de proa da missão Crescer em Príncipe (que, pasme-se, até já figurou numa edição do Expresso), quando surge uma senhora, com um ar bastante confuso. “Vou-lhe pedir uma coisa difícil…” disse-nos. Eu expliquei-lhe que se ela queria que o Gulbenkian agisse como um homem, ia ser difícil, mas de resto, podíamos ver o que é que podíamos fazer para ajudar. Queria um livro que não tínhamos, que surpresa.&lt;br /&gt;Devo admitir, em primeira-mão, que sou um homem mudado. Não há que negar, sou um homem mudado. E tudo devido a algo que presenciei, durante hora e meia. Noddy Live, era o nome do espectáculo… Pois é amiguinhos, fui ao Noddy Live e saí de lá um homem mudado. Foi a loucura. Deviam ter visto os miúdos, no espaço entre o palco e a primeira plateia, a lutarem, saltarem, rebolarem, correrem, e espancarem-se quase até à morte com uns paus cheios de luz que eles por lá vendiam, para desespero dos pais. Ainda pensei em começar um mosh, mas ninguém me ligou nenhuma. Não brinquem, aquelas músicas do Noddy roçam o heavy metal. Posso quase jurar que vi o Sonso a tentar fazer stage diving, e um puto a saltar do primeiro balcão para a plateia. A seguir ao espectáculo, nos corredores do Pavilhão Atlântico, ocorriam as habituais conversas sobre o desempenho dos artistas. “Ah e tal, o Noddy já esteve em melhor forma, tem chegado atrasado aos treinos…”. Mas o mais curioso foi uma conversa entre dois petizes. Ao olharem para um poster alusivo ao espectáculo, disseram o seguinte:&lt;br /&gt;- A minha tia faz me lembrar a Ursa Teresa&lt;br /&gt;- Que giro, chama-se Teresa?&lt;br /&gt;- Não, é uma ursa!&lt;br /&gt;Sempre na pândega, estas crianças…&lt;br /&gt;Temos tido várias campanhas especiais nas últimas semanas. A mais recente prende-se com a colecção “Para Totós” da Porto Editora. Para o efeito, além de termos que por os livros dessa colecção na montra, recebemos uma expositor com mais de 1,50m de altura, com 3 prateleiras com uma divisão central para expormos os livros. É um expositor vistoso, amarelo, ocupa muito espaço e basicamente desempenha bem a sua função. Que é incomodar. E o maior problema nem é o expositor em si, mas sim a montagem. O expositor veio completamente desmontado, dentro de um caixote. Este caixote deveria ter escrito num dos lados “Como Entreter Três Livreiros Durante Cerca de Uma Hora”. Porque foi isso que aconteceu. Três Livreiros, um expositor, mais de uma hora. O Expositor deveria vir acompanhado do livro “Montagem de Expositores Para Totós”. Devo-vos dizer, que, da primeira vez que conseguimos montar e juntar todas as peças, fizemos um Eusébio de cartão amarelo. É verídico. Isto de dobrar e encaixar cartão não é, definitivamente, connosco. Mas, depois de muita luta, lá conseguimos erguer o expositor e ficámos a olhar para ele, orgulhosos, durante alguns segundos. Depois do orgulho veio a vergonhoa, porque não era possível termos demorado uma hora a montar aquilo. Depois disso, veio a aceitação. Tudo bem, demorámos, mas ficou bem montado. E, por fim, veio o esquecimento. Menos para o Gulbenkian. Ele passou da aceitação para o amor. Consta que quando a campanha acabar ele quer levar o expositor para casa. Que sejam felizes...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114760499794877266?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114760499794877266/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114760499794877266&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114760499794877266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114760499794877266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/05/montagem-de-expositores-para-tots.html' title='Montagem de Expositores Para Totós'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114674954917421379</id><published>2006-05-04T14:30:00.000+01:00</published><updated>2006-05-30T12:47:42.080+01:00</updated><title type='text'>Eu... Eu é Que Sou o Inspector do Trabalho!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O José Pedro Gomes, no seu livro “O Pais dos Jeitosos”, escreve sobre uma carta, e o tempo que esta demoraria a chegar de Lisboa a Cascais. Sem querer tirar a piada do texto, o facto de um livro demorar uma semana a fazer o mesmo trajecto (ou até mesmo dentro de Lisboa, ou dentro de Cascais) tem muito mais piada. Geralmente quando dizemos que um livro demora uma semana a vir de Lisboa, a reacção dos clientes tende a cair na indignação: “O QUÊ? SÓ PODE ESTAR A BRINCAR! É RIDICULO!”. Mas, hoje, um cliente, quando confrontado com o facto de que o seu livro demoraria uma semana a chegar, pura e simplesmente desatou a rir. Ia rindo, enquanto tentava pedir desculpa por rir, se agarrava à barriga e limpava as lágrimas dos olhos. Toma lá, Zé Pedro Gomes, aposto que os teus espectadores não choram a rir.&lt;br /&gt;Depois temos a nossa colega Feiticeira. Só para terem uma ideia, uma cliente chega junto dela com um livro e pergunta: “Está cá há muito tempo?” e a resposta dela é: “TOU CÁ DESDE AS 10 HORAS JÁ NÂO POSSO COM ISTO; ESTA CHOLDRA, SÓ MULHERES-A-DIAS E MERCEEIROS!”. A cliente assustou-se, e disse: “Eu só queria saber se este livro era recente ou não…”. E depois, a meio da tarde vê uma pessoa lá fora a olhar para ela. Olham uma para a outra. Anda para trás e para a frente ao mesmo tempo. Finalmente dirigem-se até à entrada da porta. Chegaram lá, ficaram a olhar mais um bocado. Encetam uma conversa, perguntam o nome uma da outra, locais de trabalho, locais de lazer. Nada, não encontram nada em comum, não havia uma coincidência. Desiludidas, parte cada uma para seu lado. Que conversa tão eloquente e interessante. Que momento bonito. Por momentos temi que fossem irmãs separadas à nascença ou coisa que o valha.&lt;br /&gt;E depois são os Trovante, o Represas, o Rui Veloso e a Mafalda Veiga. Sempre que pode a Feiticeira mete estes artistas a tocar. No outro dia, à porta do hospital, presenciei uma conversa que considero bastante elucidativa:&lt;br /&gt;- A música da Mafalda Veiga leva-me às lágrimas.&lt;br /&gt;- É muito comovente não é?&lt;br /&gt;- Não, faz me doer os ouvidos, é tramada… …&lt;br /&gt;- Ah… Mas então diga-me, vizinha, porque é que veio ao hospital?&lt;br /&gt;- Tenho tido um corrimento esverdeado…&lt;br /&gt;- Ah… Pois.. É chato… Eu aqui tou, estas varizes… Sempre aproveito e ouço um bocadinho de Rui Veloso pelo caminho.&lt;br /&gt;- RUI VELOSO? Comparado com o que tenho não é nada, os meus pêsames…&lt;br /&gt;Não me levem a mal, os artistas que mencionei não são maus. Pronto, a Mafalda Veiga secalhar até é… Mas, mesmo assim, o que é demais enjoa.&lt;br /&gt;Estava eu, descansado, a tratar de umas facturas no Back Office quando surge uma criança, com cerca de 6 anos, com os olhos completamente esbugalhados. A sua mãe andava aí a ver livros, despreocupada. A criança dirigiu-se a mim e perguntou-me “O que é estás a fazer?”. Eu expliquei-lhe que estava a trabalhar e que o meu patrão devia estar a chegar, e que o segurança não deixava ninguém entrar ali, por isso era melhor ele ir lá para fora ter com a sua mãe. Ele não me ligou nenhuma. Chegou-se ao pé de mim e agarrou o meu braço, deu me um pequeno abraço e disse, pegando no meu identificador: “É o teu nome?”. Respondi afirmativamente, e voltei a insistir na história do segurança. “AGARANÇA?”, respondeu ele, admirado. Eu tentei que ele saísse, e só quando ele desviou a atenção para uma colega minha é que saiu: Andou a correr pela loja, a sair da loja com livros na mão, a correr atrás do balcão, a mexer em tudo e mais alguma coisa. Volta pela terceira vez lá dentro, e pela terceira vez eu disse-lhe a mesma coisa. Ele deixou de sorrir, abriu ainda mais os olhos, recuou e disse: “CALA-TE! NÂO MANDAS EM MIM!” E ficou a olhar para mim. Eu ri-me e disse para ele ir brincar. Então saiu, foi falar com a minha colega e correr pelo balcão, sempre sorridente e feliz. Mas, cada vez que passava à porta do Back Office dizia: “CALA-TE! NÂO MANDAS EM MIM!” Depois voltava a sorrir e fugia. Chegou a falar com uma colega, todo sorridente, e, ainda estava ela a falar, ele volta-se para trás, lança-me um olhar mortífero e diz, entre dentes: “Cala-te… Não mandas em mim…”. Tive medo.&lt;br /&gt;Na sexta passada tivemos a visita de uma brigada da Inspecção Geral do Trabalho. Eram três vingadoras, de crachá aberto, parecia uma entrada tipo NYPD. Só faltou terem dito Freeze! Fizeram umas perguntas e tal, eu admiti que conhecia o Fat Tony (Toni Gorducho, para os leigos) mas que não matei o Jimmy Weasel (o Jaime Doninha). Elas não perceberam do que eu estava a falar, e pediram-me para assinar um papel. O problema é que elas é que assinaram no local onde eu devia ter assinado. Não me restou solução senão assinar no local de Inspector. Isso é que daria um belo blog…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114674954917421379?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114674954917421379/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114674954917421379&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114674954917421379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114674954917421379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/05/eu-eu-que-sou-o-inspector-do-trabalho.html' title='Eu... Eu é Que Sou o Inspector do Trabalho!'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114597170897665370</id><published>2006-04-29T14:18:00.000+01:00</published><updated>2006-05-30T12:47:28.173+01:00</updated><title type='text'>Não Explicam!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Os editores deviam ter mais cuidado com a forma como colocam o número da edição na capa. Existe um grupo de pessoas que teima em arranjar confusões com o número da edição. Há sempre aqueles que querem a 1ª edição dos livros que compram, e ficam muito desiludidos quando não a conseguem, tentando a todo o custo arranjar algum exemplar da mesma. Alguns chegam ao cúmulo de nem sequer comprar quando a edição não é a primeira. Mas estes nem sequer são os piores, há aí uma pandilha que não é para brincadeiras. Chega uma cliente ao balcão com o livro de São Cipriano na mão. Aponta para o 3 que indicava o número de edição e diz: "OH SENHOR, TEM AÍ O 1 E o 2? É QUE NUM VOU TAR A LER O TERCEIRO SEM LER O SEGUNDO E O PRIMEIRO NÉ?! ASSIM NUM PERCEBO NADA DA HISTÓRIA!". Explicar que aquele número representa apenas o número de edição e não o volume do livro torna-se complicado. E claro, depois temos o clássico que, trazendo um livro de aprender Inglês em 30 dias diz: "EU COMPREI AQUI A SEGUNDA EDIÇÂO E AGORA A TERCEIRA E OS EXERCICIOS SÃO TODOS IGUAIS, TODOS IGUAIS! PARA ISSO NUM COMPRAVA!". E lá vem a explicação outra vez, e acho que a maior parte das vezes eles não percebem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu é que não percebo o que é que leva uma senhora a pegar na lista do telefone, pensar que lhe está a apetecer chatear alguém e escolhe o nosso número. E liga. "Boa tarde, fala da Livraria? Podia-me dizer porque é que a vossa loja de Faro não atende?". Obviamente que não faço a mínima ideia. "Mas não sabe ou não quer saber?" E aqui começa o rol de perguntas em que, seja qual for a resposta que dê, a senhora nunca fica satisfeita, apresentando a sua resposta para a sua própria pergunta. Eu digo que deve ser devido ao movimento, ela acha que "Deve ser porque estão com falta de gente". E continua:"Tem livros do Camilo Cela? Não? Porque é que não tem livros de um autor que ganhou o Nobel?" Dou a minha resposta, e ela contra ataca com "Não, não é isso, é porque ele não é vendável, com certeza". E termina com um brilhante "Bom, vou ligar para outras lojas para saber se têm os livros.." E fica em silêncio, eu também. "Então, não ouviu? Não diz nada?" Bons telefonemas? Que é que é suposto eu dizer a sguir a alguém dizer "ligar para mais lojas?". Finalmente despediu-se: "Uma Boa Tarde sim?" Claro minha senhora, uma boa tarde e uma boa vida. De preferência longe de nós.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estava eu descansadamente a tentar fechar a caixa do dia anterior quando surge um problema que não sabia como se resolver. Não fazia mesmo ideia onde é que se inseria o valor relativamente a um cheque oferta. Não queria que nenhum superior soubesse da minha ignorancia, então tentei ligar aos meus colegas. Não foram grande ajuda, verdade seja dita. Ou não atendiam ou não sabiam. Tentei então ligar, em desespero, ao nosso saudoso Mestre Livreiro, esse mito do meio-fundo movido a tabaco, mas também não atendia. Bem, pensei em deixar estar, quando chegasse alguém à tarde o assunto certamente ficaria resolvido. Mas, eis senão quando, o telefone toc. Atendo, era da contabilidade E o que se passou a seguir foi basicamente isto:&lt;br /&gt;Contabilista - Muito bom dia, falta-nos aqui uma caixa.&lt;br /&gt;Livreiro - Ah, exacto, é que eu estava mesmo aqui a er... acabar.&lt;br /&gt;Contabilista - Ok então, está explicado.&lt;br /&gt;Livreiro - Já agora, só aqui entre nós, como é que se insere o valor do cheque oferta?&lt;br /&gt;Contabilista - Pois, isso agora não sei, não estou familiarizada com os vossos quadros.. Dê-me só um segundo que eu pergunto aqui...&lt;br /&gt;(Som de pousar o telefone)&lt;br /&gt;Contabilista (Aos berros) - Está aqui o Livreiro da Loja X ao telefone, ele não sabe fazer uma coisa, alguém sabe explicar? Sim, o Livreiro da Loja X não consegue fechar a caixa, alguém pode ajudar?&lt;br /&gt;(Som de alguém a pegar no telefone)&lt;br /&gt;Contabilista - Ninguém sabe... Vou passar à entidade máxima da contabilidade, o nosso director.&lt;br /&gt;(Música de elevador) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Mais música)&lt;br /&gt;Director - Bom dia, então o sr. Livreiro não sabe fazer isto? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Livreiro - Pois, é que tenho aqui uma dúvida sobre qual será a categoria certa para a despesa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Director - Então, é só inserir tal e qual está.&lt;br /&gt;Livreiro - Er.. Ah, ok, obrigado então... Pronto era só isso.&lt;br /&gt;Apeteceu-me terminar a frase com "Agora se me der licença vou só ali atirar-me daquele penhasco". Ou seja, eu não queria que ninguém soubesse que eu desconhecia como se procedia naquela situação e o que aconteceu foi que espalharam isso por toda a contabilidade. Muito bom. Façam uns mails, mandem uns forwards, colem uns cartazes, façam uns blogs. Espalhem ao mundo que eu não sabia fazer aquilo. Agora já sei, foi remédio santo...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114597170897665370?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114597170897665370/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114597170897665370&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114597170897665370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114597170897665370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/04/no-explicam.html' title='Não Explicam!'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114595650239084700</id><published>2006-04-25T10:14:00.000+01:00</published><updated>2006-04-26T21:14:15.993+01:00</updated><title type='text'>Poliglotas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A noite de Sábado foi pródiga em imagens de terror, acho que nunca me tinha assustado tanto com algo que passasse na televisão. E isto só com os festejos da conquista do campeonato pelo FC Porto. Tive de impedir a minha avó de ver, não fosse ela ter algum ataque cardíaco. Claro que também apreciei muito as partes de comédia dos festejos, especialmente aquela senhora que dizia “A SEGUIR BEM O PENTA!”. Alguém ensine a senhora a contar, depois do 1 não vem o 5. Mas pronto, foram campeões, mereceram.&lt;br /&gt;Na quinta passada o Baixas foi protagonista de um momento que tenho alguma dificuldade em classificar. Caricato é um bom termo, mas acho que não faz justiça ao que se passou. Estávamos no Back Office, com o gerente a trabalhar descansadamente no seu posto, e estávamos no nosso habitual debate das quintas-feiras sobre o presente, passado e futuro dos videojogos. Estava tudo a correr bem, até o Baixas ter uma saída brilhante. Foi qualquer coisa assim:&lt;br /&gt;Livreiro – Pois, para mim o melhor jogo online para qualquer consola portátil é, sem dúvida, o Mário Kart DS&lt;br /&gt;Baixas – Mário Kart?&lt;br /&gt;Livreiro – Sim, Mário Kart, aquele que também há para Gamecube e Gameboy Advance.&lt;br /&gt;Baixas – Ah, já sei, aquele que jogávamos aqui?&lt;br /&gt;(BAIXAS OLHA PARA MIM E LEVA AS MÃOS À CABEÇA)&lt;br /&gt;(SILÊNCIO)&lt;br /&gt;(SILÊNCIO)&lt;br /&gt;(SILÊNCIO)&lt;br /&gt;Baixas – Aquele que tem uns carros todos infantis?&lt;br /&gt;(RISOS INTERMINÁVEIS E A ROÇAR O HISTÉRICO DOS DOIS)&lt;br /&gt;Livreiro – Baixas, tu és hilariante!&lt;br /&gt;(MAIS RISOS, ACOMPANHADOS DE LAGRIMAS)&lt;br /&gt;(NOVAMENTE SILÊNCIO)&lt;br /&gt;Livreiro – Pois, é o melhor&lt;br /&gt;Baixas – É capaz.&lt;br /&gt;Portanto o rapaz, sentado ao lado do seu gerente, diz que aquele era o jogo que nós jogávamos no local de trabalho. É só inteligência. Já agora dizia que também dávamos uns toques no Pro Evolution 5 e umas voltinhas no F1 2005 para PSP. Enfim, é dos medicamentos, ninguém o leva a mal.&lt;br /&gt;Ontem de manhã surgiu uma cliente no balcão, que, sem perder tempo, disse, confiantemente: "Queria um livro do Dostoievsky, se faz favor." Boa, pensei eu, consegue pronunciar Dostoievsky melhor do que o Gulbenkian, que diz qualquer coisa como Dostovietsky ou Dostoetvisky. Ainda não tinha acabado de apreciar a sua boa dicção quando ela continua: "O nome do livro é Os Irmãos Karamaninikov". Estragou tudo, acertou no Dostoievsky mas falhou redondamente no Karamazov. Secalhar era uma boa parceira para o Gulbenkian, já os imagino a correr pelos campos, ela de saiote, ele de sandálias e meia branca, a proferirem nomes Russos da pior forma possível. Ou isso, ou a falarem espanhol. Porque o Gulbenkian domina o Espanhol. Na quarta passada surgiram duas senhoras espanholas que queriam saber se tínhamos o "escudo" do nome da livraria, porque o nome era igual ao seu último nome. Nós não temos nenhum brasão da loja ou da família que deu origem ao nome da livraria, mas, antes sequer de eu começar a tentar explicar isso à senhora, o Gulbenkian intervém, lá de trás, destemido. "O ESCUDO PORTUGUES?" ISSO NÃO TEMOS, ESTÀ ESGOTADO!" e a senhora a tentar explicar que queria ver o brasão, e ele a continuar: "POIS, POIS, A HISTORIA DO ESCUDO PORTUGUÊS... NÃO, NÃO HÁ! ISSO ESTÁ ESGOTADO!"&lt;br /&gt;Por falar em Espanhol, ainda esta manhã surgiu um cliente que queria: "Um livro que saiu em Espanha, em espanhol, de um autor que é espanhol mas que mora em Madrid, diz lhe alguma coisa? Não sei se é um bocado vago... Ah, eu li isto em inglês." Portanto, um autor que é espanhol MAS que mora em Madrid? Morar em Madrid afecta a sua nacionalidade? Não sei, isto é uma frase deveras interessante. E não sabe se é vago? Obviamente que não. Não diz título, autor, editor. Vago era se entrasse na loja e tentasse comunicar apenas através de odores. E eu estivesse constipado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114595650239084700?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114595650239084700/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114595650239084700&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114595650239084700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114595650239084700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/04/poliglotas.html' title='Poliglotas'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114535652373745001</id><published>2006-04-18T11:34:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T11:47:37.156+01:00</updated><title type='text'>Portanto, A mais I igual a AI?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fui trabalhar na sexta-feira passada. O caminho para o trabalho foi normal (condutores loucos, cabras a atravessar a estrada, enfim, o costume) mas, quando dobro a esquina para ir abrir a porta da loja, sou logo presenteado com uma senhora a dizer ao seu filho, que chorava desalmadamente: “ENTÂO JOAQUIM MANUEL O QUE É QUE O ANORMAL DO TEU PAI TE FEZ? DOU LHE JÁ UMA CARGA DE PORRADA! PARA DE CHORAR TU TAMBÉM!”. Pensei em parar e reflectir na estranheza da situação, mas depois lembrei-me de que era feriado, estava tudo explicado… Claro que, mesmo que tivesse com algum tipo de dúvidas, o facto da primeira cliente do dia ter me ido perguntar a localização de um livro porque, segundo ela, “SOU PREGUIÇOSA, NÂO SOU CAPAZ DE PROCURAR NADA”, veio logo reforçar a minha tese, era mesmo feriado.&lt;br /&gt;Por muito que tentemos comunicar com certos clientes, fica no ar aquela sensação de que nós não nos expressamos no mesmo idioma. Não são raras as vezes em que repetimos uma frase vezes sem conta e o cliente, como se não fosse nada com ele, ignora completamente o que dizemos. Vejamos o seguinte caso: uma senhora chega ao balcão, calmamente, e pergunta se temos um qualquer livro. Consulto a base de dados, verifico que não temos o livro, e vejo as lojas em que ele existe. Passo então a comunicar à senhora que o livro apenas se encontra disponível no Chiado e no Vasco da Gama. Ora bem, quando eu esperava o lógico “pode encomendar?” ou o “pode reservar lá?”, surge um inesperado: “E em Cascais, há?”. O facto de eu ter dito que SÓ havia no Chiado e no Vasco da Gama não interessa, posso estar a omitir algo, estes livreiros não são de confiança. Algo falhou na comunicação, imagino o cliente a olhar para mim e a pensar: “Ele está à minha frente, e está a mexer a boca, logo deve estar a falar, mas… Estranho… Não ouço qualquer som… É melhor perguntar se há em Cascais, não vá ele enganar-me…”&lt;br /&gt;Depois há também o hábito dos clientes estarem enganados relativamente ao nome de um livro ou de um autor (ou de ambos), e jurarem a pés juntos que tem razão.Uma senhora idosa aproximou-se do balcão e, sem perder tempo, perguntou: “Tem aí mais livros da Amanda Cunha?”. Eu fiquei naturalmente apreensivo, que senhora tão decidida era aquela, nunca tinha ouvido falar dessa autora. Bom, lá fui eu à base de dados e, obviamente, não surgiu nada. Enquanto pesquisava a senhora ia falando: “Gosto muito da Amanda Cunha. Comprei um livro dela e já li todo e gostei muito, gosto muito. Não conhecia a garota, mas agora gosto muito, esta Amanda Cunha”. Disse-lhe, com todo o cuidado, que não surgia nenhum livro dessa autora da base de dados e que, possivelmente, assim numa hipótese remota tipo Sporting ser campeão, que a senhora devia estar a equivocar-se no nome da autora. Eu posso quase jurar que lhe saíram dois chifres da cabeça e que lhe surgiu uma cauda pontiaguda por baixo da saia. O cheiro a enxofre já lá estava. “NÃO TEM?! COMO É QUE NÃO TEM?! ISSO É IMPOSSÍVEL! EU LEVEI O LIVRO DELA! E olhe, gostei muito… MAS TEM QUE TER! NÃO ME ENGANEI! É AMANDA CUNHA!”. Tentei mostrar lhe o monitor para ela ver como não surgia nada, mas ela não quis olhar porque tinha medo que lhe sugasse a alma. Pensei em começar de novo, perguntei-lhe o nome do livro. Se a senhora se recordasse do nome do livro, o nome da autora iria surgir e aí ficava tudo esclarecido. “NÃO ME LEMBRO DO NOME DO LIVRO! SÓ SEI QUE É DA AMANDA CUNHA!”. Nada feito. A senhora insistiu até eu lhe arranjar uma solução adequada. Disse-lhe para voltar à loja no dia seguinte, com o livro que comprou e que aí nós tirávamos todas as dúvidas. “ENTÃO EU VOLTO E O SENHOR VAI VER QUE É A AMANDA CUNHA!” Claro que eu não referi, meramente por lapso, o facto de no dia seguinte estar de folga. Mas isso é irrelevante para o caso. Conclusão, o que a senhora procurava mesmo era Amanda Quick. Quick, Cunha, é normal, são dois nomes tipicamente portugueses. Quantos merceeiros ou talhantes não há por aí com esse nome? “OH SHOR QUICK, DÉ ME AÍ TRÊS COSTELETAS DE BORREGO FACHAVOR!”. Não levo a senhora a mal.&lt;br /&gt;Depois há sempre aquelas clientes que vivem no seu mundo superior, tendo só algum contacto com o resto da humanidade quando vão comprar livros e pensos higiénicos. Bom, sendo que a parte dos livros me toca a mim (vender pensos seria, admito, interessante, acho que há terreno para explorar nesse mercado, para quando os pensos com música?) lá tive de atender uma dessas clientes. Queria o livro “NEW POOL DESIGN” para a filha. Depois de me dizer o nome do livro, perguntou arrogantemente: “Mas sabe escrever?”. Tocou num ponto sensível. Esta pergunta, para quem tem a quarta classe tirada à noite (e com cábulas) dói muito. Lá tive de explicar à senhora que não sabia e que, aliás, nenhum dos meus colegas sabe. Ler e escrever não são factores preferenciais para o trabalho numa livraria. Um ou dois de nós ainda arranham a leitura (a mim, custa me ler palavras com LH e NH, mas ainda me safo), mas escrever? Ninguém sabe. Estas pessoas, que vão para as livrarias a pensar que sabemos ler e escrever… Como é que é possível viver nessa ilusão? Os meus mais sinceros pêsames.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114535652373745001?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114535652373745001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114535652373745001&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114535652373745001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114535652373745001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/04/portanto-mais-i-igual-ai.html' title='Portanto, A mais I igual a AI?'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114398424969182106</id><published>2006-04-02T12:11:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T11:48:21.936+01:00</updated><title type='text'>A Busca da Verdade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ia eu começar a escrever quando surge algo no horizonte que me distrai complemante. Amigos, eu já vi muita coisa. Muita mesmo. São demasiadas horas a espreitar para fora deste aquário sem água a que chamam loja. Mas, ver uma rapariga a passear dentro da loja, enquanto vai lendo alguns livros, com um bocado de cartão colado às costas e que se estende uns valentes 75cm acima da sua cabeça, com publicidade à série "Desesperate Housewives" é algo digno de ser visto. Aqui o meu colega Gulbenkian, este verdadeiro raio de luz ambulante com a sua camisola amarela, não queria acreditar nos seus olhos. Pobre rapariga, parece saída de uma banda desenhada. Só que esqueceram-se de lhe tirar os balões das falas. Devem pagar bem, é tudo o que digo.&lt;br /&gt;Não há nada como clientes enraivecidos. E se há coisa que os deixa fulos é quando lhes passam à frente na fila para pagar. É compreensível. Se por acaso atendemos alguém que se esgueirou sub-repticiamente para a frente da fila, começa logo uma discussão. "OH FAXAVOR EU TAVA PRIMEIRO, ESTE ... "SENHOR" PASSOU ME Á FRENTE!" logo seguido de um "DESCULPE! EU ESTAVA PRIMEIRO, NÃO TENHO CULPA QUE TIVESSE AÍ A DORMIR!". As discussões atingem por vezes níveis bastante perigosos. E eu aqui, atrás do balcão, a presenciar tudo calmamente. Até à semana passada. Atendi uma cliente, e surgiu logo um envervadíssimo "EU TAVA PRIMEIRO!" da senhora do lado. Surgiu a resposta e a contra resposta. E eu já a pensar em ir buscar as pipocas para assistir à discussão. Mas eis senão quando as senhoras, em vez de se degladiarem até à morte, se unem contra mim. "Peço imensa desculpa, mas foi aqui este "SENHOR" que me chamou para ser atendida" ao que a outra cliente respondeu "Pois, não estão com atenção, é o que dá". A outra cliente assentiu e continuou: "Realmente, é sempre a mesma coisa...". E ali ficaram, a olhar-me com desprezo, enquanto despejavam todo o seu ódio em mim.&lt;br /&gt;Na semana passada, um cliente comprou um livro da colecção Para Totós. Até aqui tudo bem, não fosse o facto do dito cliente ter chegado a casa e ter reparado que afinal não era aquele que ele queria. Então o que é que ele faz? Liga para a loja. "Ah, bom dia. Eu comprei aí um livro chamado Internet Para Totós, mas o que eu queria era Informática Para Totós." Tudo parecia correr bem, até ele dizer "Eu fui atendido por um rapaz simpático, com uma coisa no pescoço." Suponho que ele estivesse a falar do meu fiel identificador. Que todos usamos. Quer dizer, todos menos a Feiticeira. E &lt;a href="http://osaint.blogspot.com/"&gt;O Santo&lt;/a&gt;, porque tem o pescoço sensível. Acho que era disso que ele estava a falar. Ou disso ou da minha cabeça. Acho que é normal apelidar, tanto ao identificador como à minha cabeça, de coisa. Claro que a parte do "simpático" foi a parte mais chocante para os meus colegas.&lt;br /&gt;Estava eu no balcão a tentar trabalhar quando vejo um homem e uma mulher a segurarem uma caixa. Pararam junto ao balcão, sem largar a caixa e mantinham um sorriso tipo Barbie. Não se mexiam, nem sequer pestanejavam. Pensei que fossem dizer: "Take me to your leader", mas não, pediram-me licença apenas para deixar a caixa no back office, sempre com os olhos esbugalhados. Estranho, pensei eu e mandei os entrar. Lá deixaram a caixa e partiram, como se nada fosse. Quando fui ver o conteudo da caixa tudo fez sentido. Eram livros de Cientologia, a religião inventanda por L. Ron Hubbard. E quem é L. Ron Hubbard? Não sei, não interessa, mas aqui diz que vendeu 120 milhões de livros. Ena. Em Hollywood está na moda, e isso não é dizer pouco. Foi aliás, a razão pelo qual Isac Hayes (o Chef) abandonou o Southpark, o que só por si constitui motivo suficiente para não gostar desta religião.&lt;br /&gt;Por falar em religião, o livro da Alexandra Solnado traz à loja personagens novas. Na segunda-feira passada estava ainda a tentar acordar quando uma senhora se aproximou do balcão e perguntou se tínhamos a Limpeza Espiritual. Como é que poderíamos ter? É um verdadeiro bestseller. A senhora ficou bastante desiludida. Então começou a ver outros livros, e acompanhava a leitura de cada livro com a pergunta: "Também é de limpeza espiritual?" E a cada livro, a mesma pergunta. Chegou inclusivamente a pegar num livro do mesmo formato do livro Limpeza Espiritual e perguntou se era de limpeza espiritual. Quando confrontada com esse facto, perguntou: "Então é sobre quê?". A minha colega pegou no livro, olhou para a capa e viu o título Como Contactar o Seu Espirito Guia. E disse: "Este é para contactar o seu espírito guia". Pelo título ninguém ia lá. A senhora respondeu prontamente: "Ah, então é isso! Mas não tem limpeza espiritual?". Depois virou-se para os livros da Louise Hay. Mostrei-lhe todos os que tínhamos, mas ela já tinha tudo. Queria um dela que falasse de limpeza espiritual. Não temos. Então começou a tirar livros ao calhas da prateleira e a perguntar: "Também é da Louise Hay? Também é dela? E este?" Calculo que ler não fosse o forte dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114398424969182106?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114398424969182106/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114398424969182106&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114398424969182106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114398424969182106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/04/busca-da-verdade.html' title='A Busca da Verdade'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114337152599771484</id><published>2006-03-26T12:07:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T11:48:50.586+01:00</updated><title type='text'>Estou Aqui Para Ajudar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Que melhor razão haverá para fazer um novo post do que um novo livro da &lt;a href="http://olivreiro.blogspot.com/2005/02/do-outro-mundo_110788485335611898.html"&gt;nossa amiga&lt;/a&gt; Alexandra Solnado? Poucas, meus amigos, poucas. Desta vez, depois da brilhante &lt;a href="http://olivreiro.blogspot.com/2005/12/crnicas-de-natal-2-um-natal-lavadinho_18.html"&gt;Limpeza Espiritual&lt;/a&gt; temos a Alma Iluminada. E não se pense que é iluminada por um qualquer candeeiro do Ikea do mundo espiritual. Não. É mesmo por Jesus, a luz maior do universo. Neste novo livro, a autora relata mais uma vez as conversas que vai mantendo com Jesus. Por exemplo, no dia 22 de Maio de 2005, ela vinha no avião a caminho de Lisboa quando foi contactada por Jesus, que lhe transmitiu mensagens de amor. Eu, sinceramente, se fosse contactado por Jesus a bordo de um avião começava logo a pensar o pior: “Daqui Jesus, over. É só para avisar que o avião vai cair. Vemo-nos daqui a uns instantes, over.” Alexandra Solnado, sempre actual, debate o tema das crianças Índigo. Numa das suas viagens à nave (?) de Jesus, ela diz que ficou assustada com os seres pequeninos que lá se encontravam, porque, segundo ela: “Foi aí que morri de medo. Pensei que fossem extraterrestres. Eu morro de medo de extraterrestres.” Se eu fosse com Jesus a qualquer sítio do Universo, não teria medo de nada. “Ah e tal, sou mau e mais não sei quê, sou extraterrestre e tenho uma sonda…” E eu diria: “Ah sim? Este é Jesus, o todo Poderoso. Anda sobre a água e tudo, mostra-lhes J!” Não tinha medo de nada. Os seres pequeninos não eram extraterrestres. Eram crianças a ser treinadas para virem para a terra e começarem uma nova era. É parecido.&lt;br /&gt;No dia 27 de Setembro de 2005, pelas 17 horas, a autora ouviu uma voz. Assolada por dúvidas, conta o que fez:”Pedi a Jesus para me dar um sinal de que era Ele que estava a falar comigo, esperei um pouco e, de repente, caíram folhas cristalinas dentro do meu ouvido.” É normal que a autora queira confirmar a identidade de quem a contacta. Não seria a primeira vez que, pensando estar a falar com Jesus, estava na realidade a falar com Tozé, mecânico da Brandoa que viveu entre 1918 e o ano 1999. Obviamente que Tozé não lhe serve de muito no que toca a questões metafísicas, mas dá mesmo muito jeito quando ela fura um pneu. Acontece por vezes ela perguntar “Existe vida depois da morte?”, pensando estar a falar com Jesus, e Tozé, como no anúncio do queijo, responde: “Para motores onde o pistão é mudado com muita frequência o óleo ricinado é melhor devido à melhor estabilidade de temperatura na cabeça do cilindro.” Nunca mais a enganaram numa oficina.&lt;br /&gt;Dia 19 de Outubro, numa das aulas dos vários cursos que administra, Alexandra Solnado foi contactada por Jesus. Imagino uma aluna: “Stôra, oh stôra, o Toni está puxar me os cabelos!”, ao que respondia outra colega: “Chiiiuuuuu que ela está a falar com Jesus! Agora não pode!”. Jesus, depois de lhe transmitir mais uma poderosa mensagem, diz-lhe para ensinar isto na sua aula. Ser professor assim não custa nada. “Então colega, preparaste a aula de hoje?”, “Epá, nem por isso, mas agora no intervalo vou ser contactado por Jesus e ele dá uma mãozinha.”&lt;br /&gt;Depois há aqui um capítulo que eu tenho a certeza que o Papa Bento XVI iria adorar, no qual Jesus aborda o tema do sexo. E, além de defender o acto sexual e o orgasmo, defende a masturbação. Já estou a ver o Papa a ler isto durante o pequeno-almoço e a cuspir o café por cima dos Cardeais todos. Segundo a autora, Jesus diz que, quando o casal atinge o orgasmo: “a explosão dá-se. E nós vemos aqui de cima. E aplaudimos.”. Isto explica muita coisa. É também dito que o orgasmo é uma maneira de abrir o canal para conseguir a ascensão da alma. Como se os homens já não tivessem frases de engate suficientes, surge aqui mais uma alternativa, e ainda por cima de teor religioso. Vai ser um sucesso.&lt;br /&gt;Por em Jesus, tive uma conversa surreal com um cliente na semana passada. Ele chegou ao balcão e perguntou: “Tem um livro, não sei bem o título, é qualquer coisa como Jesus não mandou vir as costeletas, ou qualquer coisa.”. Muito bom, pensei eu. Pesquisei na base de dados, não surgiu nada. Ele não ficou convencido: “E então Diz a Jesus que já se acabaram as costeletas, não?” e eu voltei a pesquisar, e nada. Disse-lhe que tinha apenas feito a pesquisa com as palavras “Jesus” e “costeleta” e não surgia mesmo nada. Nesta altura já estava outra cliente junto ao balcão à espera de ser atendida, e deviam ver a cara de espanto da senhora quando testemunhou a seguinte conversa:&lt;br /&gt;- Então e Jesus comeu as costeletas?&lt;br /&gt;- Também não.&lt;br /&gt;. E Jesus e costeletas, ou será entrecosto?&lt;br /&gt;- Já pesquisei com Jesus e Costeletas, e não surge nenhum livro que contenha essas duas palavras.&lt;br /&gt;- E só Jesus?&lt;br /&gt;- Assim surgem muitos.&lt;br /&gt;- Pois, não é grande ajuda. E só costeletas?&lt;br /&gt;- Surgem aqui 3 ou 4, mas nada relacionado com Jesus.&lt;br /&gt;- Posso ver?&lt;br /&gt;- Claro.&lt;br /&gt;- Pois, está aqui costeletas, como cozinhar costeletas, mas nada de Jesus. Sei que é qualquer coisa com Jesus e costeletas, não sei se tem a ver com Jesus comer costeletas, não sei.&lt;br /&gt;- …&lt;br /&gt;A esta altura a senhora já esfregava os olhos para ter a certeza de que estava a presenciar aquilo. Eu sei qual era o livro que o senhor procurava, “Quando é que Jesus traz as costeletas?”, mas nós não o comercializamos.&lt;br /&gt;Há uma frase que os clientes dizem com bastante frequência e que me dá alguma vontade de rir, “Pode ajudar-me?”. ´É que se vissem o ar de desespero com que dizem a frase, parece que o mundo está para acabar. .&lt;br /&gt;- Pode ajudar-me?!&lt;br /&gt;- Claro, qual é o título do livro?&lt;br /&gt;- Não, não é isso, a minha filha está presa num castelo em chamas!&lt;br /&gt;Claro que também temos os clientes que duvidam das nossas capacidades e dizem: “Não sei se me consegue ajudar…” Lá está, a dúvida logo no inicio da conversa. O “Será que me pode ajudar?” também surge de vez em quando, o que me dá vontade de responder “Não, isso só vai lá com um profissional”. Raramente há clientes que dizem: “Vamos lá ver se é o senhor que me vai conseguir ajudar.”. Eles lançam o repto, desafiam as nossas capacidades. Não há outra saída senão responder afirmativamente ao desafio. O problema é que aí sujeitamos a que a resposta do cliente seja: “É que eu tenho aqui um sinal, com uns cabelos e um bocado de pus, ora toque lá, veja se é normal.”&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114337152599771484?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114337152599771484/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114337152599771484&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114337152599771484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114337152599771484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/03/estou-aqui-para-ajudar.html' title='Estou Aqui Para Ajudar'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114297728935586722</id><published>2006-03-21T21:38:00.000Z</published><updated>2006-04-27T11:49:29.120+01:00</updated><title type='text'>Olho Mirolho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Este dia do Pai que passou foi demais. E não foi só pela excelente prenda que a minha filha me deu. Tem bom gosto a criança, reconhece boa literatura quando a vê. Infelizmente não passei o dia todo com ela como queria. Tive que vir trabalhar. E acho que nada me podia preparar para esse belo dia.&lt;br /&gt;Primeiro, e antes de mais nada, devo agradecer à Coca-Cola. Eu gosto de Coca-Cola. Aliás, sou viciado. Mas, porem 6 ou 7 jovens de flores na mão, a oferecerem flores aos Pais e depois a baterem palmas estridentemente já é passar dos limites. Abordavam o possível pai. Davam-lhe uma flor. Batiam palmas. Pai. Flor. Palmas. Devo ser sincero, se oferecessem Coca-Cola, tinha lá ido. Várias vezes. Mas, flores? Não. Aquilo era mesmo irritante. Só sei que às tantas, o número de pessoas a bater palmas ia diminuído. 7. 6. 5 e por aí fora, até ficar só um. De certeza que foram perdendo unidades à medida que iam incomodando as pessoas com aquelas palmas irritantes.&lt;br /&gt;Para tentar me abstrair das palmas fui arrumar a loja. Mal pego no primeiro monte de livros reparo numa fita cor-de-rosa, daquelas de usar ao pescoço com as chaves. Não lhe toquei, continuei a arrumar. Passado mais de meia hora ela continuava imóvel no mesmo local. E olhem que o local não era agradável, por isso comecei a desconfiar. Perguntei à minha colega se ela tinha visto alguém deixar ali aquela fita, e antes sequer dela responder surge a voz de uma cliente que se encontrava de costas para nós: “SECALHAR DEIXARAM ISSO AÍ PARA VER SER ARRUMAM A LOJA!” num tom altamente agressivo. Até me assustei. Secalhar era para ter piada. Não percebi. Claro que a senhora foi presenteada com um belo olhar redutor da parte dos funcionários da loja. Somos um público difícil, devo admitir.&lt;br /&gt;Por falar em olhar, estes clientes do Dia do Pai são levados da breca. Que bela pandilha que por cá passou. Uma cliente queria oferecer ao pai um livro qualquer de Recursos Humanos. Lá me disse o título e lá fui eu à procura. Digamos que era mais fácil o Marlin encontrar o Nemo do que eu encontrar o livro. A cliente reparou que eu estava com algumas dificuldades em encontrar o dito livro e deslocou-se até à secção onde me encontrava. Chegada ao pé de mim, lança a seguinte pérola: “Secalhar é melhor ajudá-lo. Sim, porque dois olhos são melhores que um! Ah ah ah ah!”. Bem que a minha mulher me disse para não usar a pala no trabalho. 2 olhos? 2+2=2? Hmmmm… Secalhar tinha um olho de vidro e não reparei. Não sei. Prefiro não aprofundar esta questão, há clientes que pura e simplesmente me assustam.&lt;br /&gt;Muito gostam os clientes de arranjar sinónimos para tentar dar a volta à situação. Veja-se uma cliente que, ao encontrar um exemplar do livro que desejava, achou que este não estava em condições. Então, com todo o direito, perguntou: “Desculpe, é o único?”. Respondi que sim. E o cliente: “Não tem outro?” Não, respondi eu. Ser o único ou não ter outro são coisas completamente diferentes. Tal como os amigos dela. Levou dois livros e pediu para embrulhar. Depois de serem embrulhados e quando estavam prestes a ser remetidos para o respectivo saco, a senhora intervém: “Dê-me outro saco! É que os livros são para pessoas completamente diferentes!”. Isto contrasta um bocado com os clientes que habitualmente dizem: “Ah, ponha no mesmo saco que é para dois amigos meus. É que eles são parecidos, aliás, partilham o mesmo tronco e uma perna. São um festim para os olhos.”&lt;br /&gt;E porque é que raio uma cliente, estando entre o balcão e uma mesa com livros, para me deixar passar encolhe as costas e estica o rabo? Tudo bem, ela tinha uma mala às costas, o que podia atrapalhar a minha passagem. Mas ela devia ver o rabo dela ao espelho e ajustar as prioridades no que toca a encolher-se para ceder a passagem. Mais um bocado e eu não estava aqui para contar a história.&lt;br /&gt;Mas é sempre bom ver pais e filhos a passear, felizes. Especialmente quando tenho que ficar aqui o dia todo e a minha filha em casa a queixar-se disso. E há famílias engraçadas. Um pai, com o filho, que não devia ter mais de ano e meio, às cavalitas. O pai, todo orgulhoso, mostrava ao mundo a t-shirt dos Ramones do filho. E este chorava, chorava como se não houvesse amanhã. Eu ainda pensei que o pai fosse entoar o Blitzkrieg Pop para o acalmar, mas não. E eis que, finalmente, a mãe entrega à criança um livro do Noddy, para deleite desta. A choradeira parou. A mãe fez o habitual ar vitorioso que fazem as mães e o pai reduziu-se à sua insignificância. O Noddy venceu mais uma vez. Maldito sejas, Noddy…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114297728935586722?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114297728935586722/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114297728935586722&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114297728935586722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114297728935586722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/03/olho-mirolho.html' title='Olho Mirolho'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114270639755852759</id><published>2006-03-18T18:24:00.000Z</published><updated>2006-04-27T11:50:00.913+01:00</updated><title type='text'>Uma Questão de Orgulho</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gostava de ser dono da loja onde trabalho. Ter total controlo sobre que livros entram e saiem sobre os horários, sobre os empregados. Sobre tudo. Seria qualquer coisa como na League Of Gentlemen. Eu teria uma empregada tipo Tubbs, que diria "this is a local shop for local people, there's nothing for you here!". Seria muito bom. Não temos uma Tubbs mas temos a Feiticeira. E, há até quem defenda que é bem melhor. Tenho pena é que ela vá para o Inferno. Estava ela a vender uma Bíblia (foi o Santo que presenciou este episódio porque eu estava no back office) quando, com os seus ternos e delicados modos, deu uma cacetada (termo católico) na dita Bíblia, causando a queda violenta desta no chão. Bom, a Bíblia ficou bastante mal tratada. Aliás, não me lembro de ver a Bíblia tão maltratada deste os tempos da reforma. E a Feiticeira, como se não fosse nada, voltou a por a Bíblia em cima da mesa. Claro que o cliente não levou aquele exemplar, tendo a Feiticeira que ir buscar outro. Já no outro dia, surgiram dois clientes que queriam uns livros relacionados com Engenharia. Claro que a resposta da Feiticeira foi "AH ISSO É ALI NOS LIVROS TÉCNICOS". E nem se preocupou em perguntar se procuravam algum título em particular. Ou sequer em acompanhar os clientes para os ajudar na sua pesquisa. Então lá foram os clientes sozinhos, rumo à secção dos livros técnicos. Eu estava por perto a arrumar o esoterismo e ouvi a conversa: "Tsshhhh, que estúpida. Livros Técnicos? Duuuhh que está nos livros técnicos sei eu, não precisava que ela me dissesse" ao que o seu companheiro respondeu: "Que é que estás à espera, estamos em Portugal..." Eu desde já aviso, em nome de todos os portugueses, que não me faço representar pela Feiticeira. Claro que quando me viram a olhar para eles ficaram bastante embaraçados. E fugiram.&lt;br /&gt;Trabalhar numa loja de porta aberta causa algumas situações curiosas. Há uma situação em particular que sucede com muita frequência. Quando a loja está silenciosa, com pouca gente e com a música baixa, ouve-se muito bem os sons que vem de fora da loja, seja a música do centro ou as conversas das pessoas que passam. Um dos efeitos mais peculiares é quando vêm duas pessoas a falar ao longo da montra e o som surge abafado e imperceptível e depois, quando passam na porta, percebe-se perfeitamente tudo o que dizem. Isto torna-se muito mais curioso quando se ouve o seguinte: "blbbllbgllglggll avlvhlahkdlkhvkalvd (som abafado, e de repente) NÃO TENHO CULPA QUE TENHAS LOMBRIGAS E ME TENHA ESQUECIDO DE COMPRAR PAPEL HIGIÉNICO E (novamente abafado) whwhwho fhofhosifshfiosa".&lt;br /&gt;Algo que se repete com frequência são os pedidos de livros ou de autores incompreensíveis. Aí temos várias hipóteses: escrevemos qualquer coisa parecida com o que foi dita na esperança que surja algo parecido, tentamos uma aproximação diferente pedindo ou autor ou editora, ou pedimos que o cliente repita. É muito mau pedir para o cliente repetir. Mas, existe pior. Pedir para soletrar. É o mais baixo que se pode descer. Na segunda passada surgiu um cliente vestido todo de preto, com um sobretudo preto. Parecia o Neo, do Matrix, mas com 40kg a mais. Chegou ao balcão assim sub-repticiamente, e disse: "Olhe, podia ver se tem livros de um autor?" e eu assenti Ele continuou "Sabe, não sei se tem..." e eu já estava mais ou menos a ver o que vinha aí. "O nome do autor e Van lishssshhtsstst?" Com especial ênfase nos "t" e nos "s". Tentei procurar por Van List ou Von Litst (ainda hoje não sei como se escreve) e não surgia nada. Já a entrar em pânico, quase caí na tentação de pedir para soletrar. Mas és um homem ou és um rato, pensei eu, controla-te homem, onde está o teu orgulho? E não perguntei. Quando pensei que ele tinha desistido, vem o temido: "Ah, mas eu preciso de ver outro autor". Disse que sim, que claro que via. Não podia ser pior. Não podia. "Tem o livro do Von Eiseiteicheireich?" Nem de propósito. Consegui safar-me (à justa) com o título do livro. É muita pressão, isto de ser livreiro.&lt;br /&gt;E quando os clientes mentem? Isto parece um título de um daqueles clientes tipo "DOMESTIC ANIMALS GONE WILD!" ou "MOVIE STUNTS GONE WRONG!". Mas acontece. Uma cliente pediu-me um livro ("Qualquer coisa da obesidade ou lá o que é" disse ela) para encomendar para a loja. Supostamente havia um exemplar numa das nossas lojas e eu disse que o encomendava. Até preenchia o papelito janota das encomendas. O que eu gosto de fazer isso. Liguei para a tal loja, afinal não havia nada. Pedi à editora. Qual não é o meu espanto quando a cliente liga furiosa porque foi à tal loja e não encontrou o livro? E depois ainda tem o desplante de dizer que tinha sido isso que tinha ficado combinado. Claro, porque eu gosto de preencher papéis de encomendas por divertimento. E, depois da queixa por telefone, seguiu-se a queixa ao vivo. Foi do tipo "sim, se acha que eu minto ao telefone nem queira ver o que faço ao vivo". Foi do melhor, alguém dê um Óscar à senhora. Ela estava capaz de tudo. Só não me disse que eu lhe tinha dito que o livro tinha asas e lhe daria vida eterna porque não calhou.&lt;br /&gt;Estou destinado a penar atrás daquele balcão...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114270639755852759?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114270639755852759/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114270639755852759&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114270639755852759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114270639755852759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/03/uma-questo-de-orgulho.html' title='Uma Questão de Orgulho'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114177117581055526</id><published>2006-03-07T22:38:00.000Z</published><updated>2006-04-27T11:50:34.623+01:00</updated><title type='text'>David Lodge</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isto de ser Livreiro tem que se lhe diga. Além de Livreiro, e das mil e umas tarefas que me são atribuídas pelo público em geral, sou também responsável por fornecer informações para todo e qualquer transeunte que queira qualquer coisa em qualquer lado. Sejam os telefonemas constantes para a loja, julgando que estão a ligar para a administração ou informação do centro comercial (o que resulta nuns já habituais: “OH FAZ FAVOR O CONTINENTE ESTÁ ABERTO HOJE?” ou ainda no já clássico “Ai não é das informações? Mas aqui diz que sim. Ahhhh, pronto. Então não é mesmo. Mas pode me dizer se o Continente está aberto na mesma?”) ou os pedidos de direcções ou compra de qualquer produto que se possa imaginar, já nada me espanta. Ainda hoje estava a sair do back Office quando se aproxima uma senhora de mim que diz: “Desculpe, onde é que é a banda desenhada?”. Com mil raios, pensei eu, já deitaram abaixo o sinal com 80 por 30cm que diz BANDA DESENHADA outra vez. Mas, não, ele ainda lá estava. Bom, não me restava outra alternativa que não fosse guiar a senhora através da loja até ao longínquo canto da Banda Desenhada. Chegado lá indico à senhora o local exacto da banda desenhada, e ela responde: “Não, não é isso. Eu queria o Patinhas e o Donald.” Tentei explicar-lhe que isso não tínhamos, mas foi logo interrompido: “Pois, isso sei eu, queria que me dissesse onde é que há isso à venda aqui no centro!” Reparem na brutal inteligência. Chega a uma livraria e pergunta por Banda Desenhada. Claro que era óbvio até para os mais distraídos ou para o George W. Bush que a senhora queria que eu lhe indicasse um espaço que não o nosso onde encontrasse BD. Porque é que ela não disse logo o que queria? Teria poupado tempo e trabalho. E, pior, porque é que raio ela foi atrás de mim pela loja toda, sabendo que nós não tínhamos o que ela queria? Isso é que me intriga. “Deixa-me lá fazer o totó andar pela loja e andar à procura de algo que ele não vende.”&lt;br /&gt;Não faço ideia do que as pessoas pensam de nós. Claro que o facto de, estando a loja em silêncio, um de nós gritar para os outros “O STAVANGER MARCOU AO LILLEHAMMER!!” enquanto saltita e tenta abraçar o colega que se encontra mais próximo (maldita Betandwin…) não dá muito bom aspecto. Mas, o que é que leva uma senhora a dizer ao seu marido, enquanto este estava a ver uns livros de automóveis: “Tira o casaco. Tira o casaco. Tira o casaco, TIRA LA O CASACO, CUIDADO COM O HOMEM!”. O homem sou eu, não havia mais ninguém na loja. Cuidado comigo porquê? Tudo bem, posso estar a ler “Os Mundos Esotéricos de Fernando Pessoa” mas também não é preciso exagerar.&lt;br /&gt;Numa das manhãs que passou surgiu uma cliente bastante interessada em livros de teatro. Depois de apresentar uma lista interminável (da qual só havia dois livros…) ficou para no balcão a observar atentamente um dos livros que lhe providenciaram. Olhou, folheou, olhou um bocado mais. Quando tudo indicava que ela estaria pronta para pagar, lança a seguinte frase: “Hmmmm… Isto é o 3 não é?” A respota surgiu positiva, visto haver um 3 enorme na lombada e na capa do livro. Ela retoriquiu: “Parece-me que deve haver o 1 e o 2.” Que mente iluminada. Isto nem o Paulo Cardoso conseguia prever.&lt;br /&gt;A nossa colega Feiticeira é algo difícil de descrever. Ela está a atender um cliente, e a cada pergunta que vai fazendo aumenta gradualmente o volume da música. Não ouve o cliente bem, passa a ouvir pior. Hoje até me assustei quando ela, para além do seu habitual: “VAI LEVAR ESSE?” ou ainda do “ISSO É PARA LEVAR?” com que brinda qualquer cliente que passe junto do balcão com o livro, hoje tentou hipnotizar um cliente. É verídico. O cliente estava a tentar que ela encontrasse um livro na base de dados, o que se estava a revelar uma tarefa hercúlea. Farta de procurar, pediu ao cliente o nome do autor, olhou fixamente para ele e disse, num tom hipnótico: “VAI ME DAR O NOME DO AUTOR”. Não é “pode me dar o nome do autor, por favor?”. É uma ordem: “VAI ME DAR O NOME DO AUTOR”. Repetiu três vezes, naquele tom hipnótico. Eu, que estava a arrumar as novidades, disse do meio do nada : “DAVID LODGE”, assustando os clientes que se encontravam à minha volta.&lt;br /&gt;Tive uma conversa interessante com um cliente que queria, e passo a citar: "Um livro que tem o Hitler e o Himler a passear na neve”. Já os estou a imaginar “Oh Hitler, isto é que tá um belo dia ahn?”, ao que o Hitler respondia: “É Himmlerzinho, apesar do frio que me congela os ossos, não me divertia tanto desde a chacina de ontem…”. Depois de lhe encontrar o livro, facto que o deixou maravilhado face à fraca informação que me forneceu sobre este, começou a falar comigo sobre o livro de Mao Tse Tung. “Este homem era nojento. Ignóbil. E pior era os que o seguiam. Lá e cá. Aquele Garcia Pereira e o Durão Barroso, de livros em punho, seguidores do Mao. Nojento. Foi responsável por milhares e milhares de mortos!”. Pensei em dizer qualquer coisa como: “O Mao era mesmo mau! Mau, ehehe, percebe?” mas achei que ele não ia entender. Falando em respostas tipo empregado de café, uma das minhas favoritas (que obviamente nunca usei, mas não perco a esperança de ver alguém usar) é relacionada com a religião. Num destes dias surge uma cliente ao balcão que diz, antes sequer de um cordial saudação: “QUERO A CABALA!”. Era genial que alguém dissesse: “Oh minha senhora, mas a senhora ainda nem a começou”, rebolando depois a rir para trás do balcão, perante o olhar estupefacto da cliente. Mas, não, o máximo que aconteceu foi mesmo ir alguém até a secção dos livros religiosos e verificar que não tínhamos nada.&lt;br /&gt;Isto às vezes é pouco emocionante…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114177117581055526?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114177117581055526/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114177117581055526&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114177117581055526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114177117581055526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/03/david-lodge.html' title='David Lodge'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114064608762045925</id><published>2006-02-22T22:06:00.000Z</published><updated>2006-04-27T11:51:38.623+01:00</updated><title type='text'>Doutor Livreiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não há que negar os factos, especialmente quando eles são por demais evidentes. O Benfica é o maior. Além disso, há clientes que continuam a levar mais longe a tarefa de entreter o vosso excelso livreiro.&lt;br /&gt;Temos aqueles clientes cujo sotaque é algo de único. Tudo bem que McGraw-Hill pode ser um pesadelo para as línguas mais enferrujadas. Dostoievsky também não é pêra doce e Pais Brilhantes, Professores fascinantes não é um nome fácil de decorar. Assim como Quem Mexeu No Meu Queijo. Mas há clientes que abusam. Hoje um cliente, pelo telefone (e sabem bem como eu fui feito para falar ao telefone…) além de trocar os R’s pelos G’s (Tguês, Quatgo, Ggande, Livgo, etc) dizia me que tinha o izebene do livro. Eu não percebi, e ele continuou: “Quer o IZEBENE?” O que ele queria dizer, cheguei eu à conclusão, era ISBN (International Standard Book Numbering). Ele parecia uma serpente, IZEBENE IZEBENE, sibilava sem parar. Não havia nada do que ele queria, acho que o aldrabaram.&lt;br /&gt;Depois temos aqueles clientes que fazem de nós conselheiros, confidentes, e, imagine-se, até médicos. Não é raro encontrar clientes que perguntem a melhor cura para o mal de que actualmente padecem. E há também aquela senhora que sempre que vem cá conta que a prima partiu o externo e o filho partiu o dedo e ela está com pneumonia e a irmã deslocou o ombro e o marido tem dores nos rins. Essa é uma das nossas favoritas. No outro dia, estava eu descansado a tomar o pequeno-almoço na Fnac (Queria uma “ironia” para a mesa 7, se faz favor…) e lá estava ela a desabafar com a funcionária de serviço porque a família estava toda doente. Acontece de tudo. Ainda ontem, chegou uma cliente ao balcão com o já mítico livro “A Saúde Pela Argila”. Pousou o livro no balcão, e assim que eu o alcancei para proceder ao habitual registo, ela intercedeu. Perguntou-me, sem medo: “Desculpe, tem mais livros parecidos com este?”. Eu aí tive de admitir a minha ignorância e dizer que não percebia nada. Fui ver, ainda assim. Mas, em vão, não havia mesmo nada. Quando voltamos ao balcão, a senhora volta ao ataque: “Não tem mesmo nada?” Aí está, a pergunta do costume. Ela foi lá comigo. Viu. Viu que não tínhamos. Eu disse-lhe que não tínhamos. Mas ela ainda insistiu. Porque eu, verdadeiro Atila das livrarias, gosto de esconder livros dos clientes. Enfim. Ela continuou “Sabe, é que eu precisava mesmo desse livro… Não sei se reparou, mas eu tenho um pequeno problema de pele” E aponta para cara, totalmente vermelha. “Não, isso mal se nota, veja lá que nem tinha reparado”, respondi eu, tentado disfarçar. Lá partiu só com aquele livro da argila, espero que lhe faça bem.&lt;br /&gt;Depois tive a visita de uma personagem que já não via há muito tempo, uma &lt;a href="http://olivreiro.blogspot.com/2004/08/novidade-ou-talvez-no.html"&gt;velha conhecida&lt;/a&gt; dos tempos gloriosos desta loja. Quando a vi o primeiro pensamento que tive foi em adiantar a hora de almoço, mas não havia nada a fazer, porque estava, mais uma vez, sozinho na loja. “BOM DIA SENHOR!” diz ela no seu tom altamente elevado de voz. “GOSTO DE FUMAR CACHIMBO, CHEIRA A CACHIMBO. O LIVRO DA MARYLIN QUE ESTÀ NA MONTRA?” Era o único, então tive que ir à montra. Acho que nunca tinha aqui abordado a problemática da montra. Imaginem estar dentro de um aquário, mas sem água. Com as pessoas a olhar na parte de fora. É tipo oceanário, a diferença é que o tubarão não fica com o rabo colado no vidro, como nós ficamos. Muito bom. E claro, convém mencionar que os seguranças mal vêm pelas suas câmaras semi-ocultas que se encontra alguém a mexer na montra no horário de expediente (o 2º pecado no manual do bom lojista de grande superfície e semelhantes) vêm logo a correr dar os seus sermões. Claro que um homem que tenta dar um sermão enquanto está constantemente a receber transmissões estranhíssimas e passíveis de ser interpretadas de variadas formas não pode ser levado a sério. A senhora ficou altamente chocada por não termos o livro, “NÃO SE PERCEBE SENHOR!” dizia me ela e com razão. Depois foi procurar livros na zona da culinária e eu continuei em paz a tratar dos meus assuntos.&lt;br /&gt;Finalmente ela dirige-se para o balcão com um livro sobre cozinha vegetariana. Vinha a sorrir, parecia estar num dia bom. Quando posou o livro no balcão, não hesitou em encetar uma amena conversa: “Isto da saúde… Só nos preocupamos quando a perdemos…” E sorriu para mim. Eu, como bom rapaz que sou, respondi que sim senhor, tinha toda a razão, que é sempre assim. Então, sem nada o fazer prever, a sua cara muda totalmente e começa a gritar: “O QUÊ?! VOCÊ SABE LÁ O QUE ESTA A DIZER! VOCE É JOVEM, TEM SAUDE! SÁBE LÁ O QUE É A DOENÇA! VEJA! VEEEEJA!” Neste momento, ela puxa a camisa com toda a força mostrando o pescoço e o peito, revelando uma valente cicatriz. Se ela puxasse mais um bocado a camisa teria que colocar uma bola vermelha no canto do ecrã. “FUI OPERADA AO CORAÇÃO! VOCÊ É JOVEM! SABE LÁ DO QUE ESTOU A FALAR!”. Levou o livro, furiosa, e saiu. Ainda pensei que lhe ia dar um ataque. Outro. Enfim.&lt;br /&gt;É o normal. Seja lá o que isso for.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114064608762045925?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114064608762045925/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114064608762045925&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114064608762045925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114064608762045925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/02/doutor-livreiro.html' title='Doutor Livreiro'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-114036045454572411</id><published>2006-02-19T14:45:00.000Z</published><updated>2006-04-27T11:52:42.376+01:00</updated><title type='text'>Sempre a Aprender</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por vezes penso que sei tudo. Que domino várias áreas. Afinal, com mil raios, sou o Livreiro. Tenho ao meu dispor um manancial quase infinito de sabedoria. Mas, não. Há sempre um ou outro cliente que prova de forma irrefutável que eu tenho muito para aprender. Um casal já na curva descendente da vida vem comprar um livro sobre o reumatismo. Tudo aparentemente normal, até chegar a hora de pagar. Aí, saca cada um a sua carteira e agem como se fosse pagar. Eu pensei que o senhor ia ser cavalheiro e pagar o livro, mas não. Simulou que ia pagar mas retirou a nota no último segundo. Ficou então a senhora com uma nota de 10 na mão (o que nem era suficiente para pagar o livro…) bastante confusa a olhar para mim. Aí, o senhor, premeditadamente, surge para a salvar com uma nota de 5. Tira-lhe a nota da mão e diz: “Dá cá que eu pago isso.” Deu me as notas, e quando recebeu as moedas do troco, colocou as na mão da senhora dizendo: “Tás a ver? Ainda ficas com o troco!”. E lá partiu todo contente, com a senhora ainda bastante confusa a contar as moedas. Isto é que é um cavalheiro.&lt;br /&gt;Sempre pensei que conhecia certos autores. Pensei que Mia Couto fosse um conceituado autor moçambicano. Mas não. A minha última cliente, vendo o livro que a filha ia comprar, diz: “Mia Couto? Ah, a mulher do Freitas do Amaral… Escreve bem, pois…”.&lt;br /&gt;Mas há coisas muito mais bizarras. Não tão bizarras como o “Trio Maravilha”, mais ainda assim estranhas. Atendi um telefone num destes dias (devia estar tudo ocupado. A trabalhar claro…) e do outro lado surge, fantasmagoricamente, uma voz fina e rouca, aparentando ser de uma senhora idosa. Depois de confirmar três vezes que estava efectivamente a falar com a loja certa, pensei que ela fosse perguntar se teria ficado aqui algum cartão Multibanco ou se teríamos a encíclica do Papa Bento XVI. O discurso foi o seguinte: “Olhe, eu e a minha amiga estivemos aí, e comprámos uns Kama Sutra que estavam em cima do balcão.” Aqui já estava a tentar tirar as imagens macabras da cabeça… E ela continuou: “Ah, é que nós estivemos a ver o livro, mas só quando chegámos a casa é que reparámos que estava em Inglês!”. É normal, estavam entretidas a ver as imagens não é marotas? Esta terceira idade… Não pára de surpreender. Ainda agora, um casal também já membro desse restrito clube esteve aqui nas suas compras de Domingo. Ele levou um livro de Arte sobre Veneza, na módica quantia de 130€, e ela vinha com um pequeno livro cúbico para o balcão. Quando pego nele para o registar, diz ela muito apressada: “Esse é para mim, esse é para mim!”. Eu nem tinha sequer olhado para o livro, mas com tanto alarido não pude evitar. Ela levava o já clássico Male Nudes. Ainda bem que é para si. Se fosse para o seu marido é que era mais estranho.&lt;br /&gt;Muita gente tem perguntado se há o livro do filme Brokeback Mountain. Devo dizer que há. Mas nós não temos. É um filme mítico, nem que seja só por ter alterado o significado de uma das mais antigas brincadeiras entre as crianças. Se o seu filho disser que vai brincar aos cowboys com o vizinho do lado é melhor investigar.&lt;br /&gt;Deixo aqui, antes de partir, o link para a fundação do nosso amigo e companheiro dos livros, Gulbenkian. Podem ir a &lt;a href="http://www.proatlantico.com/missao.htm"&gt;Pro Atlantico&lt;/a&gt; e ver do que se trata. Digo apenas que se puderem deixar roupas e livros ele agradece. E eu também, porque assim não tenho de ouvir. E já agora, vão a algum dos eventos como por exemplo o festival de Jazz e Stand-up com o grande Eduardo Madeira. O Eduardo Madeira além de grande, é o maior. Mas há que dar o mérito ao Gulbenkian pelo seu empenho. Mas, sinceramente, não estou a ver aquilo a correr bem em Cabo Verde. Primeiro, o homem é muito distraído. Tão distraído que nem se lembra do nome dos colegas da missão. Depois há outro problema. Ele não consegue (nem que a sua vida dependesse disso) fazer duas coisas ao mesmo tempo. Tentar falar com ele enquanto ele está ter uma conversa no MSN é basicamente impossível. Já tive conversas bem mais enriquecedoras com pessoas de Leste que não arranhavam sequer o português. Portanto é apenas apostar (acho que a Betandwin já anda a tratar disso) que calamidade é que ele irá provocar primeiro. Sim, porque já a imaginá-lo a esquecer-se de apagar a fogueira porque estava a ler as crónicas do Lobo Antunes.&lt;br /&gt;E reparem, o homem, para além de ser Livreiro, Músico, Escritor, Missionário e estudante de Filosofia, agora também é Cliente-Mistério. E como ele executa bem essa tarefa. Basta a rapariga que está a ser avaliada sorrir para ele e ele dá logo nota máxima a tudo. Já a senhora do .Holmes-Place ganhou logo a simpatia dele quando elogiou a sua farta penugem.&lt;br /&gt;Até à próxima.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-114036045454572411?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/114036045454572411/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=114036045454572411&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114036045454572411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/114036045454572411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/02/sempre-aprender.html' title='Sempre a Aprender'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-113943335257468351</id><published>2006-02-08T20:21:00.000Z</published><updated>2006-04-27T11:53:58.196+01:00</updated><title type='text'>Eu, Herege, me confesso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há pessoas que realmente não tem noção das figuras que fazem. Numa das noites em que tenho passado sozinho na loja, surge da bruma um casal de clientes com um ar rústico que param à porta da loja. Ficam a olhar durante alguns segundos e depois entram. Estando o shopping praticamente vazio, e tendo eu me esquecido de ligar a música, estava um silêncio agradável na loja. Olhei para os clientes, eles continuam a olhar para todo o lado, parecia que estavam perdidos, por isso decidi continuar o trabalho. Até que, de repente, começam a falar entre eles, como se estivessem a sussurrar. O problema é que, devido ao silêncio, eu ouvia perfeitamente o que diziam. "Não percebo nada disto, não sei onde procurar, vamos embora" dizia ela, preocupada. Ele, parecendo não querer saber de nada, diz: "Deixa lá estar isso, vamos embora". Mas não a conseguiu convencer: "Mas eu tenho de comprar aquilo. Já sei, vamos ali perguntar ao rapazito." Rapazito? Tudo bem que, apesar de não fazer a barba há um mês, parece que tenho a barba de um adolescente de 14 anos. Mas, também não exagerem! Aí já tinham toda a minha atenção, logo vi que dali viriam coisas dignas de registo. Lá ganharam coragem e vieram falar aqui com o rapazito. "Tem a cartilha maternal?" Eu respondi afirmativamente e lá fui buscar a cartilha. Entreguei-a à senhora que a olhou circunspecta durante alguns segundos, para lançar a seguinte tirada: "Mas... É um livro!". Decidi não responder nada, decidi deixa-la descobrir aquele mundo novo por si mesma. Depois de revirar várias vezes a cartilha, diz: "Pois, deve ser isto... Tem aí mais uma? é para a Ti Rosa!". A tia Rosa, essa maluca, quem é que não conhece a Ti Rosa? Disse lhe que infelizmente era mesmo o único. A senhora insistiu: "Mas é para a Ti Rosa? De certeza que não tem nenhum aí em baixo?" Em baixo onde? Porque é que as pessoas têm a ideia de que nós dizemos que não temos os livros, mas na verdade eles estão aqui em baixo? Em baixo do quê? Lá pagou a cartilha e saiu, pronta para dar a má notícia à Ti Rosa.&lt;br /&gt;Noutra dessas longas noites de solidão, chegou ao balcão uma rapariga que diz o seguinte: "Queria que visse se tem um livro por favor". Perguntei qual era o livro e o que é que ela faz? Tira um papel do bolso que, depois de desdobrado, é uma bela lista com uns vinte livros. Ena pá, pensei eu, que divertido, como eu gosto de fazer isto. Lá fomos vendo a lista, livro a livro, e, um atrás do outro, encontravam-se todos esgotados. Até que um dos últimos existia numa das nossas lojas do Porto. A reacção dela não se fez esperar. Riu-se, e disse o seguinte:" Tão longe só no Porto? Nel Puerto (Tentando imitar o sotaque) El Pu-erto. Nel Puerto". Tudo bem que o Porto é relativamente perto de Espanha, mas não fazia ideia que o idioma deles era o Espanhol. Obviamente que ela riu-se a bandeiras despregadas e eu mantive o meu olhar estupefacto. Parou o riso abruptamente e saiu.&lt;br /&gt;O que eu gosto mesmo é das senhoras da alta sociedade que devotam a sua vida à religião católica. Lá vêem elas em grupos de dois ou três, à procura de livros para as suas amigas. Muitas vezes pedem sugestões, e eu, como não podia deixar de ser, recomendo o Código Da Vinci. A reacção é invariavelmente a mesma: "Ahhhh, que horroooooor! Esse? Isso? É hediondo, cheio de mentiras! Recuso-me a oferecer a alguém um livro que eu não gostasse de ler!" Nestes casos, só me resta indicar onde estão os livros do João César das Neves. O que elas vibram. É o João César das Neves (ou, como é conhecido por alguns quadrantes da nossa loja, O Abominável Homem da das Neves) e a Aura Miguel. O que elas gostam dos livros deles. E o choque por não termos a encíclica do Papa Bento XVI logo no dia em que ele a escreveu? Heresia, no mínimo.&lt;br /&gt;Já aos Domingos, somos muitos a trabalhar, mas sobra sempre para os mesmos. Seja porque o Baixas está viciado na Betandwin ou porque o Gulbenkian está a "estudar", sobra sempre para os mesmos. Entra uma família (um casal com três filhos ranhosos) na loja. Dirigem-se ao balcão e a senhora (com mais barba que eu) empurra o homem para ser ele a chegar primeiro e para que seja ele a falar comigo. Ele, meio assustado, diz: "Tem o dicionário de Português cor-de-laranja?". Com mil raios, pensei eu, lá vêm os Cavaquistas para me aborrecer. Perguntei qual era a editora, e antes sequer do homem poder responder, surge o vozeirão da mulher, qual deus do Trovão, do outro lado do balcão: "PORTUGUÊS!!!!". Toda a gente tremeu com o grito. O homem parecia que ia chorar. Eu repeti a pergunta para o senhor. Novamente, antes sequer de o homem abrir a boca, surge um novo bramido do outro lado: "É ESSE MESMO!!!". Altamente agressiva a senhora, deve haver ali testosterona a mais. Lá percebi que não havia maneira de estabelecer qualquer tipo de diálogo com aquela família, portanto dirigi-me à secção dos dicionários para tentar, com a criança (que parecia definitivamente o ser mais inteligente do grupo) encontrar o dicionário. Logo por azar, um dos petizes tropeça no irmão e manda uma pilha de livros ao chão. Claro que ele antes de poder dizer fosse o que fosse, ou de eu dizer que não havia problema, surgiu um violento e imperceptível grito e uma mão cortou o ar e virou o miúdo ao contrário. Até a mim me doeu. Ainda por cima não havia o dicionário. Por momentos, temi que o próximo iria ser eu. Mas, lá abandonaram a loja sempre a com a mulher (?) a empurrar o homem. Já se sabe quem usa as calças. E número 52 ainda por cima.&lt;br /&gt;A D. Quixote é mestre na arte de vender livros, usando várias artimanhas para atrair a atenção de potenciais compradores. Quando lançaram o livro de Leonor Sousa (que tem aquele passado condenável que toda a gente conhece, entrou na Quinta dos Celebridades. É vergonhoso. E também foi stripper, mas isso é normal) colocaram um autocolante a dizer: " PELA PRIMEIRA VEZ EM PORTUGAL! BASEADO NUMA HISTÓRIA REAL!". É a primeira, e esperávamos que fosse a última. Mas o livro vendeu desenfreadamente. Conclusão: A D. Quixote colocou uma bandana no livro, para além do primeiro autocolante. "25.000 EXEMPLARES EM MENOS DE UM MÊS! O LIVRO QUE AS MULHERES NÃO PARAM DE LER E OS HOMENS LÊEM SEM PARAR!". Imagino a conversa entre marido e mulher: "Então filha, que estás a ler? Eu tou a ler o de Leonor Sousa, leio sem parar!" diz o homem. "Eu também estou a ler esse, mas eu não leio sem parar. Eu não páro de ler. É diferente. Tarado." responde a mulher. A verdade é que o livro continuou a vender. Mas, sabem como é a D. Quixote. Quer ir mais longe. Então colocou um novo autocolante na capa. É redondo e cor-de-rosa, e nele pode ler-se "EROTISMO E SENSUALIDADE!". Parece-me uma medida extremamente correcta, porque qualquer pessoa que lesse "Diário de Uma Stripper Portuguesa" no sub-título facilmente o confundiria com um livro de índole política. Sempre a zelar pelo seu público, a D. Quixote.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-113943335257468351?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/113943335257468351/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=113943335257468351&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113943335257468351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113943335257468351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/02/eu-herege-me-confesso.html' title='Eu, Herege, me confesso'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-113839674028843180</id><published>2006-01-27T21:15:00.000Z</published><updated>2006-04-27T11:53:10.130+01:00</updated><title type='text'>Problemas do Oculto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estava eu, mais ou menos coberto por facturas, naquele verdadeiro armazém / escritório de grande porte e indubitável qualidade que é o nosso back office, quando ouço a seguinte frase lá vinda do balcão: “Olhe, se faz favor, é aqui que posso fazer uma reclamação?” Saltei debaixo das facturas e, afastei-me do computador e aproximei-me da porta, o que significa que me movi cerca de 10cm. Bom, por muito versado que eu seja nos assuntos do sub mundo das livrarias, nada me poderia preparar para isto. Depois da minha colega ter perguntado o que se passava, eis o que diz a estimada cliente: “Olhe, (apontando para o livro) estes pés são do meu filho!”. Depois de a minha colega ter respondido qualquer coisa impossível de decifrar (o que acontece 80% das vezes. Os outros 20% correspondem a respostas ou perguntas feitas de um modo altamente bruto), a cliente continuou: “Pois, é que estes são os pés dele, juro! Eu conheço o meu filho”. A minha colega assentiu, e tratou de dar qualquer tipo de número de telefone ou endereço de e-mail que fizesse com que a cliente fosse reclamar com alguém que não ela. E a senhora continuou:”O meu filho entrou com esta foto num concurso, há um tempo atrás, e agora a foto surge aqui, e não há nenhuma referência ao trabalho dele. Uma pessoa sente-se enganada, porque olha para aquilo e sente que é nosso, que é um bocado de nós. Reconheço os pés do meu filho!”. Temi que fosse dizer que tinha reconhecido pelo cheiro, mas não foi tão longe. Depois abandonou a loja calmamente, pronta para ir reclamar a outra freguesia.&lt;br /&gt;Num destes dias que passou fui arrumar a secção de esoterismo, o que já não fazia desde Novembro. E qual não é o meu espanto quando encontro, numa prateleira, um separador denominado “Problemas Do Oculto.”. E, essa secção, de aproximadamente 10cm, estava vazia. Faz sentido, temos secções altamente dominadas pelos caos, sem separações, e depois temos um separador para problemas do oculto. Para quê separadores para Design Visual, Design Industrial, Design de Interiores, por exemplo? Importante é o separador dos “Problemas do Oculto” Que não tem livros. Compreendo que sejam problemas difíceis de resolver. Talvez porque estão ocultos. Não sei, não domino o esoterismo.&lt;br /&gt;A obsessão que as pessoas têm com os preços e os embrulhos. É inenarrável. É difícil TIROU O PREÇO estar a tentar TIROU O PREÇO trabalhar e estar alguém TIROU O PREÇO constantemente a TIROU O PREÇO perguntar-nos algo TIROU O PREÇO. Deviam ser avaliadas psicologicamente. Especialmente quando nós dizemos que já tirámos e não acreditam em nós. Imagino o choque que seria se um colega meu fosse à televisão, e lhe chamassem, vamos supor, “GULBENKIAN”, lhe distorcessem a cara e a voz, e dissesse: “Havia um senhor idoso sentado num banco que me fazia festas na mão e… Ah, é para falar da livraria, desculpe… Durante todo o tempo que trabalhei lá… Nunca tirei o preço quando embrulhava livros.” Seria o drama para muitas pessoas, imagino várias senhoras de mão no coração a tentar controlar as batidas galopantes e os senhores a engasgarem-nos charutos enquanto diriam: “Sim eu logo vi pela cara dele que ele não tirava preços, a mim nunca me enganou.” E, mesmo quando chamados à atenção pelas senhora que, a sua cara estava distorcida, eles diriam: “Não me venhas com isso, eu sabia! Além disso, a cara dele não é assim tão diferente na realidade”. Tenho de arranjar uma t-shirt a dizer: “Eu não tiro os preços. E você?” Claro, há sempre pessoas que, depois de fazerem essa pergunta, sempre acrescentam: “Pois, eu sei que faz milhares de embrulhos, e que está habituado a que lhe perguntem, mas pronto, estou a só a perguntar por perguntar. Não vá esquecer-se”. Vê-se facilmente que nestes clientes já há uma ténue tentativa de comunicação entre neurónios, mas mesmo assim, não chegam lá.&lt;br /&gt;Foi exactamente há duas tarde atrás que fui abordado por um senhor que trazia consigo, qual aura nefasta, a seguinte pergunta: “Tem outros livros de poesia sem ser infantis?”. Eu tive que parar para reflectir, pois nem sequer me recordava de termos livros de poesia infantis. Bem, resolvi não questionar o cliente e levei-o até à secção de poesia, onde temos todo o tipo de autores portugueses e não só. Ele começa a ver os títulos, folheia um ou dois livros e diz: “Pois, isto é poesia..:” Eu aí fiquei de pé atrás, pois vi que estava a lidar com um ser extremamente inteligente, e deixei o continuar a falar: “Mas é infantil, ora veja lá, isto é infantil.” Claro que já tinha percebido o que ele queria, mas ele continuou: “Percebe? Infantil, eu quero poesia, assim, de adultos, percebe?” Tenho que assinalar o facto de ele, quando disse adultos, ter movimentado o braço várias vezes para trás e para frente. Eu expliquei ao cliente que não tinha conhecimento de nenhum livro de poesia desse tipo, que o que tínhamos estava aqui, que ele desse uma vista de olhos que podia ser que algo lhe interessasse. Ele não perdeu tempo: “Não, você não percebeu, eu quero poesia de adultos (novamente o gesto do braço), isto é de criança, ora veja lá”. Eu perguntei-lhe se conhecia algum título ou autor, ele disse: “Não está a perceber, é poesia de adulto (e lá veio o gesto)”. Eu imagino o que é que alguém que nos estivesse a observar pela montar pudesse pensar. Optei por deixá-lo lá sozinho, não fosse o homem fazer uma distensão de tanto abanar o braço para trás e para a frente.&lt;br /&gt;Um bem haja, eu voltarei em breve com mais notícias do bizarro e do inconcebível.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-113839674028843180?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/113839674028843180/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=113839674028843180&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113839674028843180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113839674028843180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/01/problemas-do-oculto.html' title='Problemas do Oculto'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-113768914858667776</id><published>2006-01-19T16:39:00.000Z</published><updated>2006-04-27T11:54:26.746+01:00</updated><title type='text'>Queixas e Reclamações</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como todos devem saber, o livro de reclamações é agora obrigatório em todo o tipo de estabecimentos onde haja contacto com o público. Assim, os clientes mais amuadinhos podem, facilmente, queixar-se de tudo e mais alguma coisa com a maior das facilidades. Sendo uma medida que devemos aplaudir, pois poderá vir ajudar a melhorar a qualidade do comércio em Portugal, não consigo deixar de me sentir um tanto ou quanto injustiçado. Existem reclamações que têm e devem ser feitas, para o bem de todos. Mas, se leram o que venho a escrever à mais de um ano (o que é altamente improvável, sejamos realistas) já deviam saber que há clientes, quais seres demoníacos vindos das profundezas do Inferno (sem ofensa para a Manuela Moura Guedes, obviamente) que são capaz de reclamar por e tudo e por nada. Sendo o por nada mais frequente, claro. O que deixa antever muitas e boas injustiças por esse país fora. Mas, pelo menos agora os consumidores têm, ao alcance de um pedido, uma ferramenta que lhes irá fazer valer todos os seus direitos. Maravilha não é? É a segunda melhor invenção do Séc. XXI, logo atrás do Kit Sócio.&lt;br /&gt;Mas, onde param os direitos dos comerciantes, neste caso, dos livreiros? Se, vamos supor, um livreiro de barba rija, músico e escritor, vamos chamar-lhe de "Gulbenkian" para proteger a sua identidade, expulsar um cliente da loja por passar da hora e este decidir reclamar, está no seu direito. Mas, e o pobre “Gulbenkian”, cansado de 8 horas de trabalho árduo, que não pode reclamar junto de nenhuma instituição o facto de o cliente ter ignorado as portas e luzes fechadas do estabelecimento e ter ignorado os avisos de que a loja já se encontrava fechada? Eles podem queixar. Nós não.&lt;br /&gt;Por exemplo, ainda agora, eu tinha um cliente assim a atirar para o estrábico (acho que é mesmo o termo técnico, "assim a atirar para o estrábico"), que, enquanto lia com um olho a mensagem que tinha no telemóvel com o nome do livro que queria, ia lendo com o outro olho a pesquisa que eu estava a fazer no computador. É inadmissível, violação de privacidade do Livreiro!&lt;br /&gt;Considero, portanto que os direitos dos Livreiros não estão acautelados. Como tal, enviarei a seguinte carta para a Deco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Exmos. Srs. Da Deco&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho por este meio apresentar as minhas queixas (tipo Pinto da Costa) relativamente aos livros de reclamações.&lt;br /&gt;Não será injusto, quer do ponto de vista humano quer institucional, apenas os clientes terem o direito de reclamar? Então e os comerciantes, não são pessoas? Tudo bem, concordo que para a maioria dos clientes seremos apenas capachinhos (e daqueles muito maus, vendidos pelos ciganos na feira, já usados). Mas, mesmo assim, penso que devíamos ter o direito de fazer queixa dos consumidores. Se o Porto pode queixar-se porque o Petit deu uma festinha ao jogador do Estrela, porque é que nós não podemos fazer o mesmo?&lt;br /&gt;E, já agora, podíamos queixarmo-nos dos nossos colegas também? Queixas e reclamações são salutares. Por exemplo, o Baixas passa a vida a ver fotos dele em tronco nu. É motivo para queixume. O Gulbenkian anda sempre a por aqueles CDs de Jazz insuportáveis. Também é motivo de protesto.&lt;br /&gt;Mas, voltando ao assunto que motivou o envio desta carta, considero uma medida positiva a criação do novo livro de reclamações. Tenho apenas um leve reparo a fazer. O livro contém, por cada reclamação, uma cópia para a loja, outra para a entidade competente, e outra para o cliente. Até aqui, tudo bem. Então, mais uma vez, onde está o comerciante nisto? Onde está a sua cópia para levar para casa e emoldurar? Já me estou a ver, com a minha filha, num local de destaque da sala: “Estás a ver filha, Verão de 2006, disse a um cliente que quando ouvi a voz dele pensei que fosse o Serginho. Por pouco não fui despedido… E com razão!”&lt;br /&gt;Já agora, porque é que a letra “e” aparece virada ao contrário na palavra “de”, tanto no livro de reclamações como no cartaz que o anuncia? É alguma piada?&lt;br /&gt;Espero que tomem as minhas sábias palavras em consideração, e que tomem providências quanto às injustiças que ocorrem neste mundo.&lt;br /&gt;Já agora, podem fazer qualquer coisa quanto à inclusão do Beto no onze titular do Benfica? Eu sei que é pedir muito, mas dêem lá um jeitinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito obrigado pela atenção,&lt;br /&gt;O Livreiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Já agora, o Baixas diz que já resolveu o problema com a sua boneca insuflável, já não há qualquer necessidade de processar a loja “Depravarium.”&lt;br /&gt;Até à próxima.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-113768914858667776?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/113768914858667776/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=113768914858667776&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113768914858667776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113768914858667776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2006/01/queixas-e-reclamaes.html' title='Queixas e Reclamações'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-113559538496798663</id><published>2005-12-26T10:47:00.000Z</published><updated>2006-04-27T11:54:55.120+01:00</updated><title type='text'>Crónicas de Natal 7 - O Pior Já Passou</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Chegam assim ao fim as Crónicas de Natal, e não posso terminar sem dizer que este foi um Natal extremamente produtivo. E, como diz o título, o pior já passou. Quem aguentou esta última semana aguenta tudo. O próprio Rambo terá passado uma semana numa loja de um centro comercial português antes da sua deslocação para o Afeganistão, em Rambo 3. Como diz ele tão eloquentemente no seu filme, "errrr uuggghh ahhhh", que, traduzindo assim livremente, quer dizer: "Com a breca, isto no Afeganistão está mau, mas prefiro os Talibans a estar fechado 8 horas naquele centro comercial." Como eu concordo com ele, como eu concordo...&lt;br /&gt;Claro que o dia 23 ainda teve assim uns acontecimentos Para-Anormais. Tivemos um cliente simpático que chegou ao balcão com uma pilha de livros e disse: "olhe, quero levar isto e quero 250€ em cheque-livro" (de vez em quando pedem-nos cheques FNAC, pelo menos não foi assim tão mau). Lá preencheram então os cheques-livro enquanto eu ia processando o resto da venda. Quando já estava tudo terminado, disse o valor total ao cliente, algo que rondava os 400€. E diz ele: "Não, desculpe, você não percebeu". E eu: "Ah, pois, é normal, sabe que eu tenho a quarta classe tirada à noite (e com cábulas) logo o meu nivel de compreensão é bastante baixo..." E continou: "Eu quero comprar os cheques-livro e depois comprar os livros com os cheques". "Ahh.." pensei eu... Esta é nova. O cliente compra cheques e depois usa os imediatametne em livros. Ena pá, o que as pessoas não arranjam para me dar trabalho. Que tal isto, não sei, é só uma ideia, mas pensem comigo: o cliente vem com o cartão multibanco e faz um transferência para nós de 1000€. Depois nós damos-lhe os 1000€ em numerário. E ele troca por cheques-livro. De 5€ cada. Depois, compra uns livros com os cheques. Que depois troca pelos livros que realmente quer. Isso sim, era divertimento.&lt;br /&gt;Finalmente recebemos alguns audio-books. Esta chegada inesperada abriu ainda mais os horizontes do nosso caro colega Gulbenkian, que vê nos audio-books uma oportunidade de emprego. Já o estou a ver, com aquele seu timbre grave, qual Zeus da era moderna, a ler o clássico "O Verdadeiro Diário de Uma Noiva", da colecção Champanhe e Morangos" da Editorial Presença: "Estou completametne passada com o meu sonho erótico com o Rick. Depois de tocar congas no meu rabo nu, tocou em toda eu. Durante horas. E muito bem. " Seria épico. É só de mim ou "tocou em toda eu" não soa nada bem? Quer dizer, dito por ele deve soar bem, isso nem se pôe em causa, o homem é um verdadeiro tenor da leitura.&lt;br /&gt;Mas encontrámos uns personagens memoráveis, não haja dúvida. O homem da camisola verde e relógio de ouro, sempre ao telefone, que berra do outro lado da loja, com a loja cheia: "QUALQUER COISA DE BOM TEM? QUALQUER COISA DE BOM?". Uma coisa ou outra, mas está reservada para a minha esposa. Claro que ninguém lhe respondeu, sabíamos lá se ele estava a falar para o telefone ou para nós no balcão. Então decidiu aproximar-se, e dirigiu-se à minha colega: "COMO É QUE SE CHAMA O ULTIMO LIVRO DO JOSE RODRIGUES DOS SANTOS?", berrou ele, como se estivesse na praça a vender tomate fresquinho. "Codex 632" disse a colega. "O QUE?" berrou ele. "Cortex 632" repetiu e "O QUE?" disse ele. A cada repetição ele ia chegando-se mais para a frente, estando já numa proximidade constrangedora. Finalmente lá ouviu, quando percebeu que se largasse o telefone enquanto fala com outras pessoas dá mais jeito. E é mais civilizado, mas isso ele não deve perceber.&lt;br /&gt;E os clientes do descontinho? Eles andam sempre aí. Devido a pressões da concorrência tivemos alguns títulos com 20% de desconto. E há um cliente que sempre que vem cá, mesmo que compre livros de 4€, vem sempre perguntar: "quanto é que fica o meu desconto?". Todas as vezes que cá vem. Eu já sei que ele quer desconto, mas ele frisa aquilo todas as vezes. Então desta vez, lá chegou ele com um dos títulos com 20% de desconto e perguntou: "quanto é que fica com o meu descontinho?". E eu disse, em tom de brincadeira: "Com o seu desconto fica 17,11€. Com o desconto para todos os outros clientes fica em 15,21€. Qual prefere?" Ele ficou alguns segundos a pensar, não devia estar a perceber bem. Finalmente lá deve ter visto a luz e disse que prescindia do seu descontinho.&lt;br /&gt;Pior do que isto é o cliente que, sempre mal humorado, chega ao balcão e ordena que lhe deêm 10% de desconto. E, ainda pior, uma das vezes que ele cá veio, tinha a minha colega na caixa, eu estava no computador do lado a trabalhar. E ela, cordialmente, deu-lhe os bons dias, apenas para o cliente dizer-me isto, da pior forma possível: "OLHE, DIGA Á SUA COLEGA PARA EMBRULHAR ISTO E EU TENHO 10% DE DESCONTO". Além de não ter respondido educadamente à saudação, ainda a ignorou por completo e disse-me para eu lhe dizer o que ela tem de fazer. Obviamente que não fiz nada, saí para guardar umas facturas. Tem problemas em falar com mulheres é? Deixam-no nervoso? Olhe que há cura para isso. E porquê tão mandão? A sua esposa não o deixa ficar com o comando é? Gozam consigo no balneário do ginásio porque o Zézinho é pequenino? Deixe lá, mais ano menos ano deixa de servir para alguma coisa. Secalhar já nem serve não é? E assim vem descarregar nos pobres trabalhadores do comércio livreiro.&lt;br /&gt;E assim se passou mais um Natal, espero que tenha sido bom para toda a gente.&lt;br /&gt;Até breve...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-113559538496798663?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/113559538496798663/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=113559538496798663&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113559538496798663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113559538496798663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/12/crnicas-de-natal-7-o-pior-j-passou.html' title='Crónicas de Natal 7 - O Pior Já Passou'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-113542450685440439</id><published>2005-12-24T11:36:00.000Z</published><updated>2006-04-27T14:28:43.910+01:00</updated><title type='text'>Crónicas de Natal 6 - Milionários</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O pior dia do ano já passou, e o resultado disso foi uma valente dor de cabeça. Mesmo assim, não podia deixar de vir aqui deixar umas notas para acabar este Natal em beleza.&lt;br /&gt;Primeiro que tudo, devo dizer que já não posso aturar o Baixas e o Gulbenkian, se eles continuam com birras vou obrigá-los a dar "aquele" abraço como se fosse um árbitro de futebol e eles fossem o Paulinho Santos e o João Pinto (o João Pinto é o Gulbenkian, não só por ter jogado no Sporting mas devido aos pelos do peito).&lt;br /&gt;Nestes dias tivemos a preciosa colaboração da Maria dos Embrulhos, futura Cientista da Educação. Perita em por livros mínusculos em embrulhos gigantes, lá estava ela sempre pronta a ajudar. Isto claro quando não estava colada ao colega Baixas. Aqueles dois... Ela dava-lhe tanta atenção e tantos mimos que o rapaz ficava fora de si. Ouvi dizer, e atenção, isto podem ser apenas rumores, que ele ficava tão maluco que se agarrava ao Gulbenkian, quando ela não estava lá, e dizia, enquanto alçava a perna: "Tou tão maluco, rega-me, rega-me, sou uma Acácia!". Felizmente nunca assisti a nada disso. A presença da Maria dos Embrulhos é sempre bem-vinda, volte sempre! (Mesmo que o Gulbenkian não saiba explicar-te nada da filosofia de Nietzsche, apesar de ser estudante de Filosofia...)&lt;br /&gt;Quando eu e o Gulbenkian partilhamos o balcão tudo pode acontecer. Devemos ter algum efeito no campo magnético da terra ou qualquer coisa do género, porque acontecem sempre as coisas mais incríveis. No início de Dezembro, numa manhã aparentemente calma estava eu descansado no balcão enquanto o Gulbenkian arrumava a loja como se não houvesse amanhã. Lá estava ele, junto à informática a arrumar quando chega um senhor perto dele. Os dois encetam o que parece ser uma conversa normalíssima, até que o Gulbenkian desmancha-se a rir. E eu, lá do fundo no balcão a ver aquilo tudo e a pensar: "Hmmm.. Que é que se passa ali? Não me digas que o cliente pediu ajuda para comprar um livro de informática e ele indicou-lhe o Timbuktu (como faz com qualquer pessoa que peça seja que tipo de livro for)". Não liguei mais, mas a verdade é que continuavam a rir-se. Sem nada o fazer prever, o senhor dirige-se para o balcão, mas ao ver a quantidade de gente que por lá andava voltou para trás. Tentou duas aproximações, sempre sem sucesso, e eu sempre a vê-lo, tinha uma sensação que não vinha aí nada de bom. Quando finalmente consegue chegar até mim, diz o seguinte: "Já que o senhor é tão sabichão, foi o que o seu colega me disse, diga-me se tem o livro com os números do Totoloto que vão sair hoje à noite. Se não tiver todos, pelo menos uma parte...". A minha resposta surgiu imediatamente: "Peço desculpa, mas se tivéssemos esse livro ele seria para mim que eu bem preciso!". O senhor desatou-se a rir e apertou-me a mão: "Parabéns, você percebeu, era uma piada, é preciso é levar a vida na brincadeira, saúdinha! O seu colega não percebeu!". Então o cliente contou-me o que se tinha passado com o Gulbenkian. Ele tinha-lhe feito a mesma pergunta, e não é que o Gulbenkian ficou todo encavacado a tentar indicar sítios onde o livro pudesse estar. Só quando o homem o agarrou e disse: "É uma piada, PI-A-DA!" é que ele percebeu. Claro que depois mandou o cliente vir ter comigo para ver se eu caía. Não satisfeito por ter enganado 50% dos nossos funcionários, decidiu ir à FNAC tentar a sua sorte. Passado alguns minutos voltou todo contente porque todas as pessoas com quem tinha entrado em contacto na FNAC caíram na sua piada. Já devia saber que o pessoal aqui é (quase) todo mais inteligente do que na concorrência. E definitivamente com mais sentido de humor.&lt;br /&gt;Há que adorar alguns dos pedidos deste Natal. Uma pessoa pensa que já ouviu tudo, mas não... Desde a senhora que queria um "Livro infantil daqueles que se abrem" até à senhora que queria um livro, mas a única indicação que me sabia dar era que "é um livro de papel" até ao senhor que quer o "Cortex 632", isto ouve-se de tudo. E, claro, depois de um reportagem na TV sobre o Mein Kampf, temos as pessoas a pedir a "biografia do Hitler", "a autobiografia do Hitler", "qualquer coisa dos relatórios médicos do Hitler", "qualquer coisa dos gostos pessoais do Hitler", e tudo porque viram uma "PUBLICIDADE" (?!) na televisão que dizia que comercializávamos o livro. Eu sugiro que deixemos de colocar avisos de segurança em alguns utensílios e deixemos a selecção natural agir naturalmente...&lt;br /&gt;Um Bom Natal para os meus colegas que trabalham hoje (todos menos eu) e boa troca de prendas!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-113542450685440439?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/113542450685440439/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=113542450685440439&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113542450685440439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113542450685440439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/12/crnicas-de-natal-6-milionrios.html' title='Crónicas de Natal 6 - Milionários'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-113533803394993255</id><published>2005-12-23T11:07:00.000Z</published><updated>2006-04-27T14:30:08.490+01:00</updated><title type='text'>Crónicas de Natal 5 - Imperceptível</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se há coisa que eu gosto é de vender dicionários às pessoas. Ena pá, o que eu gosto disso. Disso e de interromper as pessoas. Como acontece todos os anos, lá vão os pais mais zelosos às livriarias comprar os dicionários para os filhos. Claro que tudo começa a correr mal quando me perguntam qual é que é bom. Eu geralmente digo que o da Texto é que é o bom, porque o da Porto Editora além de ter tráido a esposa tem ligações com a Máfia de Leste na Brandoa. É sempre bom prevenir. Obviamente que é complicado dizer qual é o melhor dicionário. Não sou, nem de perto nem de longe, um entendido em Dicionários. Mas olhem que há muitos clientes entendidos. Pedem me um dicionário, e a minha resposta é mais pelos tamanhos, tipo: "Ah, olhe este aqui tao jeitosinho" ou então "olhe que isto é um GRANDE dicionário". Mas os clientes querem ver, querem comparar. Então, como entendidos que são, pegam nos dicionários, fazem um ar altamente arrogante e passam as páginas rapidamente para trás e para a frente, equanto dizem que sim. Depois pegam no outro e fazem o mesmo, terminando depois com um "sim, realmente este parece-me melhor, levo este...". Alguém me explica que raio é que o cliente viu para o ajudar a decidir? Passou as folhas rapidamente, não leu nem uma palavra. Imagino que pensava para si enquanto punha o seu melhor ar de entendido e folheava o dicionário durante uns longos 3 segundos: "Sim.. Este tem letras... Umas pequenas e outras grandes, algumas Bold e Itálico, sim, parece-me que é este, que belo dicionário, vou fazer amor com ele quando chegar a casa". Depois pega no outro: "Oh... Este é tão igual ao outro que eu perco a cabeça. Letras, mais letras, sim é este." E lá vai todo contente. Outros usam o método de ver se tem uma palavra. Arranjam assim uma palavra estranha tipo "Undífero" e vão ver se o dicionário tem. Se tiver, é aquele. Se me perguntarem que palavra é que hão de procurar para ver se o dicionário é bom, eu serei obrigado a dizer "Néscio".&lt;br /&gt;Quer me parecer que o Natal afecta os sentidos de algumas pessoas. Senão, vejamos: uma cliente, depois de lhe indicar o livro que desejava, pegou nele, e, em vez de o folhear e tal, cheirou-o. Mas assim uma snifadela daquelas que deixaria a Kate Moss orgulhosa. Não sei como é que não teve uma overdose de pó. Quem é que cheira um livro? Nem vou por aí.&lt;br /&gt;Depois temos aqueles clientes que veêm mal, que não encontram o preço nos livros e que passam a vida a derrubar torres de livros. Até já me habituei ao barulho. Mas há quem se assute, por isso, recomendo que, caro cliente, se vir que vai derrubar uma torre de livros grite: "Madeira!"&lt;br /&gt;E claro, temos as clientes com problemas de audição. Uma senhora pergunta-me se temos dois livros em inglês. E eu respondo EXACTAMENTE isto: "Bom, sabe que a nossa secção de livros estrangeiros é bastante pequena, por isso só recebemos alguns livros, uma ou outra novidade e só de algumas editoras, por isso não temos o que procura. Se for a uma das nossas maiores livrarias encontra uma maior e mais variada selecção de livros em língua estrangeira." Enquanto eu dava o meu discurso triunfal a senhora ia abanando a cabeça, parecia estar a concordar comigo e eu todo contente com o meu brio profissional. Quando termino a resposta foi esta, por entre o mascar da pastilha: "OLHE DESCULPE MAS EU NÃO PERCEBI NADA DO QUE DISSE PORTANTO SUPONHO QUE QUISESSE DIZER QUE NÃO! ADEUS!" Furiosa, abandonou a loja intempestivamente. "MARCO PAULO!" disse eu (que é o que digo quando fico chateado ou me aleijo) "Que senhora rude!" e lá continuei o meu trabalho.&lt;br /&gt;Bom Natal para todos com problemas de visão, audição e olfacto. Hm, não sei se quero enfrentar alguém com problemas de paladar...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-113533803394993255?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/113533803394993255/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=113533803394993255&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113533803394993255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113533803394993255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/12/crnicas-de-natal-5-imperceptvel.html' title='Crónicas de Natal 5 - Imperceptível'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-113527666852203436</id><published>2005-12-22T18:35:00.000Z</published><updated>2006-04-27T14:31:44.393+01:00</updated><title type='text'>Crónicas de Natal 4 - Mania da Perseguição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;No Natal vale tudo para vender. Promoções vertiginosas, sessões de autógrafos, descontos especiais. E tem resultado bem, pelo número de vendas que temos tido. Por ocasião de uma destas sessões de autógrafos (com o grande José Rodrigues dos Santos. Zézito, se me estás a ler, um grande bem haja) a editora forneceu um expositor de cartão com a fotografia do autor do livro “Codex 632” (que tem vendido como se o próprio livro contivesse o segredo da vida eterna. Ou isso, ou o segredo de como conquistar a Isabel Figueiras. O que vos parecer mais importante.) que foi colocado junto à porta, para promover o livro bem como a respectiva sessão de autógrafos. E isso tem dado azo a situações curiosas.&lt;br /&gt;Primeiro temos aquelas clientes que entram na loja e berram “Ai!” de susto. “Parece verdadeiro!” exclamam assustadas. É essa reacção que vão ter quando o encontrarem em pessoa? Não quero ser chato, mas se encontrarem o José Rodrigues dos Santos não gritem “Ai!” de susto. Parece-me mal. Depois temos aquelas clientes que passam à montra, que se assustam, vão ver se é real, e chamam os maridos para verem como parece verdadeiro e, inclusive, “é mais bonito em pessoa”. Ou em cartão. Depois, temos aquelas clientes que dizem que o cartão está, e passo a citar, “a olhar para mim” e chama os maridos para verem como o cartão as segue com os olhos. Ao que os maridos, plácidos como habitualmente, afirmam: “Sim, realmente isto está bem conseguido…Ele segue-te mesmo… E logo a ti que és bonita”.&lt;br /&gt;Torna-se incomodativo estar no balcão a tentar trabalhar e estar alguém constantemente a berrar de susto devido ao cartão. No outro dia cheguei mesmo a dizer ao meu colega: “Gulbenkian, vai dizer ao Zézito para parar de assustar as pessoas, se faz favor.”. Ele não foi porque diz que eu estou sempre a interrompê-lo.&lt;br /&gt;Por falar em colegas, encontrei uma vidente que me jurou a pés meio juntos (tinhas as pernas tortas, não dava para mais...) que viu na sua bola de cristal o Baixas a trabalhar, por entre umas névoas. Uma charlatã, portanto.&lt;br /&gt;Num destes dias que passou testemunhei um encontro mítico em frente ao balcão. Uma senhora com uma idade respeitável e um senhor também já com a sua idade encontraram-se no balcão, indo cada um pagar à sua caixa. Depois de duas ou três trocas envergonhadas de olhares, eis que a senhora toma a iniciativa: "Ahhhh.. Olá! Como está!?" ao que o senhor, espantado, respondeu: "Muito bem obrigado minha senhora, e a senhora, como tem passado?" Bem e tal, respondeu ela, e eu pensei que aquilo não passava dali, porque virou-se cada um para o seu lado. Mas eis que a senhora volta à carga: "Você é o José Antunes não é?" perguntou decidida, e a resposta surgiu prontamente: "Não, o José Antunes é o meu pai, eu sou o António Antunes.". Segue-se um pequeno e incómodo silêncio, e a senhora volta a perguntar: "Ah, então é o irmão do Miguel Antunes!" e o senhor retorquiu: "Não, isso é o meu tio!", segundo-se novamente o silêncio. A senhora, qual Petit das conversas de circunstância, não desistiu: "Ah, então foi o caro António que teve na tropa com o meu mais novo. Não foi?", "Não, isso foi o meu primo, o Manuel Antunes!" retorquiu o senhor. E eu lá atrás do balcão bastante interessado, não há nada melhor que telenovelas em tempo real, a TVI é que nunca se lembrou disto. Pensei em gritar: "O Zé Milho é filho do tio do professor de ginástica que traiu a mãe com a prima da mulher da limpeza!" mas pensei que talvez já tivesse a passar das marcas. Remeti-me ao meu habitual silêncio e deixei que aquilo se desenrolasse naturalmente. Passada a conversa das identidades, mesmo sem ter a certeza com quem tava a falar, a senhora continuou com as perguntas: "Então, diga-me lá, como é que vai a sua irmã Adelaide?". "Faleceu..." respondeu o senhor, seguindo-se o já habitual silêncio. "Ah... Pois, que pena... E a sua prima como vai?" insistiu a senhora, sendo brindada com a já esperada resposta: "Também faleceu...". Bom, depois de mais uma ou duas personalidades já falecidas, a senhora parecia não desistir, estava à espera de vê-la perguntar, sei lá, pelo Bocage, ou mesmo pelo D. Dinis. Eventualmente desistiu e partiram os dois, com um sincero desejo de Bom Natal, felizes da vida. Não me divertia tanto desde que a SIC passou em directo o circo para os funcionários do Benfica, em que o apresentador desafiou as crianças: "Agora gritem bem alto o que querem ver!" e as crianças gritaram em uníssono: "PALHAÇOS! PALHAÇOS! PALHAÇOS!" e o João Pereira levantou-se e acenou.&lt;br /&gt;Boas compras (ha 95% de hipóteses de quem estiver a ler isto ainda não ter completado as compras de natal) e até à próxima!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-113527666852203436?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/113527666852203436/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=113527666852203436&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113527666852203436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113527666852203436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/12/crnicas-de-natal-4-mania-da-perseguio.html' title='Crónicas de Natal 4 - Mania da Perseguição'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-113507996897030161</id><published>2005-12-20T11:53:00.000Z</published><updated>2007-08-19T10:46:32.620+01:00</updated><title type='text'>Crónicas de Natal 3 - Lá Fazem Me Tudo!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As vendas vão aumentando. Quase tanto com as várias tarefas do nosso colega Gulbenkian (artista anteriormente conhecido por “Greenpeace”, devido à sua boa vontade e à sua camisola verde-alface), que é, (pasme-se!), músico, livreiro, estudante de filosofia, escritor, trabalhador voluntário e membro de uma fundação, e ainda ditador que tentará dominar o mundo com o seu riso maléfico. Não é brincadeira. E este aumento de vendas é acompanhado por um aumento ainda maior do numero de pessoas na loja ao mesmo tempo. Torna-se praticamente impossível ir de uma ponta à outra da loja sem ser-se interpelado algumas dezenas de vezes. Vou eu à procura de um livro de culinária e ouço: “Queria a Sombra do Vento”, “Queria livros infantis”, “Queria livros de bebes”, “Acho que este gajo trabalha aqui, Oh Faz Favor!”, e por aí fora, até chegar ao meu destino.&lt;br /&gt;Ainda ontem, estava eu a tentar ajudar uma colega com um cliente particularmente difícil (idosa e exigente, aparentemente da alta sociedade) e não conseguia sair da secção do esoterismo. Sempre que me tentava virar surgia alguém (posso jurar que era do nada, mas prefiro não entrar por aí) a perguntar-me sobre livros esotéricos. E, quando finalmente consigo libertar-me daquela secção, passo por trás da senhora que estava a ser atendida pela minha colega, que dizia em voz baixa, para si mesma: “Não tem as Encíclicas, não tem os Papas… (longa pausa) Que Merda! (bastante enraivecida) ”. Até me arrepiei.&lt;br /&gt;Isto das senhoras idosas tem que se lhe diga. Temos uma cliente idosa (mais ou menos habitual, passa a vida a dizer que vai deixar de vir cá, mas acaba sempre por voltar) que é da mais alta sociedade, mas que tem uma educação e uma disposição terrível. Sempre mal encarada, sempre à espera que acedam a todos os seus caprichos. É tipo um Liedson, mas mulher e idosa. O peso mantém-se. Quer aquele livro porque sim, porque quer aqui e quer agora e quer com desconto senão nunca mais volta. Até à próxima vez. Da última vez que cá veio comprou bastantes livros, e obviamente “não sou eu que carrego isto tudo”. Queria que lhe carregássemos os livros para o carro. Sugerimos à senhora que fosse buscar um carrinho de compras para melhor transportar os livros. Ela concordou, e lá saiu, contrariada, para buscar um carro. Demorou 4 horas. Quando chegou, já só estava um colega nosso na loja. E era o nosso amigo Gulbenkian. Olha quem. Queria que ele fosse com ela levar os livros para o carro. Obviamente que ele não podia abandonar o seu posto. É um soldado bravo, um lobo-do-mar, aquela barba não engana. E a senhora ficou furiosa. Gritou. Barafustou. Disse que não voltava mais, e que, inclusive ,“LÁ EM BAIXO FAZEM ME TUDO!”. Portanto, segundo a senhora, na nossa loja lá de baixo fazem lhe tudo. Bom, nós vendemos livros. É essa a nossa função. O que é que poderão eles fazer lá em baixo?&lt;br /&gt;Não pensei mais no assunto, até surgir um senhora idosa, bastante simpática por sinal, que queria o D. Quixote. E foi o D. Quixote que levou, depois de ter passado quase meia hora a queixar do atendimento lá de baixo. Com a minha quase infindável paciência lá fui ajudando a senhora, enquanto ela continuava a queixar-se. Lá saiu da loja, feliz da vida. Tudo para voltar cinco minutos depois furiosa, porque o livro era 4€ mais barato na FNAC. Gritou. Barafustou. Disse: "VOU QUEIXAR-ME AO DECO! É UM ROUBO! 4€! 4€ MAIS BARATO. É UM ROUBO! VOU FAZER UMA QUEIXA E NUNCA MAIS VOLTO! E SÓ VOU LÀ ABAIXO POR LÁ FAZEM ME TUDO!". Lá está. Lá em baixo fazem-lhe tudo. Mas tudo o quê? Haverá algum caso de gerontofilia lá em baixo? Alguém mande lá o José Maria Martins e levem uma camara para o caso de ele ser expulso ao pontapé.&lt;br /&gt;Até à próxima. E eu só tou aqui para vender livros. Fica o aviso. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-113507996897030161?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/113507996897030161/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=113507996897030161&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113507996897030161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113507996897030161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/12/crnicas-de-natal-3-l-fazem-me-tudo.html' title='Crónicas de Natal 3 - Lá Fazem Me Tudo!'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-113492098687429067</id><published>2005-12-18T15:20:00.001Z</published><updated>2006-04-27T14:34:47.830+01:00</updated><title type='text'>Crónicas de Natal 2 - Um Natal Lavadinho...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Um dos êxitos deste Natal é sem dúvida o livro "Na Roça Com os Tachos". Pelos vistos, as invenções de João Carlos Silva estão a fazer sucesso. Claro que ninguém acerta com o nome do livro. "Qualquer dos tachos", "Qualquer coisa da roça", "Livro daquele senhor da televisão" (acho esta indicação particularmente útil), tudo serve para designar o livro. Mas, claro, ninguém passa o senhor que chega perto da porta e diz para a sua esposa, que se encontra lá fora: "Vou comprar o livro daquele que cozinha na selva, como é que se chama o cabrão?" Elucidativo.&lt;br /&gt;Por falar em esposa, o Natal é sempre uma altura em que a família está sempre unida. Como aquela família que passeava calmamente no Domingo de manhã, com o pai uns 3 metros à frente da mãe com 3 filhos, que ia gritando: "Tás com pressa? Vais ter com a tua outra esposa é? Com a tua outra família? Vai. Vai!". Adoro o Natal.&lt;br /&gt;Natal que é Natal tem que ter no sapatinho um livro da Alexandra Solnado. Já estou a imaginar as crianças desiludidas quando desembrulham a sua nova XBOX360 (eu também ficaria, mas porque prefiro a Gamecube) pensando que iriam encontrar o livrinho da "Cabrita" (termo que Jesus emprega quando se refere a ela). Essa nova obra de culto tem o sugestivo título de "A Minha Limpeza Espiritual". Limpezas para a alma, para os males de que padece o Homem, este livro tem tudo. Começa com um diálogo entre a autora e Jesus, na qual ela põe as suas dúvidas e Jesus lhe responde. Sempre pronto e afável, Jesus encontra respostas convincentes para tudo. Ou quase tudo, pois continua sem conseguir explicar porque é que Koeman continua a colocar jogadores lesionados em campo. Quando confrontado com esta pergunta, Jesus chorou. O livro vem acompanhado de um CD audio, na qual se encontram exercícios de limpeza espiritual. A minha questão é simples: Quem faz a voz de Jesus? É, sem dúvida, uma questão pertinente. Numa das últimas páginas encontramos vário contactos da autora, especialmente se quiserem participar num curso chamado: "Como Se Conectar Com o Céu Sem Deixar de Andar Por Aqui". Claro que dá para contactar com o céu, se morrermos, e há variadas maneiras para tal, mas aí é que está o truque. Na última página encontramos instruções detalhadas para procedermos às limpezas. Convém ler o texto antes de ouvir o CD. E, o mais importante: "Não faca estes exercícios depois das 22 horas nem antes do amanhecer". Compreende-se perfeitamente, até Jesus tem de descansar. É uma questão de cortesia, não perturbar o Senhor durante o sono. Depois termina referindo que estes exercícios destinam-se a pessoas com um grau de densidade normal (seja lá o que isso for) e, que caso se sintam mal ao executar um exercício, que contactem a autora. Já estou a imaginar o e-mail: "Querida Alexandra Solnado, sendo um fã incondicional de Jesus (tenho todas as action figures e as t-shirts, e até o crucifixo comemorativo de edição limitada) tentei os seus exercícios e penso que algo não terá corrido bem. Desde que tentei os exercícios tenho sentido uma vontande incontrolável de defecar em sítios públicos (posso confirmar que a estátuta do Camões em Cascais me está a fazer olhinhos. Quer dizer, pelo menos um, mas você percebe) e começaram a tratar-me por Maria José na mercearia, quando antigamente era o Sôr Tavares. Terei feito algo de errado? PS: Já agora, sabe se o Sôr Paulo Bento por acaso não terá também feito uns exercícios errados? É que aquele Tello a lateral esquerdo valha nos Deus!"&lt;br /&gt;Se não morrer soterrado por uma avalanche de livros (que está iminente no nosso back office, que já tem livros por cima do tecto falso) voltarei com mais crónicas. Até lá, boas compras.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-113492098687429067?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/113492098687429067/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=113492098687429067&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113492098687429067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113492098687429067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/12/crnicas-de-natal-2-um-natal-lavadinho_18.html' title='Crónicas de Natal 2 - Um Natal Lavadinho...'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-113414439896290804</id><published>2005-12-09T16:05:00.000Z</published><updated>2006-04-27T14:36:40.886+01:00</updated><title type='text'>Crónicas de Natal 1 - Equívocos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Depois de um longo hiato (quase tão longo como as paragens dos vários lesionados do Benfica, mas também não exageremos…) volto para vos dar algumas novidades. Há mais movimento que nunca, apesar de nós termos menos funcionários que nunca. Existe uma personagem que trabalha (?) connosco, que é conhecido carinhosamente como “O Baixas” devido às suas baixas prolongadas. Portanto, “O Baixas” (vamos tratá-lo assim para proteger a sua verdadeira identidade) anda há alguns meses doente e já teve sintomas de todas e quaisquer doenças que se possa imaginar. Apesar de ser homem, ele quase que jura que lhe dói o útero. É verídico. Sempre acompanhado da sua bomba para a garganta, de um termómetro, um medidor de tensão e um estetoscópio, lá anda ele todo miserável pela casa, à espera do dia em que tem de voltar a trabalhar, ou melhor, voltar ao local de trabalho. E depois ainda se queixa porque é violentamente derrotado no PES5 online para PS2 pelo vosso caro Livreiro. Já o nosso amigo Greenpeace andou pela Europa no Interrail. Finalmente. Trouxe várias fotos interessantes, especialmente uma que é ele a afagar um cão. O animal ficou bastante bem na foto, e o cão também não ficou mal. Agora anda metido numa nova fundação, ele não descansa enquanto não for fazer voluntariado.&lt;br /&gt;Por falar em voluntariado, uma cliente nossa mostrou-se deveras interessada em adquirir um exemplar do livro de Fernando Nobre, da AMI. Ela atravessou a loja, decidida, chegou ao pé de mim e perguntou: “Oh faz favor, tem aquele livro do Fernando Nobre? Não sei o título.” Eu disse à cliente que o título era “Viagens Contra a Indiferença”, ao que a cliente retorquiu: “Não sei se é esse, eu quero aquele com os apontamentos que ele tirou quando ia de férias”. Minha senhora, devo dizer que a sua acepção de férias é curiosa. Portanto, algo que envolva dirigir-se a locais remotos, palcos de catástrofes, repletos de perigos e doenças, para ajudar os mais desfavorecidos são férias. Claro. Imagino o Fernando Nobre: “Querido diário: Bom, depois de virmos da praia (o Zézito voltou a portar-se mal, quando via alguns nativos de costas para o mar gritava “Tsunami!” e fugia) comemos uma sardinhada, agora vamos amputar aquele miúdo que perdeu a perna numa mina. Ah, não me posso esquecer de dizer ao Toni que a pneumonia atípica passa com uns cházinhos. Que belas férias”.&lt;br /&gt;Voltando ao nosso amigo Greenpeace, esse bastião da literatura nacional, trabalha mais que nunca. Num dos dias que passou, estávamos a arrumar alguns dos milhares de livros que temos no back Office e ao tirar umas caixas dei de caras com um manual de medicina sobre saúde da mulher, cuja capa era, nada mais, nada menos, do que uma imagem de uma operação a um cancro da mama. Era uma imagem perturbadora. E eu, na pândega como sempre, mostrei-lhe a capa para o assustar. E qual é a reacção do homem? “Eh eh… Mamilos….”. Ora, o homem está com uma imagem de uma operação ao cancro da mama e o que é que ele diz? “Mamilos”. Muito bom. Fica assim provado que o homem, à mínima visão (ou possível visão) de alguma parte íntima feminina, desce um ou dois degraus na escala evolucionária. Consta que da última vez que o Greenpeace viu um livro com todos os calendários Pirelli, tentou esfregar duas pedras uma contra a outra na tentativa de produzir fogo.&lt;br /&gt;Continuam os pedidos estranhos. Uma senhora, acompanhada do seu marido, queria oferecer a um amigo o livro “Homem Que Mordeu o Cão (Versão Gato Fedorento)”. Não faço ideia do que é isso, mas deve ser muito bom.&lt;br /&gt;Já este fim-de-semana, era suposto ter havido uma acção promocional na loja, algo que suscitou algumas confusões. Estava eu num momento de reflexão quando surge um senhor com um aspecto, vá lá, digamos duvidoso, que diz apenas a seguinte enigmática frase: “Eu é que sou o Pai Natal”. Depois de alguns segundos de estupefacção, primeiro pensei em dizer que queria um Driving Force Pro se faz favor, e que me tinha portado bem, depois pensei em dizer “e eu sou o Duende trabalhador” na esperança que fosse algum código tipo agente secreto e ele me entregasse uma mala cheia de dinheiro. Mas não, pedi apenas que repetisse. O que ele fez: “Eu sou o Pai Natal, daquela acção promocional daquela editora.” Ah, exclamei, muito bem. O senhor que me desculpe a confusão, mas acho que toda a gente entende, afinal de contas, sempre imaginei o Pai Natal vestido de encarnado (ao invés do preto), longas barbas brancas (ao contrário daquele bigodaço à marialva e aquela barba por faver) e que trouxesse um saco vermelho de brinquedos (e não aqueles sacos pretos que pareciam sacos do lixo com roupa do Pai Natal). Para terminar, devo dizer que não se realizou nenhuma acção promocional, devido a um equívoco nas datas, mas que de qualquer modo não deixiria que nenhuma criança se sentasse no seu colo.&lt;br /&gt;Bom Natal, e até breve!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-113414439896290804?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/113414439896290804/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=113414439896290804&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113414439896290804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/113414439896290804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/12/crnicas-de-natal-1-equvocos.html' title='Crónicas de Natal 1 - Equívocos'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-112283531445337142</id><published>2005-07-31T19:40:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T14:37:40.526+01:00</updated><title type='text'>1 Ano (e algumas semanas) De Loucura</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E eis que do meio da bruma, numa localização não identificada do nosso Portugal, surge o Livreiro. Não é nada disto, mas pensei que ficava uma boa introdução. De qualquer forma, estou eu a interromper as minhas férias idílicas (tenho de parar de mentir...) para vir aqui celebrar, perante vocês, o primeiro ano de vida deste blog. Falhei a data certa porque me encontrava num local onde a tecnologia mais avançada que existia era a batedeira lá de casa, que ganhava por pouco à torradeira. Consequentemente, não pude celebrar um ano de estroinice e alguma demência. Nunca pensei que alguém pudesse escrever tanta parvoíce durante tanto tempo. Mas enfim, o tempo passa, os clientes entram e saiem (e, acreditem ou não, alguns até voltam) e o blog cresce.&lt;br /&gt;Não foi só o blog que cresceu e mudou, os nossos clientes e até colaboradores também mudaram. Vejam por exemplo o caso do nosso companheiro Simão. Antigamente, nos velhos tempos, ele ia para o seu canto da informática arrumar livro a livro, milimetricamente, naquilo a que apelidava de operação de charme. Agora, faz a mesma coisa, mas estendeu-se uma prateleira para o lado. Dá um avanço de cerca de 5 centímetros por mês. Prevejo que lá para 2012 ele arrume a loja toda. Já o nosso colega Greenpeace (o senhor escritor, dono do maior ego e dom literário da companhia, já presença assídua numa publicação nacional) mudou também. Outrora, andava com o Spartacus 2004 debaixo do braço, preparando os seus périplos pela Europa. Como ele mudou... Agora anda com o Spartacus 2005, porque não há nada como estar actualizado. Continua um bon vivant, vivendo agarrado à música e à sua musa do amor impossível. E, claro, não podia deixar de acrescentar que continua um mestre na caça do livro perdido, sendo um perito na arte do cotão. Ele e o cotão são uma só pessoa hoje em dia.&lt;br /&gt;Quanto aos clientes, pouco há a acrescentar. Tive de fazer um interregno de três dias nas minhas férias para ir trabalhar, e tive algumas experiências dignas de registo. Primeiro tivemos o solteirão de 30 anos, de fato e gravata, bem apresentado que procurar um livro que se chamava qualquer coisa como: "Como ter encontros felizes" ou coisa que o valha. Não estando disponível, pediu o "Paixão, Amor e Sexo". (Só um pequeno aparte, o meu Word tem como sinónimo de Sexo a palavra Natureza. Depois não digam que o Bill Gates não é geek.) Entreguei o livro ao senhor, e ele lá ficou, na secção da sexualidade que, como sabem, fica exactamente em cima da puericultura. Que é mesmo para um casal dizer "Ena pá, que livros interessantes, não sabia que a mulher era capaz de por... Filhos Saudáveis? Como criar famílias numerosas?" e fogem logo dali. Lá estava então o trintão a ver o livro, quando surgem duas trintonas, também bem parecidas, e travam conversa com ele. Ora, o jovem ou era mágico ou então devia considerar tornar-se um. Porque a maneira como ele ocultou o livro das amigas e fê-lo desaparecer das suas mãos foi algo de extraordinário. Fiquei maravilhado, tenho de confessar. Depois ele partiu e ficaram só as trintonas. A loura (porque as trintonas andam aos grupos de louras e morenas) veio pedir um livro de esoterismo. Enquanto ela fazia o pedido, a morena ostenta um livro bem alto e diz: "Olha, encontrei o teu livro!". Era um livro intitulado: A Vaca Loura. Agora como é que esperam que eu atenda alguém sem rir com episódios destes, não dá.&lt;br /&gt;Depois tive lá uma senhora que desejava livros de apoio escolar para professores. Estando só e desamparado na loja, não me pude deslocar ao local para a ajudar. Estava muita gente na loja, se abandonasse o balcão iam começar os dedos a bater na mesa, as tosses falsas, o bater dos pés. E, se a situação continuasse ia-se ouvir uns dissimulados: "Então mas não tá aqui ninguém?" ou ainda "Daqui nada vou me embora..." ou até mesmo o já clássico: "Onde é que se meteu o gajo?". E lá foi a senhora sozinha, qual Indiana Jones dos livros. Atendo alguns clientes e vejo uns braços a abanar lá bem ao fundo. Pensei que era alguém que se estava a afogar no cotão, mas não, era a senhora que queria ajuda. Quando ela viu que tinha a minha atenção disse: "Não me pode mesmo vir ajudar, é que isto está uma confusão, não percebo nada..." Eu disse que tinha de esperar porque a fila já ia até à porta. E ela continuou a busca. Quando já estava tudo mais calmo, dirigi-me a uma zona contígua à do apoio escolar para buscar outro livro, e ouço a conversa telefónica da senhora: "Sim, ainda estou aqui na livraria, não consigo encontrar nada. Que é que queres, isto parece a feira do Relógio!". Esta nunca tinha ouvido. Feira do Relógio portanto? Os livros estão ao lado dos CD's contrafeitos e das calças Leve's. Tenho de mudar o meu identificador para Jacó, cigano júnior. E claro, tenho de deixar o meu veículo motorizado em casa e trazer o burro para a loja. E depois claro, temos que arranjar umas rusgas de vez em quando para dar vida a isto. Ia ser mítico.&lt;br /&gt;Eu falo dos meus clientes, mas há gente bem pior. Reparem: estava em casa descansado quando tocaram à porta. Era o famosíssimo "homem do gás". Toda a gente tem um "homem do gás". Mas o meu é especial. Entrou, bem-educado, abriu o compartimento onde se encontra o leitor e tentou ver os números. Não conseguindo descortinar o número, pediu que acendesse a luz. O que eu fiz prontamente. E, não satisfeito, o que é que o homem do gás faz? Roda a torneira uma ou duas vezes e acende um isqueiro para ver o número. Ora aí está. O homem do gás a acender um isqueiro junto ao leitor do gás e à torneira geral da casa. A minha estupefacção foi tanta que nem consegui dizer ao amigo que podíamos morrer todos. E melhor. Ele, não satisfeito, acendeu o isqueiro outra vez, e ainda durante mais tempo. É um milagre ainda estar aqui. Ao sair, depois de ver aquele espectáculo, perguntei-lhe: "o amigo gosta de livros? Passe lá na livraria que precisamos de clientes como você." Um homem do gás com um isqueiro junto a uma torneira de gás? Isso é como por o Greenpeace junto a uma rapariga ou a Feiticeira a arrumar a literatura. É desastre certo.&lt;br /&gt;Antes de ir, obrigado aos colegas e ex-colegas por este ano. Alguns de vocês sabem quem são, outros nem por isso. De qualquer forma, obrigado e até à próxima.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-112283531445337142?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/112283531445337142/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=112283531445337142&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/112283531445337142'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/112283531445337142'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/07/1-ano-e-algumas-semanas-de-loucura.html' title='1 Ano (e algumas semanas) De Loucura'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-112068676445648018</id><published>2005-07-06T22:51:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T14:39:51.303+01:00</updated><title type='text'>As Férias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;As férias aproximam-se. Obviamente, não quero abandonar o meu posto sem deixar aqui umas palavritas. Um hábito que se vai tornando cada vez menos frequente, infelizmente. Pois é, depois de 1 ano e 2 meses de árduo trabalho vou de férias. Isto apesar de já ir no segundo contracto. Isso é secundário. Recordo-me como se fosse ontem, quando nós, os que estávamos a terminar o contracto, demonstrámos a nossa decisiva vontade em ter umas férias. “Férias são para meninas” disseram, ao que o meu colega Greenpeace levantou o braço e disse: “Então isso quer dizer que posso ir?”. Infelizmente também não foi a lado nenhum, embora haja rumores (dizem que é o Cosmos a funcionar) que, se ele não se cala com voluntariado e com o inter-rail que o metem num comboio com o Spartacus debaixo do braço. Já lhe sugeri voluntariar-se no exército, mas ele disse: “Então isso não é para homens?”. Muitas pessoas acusam-me de ser demasiado duro com ele, e que ele não é nada como eu digo. Atenção, este é o homem que suspeita ser alérgico ao seu perfume.&lt;br /&gt;As férias são mais que merecidas, e as saudades não irão ser muitas, posso assegurar-vos. Vou-vos dar uns exemplos porquê:&lt;br /&gt;Um homem com o seu farto bigode e fio de ouro entra de rompante na loja. Chega ao balcão e diz: “Queria um livro de férias para o 1º ciclo.” Perguntei o ano e ele disse: “Para o primeiro ciclo”. Eu perguntei se era para a primeira classe. Ele respondeu confuso: “Epá, é para os putos fazerem nas férias.” Qualquer coisa com números e letras serviria portanto. Adoro os clientes exigentes e seguros do que querem.&lt;br /&gt;Depois temos o jovem que pergunta onde fica a papelaria. Eu respondo que é junto aos elevadores, cumprindo assim o meu dever cívico. Ele, perplexo, pergunta: “Então… E isso fica a quantos minutos?” Oh amigo, isso é muito simples. Ou vai pela Savana, e arrisca-se a ter de fugir dos leões famintos (perderam uma zebra para uma águia que não comia à 11 anos e um antílope para uns caçadores russos no espaço de uma semana) ou vai ali pela praia, e, mais arrastão menos arrastão não demora nada...&lt;br /&gt;Depois temos mais uma vez a mania das dietas no verão. Os livros voam das prateleiras. E é sempre reconfortante ver senhoras anafadas a comerem gelado e a pedirem livros para dietas. Deviam andar com um sinal na testa a dizer: Ironia. E assim, numa tarde quente, chega uma cliente ao balcão e pede já um clássico das dietas. “Boa tarde, tem a dieta de Soto Beach?”. Ora, a dieta de South Beach já não interessa, já está fora de moda. A dieta de Soto Beach é que é o grande êxito de verão. Soto beach, como devem saber, fica ali para os lados de Chelas, assim como quem vai para os Olivais. Praia banhada por um esgoto a céu aberto, é local de culto para os banhistas mais curiosos. A dieta consiste na Patanisca, no croquete desfeito e na batata frita de pacote. Quanto mais cancerígena melhor, emagrece mais.&lt;br /&gt;Á uns meses atrás debati-me com um problema que se vem alastrando e que ameaça ferir de morte a Língua de Camões: o desaparecimento da letra “i” em algumas palavras (Código Da VincE, BenzonE, etc.). Fenómeno curioso e de ocorrência comum, já se tornou um hábito dos portugueses. Mas, venho aqui confessar perante vós que a minha tese tinha falhas. O “i” não desaparece, apenas se transfere para outras palavras. Por exemplo: “Este livro custa cinco Ieuros?” ou ainda “Tem livros sobre peixes de Iágua salgada.” O português é uma língua viva. Ninguém sabe onde isto irá parar.&lt;br /&gt;Depois temos a senhora com as unhas compridas demais, tipo cabeleireira de Marvila. Ao marcar o código do MB engana-se duas vezes e diz: “Desculpe, é das unhas.” Eu pensei para mim, sábio e experiente livreiro “pois, deve ser…”. E eis senão quando, ao entregar o cartão à senhora, ela dá me uma verdadeira naifada à má fila com a unhaca rosa. Parecia um Wolverine de saias, até os pelos faciais eram idênticos. Nunca gozem com uma mulher de unhas compridas.&lt;br /&gt;Ainda relativo a dietas, tivemos mais uma senhora que procurava a melhor linha (ou será curva? Recta? Chicane? Parabólica?) e que tinha a convicção de que o livro que procurava a ia salvar. Entrou calmamente, dirigiu-se a mim e perguntou: “Bom dia, tem a dieta do Gordo?”. Não tínhamos. Nunca tivemos. Eu não quero ser chato, mas algo chamado dieta do Gordo não me parece o melhor método para emagrecer. Digo eu, eu percebo pouco disso. Qualquer dia temos a Fisioterapia do Perneta ou então ainda a Caça do Zé Invisual. Ou as Piadas do Livreiro de Mau Gosto. É o meu preferido.&lt;br /&gt;Boas férias para todos, até breve…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-112068676445648018?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/112068676445648018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=112068676445648018&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/112068676445648018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/112068676445648018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/07/as-frias.html' title='As Férias'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-111755502425380366</id><published>2005-05-31T16:54:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T14:43:24.386+01:00</updated><title type='text'>O terror</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O sol já está novamente a bater com a força de uma tarde de verão. Como tal, por alguma razão química desconhecida até dos mais proficuos cientistas, saiem à rua as criaturas mais estranhas que se possa imaginar. Surgem remeniscências do verão passado, e aí penso que o melhor está a chegar. Mas, já vão surgindo alguns avisos.&lt;br /&gt;Estava eu calmamente atrás do balcão tentando colocar me de modo a apanhar a lufada de ar fresco vinda do ar condicionado, quando surge um individuo de negro no balcão. Notei logo um odor algo característico, o que, para quem se encontra constipado à duas semanas, é um feito. Desisti da busca do lugar fresco por uns segundos para poder atender o cliente. Antes do protocolar boa tarde ou bom dia, surge um: "Oh amigo, tem o livro de São Capristano? Sabe, aquele, O verdadeiro!" São Capristano, como toda a gente sabe, foi dirigente do Benfica dos tempos de Vale e Azevedo. Conhecido como a "pescada mal morta" (atenção, nome popular, do qual não tenho qualquer responsabilidade), Capristano assumia-se como responsável (?) do futbeol encarnado, costumando ocupar o seu lugar no banco com uma figura algo esfíngica, talvez tentando imitar Pinto da Costa. Lá tive eu que me deslocar para a zona do esoterismo (onde, passe a imodéstia, sou rei e senhor) e dirijo o senhor para os livros de São Cipriano. Ao chegarmos à secção correcta, o cliente solta inesperadamente uma frase: "Ah! Isso está no terror não é?". Tudo bem, a zona está bastante mal arrumada, mas daí a apelida-la de terror vai um bocado. Procurei os livros de São Cipriano. Tinhamos três ou quatro. "Boa, boa" diz o cliente, "mas qual é O verdadeiro? O verdadeiro?", enfatizando o "O" enquanto fazia sinais para mim com os olhos. Bom, pensei para mim mesmo, das duas, uma: ou o gajo tem um tique nervoso, ou então está a fazer-se a mim. Como prevenção, para não haver confusões, decidi afastar-me e dirigir-me para o balcão, tentando novamente apanhar o local onde bate o fresquinho. E lá ficou ele durante alguns minutos, vendo livro por livro, tentando encontrar "O" livro de São Cipriano. Finalmente viu a luz (ou terá sido a escuridão?) e escolheu o que mais lhe agradava. Pagou, calmamente, e tudo indicava que iria abandonar a loja. Mas, a meio caminho entre o balcão e a saída (e olhem que parece pouco, mas já assiti a homens perderem a vida nesse caminho) e volta a dirigir-se à zona do esoterismo. E lá fica, mais dez minutos a contemplar outros livros de São Cipriano. Ele vê, escolhe, paga. Mas à saida fica com dúvidas. E volta para os livros, como que chamado pelo canto da Sereia. Terá temido (e com razão) levar o errado, e não ser "O" livro de São Cipriano, sendo apenas o livro de São Cipriano. Observo-o durante alguns segundos (não vá por algum livro no saco, não convinha) e depois volto à minha vida (novamente a busca do local fresco). Olho por acaso para o balcão e vejo umas chaves. Olho para as chaves. Olho para o cliente. Olho para as chaves. Lá fui eu dar lhe as chaves, mas sempre à distância. Aproximo-me dele o suficiente para lhe dar as chaves (mas não para ele me atacar). Ele sorri, agradece, e diz: "Tou só a ver, tou só a ver, isto é tudo muito interessante!" É normal a reacção dele. Qualquer criança quando descobre o livro pela primeira vez reage assim.&lt;br /&gt;Por falar em reacções, por vezes sou eu que fico sem elas. Chega uma senhora ao balcão e diz, sorridente: "vou lhe só perguntar uma coisa, porque me doiem os pés. Tem livros de receitas do Da Vinci?". Com uma introdução destas até me podia ter pedido o kamasutra animal que eu não teria reparado. Que novidade, que inovação. A dor nos pés realcom a necessidade de conhecimento. Genial. Já estou a ver os próximos clientes: "Oh amigo, tenho uma cárie num queixal, tem o Livro dos Segredos?" ou ainda um, que será concerteza popular, "desculpe, tenho o septo nasal deslocado, importa-se de verificar se tem disponível os Maias?”.&lt;br /&gt;Quem está de regresso à loja é Spartacus, o guia gay 2005. Estão, portanto, oficialmente abertas as festividades, e devo dizer que já se encontra um exemplar guardado para o nosso amigo Greenpeace, que irá para Cabo Verde (ou Açores, é parecido) numa missão de voluntariado. Acho que vai ser uma ferramenta útil para ele levar consigo. Eu diria que é de homem ir fazer voluntariado, mas podia estar a ofendê-lo.&lt;br /&gt;No anterior post referi-me aos blogs que deram em livro. Oportunamente, fui chamado à atenção de que me esqueci do “Livro da Rititi”, também nascido de um blog. Nascido, ou abortado, depende do ponto de vista. Se realmente nasceu de parto natural, terá sido um parto complicado. A reacção mais usual por parte das mulheres a esse livro (?) é: “Este homens nojentos não tem mais nada que fazer do que escrever estas porcarias, ainda por cima passando-se por mulher, como se percebessem alguma coisa de nós!”. Claro que depois, quando reparam que é UMA autora, dizem: “ah, afinal até não tá mal, até tem piada, olha, uma piada, vou me rir: ah ah.” Elucidativo.&lt;br /&gt;Os clientes continuam a tentar Ter piada. Uma rapariga, desesperada, queria um livro para acabar um trabalho para a universidade. Nada de mal até aqui. Faz me vasculhar os confins da loja (vi bolas de cotão do tamanho de bolas de golf, e posso quase jurar que vi um manuscrito do Auto da Barca Do Inferno, mas não os quero induzir em erro). Até que, já sem forças, desisti. Na tentativa de amenizar a situação disse: “Sabe, apesar de dar existência em stock, por vezes os livros saem da loja sem passar pela caixa...”. A senhora ri perdidamente. Estava a tentar, de modo subliminar, dar a entender que poderia Ter sido roubado. Não tem piada. Não era para Ter piada. Mas, não podia suspeitar o que vinha a seguir. Recompondo-se do riso histérico, a cliente ajeita o cabelo e atira, excitada: “Pois, pois, é como dar a volta no Monopólio sem passar pela casa de partida!!!” ao que se seguiram mais gargalhadas descontroladas.&lt;br /&gt;Sou um privilegiado…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-111755502425380366?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/111755502425380366/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=111755502425380366&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/111755502425380366'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/111755502425380366'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/05/o-terror.html' title='O terror'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-111737137238513854</id><published>2005-05-29T12:13:00.000+01:00</published><updated>2006-04-27T14:47:33.266+01:00</updated><title type='text'>Blogs</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Isto dos blogs está na moda. Lentamente a loja vai recebendo cada vez mais e mais blogs editados em livro. Não se pode dizer que o sucesso seja muito. Vejamos por exemplo o Barnabé. Mais de 1 milhão de visitas na net (era o que dizia na capa, atenção os números não são meus...) e 7 vendas. 35% dos livros foram vendidos (o que, para os matematicamente desabilitados significa que entraram 20 livros), não é um desastre total, mas também não deslumbrou. Vejam então o Acidental, o blog que a direita adora. Editado pela Hugin (quem diria? um blog de direita editado pela Hugin, que surpreendente), recebemos 5 livros, vendeu-se 1. Mais do que eu pensava, devo confessar. A direita adora, mas das duas uma: ou não tem dinheiro, ou não sabem ler. O que comprou o livro devia ser um iluminado e deve ter deitado o olho ao Barnabé, sentindo se tentado, qual homosexual perante uma bela mulher. A comparação não podia ser mais apropriada. Continuando pela direita, temos o blog de Ana Anes, intitulado "Estou à Espera Que Me Venham Buscar", também editado pela Hugin. Vieram 3, vendeu-se 1, foram devolvidos 2, vieram mais 2. Nota-se aqui alguma insistência, mas tudo bem. Depois temos o "Leituras de Casa de Banho" de Nuno Gervásio, e aqui sobe o nível dos blogs apresentados. Em termos de vendas, chegaram 10, não se vendeu nenhum, e já lá vai um mês... Depois temos o livro "Inépcia" que, segundo o autor não provêm de um blog mas sim de um e-zine. Mas, enquadra-se bem aqui. Chegaram 15, já passaram 7 dais, não se vendeu nenhum. Como vêm, os blogs editados não primam pelo sucesso. Mas a razão que me fez escrever hoje, qual resuscitação, é o livro do blogo do Gato Fedorento. Aquele link ali na esquerda. E agora reparem, este mastodonte da blogosfera chegou na bela quantia de 50 unidades. Na estreia vendeu 1. Hoje já vendeu outro, mas creio que este se vai safar bem... Curioso é que na nossa base de dados aparece como autor Miguel Góis. Claro, só há espaço para um autor por livro. Sinceramente esperei que aparecesse "Vários" como o autor. Mas não, decidiram-se por Miguel Góis. Porquê? Verão nele alguma qualidade que sobressai? Consideram-no o principal responsável? O maior benfiquista? Ou porque é mesmo o primeiro nome que vem na capa? Depois dizem que não há vantagem em ser o primeiro. E, agora perguntam vocês se gosto do livro. Eu dou-vos a minha opinião: é jeitoso, amarelo, facilmente encontrado em qualquer prateleira ou estante. O amarelo, ainda que sem ferir os olhos, confere ao livro um aspecto que facilmente os distingue dos demais. Sinceramente, espereva um cor-de-rosa bebe, mas não se pode ter tudo. Tem o tamanho ideal, assim a atirar para o gorducho, mais sobre o comprido. É maneirinho, fácil de embrulhar (o que faz com que, desde já, agradeça aos autores e a quem tratou do design do livro, pois, como se sabe, fez um favor à comunidade de pessoas que, tal como eu, tem tanto jeito para embrulhar como o Ricardo para apanhar cruzamentos). Quanto ao odor não posso precisar, pois estou bastante constipado. A textura é rugosa, mas ainda assim agradável, não sendo ideal (ao contrário de outros livros) para limpar o líquido entornado na mesa da sala. Vai bem com batatas a murro e carne assada sobrada do natal, devidamente congelada e selada em vácuo. Foi editado pela editora Livros Cotovia, e como diria o meu amigo: "Ou era pela Cotovia, ou bem que se... Tramva!". Sem ser uma editora com grande peso em termos comerciais, é uma editora bem vista pelo mundo dos livros em geral, cujas novidades expostas por nós são "Iliada" de Homero, tradução de Frederico Lourenço; "Odisseia" também de Homero e também traduzia por Frederico Lourenço; "Gato Fedorento - o Blog" por Ricardo de Araujo Pereira, Miguel Gois, Zé Diogo Quintela e Tiago Dores (troquei-lhes as voltas). É uma sequência mais que lógica: Iliada, Odisseia (dois dos maiores clássicos gregos) e depois o Gato Fedorento. Tudo o que se passou em termos literários entretanto não é digno de registo. Aliás, diz-se que o próprio Frederico Lourenço, confrontado com esta obra mítica disse: "Vou traduzir do grego para português!" Obviamente, foi chamado à atenção que o livro já vinha na lingua de Camões, o que lhe provocou um desencanto enorme. Porque os escritores / tradutores não se chateiam, desencantam-se.&lt;br /&gt;Tenho que acrescentar que o livro traz um texto inédito, intitulado: "Como Escrever Um Texto Humorístico". Claro que, se tivessem editado este texto mais cedo, eu teria chegado mais cedo à conclusão que o texto humorístico não é para mim, e teria se poupado este precioso espaço na internet. Espaço este que facilmente poderia ser ocupado por um clube de fãs do Paulo Almeida, ou por uma página de homenagem a Areias.&lt;br /&gt;Voltando ao livro, perguntam-me se o comprava. Não, porque posso lê-lo aqui. Ou alguém me pode oferecer, alguém famoso que o tenha grátis. Fica aqui o repto. Mas, digo-vos já que vale a pena comprar. E pela primeira vez, apelo à compra.&lt;br /&gt;Agora parem de ler. E venham comprar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-111737137238513854?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/111737137238513854/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=111737137238513854&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/111737137238513854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/111737137238513854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/05/blogs.html' title='Blogs'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-111384468617416011</id><published>2005-04-18T18:10:00.000+01:00</published><updated>2006-08-18T01:09:06.846+01:00</updated><title type='text'>O Sorriso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Regressado de África, depois de um mês a passar fome, cá estou eu renovado. As coisas por aqui estão basicamente na mesma. Vende-se pouco, reclama-se muito, enfim, o costume. As segundas de manhã continuam a ser uma longa caminhada no deserto. De vez em quando lá aparece um vendedor ou outro, ou algum cliente perdido à procura de jornais ou onde comprar o pão e pouco mais. Os vendedores por vezes até dão para entreter, seja pelos livros mais ridiculos ou pelos desesperados pedidos de verificação de vendas de um qualquer título. Mas, melhor é mesmo quando aparece alguma mulher. Melhor ainda, se for vendedora. Os vendedores são na grande maioria, quase na totalidade, homens. É raro aparecer aqui alguma vendedora. Desde que aqui estou (neste mesmo local, porque raramente saio daqui seja para o que for) só me recordo de ver três vendedoras. E a última que vi veio numa segunda-feira. Se acham que os homens da obras tem piropos caricatos, nunca viram um vendedor de livros a babar-se por uma congénere. E as conversas que eles arranjam para falar com ela também são muito usadas. É o típico: "Ah e tal, eu conheço esta pessoa da sua familia e andei consigo ao colo e tal...". O costume, portanto. Claro que, quando ela sai ouve-se logo: "Aquilo é que é uma mulher bem criada", seguindo-se mais mil e um comentários impercetíveis entre os vendedores. Não me admiro, portanto, que se ouça: "É tão linda que deve vir com 19% de IVA" ou ainda "Queria fáctura-la com 42% de desconto", ou o já famoso "Facturava-te a firme sem direito a devolução" ou até mesmo "Consignava-te até ao fim da minha vida." (Piadas de livreiro. Se não perceberam ou não acharam piada não se molestem por causa disso. É muito à frente).&lt;br /&gt;Em ensaios passados abordei a problemática do sentido de humor dos clientes, no qual salientei, com toda a justiça, a frase: "Se fosse bicho mordia-me.". Frase essa que é utilizada quando algum cliente procura um livro e ele está mesmo à sua frente. Pois bem, hoje defrontei-me com a versão rural deste dito popular, tão do agrado do cliente. Lá estava ele, o cliente, atarantado à procura de livros, quando eu, no pleno cumprimento das minhas funções, lhe indico o livro desejado. Surpreendido, quiçá maravilhado, o cliente solta um sincero: "Epá, é como se tivesse no meio da horta e não visse as couves.". Elucidativo.&lt;br /&gt;Quem esteve cá, depois de uma longa (e sentida) ausência foi a nossa personagem favorita dos Sábados de manhã: Bin Laden. Quem desconhece este mito incontronável vá &lt;a href="http://olivreiro.blogspot.com/2004/10/eixo-do-mal.html"&gt;AQUI&lt;/a&gt;. Pronto. Estava eu no balcão a tratar de uns papéis. Atenção, não disse que estava a trabalhar, estava apenas a tratar de uns papéis, fazendo uns desenhos e coisas afins. E vejo-o, qual miragem tornada realidade, a caminhar ao longo da montra. Ciente do que aí vinha, e temendo o pior, digo para a minha colega: "Olha, eu vou só ali dentro ver qualquer coisa." E lá fui eu assim como não quer a coisa lá para dentro. Ela ficou impávida e serena. Já co um pé dentro do back office, já com o doce sorriso da vitória, ouve-se um sonoro: "OH JOVEM!" vindo do interior da loja. Tinha sido apanhado. Apesar da colega se encontrar no balcão, ele queria o expert em terrorismo da loja. E lá tiver que ir. Cheguei ao balcão, ele cumprimentou-me como é hábito. Desta vez, o cheiro a alcoól tinha sido substítuido por um forte odor a perfume. Ficamos agradecidos. Estava mais calmo e bastante mais perecptível que o habitual. Desta vez, por cada 10 palavras que dizia já percebia 4. Como não podia deixar de ser, vinha perguntar pelo Bin Laden, e se já saiu o segundo. Também não sei qual segundo, nem sequer o que era o primeiro, mas é isso que ele quer. Estava calmo e amigável, o que me motivou a dar-lhe uma resposta simpática, o habitual: "não temos, não está previsto a saída, deve estar mesmo esgotado na editora." Antes sequer de conseguir abrir a boca, a minha colega dispara: "NÃO NÃO TEMOS NADA NEM VAMOS TER NEM TAMOS A PLANEAR A TER ESTÁ ESGOTADO E NÃO SAI MAIS!". O homem, deu alguns passos para trás assustado, agradeceu e saiu. A minha colega cruzou os braços e disse: "Aprendeste como é que se lida com eles?". Eu levei as mãos à cabeça e disse: "Tu estás doida? Este homem é um fã do eixo do mal, ele venera o Bin Laden e o 11 de Setembro, tens muita sorte se não tiveres uma bomba no carro." Impenetrável como sempre, a resposta da colega foi: "Quero lá saber." Eu disse que também não queria saber, mas que se depois não conseguisse processar vendas só com um braço ou subir ao escadote sem uma perna que não contasse com a minha ajuda.&lt;br /&gt;Há várias capas de livros que são enigmáticas. Talvez a mais enigmática de todas seja &lt;a href="http://www.drealentejo.pt/intranet/deposito/209872/sul.jpg"&gt;ESTA&lt;/a&gt;. Miguel Sousa Tavares, famoso jornalista e escritor responsável pelos best sellers aclamados pela crítica Equador e SUL - Viagens, aparece sentado, ostentando um largo sorriso, no meio de uma estrada, algures em África. O seu olhar está suspenso no horizonte, focando algo que será o motivo do seu sorriso. Durante meses nós olhámos para a capa e pensámos no que estaria fora do enquadramento da fotografia. Alguma explosão? Jovens a fugir de uma manada de bois selvagens? Algum desastre natural? A Manuela Moura Guedes a ser atropelada por um camião de gado? Todos davam as suas razões e já havia até uma aposta relacionada com isso. O que faria o sério, sisudo e carrancudo Miguel Sousa Tavares sorrir? Muitas vezes se pôs a hipótese de ser um sorriso forçado para a capa do livro. Duvido. Tenho-o como uma pessoa íntegra. Rabugenta, mas íntegra. Ontem, olhando para a capa pela mílésima vez, vi a luz. Miguel Sousa Tavares apresenta aquele esgar que se assemelha a um sorriso por uma simples razão: Está sentado em cima de um ouriço. Faz sentido. Ele apresenta um ar como quem diz: "Tirem a foto rápido que já não aguento mais a dor." As melhoras, e esperamos ansiosamente pelo próximo livro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-111384468617416011?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/111384468617416011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=111384468617416011&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/111384468617416011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/111384468617416011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/04/o-sorriso.html' title='O Sorriso'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-111177544147977296</id><published>2005-03-25T18:17:00.000Z</published><updated>2006-04-27T14:52:02.263+01:00</updated><title type='text'>A Culpa Não É Nossa...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Esta semana que passou foi assaz atribulada. Senão vejamos: duas reclamações violentíssimas em apenas três dias. Depois de uma semana de merecidas férias, volto ainda mais saturado do que sai. Além disso, sou logo brindado pelo topo de gama dos clientes. Uns atrás dos outros lá vinham eles, desfilando pela loja, tentando desesperadamente dar-me cabo do juízo. E, há que sublinhar o facto que não é propriamente difícil. O regresso foi mesmo doloroso. E quando pensava que as coisas não podiam piorar, entra um homem visivelmente exaltado. Ao aperceber-me de que viriam aí problemas, disse ao meu colega Bond: “Bem, este gajo vai arranjar problemas. Mas é na boa, tamos aqui os dois, não é Bond? Bond? B…?”. Estava sozinho. Bond, como tantos outros na história, estava sentado na cadeira do capitalismo. Nova aquisição da loja, a cadeira de pele almofadada do capitalismo arrasta os mais fracos com o seu poder. E, quatro dos residentes da loja já caíram (literalmente) nela. Já Jerónima, a nossa funcionária de esquerda (existem inclusivamente rumores que indicam que possa ser sobrinha-neta de um líder histórico), atraída pelo negro poder tentou sentar-se na cadeira do capitalismo fazendo com que esta caísse. Uma pesada derrota do capitalismo. Então lá fiquei eu, abandonado, à mercê do cliente furioso. Chega ao balcão, com um livro da Ferrari debaixo do braço e um talão de encomenda na mão. Boa, pensei eu. Estive uma semana fora, não faço a mínima ideia do que se passa em termos de encomendas, seja o que for que o homem perguntar não vou saber responder. De uma forma completamente brusca o cliente diz: “Eu fiz esta encomenda à 2 semanas, entretanto já fui a várias lojas vossas e tinham o livro. Está aí o livro?!”. Procurei incessantemente o livro, e em vão como se esperava. A indignação subiu brutalmente: “EU PODIA TER COMPRADO O LIVRO, MAS MANTIVE A MINHA PALAVRA E VOCES NÃO CONSEGUEM CUMPRIR?!?! QUE RAIO DE EMPRESA É ESTA? EU GOSTO DE COMPRAR AQUI, MAS ASSIM NÃO DÁ, NÃO DÁ!” A esta altura eu já sabia que o melhor era permanecer calado e apreciar devidamente o espectáculo. As queixas continuaram: “ONDE ESTÁ O RESPONSÁVEL? QUERO FAZER UMA RECLAMAÇÃO! AINDA BEM QUE GUARDEI O TALÃO, É UMA PROVA! A SENHORA QUE ME ATENDEU DISSE QUE DEMORARIA UMA SEMANA, QUERO VER A DATA DO PEDIDO! QUERO VER O PEDIDO!” Como seria de esperar, nem sequer encontrei o pedido. Já não sabia onde me havia de esconder, e o homem cada vez mais furioso. No pico da fúria, o espectáculo atingiu o seu auge. Devo salientar apenas alguns dos impropérios que o excelso cliente soltou: “ISTO É UMA INCOMPETENCIA! GOSTO DA VOSSA EMPRESA, MAS ASSIM… NÃO! POR ISTO É QUE O PAIS DEVIA ESTAR MERGULHADO NUMA ANARQUIA! SIM, UMA ANARQUIA! DEVIAM ESTAR TODOS DESEMPREGADOS E MORRER À FOME!”. Bom, neste momento, o cliente já tinha atenção de toda a gente, que, obviamente, não queriam perder pitada deste triste espectáculo. E, se eu pensava que ele tinha atingido o limite, ele continuou: “DEVIAM IR PARA AFRICA E MORRER À FOME! DEVIAM IR PARAR AFRICA! E ESSA SENHORA QUE ME ATENDEU NÃO DEVE GOSTAR DE TRABALHAR AQUI. TENHO MUITA PENA SE GOSTA, PORQUE VAI DEIXAR DE TRABALHAR! SECALHAR DEVIA ERA TRABALHAR NOUTRO TIPO DE CASA!”. Eu continuava no balcão, sereno, sem sequer ter tentado uma vez que fosse interromper ou contradizer o cliente. Afinal de contas, não é todos os dias que se vê um circo destes. Sentia-me como Sir David Attenborough atrás de umas folhagens observando um animal em fúria. Torna-se claro que o silêncio tem de ser absoluto. “JÁ VI QUE NÃO TEM O MEU PEDIDO! QUERO QUE ME CARIMBE UM PAPEL EM QUE DIGA QUE O ME PEDIDO NÃO ESTAVA AQUI. VOU FAZER UMA GRANDE RECLAMAÇÃO! PEÇO IMENSA DESCULPA MAS ESSA SENHORA VAI SER DESPEDIDA. VAI SER.” Aqui devo dizer que tremi. Se ele pedisse o livro de reclamações seria um problema. Não só não faço ideia onde está como também não faço ideia se existe sequer! Claro que eu podia logo ter dito que ela já nem sequer trabalhava lá. Mas, é mais giro dar lhe o trabalho de fazer uma reclamação e ficar ainda mais furioso se lhe responderem que a pessoa em causa já não presta serviços para a respectiva empresa. Preferi continuar a ouvir: “EU NÃO SEI O NOME DA SENHORA. NÃO SEI. NÃO SABE QUEM É? NÃO ME DIGA QUE AGORA TENHO DE ANDAR COM UM POLICIA ATRAS PARA IDENTIFICAR AS PESSOAS COM QUEM INTERAJO!”. Esta declaração fez subir a minha consideração por ele. Vejo que é fã do melhor aspirante a candidato presidencial de sempre: Manuel João Vieira. Ele sim, defende um polícia por cada português. Temos aqui um fã. Portanto, com esta subida de consideração, este cliente situa-se algures entre o Alexandre Frota os buracos da estrada. Entretanto, passou-lhe a fúria. Comprou o livro da Ferrari que trazia debaixo do braço e saiu, calmamente. Sinceramente senhores clientes, um conselho: Quando acordarem de manhã e não tiverem Viagra, e depois a vossa mulher vos chamar Chico e disser: “Electrocuta-me com o teu raio, meu leão!” e ficarem chateados, não descarreguem em nós. Não temos culpa.&lt;br /&gt;Agora seria a altura de escrever sobre a segunda reclamação, mas não posso. Tenho de apanhar o avião para África...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-111177544147977296?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/111177544147977296/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=111177544147977296&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/111177544147977296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/111177544147977296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/03/culpa-no-nossa.html' title='A Culpa Não É Nossa...'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-110892011542393314</id><published>2005-02-20T17:17:00.000Z</published><updated>2006-04-27T14:56:29.710+01:00</updated><title type='text'>Pérolas da Literatura Parte III - LSD Cósmico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A terceira obra é o enigmátco "Gatilho Cósmico, o Derradeiro Segredo dos Illuminati". Apesar de ainda não ter sido vendido, já está prometido. Já existe uma reserva para um cliente, que parecia bastante interessado no livro. O autor livro é conhecido por RAW, e segundo a sinopse "faz perguntas incômodas na busca pela verdade". Segundo o autor , a nossa consciência está condicionada, sendo o primeiro passo para a libertar "aprender a lembrar o burrico invisível". O LSD bate forte. Livro verdadeiramente assombroso, um prodígio.abrange um panóplia impressionante de assuntos, sempre com a mesma clarividência. Assuntos estes que vão desde a Operation Mindfuck (ou, como eles chama Operação Estupro Mental) até ao milagre de Fátima. Sim, meus amigos, o milagre de Fátima também está contemplado, e passo a citar: "Os católicos agora chamam a Virgem Maria de Nossa Senhora do Espaço" dizendo também que devemos responder à "pergunta cabeluda" relativamente ao que aconteceu em Fátima, onde "100.000 pessoas participaram telpaticamente da mesma alucinação": "Até que ponto essa realidade de consenso é similarmente criada?". LSD 2, RAW 0, siga o jogo.&lt;br /&gt;Mais tarde o autor conta como era editor da revista Playboy, e foi assim que descobriu que o número 23 era tremendamente importante, dando depois uns exemplos de acontecimentos no dia 23 e que tiveram consequências como 23 anos de cadeia ou 23 dentes partidos, acrescentando depois: "A partir do momento em que o burrico que nos carrega observa estranhezas desse tipo, o sinal chave torna-se proeminente em todas as ocasiões".&lt;br /&gt;Avançando umas páginas, chegamos a um capítulo com um título bastante comum em diversos livros: "Seres de Luz, Cães Falantes, Mais Extraterrestres e outras Criaturas Estranhas". Quem já não leu um capítulo com esse título? RAW explica que fala com uma entidade que "não era totalmente coerente" (a lucidez tenta vir ao de cima.) mas depois diz que a culpa era da própria mente que não conseguia captar tudo o que a entidade dizia, algo que, segundo ele é "típico dos fenómenos ocorridos com ovnis". Conta depois três marcantes histórias, que só por milagre ainda não figuraram do Jornal Nacional da TVI.&lt;br /&gt;A primeira consiste no "seguinte diálogo esclarecedor entre um Ufonauta e um ser humano:&lt;br /&gt;Ufonauta - Que horas são?&lt;br /&gt;Ser Humano - Duas e trinta.&lt;br /&gt;Ufonauta - É mentira. São quatro horas."&lt;br /&gt;RAW explica então que "esse incidente ocorreu na França em 1954 e o Ovni acelerou e sumiu logo após o diálogo. O horário era realmente 2h3.". Ai está a prova que faltava para concluirmos que os relojoeiros são fraudulentos mesmo no espaço sideral.&lt;br /&gt;O segundo caso remonta à cidade americana de Pittsburgh, no ano de 1908, onde "um cachorro se aproximou de dois detetives da polícia (.) e disse educadamente: "Bom Dia". Depois desapareceu num sopro de fumaça verde." Há que ressalvar a boa educação do cão, que os cumprimentou cordialmente antes de se esfumar. Cão, se me estás a ler, os polícias sentem a tua falta. O autor explica este acontecimento com alterações no burrico. Mais uma vez a culpa é do burrico, já parecem os adeptos do Porto a queixar-se do Quaresma: "Ah e tal, se ele não estivesse tão preocupado onde estacionou o burrico jogava melhor."&lt;br /&gt;O terceiro caso deu-se no Brasil em 1971, quando "dois jovens encontravam-se um carro quando tiveram a impressão de que um ônibus aproximava-se perigosamente atrás deles. Então, seus metaprogamadores divergiram. Um deles teve a impressão que um disco voador tinha aterrissado. Pensou ter sido levado a bordo e ter feito aquela costumeira viagem a um planeta alienígena." Antes de continuar, atente-se na costumeira viagem, um hábito comum a qualquer pessoa. Continuando: "Em seguida, encostou-se em pé atrás de um carro que alguém estacionara ao lado da estrada. O outro ficou com a impressão de um lapso de memória (ou de um salto no tempo?) e, acordando, simplesmente se encontrou em pé atrás de um carro, sem lembrar de quem parara o carro e de quando saíra dele." Um dia normal na vida de dois jovens brasileiros, portanto. Então, o autor avança três explicações para o sucedido:&lt;br /&gt;"Um - Um disco voador abduziu os dois jovens; após procederem a experiências com eles, usaram uma máquina defeituosa de apagar memórias". Consta que, fruto das experiências alienígenas, um dos jovens começou a ter dificuldade a sentar-se e demonstrou uma violenta vontade de se tornar militante do PS, tendo inclusivamente comprado um livro do Cláudio Ramos enquanto ouvia o hit-single Mr. Gay no carro.&lt;br /&gt;"Dois - havia algum tipo de anormalidade no campo magnético da Terra naquele mesmo ponto em que foi administrado o choque traumático. Uma das vítimas sofreu uma alucinação de estar voando em um disco voador e o outro sofreu um "apagão"." Também eu fui afectado à tempos por isto. Estava a casa, e pareceu-me ter visto o Benfica a perder 2-0 com o Beira-Mar em casa. Ao comentar o facto com a minha esposa, ela exclamou: "Ah, isso deve ter sido uma alucinação provocada pelo campo magnético."&lt;br /&gt;"Três - Eles (os sinistros experimentadores) encontravam-se naquele enigmático ônibus que chegara perigosamente perto, pouco antes do estupro mental. Eles conectaram os jovens a algum tipo de máquina de estupro mental e. Mais panquecas do espaço.?"&lt;br /&gt;Coerência. Clareza. Sinceridade. Verdade. Sentido. Tudo isto se pode encontrar no texto de RAW. LSD 3, RAW 0, é a goleada total.&lt;br /&gt;RAW fala depois na censura que sofreu quando queria publicar um livro chamado Illuminatus, que sofreu um corte de 500 páginas. Diz que a censura partiu da Sociedade Discordiana, uma entidade que honrava o imperador Norton e possuía um livro sagrado intitulado "Como Encontrei a Deusa e o Que Fiz Para Ela Depois de Encontrá-la" que, como sabem, é do mesmo autor do livro "Como Estava Dormindo Um Dia e Acordei e Vi Deus Mas Fugi Porque Ainda Não Tinha Tomado Banho e Não Queria Causar Má Impressão Apesar de Deus Ser Omnipresente e Saber Que Cheiro Mal o Que Pode Prejudicar Seriamente a Minha Ascensão ao Reino dos Céus o Que Iria Traumatizar a Minha Mãezinha Que Deus a Tenha". Esta entidade é representada por personagens como (atenção, isto é verídico) Malaclypse, o Jovem; Mordecai, o Asqueroso; Fang, o Deslavado; Harold, Senhor do Fator Aleatório; Onrak, o Retrógado., entre outros". Correm rumores de a Socidade Discordiana está a pensar em adquirir os préstimos de Bibi, o Pedófilo; Santana, o Galã; Trappatoni, o Senil; Paulo Almeida, o Veloz; Liedson, o Palhaço Verde; Castelo Branco, o Másculo; Manuela Moura Guedes, a Imparcial; entre outros cujo nome ainda mora no segredo dos Deuses. Aqui ficaremos, impacientes, à espera de mais notícias dos Iluminados.&lt;br /&gt;Um bem haja...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-110892011542393314?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/110892011542393314/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=110892011542393314&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110892011542393314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110892011542393314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/02/prolas-da-literatura-parte-iii-lsd.html' title='Pérolas da Literatura Parte III - LSD Cósmico'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-110875610806140140</id><published>2005-02-18T19:23:00.000Z</published><updated>2006-04-27T14:59:01.096+01:00</updated><title type='text'>Pérolas da Literatura Parte II - Ufologia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A próxima pérola chama-se UFOs, Espiritualidade e Reencarnação. Neste livro encontramos vários casos relacionados com ovnis e várias entrevistas com pessoas que presenciaram ou foram mesmo raptadas por estes. Depois relaciona ovnis com reencarnação e dá várias explicações acerca do fenómeno (fenômeno em português do Brasil) extraterrestre. Tudo, obviamente, apresentado da forma mais científica e racional possível. Se pensam que os Americanos acham que os ovnis vão sempre lá parar é porque não conhecem os brasileiros. A meio do livro encontrei um caso que me suscitou um interesse especial: o caso Varginha. O estudo do caso foi levado a cabo pelo renomeado advogado/ufólogo Ubirajara Rodrigues. O seu nome e as suas ocupações transpiram credibilidade. Várias pessoas, supostamente, avistaram um ovni que se despenhou rapidamente. Aqui entra a saga de duas irmãs e uma amiga (L, V e K - nomes fictícios), que a caminho de casa, já de noite, decidiram ir por um atalho e deram de caras com "uma criatura agachada junto a um muro (.) pele marrom, viscosa, olhos enormes de cor vermelha e três protuberâncias na parte superior da cabeça (.) não notaram sinais que indicassem a presença de uma boca (.), apresentava ainda muitas veias saltadas". Deixo aqui, cortesia dos meus contactos dentro do mundo da UFOlogia , a verdadeira história de Varginha: (atenção, ler com sotaque)&lt;br /&gt;L - Nossa, já é de noite e tá tão escuro, vamo pra casa.&lt;br /&gt;V - Sim, vamo, ma já que tá tão escuro vamo pelo atalho pelo meio da mata, A nossa aldeia já é tão mal iluminada, mais vale ir pelo escuro mesmo.&lt;br /&gt;K- Oh diacho, tá ali um bicho do mato agachado! Que horror! É o Frota!&lt;br /&gt;L - Não liga K, é apenas o vovô cagando na mata!&lt;br /&gt;V- Não L! Não Não! Olha só os olhos vermelhos e a pele marrom! E os altos na testa?&lt;br /&gt;L - Pois, tá vendo? É o vovô mesmo! Vá, vamo pra casa que vai começar a novela!&lt;br /&gt;V - Eu vou lá. Vovô? Vovô? A vovó voltou a expulsar vocemessê de casa? Vocemessê voltou a deixar a dentadura e o capachinho na sopa? É, garotas, eu acho que vovõ não se tá sentido bem não. Olha só quanta veia saltada gente!&lt;br /&gt;K - Eu acho que não é o seu avô não, olha só! Não tem boca!&lt;br /&gt;L - Não liguem não galera, ele tem problemas de trânsito intestinal, só isso! Se demorassem horas também iam encolher a boca e saltar veia né? Daí que custa gente, deixa o vovô em paz!&lt;br /&gt;Criatura do Espaço - errrrrrrrrrrrrrrrr, errrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr.&lt;br /&gt;K - Ouçam, ele disse qualquer coisa.&lt;br /&gt;L - AH! FUJAM! Vovô tá querendo que o limpemos!&lt;br /&gt;E assim fugiram para casa enquanto choravam compulsivamente, afirmando ter visto o demónio. Quando Ubirajara voltou, a criatura já não estava lá, e várias pessoas afirmaram ter visto helicópteros do exército a rondar a área. O mistério subsiste.&lt;br /&gt;Este livro mitico também desvenda uma das mais antigas duvidas da humanidade. O autor dá razão a quem duvida da vinda dos extraterrestres à terra, porque não faz sentido nenhum viajarem milhões de anos luz para cruzarem os nossos céus e voltarem para trás. E, realmente não faz, tenho que concordar. É então que ele sugere a resolução para esse problema: bases sub-aquáticas. Sim, bases sub-aquáticas. Quem não se lembra dos mistérios do triangulo das Bermudas? São apenas as bases a funcionar... Assim, já é totalmente plausível a vinda dos extraterrestres: querem sol e praia. Nada mais. Nadar, ver uns peixes, raptar e sodomizar uns quantos terráqueos, nada que os turistas ingleses não façam no Algarve.&lt;br /&gt;Esta obra-prima também já foi vendida, sendo agora propriedade de uma personagem que cá vem muitas vezes, sobejamente conhecida pela sua voz anasalada (há quem o trate por fanhoso, eu não vou tão longe.) e pelo seu interesse em livros de matemática e agricultura. Só sei que se ele voltar aqui e não estiver fanhoso foram os extraterrestres. Agora deem me licença que vou alinhar a cabeça e o coração EEEEEEEE...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-110875610806140140?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/110875610806140140/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=110875610806140140&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110875610806140140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110875610806140140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/02/prolas-da-literatura-parte-ii-ufologia.html' title='Pérolas da Literatura Parte II - Ufologia'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-110856670214069816</id><published>2005-02-16T14:24:00.000Z</published><updated>2006-04-27T14:59:55.100+01:00</updated><title type='text'>Pérolas da Literatura Parte I - EEEEE....</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Na já famosa encomenda dos 450 livros chegaram algumas pérolas da literatura contemporânea. Sem bem que denominar algumas delas de contemporânea é estar a denegri-las, porque algumas destas obras são eternas. Em seguida vou-vos apresentar passagens dos mais selectos e brilhantes livros que chegaram à nossa loja neste início de ano. Há que salientar também o facto de eles estarem escritos no melhor português do Brasil que possam imaginar.&lt;br /&gt;Começamos com o livro “11:11 A abertura dos Portais”. E o que é o 11:11? Pergunta o nosso leitor mais incauto. O 11:11 é um porta dimensional, aliás, é muito mais que isso, e passo a citar: “Quão numerosos são os que tiveram as suas vidas pautadas por súbitas pausa [sic] no que quer estivessem fazendo, para, ao olhar para o relógio, constatar ser onze horas e onze minutos?”. No mínimo isto é misterioso... Portanto, atenção se olharem para o relógio e forem 11:11, são especiais e juntam-se assim (sem quaisquer encargos) ao restrito grupo de pessoas que olharam para o relógio e eram 11:11. Vou tentar entrar, vou olhar para o relógio. Raios, são 21:40, não vou a lado nenhum. E continuam: “O 11:11 nos fala, (…) nos permite acessar a outra dimensão.” É verdade, conheço eu mesmo pessoalmente pessoas que, olharam para o relógio e eram 11:11, e passado poucos segundos estavam nas 11:12, viajando assim para o futuro. O livro fala também dos rituais a fazer quando forem 11:11 (atenção, de 1992. Eu sei que já passou, mas isso é secundário. Estejam à vontade para prosseguir com o ritual num dia à escolha, afinal, todos os dias são bons dias para fazer figuras ridiculas) façam alguns movimentos com os braços, de forma mais ou menos aleatória e que os faça fazer figuras tristes, a que o autor (Solara de seu nome) dá o nome de “Movimentos Unificados”.&lt;br /&gt;Um dos primeiros movimentos que o autor descobriu foi o alinhamento cabeça coração. Diz então o autor: “… eu estava tendo grande dificuldade em alinhar minha cabeça e meu coração…”. Sendo que a cabeça está centrada no corpo e o coração do lado esquerdo, percebe-se a dificuldade. É então que ele descobre um exercício (o tal alinhamento da cabeça e coração), que consiste num movimento dos braços como se fosse um arco-íris. Ao fazer este movimento, diz o autor: “Faça o som EEEE. Enquanto faz esse som visualize o som EEEE.” Ora, escusado será dizer que quando eu estava a fazer o movimento fui interrompido por um cliente que me perguntou se eu estava-me a sentir bem ou se precisava de ajuda.&lt;br /&gt;O autor dá também especial atenção aos golfinhos, que considera “grandes Mestres” que se irão unir à presença estelar de “A-Qua-La A-Wa-La”. Devo advertir para não dizerem isto em voz alta porque correm o risco de, além de passarem por loucos com os movimentos unificados, darem a ideia de terem deficiências na fala. Isto pode prejudicar gravemente a vossa vida sexual.&lt;br /&gt;O mesmo autor dá depois uma lista de acontecimentos por tudo o mundo no 11:11. (5:11 no GMT, porque estes jovens estão atentos às tecnologias):&lt;br /&gt;Austrália: Luzes laranja foram vistas por milhares de pessoas.&lt;br /&gt;Egipto: Jean Houston liderou um grupo de 90 pessoas nos movimentos unificados em Luxor&lt;br /&gt;Nova Zelândia: Uma senhora foi até ao Monte Cook e um Maori viu dois seres altos em Auckland&lt;br /&gt;Pólo Norte: Uma pessoa ancorou a energia aqui.&lt;br /&gt;Portugal: Santana Lopes foi nomeado primeiro-ministro.&lt;br /&gt;Reparem no número decrescente de intervenientes nos vários locais, e no crescente ridículo das situações.&lt;br /&gt;Quando vi este livro pela primeira vez pensei: Boa, mais um para ficar a apanhar pó. Mas, não, vendeu-se. E logo dois ou três dias depois de ter chegado, e ainda para mais sendo um livro que custa 30.90€. 30.90€… Está a ficar caro fazer figuras tristes enquanto se grita EEEE…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-110856670214069816?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/110856670214069816/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=110856670214069816&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110856670214069816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110856670214069816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/02/prolas-da-literatura-parte-i-eeeee.html' title='Pérolas da Literatura Parte I - EEEEE....'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-110788485335611898</id><published>2005-02-08T17:46:00.000Z</published><updated>2006-04-27T15:01:54.066+01:00</updated><title type='text'>Do Outro Mundo...</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Adoro aqueles programas em que os apresentadores perguntam, em jeito de conclusão, aos distintos convidados o que gostavam de ver no ano que agora se iniciou. Fim da fome, início da paz mundial, cura para todas as doenças. Chamem-me modesto, mas eu peço apenas para alguém não voltar a por o cd do Phil Collins o dia todo aqui no centro comercial. É mau demais para ser descrito por palavras, e a única imagem que me vem à cabeça sou eu com uma corda à volta do pescoço a tentar fazer com que o banco que me segura caia de uma vez no chão. E eis que, quando eu pensava que tinha atingido o pico do sofrimento audível, começam a intercalar Seal com Phil Collins. Durante horas. Basicamente é o mesmo que alternar entre qualquer tipo de tortura medieval com jogos do Benfica este ano. É mau demais para suportar.&lt;br /&gt;O mais curioso é que eu já tinha escrito isto há alguns dias. Confesso que pensei em não me pronunciar relativamente a este assunto, mas após três dias de audição contínua e ininterrupta a minha mente enlouqueceu de vez. A minha mão está constantemente a tentar agarrar em objectos pontiagudos e a espetá-los nos meus ouvidos. E eu sem controlo nenhum sobre as minhas acções. E, o pior de tudo. A música ainda toca. E toca.&lt;br /&gt;Recentemente recebemos a visita de uma reconhecida autora de livros para os mais estu.. perdão, os mais crentes: Alexandra Solnado. Paladina das conversas com o além, Alexandra Solnado tem mais um best-seller em mãos: O Eu-Superior. Consta que, fruto das suas avançadas comunicações com o outro mundo, a Vodafone está a pensar em contratá-la. Vodafone que, por sua vez, já tem um bom historial de relações com entidades que falam tu cá tu lá com o além. Basta ver o Benfica: tem uma equipa que valhas nos Deus. Nunca uma equipa pôs tanta gente a rezar. Voltando à Alexandra Solnado, cá esteve ela, a espalhar a sua boa disposição por todos os cantos deste estabelecimento. Para quem desconhece a obra (shame on you) Deus trata-a carinhosamente por "cabritinha". Ora, depois de a ter atendido, já fiquei a perceber porquê. A sua má disposição é divinal. Ela queria um livro, não sei bem precisar qual porque estava maravilhado com a sua presença, e pareceu bastante chateada por não haver. Tenho umas questões a fazer: Porque não perguntou a Deus se existia ou não? Não saberá mais Deus do que eu, um mero livreiro? Será que Deus também tem erros de stock? São questões pertinentes. Tendo inquirido Deus, ela escusava de ter vindo cá, poupando a si o trabalho e a nós a sua boa disposição.&lt;br /&gt;Outra situação curiosa prende-se com um facto que ocorre com alguma frequência: autores virem aqui à livraria para saber do sucesso (ou falta dele.) dos seus livros. Embora possa saber isso através da editora (fonte, ainda que duvidosa, bastante mais fiável) adoram vir aqui perguntar. Obviamente que, todos os livreiros como eu, não temos mais nada que fazer do que satisfazer os pedidos dos requintados autores. E convém termos atenção e decorar todos os stocks e respectivos movimentos de cada livro de cada autor português. O que é ainda mais engraçado é que os autores perguntam pelos livros mas nunca se assumem como tal. O problema é que se esquecem duma coisa: muitas vezes nós conhecemo-los. Fazem figura triste. Outras vezes ainda é melhor: não fazemos ideia de quem eles são, e à pergunta "Este livro tem vendido bem?" surjam respostas, como inclusivamente eu já ouvi: "Isso? Não, isso não vende nada, as pessoas não demonstram interesse nenhum nisso!", provocando expressões hilariantes nos autores. Imaginem que vem um autor chamado Tony (nome fictício, acontecimento verídico) aqui à loja. Ao indagar das vendas do livro de um autor chamado Tony, uma colega perguntou: "É o autor?" e ele respondeu: "Não, não, tenho só curiosidade!". Ao acabar de dizer isto, aparece uma senhora à porta da loja que diz: "Então Tony, o teu livro tá a vender bem?". O constrangimento é uma coisa tão bonita.&lt;br /&gt;Esta mesma colega participou noutro acontecimento caricato. Num momento calmo na loja, entra uma senhora completamente desvairada. Aproxima-se do balcão e diz, indignadíssima: "Fui ali à Fnac e, veja-me bem isto, nenhum funcionário sabe quem é o Tchaikovsky! Nenhum! Que vergonha!". A resposta da colega foi a seguinte: "Pois, sabe, a culpa não é deles. É da administração. Não lhes dão formação, não os ensinam, como quer que saibam?" Os níveis de indignação da senhora rebentaram a escala: "Eu vou ali à Fnac e dizem me que não sabem quem é o Tchaikovsky e agora, ainda pior, venho aqui e respondem me isto?" Faz me lembrar qualquer coisa. Ela ficou chateada , concerteza que ficou chateada. Secalhar é melhor a senhora ir a algum lado onde inclusivamente lhe dirão "ah e tal sim senhor."... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-110788485335611898?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/110788485335611898/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=110788485335611898&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110788485335611898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110788485335611898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/02/do-outro-mundo_110788485335611898.html' title='Do Outro Mundo...'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-110710932268013463</id><published>2005-01-30T17:36:00.000Z</published><updated>2005-01-30T18:27:27.630Z</updated><title type='text'>Na Iminência de Ser o Que Será</title><content type='html'>Na semana passada chegou uma encomenda com o bonito número de 450 livros, o que se veio a traduzir em 22,5 metros de etiquetas. Que diversão. Para piorar o caso, alguns dos livros não constavam da base de dados, o que significava que não se poderia finalizar a encomenda. Nestes casos à que recorrer a uma técnica samurai milenar: o pedido de abertura. E no que é que consiste o pedido de abertura? Simples (pelo menos para os mais dotados): inserir os dados referentes ao livro (título, autor, proveniência, tipo de livro, preço, etc, etc...). Há que referir desde já que, em 90% dos casos, todos os dados estão bem vísiveis nos livros. Greenpeace, esse monstro dos livros cujo balido faz tremer até os mais duros marujos do mar da literatura, esse salteador do cotão perdido, pegou num monte de livros e resolveu deitar mãos à obra. Qual treinador de pokemon, ele ia apanhá-los todos. E assim o fez. Aconchegou-se junto ao computador e lá começou ele a fazer os pedidos de abertura. Quando cheguei no dia seguinte, ao ver os pedidos de abertura todos feitos disse para mim mesmo: "Com mil raios, este homem é fenomenal, está tudo feito!". Tudo parecia em ordem para terminar a encomenda, mas a tragédia abateu-se sobre os céus da livraria umas horas mais tarde. O impensável aconteceu: 90% dos pedidos de abertura de Greenpeace foram rejeitados. Levado pela fúria, Greenpeace tenta corrigi-los, mas em vão. Foram novamente rejeitados. Tentou novamente, e novamente. E sempre com o mesmo destino: a rejeição. Imbuído de um espírito fraterno e altruísta, decidi partir eu na aventura de corrigir os pedidos. Ao fazê-lo, descobri algo que nunca tinha visto antes. Qual foi o meu espanto quando percorro a página do pedido até ao fim na ânsia de desvendar o erro, e dou de caras com algo chamado histórico do documento. Neste histórico vem discriminado as horas dos pedidos, as suas rejeições, e o porquê das rejeições. E é esse histórico que venho aqui transcrever, devido ao seu carácter único. Reparem bem, no ínicio do histórico tudo corria lindamente, mas a situação iria piorar... Tenha também atenção às notas deixadas pelo tribunal de decisão de pedidos de abertura.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://svrnotes2/ACT/ACT.nsf/850123d22d9eb04a80256ac5005a3228/18b44d002fbc190580256f92006e65d8?OpenDocument#_Section1" target="_self"&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;Histórico do Documento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;23/01/2005 20:05 (Sistema) Novo Pedido&lt;br /&gt;23/01/2005 21:05 (Sistema) Pedido Submetido por Greenpeace&lt;br /&gt;24/01/2005 18:03 (Tribunal) Pedido Rejeitado com a seguinte justificação: Insira o nome do autor correctamente, escolha o país de origem da editora, o tipo de encadernação e insira o nº de páginas.&lt;br /&gt;24/01/2005 19:20 (Sistema) Pedido Re-Submetido por Greenpeace (NOTA: Será Desta?)&lt;br /&gt;25/01/2005 12:50 (Tribunal) Pedido Rejeitado com a seguinte justificação: Verifique autor, país de origem da editora, tipo de encadernação e insira nº de páginas!!!! (NOTA: Irra que é chato)&lt;br /&gt;25/01/2005 14:33 (Sistema) Pedido Re-Submetido por Greenpeace (NOTA: Não desistas.)&lt;br /&gt;25/01/2005 14:50 (Tribunal) Pedido Rejeitado com a seguinte justificação: Verifique autor, país de origem da editora, tipo de encadernação e insira nº de páginas!!!! (NOTA: Quem é que contratou o Stevie Wonder para fazer pedidos de abertura?&lt;br /&gt;25/01/2005 15:03 (Sistema) Pedido Re-Submetido por Greenpeace (NOTA: Força Martunis)&lt;br /&gt;25/01/2005 15:10 (Tribunal) Pedido Rejeitado com a seguinte justificação: Verifique autor, país de origem da editora, tipo de encadernação e insira nº de páginas!!!! (NOTA: Tanto tsunami por aí e não há nenhum que leve este jovem.)&lt;br /&gt;25/01/2005 15:33 (Sistema) Pedido Re-Submetido por Greenpeace (NOTA: Alguem dê vaselina ao rapaz...)&lt;br /&gt;25/01/2005 16:04 (Tribunal) Pedido Rejeitado com a seguinte justificação: Verifique autor, país de origem da editora, tipo de encadernação e insira nº de páginas!!!! (Se erra mais uma chamem o Bibi por favor)&lt;br /&gt;25/01/2005 17:13 (Sistema) Pedido Re-Submetido por Greenpeace (NOTA: És mais chato que o Santana)&lt;br /&gt;25/01/2005 17:20 (Tribunal) Pedido Rejeitado com a seguinte justificação: Verifique autor, país de origem da editora, tipo de encadernação e insira nº de páginas!!!! (NOTA: Se fosses jogador de futebol eras o Iordanov)&lt;br /&gt;25/01/2005 17:41 (Sistema) Pedido Re-Submetido por Greenpeace (NOTA: Alguém diga ao rapaz que o Castelo Branco não é, eu repito, não é um exemplo a seguir, alguém lhe baixe a mão)&lt;br /&gt;25/01/2005 18:00 (Sistema) Pedido Aceite (NOTA: EEEH VIVAAAAAAAAAAAAAAAAA UAAAAAAAAAAAAAAAU Alguém dê a taça ao rapaz, já posso morrer descansada...)&lt;br /&gt;Para terminar, uma palavra de apreço ao colega Greenpeace, não só pela sua determinante falta de jeito a fazer pedidos de abertura, mas pelo seu sentido de humor (não se chateia com pouco o rapaz, e pelo título, sugestão do próprio. És grande.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-110710932268013463?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/110710932268013463/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=110710932268013463&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110710932268013463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110710932268013463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/01/na-iminncia-de-ser-o-que-ser.html' title='Na Iminência de Ser o Que Será'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-110545897159769531</id><published>2005-01-11T14:26:00.000Z</published><updated>2005-01-11T15:56:11.596Z</updated><title type='text'>O Pêndulo</title><content type='html'>Qual é o nível aceitável de conhecimento que deve ser exigido a um livreiro? Mais uma senhora da alta sociedade (mora talvez no quinto andar) visitou a loja trazendo consigo uma pergunta curiosa: "Olhe, destes livros toooodos (apontando para metade da loja) o que é teve primeira edição este ano?" Falhei, estive muito mal. Ela apontou só para cerca de 1000 livros. Devia saber no mínimo de cór os livros que saíram o ano passado. Depois de um ou dois tiros no escuro, que obviamente falhei, consegui irritar a senhora, que disse o seguinte: "Mas se o senhor não sabe, quem é que há de saber? O senhor está aqui a fazer o quê?" Pensei em dizer que estava a estudá-la para a poder retratar no meu blog, mas duvido que ela soubesse o que era isso, o que daria azo a eu ver me obrigado a perguntar: "Se a senhora não sabe, quem é que há de saber? A senhora está aqui a fazer o quê?" Quando ela saiu, dei por mim a subir ao balcão e a pensar em acabar a minha vida na livraria, tal o impacto que a senhora teve em mim. Decidi viver, debaixo do aplauso dos presentes.&lt;br /&gt;Realmente estas senhoras da alta sociedade são engraçadas. Têm piada, co'a breca. Era pegar numa mão cheia delas, pô-las em frente a uma cãmara e pronto, tinham programa. Não precisavam de motivo, nem de cenário, nem de nada. Deixeim nas falar e vão ver. Por exemplo: uma senhora queria um livro. De momento não tinhamos, mas a senhora queria encomendar. Depois de ter tomado nota dos dados da senhora (algo que demora cerca de 5 minutos, porque tenho de registar os 14 nomes da senhora, mais o telefone de casa e o celular, e o outro celular porque pode estar na ginástica ou a tomar o chá) ela diz o seguinte: "Olhe, se ligar e atender uma senhora MEIA estrangeira, não se assuste, diga só LIVRO, que ela depois diz me e eu percebo." Ora bem, temos aqui algo deveras interessante do ponto de vista sociológico: o MEIO estrangeiro. Não é português, não é estrangeiro. É apenas meio estrangeiro. Talvez nascido na fronteira com Espanha, talvez fruto de alguma experiência maligna, o meio estrangeiro está aí para ficar. Segundo a senhora, a inteligência do  meio estrangeiro é limitada, daí a necessidade de refrearmos o palavreado, sendo necessário usar somente a palavra LIVRO, pois algo mais do que isso faria o meio estrangeiro entrar em curto-circuito e explodir, manchando a carpete persa da cliente.&lt;br /&gt;A terceira senhora foi a estrela da companhia. Chegando cedinho, pela manhã, praticamente ao som dos galos, lá foi ela à procura de um livro de medicina veterinária para oferecer ao médico do seu cão. Não sei se é só de mim, mas oferecer um livro de medicina veterinária a um veterinário é um bocado mau. O pobre homem já faz disso a sua vida, tipo dissecar cães e gatos, fazer-lhes toques rectais e coisas que tais, e ainda por cima como agradecimente ainda recebe um livro que lhe explica as coisas que ele faz no dia-a-dia. Ou o senhor acima referido tem pouco ou nenhum jeito para a matéria (consta que a cadela Sissi da senhora antes de lá ter ido era um másculo pastor alemão chamado Rex) ou então a senhora acha que ele ainda pode melhorar. Porque não oferecer como forma de agradecimento livros de condução a estafetas ou mesmo livros de cozinha a cozinheiros? "A comida está tão boa que eu vou lhe dar um livro que ensina a cozinhar." Mas, isto nem sequer é a razão pela qual a senhora figura ilustremente no blog.&lt;br /&gt;Quando lhe peço amavelmente que me siga, com o intuito de lhe mostrar a secção reservada aos livros de medicina, a cliente, como é normal, dirigiu-se em direcção à única saída do balcão, provocando um congestionamento na livraria. Nem eu saía, nem a senhora se mexia. É habitual, mas ainda ninguém conseguiu explicar o porquê de as pessoas, cada vez que saímos do balcão para mostrar algo, em vez de aguardarem dirigem-se em direcção a nós, cobrindo a única saída. Enfim. Quando finalmente resolvemos o imbróglio e seguimos caminho em direcção à distante zona dos livros de medicina, a cliente pára entre duas secções. Chegado à medicina, noto logo que falta qualquer coisa: a cliente. Olho para trás e deparo-me com ela parada, ainda um pouco afastada, entre duas secções (livros de bolso e humor) de braço estendido, assim tipo futebolista abixanado, com a mão suspensa. Castelo Branco não faria melhor. Aguardei com expectativa o próximo movimento,  e o que se passou em seguida foi algo de mítico: a cliente leva a mão direita ao bolso (a esquerda continuava suspensa) e tira de lá um cristal preso a um fio. Boa, um pêndulo, pensei eu. De seguida, segura o pêndulo acima da sua mão esquerda ficando o pêndulo a cerca de 3cm das costas da mão, começando este imediatamente a girar à volta das costas da mão. A senhora estava concentradíssima, olha focado no pêndulo, não se mexendo um milímetro. E eu ali, especado, agarrado aos livros de medicina. Nisto se passaram talvez 5 minutos. Parecendo ter acabado, a cliente diz umas frases para ela própria e dirige-se para mim. Pensei que era algo estranho, mas já vi tanta coisa nesta loja que não fiquei afectado com aquilo. Já com a senhora ao meu lado, começo a procurar livros de medicina veterinária para ela. Estava dificil a busca, o pó era muito, o que me fez demorar uns minutos, facto que se veio a revelar fatal. A senhora saca do pêndulo em poucos segundos (vê-se que treinou e que está habituada a fazê-lo ao mais alto nível e nos maiores palcos europeus), estica a mão abichanada e volta a apontar o pêndulo, voltando este a girar. Deixou-me ali, ao seu lado, como nem sequer existisse. Passado pouco tempo, tive de vir ao balcão e ela lá ficou, a falar sozinha e a rodar o pêndulo durante uns bons 10 minutos. Voltou a guardar o pêndulo e a proferir algo que parecia uma oração e abandonou a loja. Há quem tenha medo, há quem goze, há quem respeite. No que toca a mim, pouco mudou aqui na loja. Sinto apenas uma leve dor de cabeça quando paro nos sítios em que a senhora usou o pêndulo, e ultimamente a minha bisavó, que morreu já à algum tempo, tem vindo aqui comprar uns livros de origami. Fora isso está tudo na mesma, portanto não há que temer.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-110545897159769531?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/110545897159769531/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=110545897159769531&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110545897159769531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110545897159769531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/01/o-pndulo.html' title='O Pêndulo'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-110493295266785364</id><published>2005-01-05T11:58:00.000Z</published><updated>2005-01-05T13:49:12.666Z</updated><title type='text'>Isto é Verídico</title><content type='html'>Como diria o companheiro Greenpeace, isto é verídico. Tudo começou quando chego de mais um sossegado almoço e sou imediatamente chamado ao back office pelo mestre gerente livreiro. A urgência da chamada deixou-me um pouco preocupado, porque desta vez não tinha estragado nada ou não me tinha esquecido de nada. Pelo menos que me lembrasse, o que também não me ajudava muito. Mas não, não era nada comigo. "Olha, teve cá uma senhora que queria ser atendida por ti." disse ele, já sem conseguir conter o riso. Chamou os colegas para confirmar, e todos confirmaram. "A senhora queria ser atendida pelo senhor do blog." Duvidoso, pensei eu. E com razão. Era tudo mentira. "Mas, devias ter cá estado..." disse o gerente, passando depois a descrever me pormenorizadamente o que se passou. E o que se passou foi o seguinte, e atenção, isto é verídico: A senhora aproxima-se do balcão, onde se encontrava o senhor gerente, e de imediato iniciou os contactos: "Está a ver isto?" apontando vigorosamente para o canto da boca. A resposta foi positiva. "Está bem a ver isto?", apontando novamente para a boca, ficando mais nervosa. Depois continuou: "Está a ver aqueles livros deitados? Fui eu que os deitei. Porque ontem, quando ia tirá-los, levei com eles na boca!". A senhora era a personificação da fúria. Com toda a experiência e qualidade que lhe é reconhecida, o mestre livreiro respondeu um coloquial "E?". Brilhante. A cliente é que não achou piada. "E?!?!??! E!?!?!?!? Isso é resposta que se dê? E?!?!?! Devia me pedir desculpa!". Como o senhor doutor gerente não gosta particularmente de gritos, tentou refrear a conversa dizendo: "Minha senhora, se é isso que pretende, eu peço desculpa." Ela continua furiosa, e responde afirmativamente. "Então, desculpe." diz o gerente, ao que ela responde: "Desculpe? DESCULPE! Quero desculpas mas não com esse sarcasmo!" A perturbação da cliente era evidente, e lá saiu, furiosa como entrou. Mais um episódio curioso, entre muitos outros, mas que pensámos que tivesse acabado. Não podíamos estar mais enganados.&lt;br /&gt;Ontem à tarde, com a loja relativamente calma, estava cada um para o seu lado a arrumar uma parte da loja, mais uma pessoa ao balcão. Tudo calmo, as arrumações estavam a ir bem, finalmente a livraria está com um aspecto minimamente apresentável. Estava a dedicar a minha atenção à zona da medicina, quando vejo um livro de BD entre os pesados livros de anatomia. Boa, pensei eu, mais uma maravilha da funcionária pública da nossa livraria. Pego no livro, e, enquanto me dirijo para a secção respectiva, vou folheando-o lentamente como costumo fazer com os livros que não conheço. Chegado à zona de BD, deparo-me com um cenário devastador: a zona do esoterismo estava virada do avesso. Prateleiras semi-vazias, livros sem ordem,  na base das estantes um caos como nunca antes tinha visto, e pior, livros espalhados pelo chão. Então, antes sequer de ter tido tempo de me virar para a loja e perguntar que hecatombe teria passado por ali (ainda por cima porque, recentemente, tinha sido eu a arrumar aquela secção), ouço uns berros, tipo mistura de guinchos com grunhos, foi qualquer coisa dificil de explicar.  "PELO MENOS NÃO ME CAIRAM EM CIMA!". A atenção de todos os presentes para a loja virou-se para uma criatura que trajava de branco, parada a meio da loja. Continuou: "A VINGANÇA SERVE-SE FRIA! VINGANÇA! NÃO ME CAIRAM EM CIMA PORQUE FUI EU QUE OS ATIREI AO CHÃO!" A minha reacção roçou a estupefacção, pelo que esbocei um sorriso provocado pela situação inacreditavelmente ridícula. Virei as costas e comecei a apanhar os livros, quando ouçou passos ao meu lado. Quando os passos cessam, os berros voltam: "ESTÁ SE A RIR?!?! NÃO TEM PIADA!" Eu, mudo de sítio e arrumo outro lado. O bicho persegue-me, continuando com os berros: "VOCÊ ESTAVA CÁ VOCÊ OUVIU O QUE O SEU GERENTE DISSE!" Eu não estava lá, mas enfim, não se contraria os  loucos. "E?!?! E?!?!?! ACHA QUE ISSO É UMA RESPOSTA QUE SE DÊ?!? ATIREI AO CHÃO TUDO, NÃO ME ACERTARAM NA BOCA, TENHO JÁ UMA NODOA NEGRA, E AGORA O QUE É QUE EU FAÇO?" E aí, dirigiu-se rumo à porta, parando ainda para delirar sobre vingança e livros caídos. Ficámos todos em silêncio, a olhar uns para os outros, ninguém sabia bem o que dizer. Que mente retorcida é capaz de chegar a uma loja e atirar livros para o chão? Tudo bem que a governação de Santana Lopes não foi famosa, e ok, ele e Paulo Portas consumaram a união de facto, mas nada justifica isto meus amigos. Apelo aqui à calma. Será que o nosso querido Presidente da República também a pode dissolver?&lt;br /&gt;Os livros que a atingiram na face, mais propriamente no canto da boca, foram uns manuais de TAROT. Pois, queria saber o futuro era? O futuro não digo, mas estrelas deve ter visto. Aposto que o horóscopo dela dizia: "Saúde: ATENÇÃO! Tenha cuidado com os problemas na zona da boca." Nunca a ensinaram a não brincar com o TAROT? É o que dá. Agora é que pode dizer que conhece o TAROT bem de perto. Aposto que a carta preferida de TAROT dela é a BOCA. Ela agora está qualificada para "falar" de TAROT. É mesmo uma mulher com o TAROT na ponta da língua. Deviam mudar o nome do livro para "TA-quieta ou levas com isto na boca". É tão esotérica mas não previu que o livro ia cair. (Foi a tentativa de entrar no Guiness com o maior número de chalaças sucessivas sobre TAROT mas sem piada nenhuma.) Realmente não estava lá quando os livros caíram, embora gostasse de ter estado. Para alcançar os livros da última prateleira, é necessário elevar o braço (caso seja uma pessoa com uma altura que ronde 1,70m)  a um angûlo de aproximadamente 50º. Portanto, e tendo em conta a base alargada das estantes que tem espaço para conter livros, seria necessário uma posição estranha para ser atingida na boca por um livro. Ou isso, ou então ela puxou os livros com demasiada força em direcção a ela. Mas, digo desde já: não ponho de parte a hipótese da cliente ter tentado mesmo tirar o livro os dentes, ou então ter tentado tirar o livro de costas, tentando fazer algo parecido com a ponte. Pela maneira de agir dela, diria que o livro a tinha atingido em cheio na cabeça.&lt;br /&gt;Fica no ar a dúvida: irá voltar? Aguardemos então. Eu só sei que vou estar atento, não vá cair me nada em cima. E, não se esqueçam: Isto é verídico.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-110493295266785364?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/110493295266785364/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=110493295266785364&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110493295266785364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110493295266785364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2005/01/isto-verdico.html' title='Isto é Verídico'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-110228499710065329</id><published>2004-12-05T22:11:00.000Z</published><updated>2004-12-05T22:16:37.100Z</updated><title type='text'>Divididos</title><content type='html'>Daquelas personagens típicas da loja há um que marca indelevelmente um dos nossos colegas. Obviamente, e como seria de esperar, não vou dizer o nome deste meu colega porque sei que, com toda a certeza, a sua popa cairia. Vocês sabem do que eu estou a falar. Relativamente à personagem em si, não há consenso quanto ao nome a atribuir lhe. Bicicletas para uns, bandeiras para outros. A divisão está instalada. O primeiro (e, sem dúvida mais importante contacto) ocorreu entre ele e o meu colega Mourinho. E esse encontro, passado numa penosa câmara lenta, marcou os para sempre. Imaginem… Cabelo ralo, braços atrás das costas, anafadinho, andar lento e desconexo. Nos lábios, sempre um sorriso que parece querer descambar em riso. Chega ao balcão, e começa a movimentar-se, dando a entender que vai encetar comunicações. Acontece, como quase sempre, aquele momento em que o cliente ameaça que vai falar mas depois opta por um silêncio incómodo. Aí, seríamos nós que devíamos encetar a conversação, mas estamos num impasse porque o cliente iniciou a comunicação. Até que enfim decide-se a falar. E mostra desde logo um dos seus principais atributos. A voz. E que voz, meus amigos, que voz…Ao pé do nosso cliente, o Nuno Guerreiro é um verdadeiro Conan másculo e viril, um barítono heterossexual de várias mulheres. A sua voz de contra-tenor eunuco, um verdadeira castrati,  ecoa estridentemente pela loja, e quase sempre nas piores alturas. E o que deseja esta personagem? Simples. Livros de bandeiras. Agora imaginem, o meu colega, aparentemente sossegado no balcão, quando é confrontado com a seguinte situação: “Tem livros de bandeiras?” pergunta ele, no seu estilo eunuco. “Não, de momento não temos nada.” Responde cordialmente o meu colega. “E costumam ter?” “ultimamente não…” “e vão ter? estão à espera?” “Não lhe sei dizer…” “E são em português?” “Um ou outro…” “E são grandes ou pequenos?” “depende…” “E vão receber agora?” “Depende das editoras…” “E tem muitas bandeiras? E imagens? Em português?” “Depende do livro…” E por aí em diante, a conversa prolonga-se até ao infinito da paciência humana. Agora imaginem-se a ter que responder às mesmas perguntas num curtíssimo espaço de tempo, ao mesmo tempo que tentamos bloquear a situação toda, para não termos um violento ataque de riso. Claro que o risco de isto acontecer é directamente proporcional ao número de colegas ao nosso lado no balcão. E quando o meu colega pensava que já tinha passado o pior, ele volta a atacar: “E livros de bicicletas tem?” “Penso que não…” “E gosta? Gosta de bicicletas? Tem de ter cuidado, senão cai…”. Conhecendo o meu colega, aposto que por momentos passou lhe pela mente a tentação de dizer: “TU GOSTAS É DE ANDAR SEM SELIM!”. Bom, isso seria no mínimo curioso.&lt;br /&gt;Quando encontrei este cliente pela primeira vez, tinha Greenpeace ao meu lado. E, como podem calcular, tivemos que evitar o contacto visual um com o outro, porque sabíamos que mal olhássemos um para o outro iríamos rir perdidamente. E, num momento raro de fraqueza, Greenpeace sucumbiu à pressão e fugiu para o back Office. O resultado foi só um: tive de aguentar sozinho, as perguntas do costume: “tem livros de bandeiras?” “São em português?” “Costuma ter?” “Quando vai ter?” e por aí em diante, até chegar às bicicletas. E é daqui que vem a discussão quanto ao nome. Se, por um lado, o seu primeiro amor são as bandeiras, o seu fervoroso interesse nas bicicletas faz com que outros pendam mais nesta direcção.&lt;br /&gt;Desde esse primeiro encontro, o meu colega tem fugido dele como o Ricardo dos cruzamentos. Um dos episódios que recordo com facilidade consiste no seguinte: estava eu ao telefone com outra loja, à procura de mais um livro que não ia de certeza encontrar, quando olho para o balcão e vejo um vulto parado junto a este. Quando olho a segunda vez para ver se o cliente estaria à espera de ser atendido, parar chamar um colega, eis que reconheço a personagem: o bandeiras! E, pior de tudo: ele viu que estava a olhar. Ele viu que eu o reconheci. Então, alargou ainda mais o seu largo sorriso, e levantou a mão direita, dobrando o braço pelo cotovelo, num movimento único e firme. E eu… Bem, eu fugi, já a tentar controlar a explosão de riso. E, quando deveria ter chamado um colega imparcial, o que eu faço é, evidentemente, como bom colega, chamar o colega Mourinho. Entro no back Office, disfarço o riso e digo, com o ar mais sério possível: “Colega Mourinho, está ali um senhor para si.” Ele levanta-se apressadamente da cadeira que ocupava, e voa para o balcão. E, tão rápido como saiu, volta a entrar, com apenas 3 apoios, no back Office. Mas, desta vez, o seu destino não foi a cadeira que habitualmente ocupa. O seu destino foi a porta. Mais precisamente, o espaço entre a porta e as estantes. Espaço esse que ele encurtou, abrindo ainda mais a porta. Quando ouço o barulho e olho nessa direcção, pensando que o som vinha da loja, vejo o meu colega escondido, quase espalmado, atrás da porta do back Office, enquanto se ria perdidamente. Eu vi nos olhos dele o pânico, a agonia. E deixei-o lá ficar. Teve que ser o diplomata Greenpeace a resolver a questão.&lt;br /&gt;O meu segundo encontro com ele ocorreu quando recebemos a visita de um ilustre administrador. Como devem calcular, não é a altura mais ideal para dar de caras com um personagem que tem em si o potencial para nos fazer rir. E a bandeiras despregadas. Portanto, neste caso, a luta foi ainda mais forte. Ele fez as perguntas do costume, eu dei as respostas do costume. Ele ia sorrindo maliciosamente, como adivinhando o meu sofrimento, e divertindo-se com isso. Entretanto, eu ia pensando em tudo e mais alguma coisa menos na situação que estava a viver, tentando ganhar o confronto. E, quando finalmente foi embora, respirei de alívio. O venerável administrador não deu por nada.&lt;br /&gt;O derradeiro encontro do 3º grau foi o mais original de todos. E porquê? Porque, miraculosamente, ele tornou-se num cliente quase perfeito. Tirando a voz aguda que fere os ouvidos. E os tiques abixanados. Mas, reparem. Ele chegou ao balcão, e começou com as perguntas do costume. Mas, desta vez, espantem-se, ele próprio dava as respostas. O monólogo foi qualquer coisa assim: “Tem livros de bandeiras? Não, pois não? E costuma ter? De vez em quando não é… Pois… E, quando é que vai ter? Agora com o Natal é capaz de receber não é? Acha que vai ter em breve? É melhor ir passando, pois… Boa noite então, adeus…” Brilhante…&lt;br /&gt;Nós já chegámos ao ponto de, depois de termos recebido um livro sobre bandeiras, termos colocado o livro no balcão de forma completamente visível. Estamos mesmo a pedi-las…E com o Natal aí a chegar, adivinham-se mais visitas. Venham elas!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-110228499710065329?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/110228499710065329/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=110228499710065329&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110228499710065329'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110228499710065329'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/12/divididos.html' title='Divididos'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-110142296223848375</id><published>2004-11-25T22:17:00.000Z</published><updated>2004-11-25T22:49:22.236Z</updated><title type='text'>Never Fear, X-Mas is Near.</title><content type='html'>Bem, aqui estou, o ausente Livreiro, para sossegar os mais desassossegados. Não pereci. Não fui atacado por nenhuma tia desvairada e alcoólica nem me caiu o livro do Da Vinci que vale 165€ na cabeça. Mas, devo dizer que, para felicidade dos presentes na loja nesse momento único, levei com uma chuva de Degelo (livro de Agustina Bessa-Luis, e atente-se a ironia do título) em cima, quando me preparava para empilhar mais uns livros com George W. Bush na capa. Mais uma vez, Bush é o responsável por uma desgraça. A verdade é que me encontro mergulhado em trabalho. Parece que vos oiço: “Ah livreiro, já que és livreiro, podias pelo menos fingir que trabalhas…”. Concordo que já estava na altura de fazer qualquer coisa. Lembro-me como se fosse hoje, parece que ainda agora, neste preciso momento, estou a ouvir o Greenpeace dizer, enquanto pegava nuns livros para arrumar: “Então, quando é que vens de férias?”. Obviamente que esta pergunta não me apanhava incauto, mas mesmo assim há que felicitar Greenpeace pela piada. Claro que outros caíam na esparrela humorística dele. É o delírio. Isto não é uma loja, é praticamente um cabaret.&lt;br /&gt;Tenho que vos confessar também que, para minha profunda tristeza, o nível médio de personagens por semana diminuiu drasticamente. Não sei se tem algo a ver com o novo governo ou não, mas esse facto tem vindo a atrapalhar e de que maneira a minha produção literária. Por vezes, olho para certos clientes como se vislumbrasse um oásis, na ténue esperança de que esses clientes venham a proporcionar momentos dignos de figurarem nesta página. Olho para eles e penso: “Vá, tu consegues. Sê anormal. Eu sei que queres.” Mas, não resulta. Nem o próprio professor Sarna conseguiria tal feito telepático.&lt;br /&gt;No entanto, é com pompa e circunstância que venho por este meio anunciar que o bloqueio já foi, e que a produção de novos episódios já está em marcha. O Natal aproxima-se, e com o Natal vem o Pai Natal, as renas, as prendas e claro, milhares de clientes prontos para deslumbrar com a sua estupidez. E, sendo responsável pela zona esotérica, começo a ter previsões. Prevejo, além do já habitual e agradável humor psicológico, humor físico. E porquê? Simples, diria mesmo elementar. Digamos que, apenas a título de exemplo, a loja deveria ter 5.000 livros para estar com uma apresentação razoável. O que acontece é que, e até ao momento, quando ainda está muito para chegar, a loja terá cerca de 15.000 livros. Portanto, o espaço de movimentação é por vezes diminuto e requer alguma coordenação na locomoção. O que nos leva a uma conclusão muito simples: se há clientes que possuem somente 2 neurónios, sendo 1 para respirar e outro para (tentar) comunicar, o acto de andar, especialmente por sinuosos caminhos ladeados de livros torna-se uma tarefa verdadeiramente impossível. É que há clientes quase tão instáveis como a coligação (quase). E meus amigos, isto não é dizer pouco!&lt;br /&gt;A recessão parece ter afectado todas aquelas boas pessoas que gostam de ler (ou que têm que ler) e o resultado das vendas têm descido quase ao nível da equipa do Sporting.&lt;br /&gt;O que só por si traz um indesejado aumento nos níveis de stress de vários colaboradores, já de si basntante elevado devido ao elevado indice de entrada e saídade de trabalhadores. Parecemos o Benfica na remota e nefasta época de Artur Jorge.&lt;br /&gt;Enfim, a época promete. E eu prometo estar aqui, qual Gabriel Alves sóbrio, para comentar e apreciar a capacidade técnico-táctica e respectivo baixo centro de gravidade dos clientes.&lt;br /&gt;Fiquem atentos…&lt;br /&gt;Voltei.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-110142296223848375?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/110142296223848375/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=110142296223848375&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110142296223848375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/110142296223848375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/11/never-fear-x-mas-is-near.html' title='Never Fear, X-Mas is Near.'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109883666814934144</id><published>2004-10-27T01:29:00.000+01:00</published><updated>2004-10-27T01:24:28.150+01:00</updated><title type='text'>Quero um post só para mim!</title><content type='html'>Atenção. Preparem-se. Não, não é o Bush que vem aí roubar o vosso petróleo. Pelo menos ainda não. Digo eu. É algo de muito maior e mais importante. Ajoelhem-se perante a maior personagem que alguma vez colocou o pé no nosso estabelecimento.&lt;br /&gt;Faltavam apenas 10 minutos para as 23 horas da noite. Já conseguia avistar ao longe a hora de me ir embora, e corria para ela com todas as forças. O dinheiro contado, a caixa pronta a fechar, em 5 minutos estaríamos longe dali. Mas, eis que aparece algo que vai arruinar todos os meus grandiosos planos de fuga. Nem sei bem o que lhe chamar, é algo maior do que tudo o que já vi naquela loja. Ainda hoje à tarde pensei estar a alucinar. Olho para a secção de literatura estrangeira e vejo um gigante louro a puxar a cadeira para se sentar lá. No mínimo estranho. Depois, ao olhar melhor, vejo um gigante louro que parece me ser o Peter Schmeichel, famoso guardião do Manchester United e que teve uma passagem pelo Sporting. Aí pensei: Preciso de descansar, ando a trabalhar e a ver futebol a mais. Mas não, era mesmo ele. Bom, pensei que aqui já tinha ganho o dia, mas nada me podia preparar para o que veio ao fim da noite.&lt;br /&gt;A senhora chega ao balcão com um livro na mão, já meio cambaleante. Pergunta por livros de acupunctura e o sempre profissional Greenpeace acompanha-a até à secção correspondente. Começam numa conversa animada sobre idades e idades dos pais. E ali fico eu, a contar a caixa, sossegado da vida. Quando eles voltam começa o espectáculo. Primeiro, começa a atacar violentamente e, há que dizer com toda a frontalidade que a cliente merece, com muita piada, chegando mesmo a imitar perfeitamente expressões corporais levando o público (eu e o Greenpeace) ao delírio. Os ataques verbais à colega eram violentos e incisivos, e toda e qualquer tentativa de defesa da nossa parte tornava-se imediatamente infrutífera. Desde focar o seu lado intriguista, a falar do que ela fez noutra loja, das confusões todas, da falta de sexo, e de haver probabilidade de ela se fazer a todos, ela estava em toda a parte. Não falhava uma, tremendamente implacável. Aí, começa a falar da sua vinda a este centro comercial. Dizia ela: “Olhem, eu, eu andava aí a passear e só dizia: mas esta merda cheira a frango, este centro comercial cheira a PODRE. Olhem, fui a ver era eu, é o frango que trago dentro deste saco!” Tenho que salientar o facto de que metade das coisas que dizia eram acompanhadas de um enrolar teimoso da língua e uma diminuição do volume e intensidade da voz à medida que ia falando. Eu lá ia contando o dinheiro e ela ia dizendo: “O seu colega está a contar o dinheiro. Está com pressa. Deve estar a pensar: esta gaja vem me para aqui falar e nunca mais se vai embora. E imagino. Eu vou me embora e vocês desatam a dizer: Já me viram aquela louca? Sim, porque eu trabalho no Egas Moniz, já estou louca.” Mais uma declaração acompanhada de um riso impossível de conter. Depois falou do seu hospital, como o governo quer que os hospitais dêem dinheiro e não prejuízo. Mostrou-se totalmente contra: “Eu disse ao meu chefe: olhe, se isso é verdade então eu empurro-me da janela. Os colegas perguntaram-se estava louca, disse que sim.” Por diversas vezes demonstrou o seu desagrado com a sociedade em que vivemos: “Esta vida está uma merda. Este país, está uma merda. Vocês jovens e formados e estão aqui. Acham justo? Eu não!” Nós assentimos, ela continuou. “E há muitos jovens perdidos, e o casamento. Olhem eu casei me com 21 anos. Com um homem 20 anos mais velho!” Nós sorrimos, dissemos que não havia problema nisso. Ela respondeu: “Há pois, ele morreu à 3 meses, teve um enfarte.” Silêncio… Ela continuou, como se não fosse nada. “A diferença não se notava. Eu ia com ele e com as minhas filhas, ainda nos carrinhos de bebé para as discotecas. Se calhar é por isso que ela odeia discotecas. Por falar nisso, já viram aquelas velhas de saltos e mini-saias nas discotecas? A engatar homens mais novos, miúdos! Depois Caiem e partem-se todas mais as artroses e o carago.” Não parava: “Já se faz tarde e vocês querem fechar isto, dê-me lá a Farah Diba e um livro de Ioga e Acupunctura. Sabem, os americanos têm pistolas de acupunctura. E fazem tudo sozinhos. Self made man. Não posso quando os homens de 30, 40 anos andam para aí a chamarem MAN uns aos outros, parecem uns putos. Mas os americanos é que sabem, fazem tudo sozinhos. Aqui se somos mais inteligentes que os outros somos fornicados pela sociedade!”. Nos íamos sempre dizendo que sim, na ânsia que a senhora se fosse embora. Mas não. “Você tem cara de sono” Dizia ela para o Greenpeace. “Eu estou aqui a dizer parvoíces e nem se ri. Você tem um olhar meigo”. Eu acrescentei, disse que ele era um bom profissional, ao que ela retorquiu: “Não, ele tem um olhar meigo, você tem um olhar sério!”. Sou o livreiro, não há mais nada para dizer. Consigo trouxe também um livro de Tai Chi. Olhou demoradamente para a capa e disse: “Olha a figura de parva desta! Parece uma anormal de braços levantados. Se isto dá felicidade vou ali já venho. Olhem, tenho um amigo oftalmologista, que queria reformar-se, então fingiu que era louco e chegou um paciente e disse lhe ah dou.. eu.. .sei.. não.. Uma nuvem e… sint… olho… mal… sabe?” Isto foi exactamente o que ela disse, nós também não percebemos. E continuou: “Bem, quando os pacientes diziam isto, ele respondia que também tinha muitos problemas. Assim, arranjou, em vez da reforma, um processo disciplinar. Devia-se atirar da janela” O que é que isto tem a ver com Tai Chi? Nós também não sabemos. “Mas olhem bem para ela, parece uma mongolóide (e imitava as poses da mulher!). Parece é a vossa amiga! Eu sei que vocês estão desejosos de ir.” Não, não diga isso… Finalmente conseguimos passar o livro, depois de muita conversa e ela diz: “Tanto dinheiro? Tão me a mexer na carteira! Este país está mesmo mal. Os jovens não têm dinheiro para nada. Tem de levar uma vida horrorosa. É só comer, dormir, trabalhar e ir à casa de banho. Acham essa vida boa? E essas notícias, que dizem que o mundo está em crise, é tudo mentira. TUDO. Eu estive na Europa, e até na vizinha Espanha não é assim! Portugal é o país da Europa com mais psicoses! Lá em casa, quando dão as notícias digo: DESLIGUEM ESSA MERDA! Têm televisões no quarto, usem-nas. Mas eu sei. Quando são jovens não gozam, depois não reparam, mas quando chegarem a velhos vão ver!” Isso é tudo muito interessante, pensava eu, mas agora posso fechar a caixa? Ao fechar a caixa disse: “Lá está ele a contar o dinheiro. Então isso está bem? Se não estiver bem, diga ao seu gerente que estiveram a aturar uma maluca necessitada e com problemas, uma maluca. Bem, o que até é verdade, eu sou maluca. Querem um conselho? Nunca se exponham demasiado, como eu fiz aqui agora. Mantenham-se discretos.” Depois voltou ao Tai Chi: “Sabem o que quer dizer Tai Chi?” O Greenpeace saiu-se com uma boa: “Não, o que é?” e a senhora: “Não sei, por isso é que perguntei” e ele: “AH. Pensei que fosse explicar!” ao que a cliente responde: “Não, não perguntei a si, perguntei a alguém que me explicou. E é o seguinte: Significa caminho para a energia, através da mão e do pé. É.” Depois olhou para o livro de acupunctura e diz: “Olha para este homem Se isto é saudável vai lá vai! Que feio!” Depois centrou a sua atenção no livro de Yoga: “Epah, estas orientais são mesmo bonitas.” Greenpeace não se conteve mais uma vez e chamou a atenção da senhora para o facto de a rapariga da capa não ser oriental. A reacção foi a que passo a descrever: “Pois, não me admira. Elas são todas bonitas assim. O meu irmão uma vez dormiu com uma mulher e quando acordou no dia seguinte disse: O QUE É ISTO!!! E só lhe apetecia saltar pela janela. Daí em diante disse me que quando saísse com uma mulher queria que ela se lavasse primeiro, para ver como ela realmente é. Disse que ele era louco, que elas não fariam isso.” Temos portanto um problema congénito. E já vimos também que a cliente tem um fetiche com atirar-se ou alguém se atirar das janelas. Ao caminharmos para a porta, ela sempre a acompanhar-nos disse o seguinte: “Desculpem estar aqui sempre a falar, só não me cai a dentadura porque não é placa!” E riu-se. Nós ficámos serenos. Ela abana o braço do Greenpeace e exclama: “NÃO ME CAI PORQUE NÃO É PLACA! PERCEBEU? É UMA PIADA! PI-A-DA! VOU DIZER OUTRA VEZ: NÃO ME CAI PORQUE NÃO É PLACA!” Depois, contou um bonito caso da vida real: “Por falar em dentadura, lá uma rapariga que é assistente social foi a casa de uma senhora de idade, e ela tirou a peruca, a prótese do olho e a dentadura. Quando a assistente social a viu saiu a correr pela porta!” Aí está, eu era para acrescentar que ela tinha se atirado pela janela, mas desta vez não. E riu-se, perdidamente com a sua história. Há que frisar que neste momento já eram 23:45,  já a maior parte das portas do centro comercial se encontravam fechadas, o que me obrigou a dar uma grande volta. E eis que, finalmente, largou-nos e foi à sua vida. Mas deixou um bocado dela, e nós agradecidos. Volte sempre, o meu blog necessita de si!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109883666814934144?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109883666814934144/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109883666814934144&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109883666814934144'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109883666814934144'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/10/quero-um-post-s-para-mim.html' title='Quero um post só para mim!'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109862169193059434</id><published>2004-10-24T13:36:00.000+01:00</published><updated>2004-10-24T13:41:31.930+01:00</updated><title type='text'>Inserir bolinha vermelha aqui.</title><content type='html'>Certamente, os mais atentos, já ouviram falar da polémica em torno do livro AS MULHERES NÃO GOSTAM DE FODER. Por uns míseros 2,5€ podemos descobrir esse mistério que preocupa a humanidade desde o seu nascimento. Escrito por um tal Alvarez Rabo, o livro foi, e segundo o autor, escrito em 21 horas, 23 minutos e 3 segundos. Uma eternidade, portanto… Em Viseu, o livro foi retirado da montra de uma livraria devido a ter sido considerado impróprio. Como não podia deixar este episódio contribuiu e de que maneira para o aumento da popularidade e consequentemente das vendas do livro. A simples presença do livro no estabelecimento, colocado entre os demais livros que vendemos, suscita situações curiosas.&lt;br /&gt;Temos o caso mais comum, que é o do cliente que chega e diz: “Olhe, tem aquele livro?”. Claro que, não sabendo de que livro é que o senhor se estava a referir, a resposta só podia ser uma: Que livro? O cliente continuou: “O senhor sabe, AQUELE livro. E eu continuava a explicar ao senhor que se não me dissesse o título ou o autor que não saberia que livro era. “Aquele livro, que se fala muito agora, aquele…” Depois afastou-se, fez uns telefonemas. E voltou. “Boa tarde…” diz o cliente, e eu respondo na mesma moeda. “Tem aquele livro?” Este cliente deve ter graves problemas, pensei eu. E continuou “Aquele, aquele que tem aquele título, o senhor sabe…” Não, não sei. Não sou adivinho. “É aquele título, eu não posso dizer, não se diz”. Mas que belo contra senso: não se diz, mas lê-se. Adoro os falsos pudicos. Até que me fartei da brincadeira e lhe fui buscar o livro. Ele agarrou o livro como se tratasse da sua salvação. Obviamente que o título fica virado para si, para ninguém ver as imundices que ele anda a ler. Aparecem também alguns clientes que dizem: Quero o livro As MULHERES NÃO GOSTAM DE QUALQUER COISA. Realmente até seria um título apropriado, porque as mulheres não gostam de muita coisa.&lt;br /&gt;Depois temos os clientes a sério, que chegam ao balcão e dizem: “AS MULHERES NÃO GOSTAM DE FODER, por favor.” O por favor no fim da frase, apesar de sinónimo de boa educação, dá um tom extremamente estranho à frase. Ou então: “Vim cá buscar a minha encomenda, AS MULHERES NÃO GOSTAM DE FODER. A sua colega que ligou foi extremamente profissional. Disse o nome com todo o brio e profissionalismo, nem se engasgou ou vacilou. Os meus parabéns.” Pelos vistos adorou ouvir uma mulher a pronunciar o título. Outros ficam maravilhados com o preço. 2.5€. Para uns rabiscos que parecem feitos por um miúdo de 8 anos e um texto por um miúdo de 12., parece me bem. &lt;br /&gt;Como não podia deixar de ser, há sempre um cliente que quer ser maior e melhor que os demais. Chega ao balcão, atira o livro para cima deste e diz: “Agora é que vou perceber porque é que elas não querem!” Sem obter qualquer tipo de reacção, o cliente prossegue, triunfante: “Onde é que se paga, é aqui?!” e continuou “Bem, mas isto é tudo mentira, porque elas querem!”. Como se vê, o senhor era versado na arte das relações e, resta-nos aguardar e observar atentamente, na vã esperança de aprendermos qualquer coisa. “Elas gostam. Quando são bem fodidas gostam! Não acha?” Assentimos e limitamo-nos a aprender, enquanto o homem continuava: “Claro, quando chegam a casa bêbados e a cheirar a vinho elas não querem!”. Frase verdadeiramente sábia, digna de figurar num livro da Arte Plural. Depois, atira o dinheiro para cima da mesa. Muitas e variadas moedas. Em seguida, aponta e diz: “Quanto custa? Pode escolher, tire à vontade!” E lá foi ele, todo feliz da vida, pronto a descobrir um dos maiores e mais bem escondidos mistérios da nossa vida terrena. &lt;br /&gt;E aí está, agora mesmo, mais um cliente na senda do conhecimento universal, chegou ao balcão e interrompeu as conversas que decorriam com os clientes e inquiriu, fanaticamente: “Vendem a playboy americana???” Não, não vendemos, provavelmente, com muita pena da maior parte dos nossos clientes.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109862169193059434?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109862169193059434/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109862169193059434&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109862169193059434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109862169193059434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/10/inserir-bolinha-vermelha-aqui.html' title='Inserir bolinha vermelha aqui.'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109835106285456085</id><published>2004-10-21T10:30:00.000+01:00</published><updated>2004-10-21T10:31:02.853+01:00</updated><title type='text'>Hilda Furacão</title><content type='html'>O Natal aproxima-se a passos largos, e com ele vem todo o caos e aumento no fluxo de pessoas, livros e dinheiro. O 	que é uma boa notícia. Pelo menos para alguém. Este caos vai aumentando lentamente, quase sem se dar por ele, provocando assim alterações na nossa vida profissional, até se apoderar totalmente de nós. Este aumento no fluxo de pessoas e livros abre também todo um novo mundo de possibilidades. Mais pessoas, mais variedade de pessoas, provavelmente um novo rol de situações caricatas. Aguardamos com expectativa. &lt;br /&gt;Mais uma vez, a minha profissão provou ser uma fonte infindável de conhecimento. Numa noite calma, quase tão calma como a noite de Natal, fiquei a saber o porquê de os furacões terem nomes de mulher. Com a loja completamente vazia (o que neste caso, diga-se de passagem, foi extremamente benéfico porque de outra forma teria sido complicado) entra uma mulher com a mala na mão direita e o cartão de crédito em riste na mão esquerda. Andava rápida e decididamente, com um olhar esgazeado e raivoso, enquanto se abanava como uma cana ao vento. Mal pôs um pé na loja (e ao que tudo indica, já assim era antes de entrar) começou um berreiro infernal. Bem, berreiros na loja até é uma coisa compreensível, mas depois de acontecer algo que, com ou sem razão, despolete reacções mais fortes nos clientes. Desta vez não. Mal entrou desatou aos berros, deixando-me completamente estupefacto. E aviso desde ja que não é fácil. As primeiras palavras dela foram: "A GAJA NAO ME QUER FAZER O VISA MANUAL! EU FAÇO AQUI E DOU LHE COM O CARTAO NA CABEÇA!" Uma entrada no mínimo original. Dirigiu-se para o balcão, e como seria de esperar, bate com a mala violentamente na mesa e diz: "QUERO UM LIVRO! UM LIVRO QUALQUER!". Apesar de ter visto muita coisa, tal como pessoas não saberem o nome do livro que querem e coisas afins, devo dizer que fiquei surpreendido com este pedido, especialmente devido ao que a senhora acrescentou, antes sequer que pudesse tentar falar: "DE ME UM LIVRO! RAPIDO! QUERO IR ALI E DAR LHE COM O LIVRO NA CABEÇA!". Portanto, alem de querer um livro qualquer, queria o livro não para ler, mas para dar com este violentamente na cabeça de alguém. Imparável esta mulher. Na altura não tive o discernimento necessário, mas agora que penso nisso podia ter dado à cliente um livro bastante caro, podia ser que ela não se tivesse importado. Além disso, sendo um livro caro provavelmente seria bastante maior, o que viria a ser crucial para a bonita intenção de dar com o livro na cabeça de alguém. "QUERO UM LIVRO, UM LIVRO QUALQUER, RÁPIDO!" continuou ela, sem sequer nos ter dado tempo para nos mexer. Perguntámos o que queria, ela continuava a insistir que queria qualquer coisa. Em seguida, prosseguiu as reclamações, mas desta vez explicou o porquê de tanta raiva: "ISTO É UMA VERGONHA! A GAJA DA LOJA NÃO ME QUER PASSAR O CARTÃO! NÃO QUER FASER MANUALMENTE NA MÁQUINA! E AGORA DESMAGNETIZOU ME O CARTÃO A CABRA! VOU LÁ E VOCÊ VENDE ME UM LIVRO E FAS MANUAL E EU DOU LHE COM O LIVRO EM CHEIO NA CABEÇA!" Manual na máquina é algo estranho pensei eu. De qualquer forma, não convêm contrariar o bicho, não vá eu ser atacado. Então, com o objectivo de esclarecer tudo isto, ligámos para a UNICRE, para indagarmos da possibilidade de fazer então um VISA manual utilizando o terminal de Multibanco. O curioso (apenas para quem não está habituado a este tipo serviços) é que o jovem que atendeu do outro lado negou peremptoriamente a existência deste serviço, remetendo nos assim para a utilização do velho visa manual. Claro que, no dia seguinte, o venerável e sábio mestre livreiro elucidou-me e mostrou-me como se faz. Depois de explicarmos isso com tremenda dificuldade à senhora (enquanto tentava falar ela só mencionava as palavras LIVRO e CABEÇA de forma repetida, desconexa e, diria mesmo, assustadora), ela lá acedeu em fazer o Visa manual. Enquanto preparava o engenho, ela deslocou-se para ir buscar um livro qualquer, vociferando: "DE ME UM LIVRO! UM QUALQUER! E RÁPIDO, PORQUE QUANDO ESTOU NERVOSA FICO PERIGOSA". Acho que isto era desnecessário, porque alguém que menciona diversas vezes a sua vontade imparável de bater na cabeça de alguém com um livro não necessita propriamente de avisar que é perigosa. Acho que se nota. Não sei, se calhar sou só eu, mas eu sou demasiadamente atento e picuinhas com os detalhes. "NA ÁFRICA DO SUL ISTO NUNCA ACONTECE E ELA VAI VER!" Claro, na África do Sul já tinham dado um tiro ao comerciante, especialmente a um português. Por sua vez, ela saia e levava ela um tiro. Ficava tudo bem. Depois de ter pegado num livro de Margarida Rebelo Pinto, essa Bíblia da violência, dirige-se para o balcão. "AQUELA GAJA.. O MEU CARTAO TEM UM PLAFOND DE 10 MIL EUROS! E ELA NÃO ME ACEITA! É UMA VERGONHA! AQUELA GAJA, TOU FARTO DE ESTRANGEIROS! FAÇA ME LA O VISA ENTAO E EU VOU LA! E DESMAGNETIZOU ME DE PROPÓSTIO". Devo acrescentar, para fazer justiça, que, obviamente, o cartão não estava desmagnetizado. Lá fechei a conta, ela pagou, guardou as coisas, e lá foi ela, livro em riste numa mão, mala e cartão noutra, tão rápida como entrou. A seguir, ficámos a observá-la na loja em frente. Ela gritava e gesticulava como uma maníaca, e a senhora da loja estava assustada. Nós deste lado sempre à espera do momento em que ela desse com o livro na cabeça, como tanto prometeu. E por uma ou duas vezes temi o pior, pensei que ela fosse mesmo partir para a agressão, pensei que fosse tirar de esforço a empregada. Mas não, ficou-se pelas intenções. E foi se embora, tão chateada como nunca.&lt;br /&gt;Quando pensámos que tinha sido o fim da passagem do furacão, uns dias mais tarde, e aparentemente mais calma volta à loja. E para quê? Para trocar o livro da Margarida, porque o achou entediante. Ou, para citá-la "Boring...". Quando me deu o talão para efectuar a troca, verifico que o talão não corresponde ao livro. Então, explico-lhe o sucedido e pergunto se tem o talão certo. A mulher, até então calma e civilizada, esplode novamente: "O QUE? ESTA A DUVIDAR DE MIM? EU COMPREI AQUI O LIVRO! ESTA A VER O SACO? O PREÇO? EU COMPREI AQUI! NÃO, ISTO É UM ULTRAJE!" Com os berros, o meu cabelo foi violentamente projectado para trás, deixando o de tal maneira que ainda hoje não se move dessa posição. Talvez seja medo. Não o censuro. Expliquei-lhe, calmamente, como deve ser, que não era isso que eu estava a dizer, que apenas queria saber se tinha o talão para saber se tirava um talão novo ou não. Ela assentiu com a cabeça, mas o olhar violento e lunático continuava. Depois de efectuada a troca, ela foi embora, sempre a reclamar com qualquer coisa, seja a má impressão da factura, o preço do livro, o papel do livro, o ar condicionado estragado. Deve ser da oposição. Digo eu, mas eu não percebo nada disso. Alias, nem sei bem de que é estou a falar. Até breve, espero eu!&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109835106285456085?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109835106285456085/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109835106285456085&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109835106285456085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109835106285456085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/10/hilda-furaco.html' title='Hilda Furacão'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109718618816951136</id><published>2004-10-07T22:53:00.000+01:00</published><updated>2004-10-07T22:56:28.170+01:00</updated><title type='text'>Eixo do Mal</title><content type='html'>É sobejamente conhecida a minha aversão pelos telefones. Seja pela senhora que quer livros em Inglês e cujas palavras são completamente imperceptíveis para o ouvido humano ou pelo senhor que reclama desesperadamente porque o seu livro não chegou, não gosto de atender telefones. Numa das tardes que passou, ia eu no meu oitavo dia consecutivo de trabalho, o telefone toca, como se fosse uma sereia perdida no alto mar que me enfeitiça com o seu canto misterioso. Dirijo-me para ele quando verifico que não se encontra ninguém nas minhas imediações, e pego no telefone. A chamada é automaticamente atendida, e ouço do outro lado: “TOU CHIM? OLHE, ESTA AI UMA CHENHORA QUE ESTABA A CUMPRAR UNS LIBROS?” Bom, pensei eu, deve ser um colega de outra loja, talvez nortenha, que deve ter encontrado algum livro de alguma encomenda que tenha sido feita. Perguntei-lhe que senhora era e qual era o livro, a resposta foi: “ESTA AI A CHENHORA? CHIM, ELA FOI CUMPRAR LIBROS, QUAL É QUE ERA JACINTA?” e ao longe, ouve-se, com uma voz como se fosse de um rancho foclórico: “ACHO QUE ERA UMA CHEBENTA!”. O senhor continua: “OLHE, COMPROU UMA CHEBENTA, AINDA ESTA AI A CHENHORA?”. Disse lhe que não estava ninguém na loja, e a reacção foi: “NUM ESTÁ? ENTÃO POR FAVOR CHAME A PELO ALTEFALANTE!” Perguntei ao senhor o que desejava da senhora, pensando ser uma cliente, e obtive a seguinte resposta: “CHAMA-CHE ANA PAIVA, FALE NO ALTEFALANTE E DIGA PARA VIR PARA CACHA!”. Disse educadamente ao senhor que não podia fazer isso, que a senhora não se encontrava na loja. “MAS QUE LIBROS LEBOU HM?” Não lhe sabia responder, ele continuou. “CHAME NO ALTEFALANTE, POR FAVOR.” Expliquei que não podia fazer isso, que tinha que ser alguém da família a efectuar tamanha façanha. A resposta surgiu rapidamente: “MAS EU CHOU DA FAMILIA!!” gritou o senhor, inflamado. Tive que elucidar o senhor e explicar que eu é que não era da família. “AH POX, TEM RAZÂO…” disse ele, conformado, despedindo-se em seguida.&lt;br /&gt;Agora apresento-vos uma das personagens mais caricatas que já entrou nesta loja e já figurou neste blog: BIN LADEN. E quem é bin Laden, perguntam vocês? A resposta surgirá em breve. Num dos meus primeiros dias como Livreiro, contaram-me a lenda de um senhor africano, que fala algo entre o crioulo e o português, que chega à loja e procura o bin Laden e livros sobre ele. Ora, pensei rapidamente que fosse uma partida destes malandros, estes fuinhas que são os meus colegas. A verdade é que, uns dias mais tarde, curiosamente, a maneira como vejo o mundo mudou radicalmente. Numa manhã sossegada, abandonado ao balcão como de costume nas manhãs de sábado, entra uma personagem, andar embriagado e olhos encarniçados. Chegado ao balcão vocifera: “EH AJJFAMFAIOHFAPLÇLLMFLÇAJIEFE BIN LADEN? ONDE ESTA? ENCOMENDA?” Sem saber o que dizer, pedi que repetisse. Só obtive isto: “BIN LADEN, BIN LADEN (aumentando de tom) ”. Disse lhe que o livro estava esgotado, e lá foi ele, repetindo a frase BIN LADEN até sair da loja. As visitas vão se repetindo, sempre ao sábado, e o nosso amigo Bin Laden é já uma relíquia do estabelecimento. Na sua última aparição, vinha visivelmente chateado, para além da embriaguez normal. “BIN LADEN, ONDE ESTA, JÁ CHEGOU ENCOMENDA? BIN LADEN!” Disse lhe que está esgotado ainda, que está difícil. Ele diz: “ESGOTADO? ESGO-TA-DO?” Mas, não contente com a exibição pensei em mostrar-lhe o livro sobre a Al-Qaeda. Assim o fiz. Quando lhe passei o livro para as mãos, ele olhou o livro, virou o ao contrário, voltou o novamente e disse, espantado: “Ehhhhhhh…” Depois, colocou o livro na mesa, com a capa para cima, e com o dedo começou a ler o título: “A-L Q-A…………”. Volta  a virar o livro e diz: “TEM O SEGUNDO?”. Que segundo, ainda estamos para saber, só ele sabe do que fala… Depois, não contente abriu o livro e exclamou: “XIIII FOOOOODA-SE!” Seguiu-se uma pausa e depois: “NÃO QUERO. ADEUS, BOM TRABALHO”. E assim se despediu como sempre, com o desejo de bom trabalho e um vigoroso aperto de mão. &lt;br /&gt;Bin Laden, onde quer que estejas, que Deus te acompanhe na tua busca, e que encontres o vilão líder do eixo do mal&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109718618816951136?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109718618816951136/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109718618816951136&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109718618816951136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109718618816951136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/10/eixo-do-mal.html' title='Eixo do Mal'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109671566881892316</id><published>2004-10-02T13:13:00.000+01:00</published><updated>2004-10-02T12:14:28.816+01:00</updated><title type='text'>Lenda Viva</title><content type='html'>Há situações realmente curiosas. E pessoas realmente inacreditáveis. Não me canso de repetir, aliás, não posso fazer outra coisa. É verdadeiramente irreal muito do que se passa neste estabelecimento denominado comercial. &lt;br /&gt;Temos clientes, que, quer pelo andar cambaleante ou indeciso quer pelo ar tresloucado ou desligado da realidade, mostram logo que quando abrirem e moverem os músculos da sua boca não vai sair coisa boa. Mas, caros amigos, estes não são os piores. Nem de perto nem de longe. Os mais perigosos são aqueles que se apresentam como sendo pessoas sãs e equilibradas. Por exemplo, vejam este caso. Uma mulher, 30 e poucos anos, vêm comprar um livro. Tudo normal. Escolhe o livro, demora o tempo que tem a demorar sem exageros, leva o Código Da Vinci. Muito normal. Quando vai pagar, pousa os sacos em cima da mesa, juntamente com a sua mala. Aí, começa a desvirtuar-se. “Olhe, pode me tirar a carteira da mala?” Seria uma pergunta com rasteira? Teria que responder afirmativa ou negativamente? Com muitas questões em mente, decidi seguir à risca as instruções da cliente, tirando a carteira da mala. “Agora, pode tirar-me o dinheiro da carteira?” Devo ter feito um ar espantado, e ela continuou: “Tire, por favor, é que eu tou chea de verniz e não posso mexer em nada.”. Bom… Muito bom… Os pedidos seguiam-se: “Guarde o troco”; “Ponha a carteira na mala”; “Feche a mala”. E depois o melhor. “Espere, espere! Eu agora estico as mãos, e o senhor enfia me os sacos nos dedos, mas sem tocar nas unhas, pode ser?” Vamos a isto, disse eu, nunca virando a cara ao desafio. Então lá estava ela, manápulas esticadas, unhas vermelhas e compridas apontadas na minha direcção, quais punhais afiados, e eu cheio de sacos de lojas de mulher na mão. Aí, lentamente para não enfurecer o animal, fui colocando um a um dos sacos nas mãos da senhora. Tarefa difícil e que requeria demasiada perícia. Depois de estar tudo colocado, lá seguiu ela, mãos paralelas ao chão com os sacos pendurados. Entrou como uma pessoa normal, saiu como uma louca. &lt;br /&gt;Existem comportamentos que eu não consigo mesmo explicar. Quando estou atrás do balcão e me pedem um livro que eu sei que se encontra na loja, ou que já pesquisei e vou confirmar se temos, eu digo para esperarem um momento e começo a dirigir-me para o local do livro. Agora reparem: o balcão encontra-se no canto superior direito da loja, o que significa que não há quase nada junto ao balcão. Mas, ainda assim, quando começo a sair detrás do balcão, as pessoas que estão à minha frente, dirigem-se na mesma direcção que eu, encurralando me na única sáida do balcão. Agem como se tivessem um íman poderosíssimo a ligá-las a mim. Eu movo-me para a direita para sair do balcão e posteriormente procurar na loja, e as pessoas, em vez de esperarem quietas, começam também a mover-se para a direita, encurralando me entre a mesa e o balcão. Mas porquê? Porquê? Querem saltar às minhas cavalitas enquanto procuro? Ir para o meu colo? Porem se de quatro patas para eu as cavalgar triunfantemente até ao livro? Não entendo. E nem sei se quero entender. Há coisas demasiado complexas para o meu pequeno e ignorante ser.&lt;br /&gt;Um destes dias recebi a visita de uma personagem no mínimo genial. Baixo, gordo, meio careca, com óculos redondos e com um apetite por arquitectura, mas não era arquitecto. Faz vos lembrar alguém? Os iluminados, discípulos de Seinfeld, saberão do que falo. Aproximou-se do balcão, e naquele estilo envergonhado e desconexo pediu-me revistas Arquitectura, porque segundo ele: “Apesar de não ser arquitecto, gostava muito de ser…”. Eu tive de olhar duas vezes para ele, para me certificar que não era mesmo o George. Lá o levei para ver a revista, mas ele ficou um bocado desiludido com a nossa oferta. Saiu, desapontado da loja. Uns largos minutos depois, enquanto atendia mais um cliente, aparece ele, de revista na mão, colada ao peito com a cara virada para mim. Entra quase a correr pelo estabelecimento a dentro, interrompendo o cliente que estava a falar comigo e diz: “Vê? Vê? É esta!” Enquanto ajeita os óculos, mesmo como o George. Por momentos, tenho que admitir, arrepiei-me. Parecia que estava defronte duma lenda viva. E saiu, tal como entrou, correndo, revista junto ao peito, todo desconexo e trapalhão.&lt;br /&gt;Estou definitivamente de volta…&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109671566881892316?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109671566881892316/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109671566881892316&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109671566881892316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109671566881892316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/10/lenda-viva.html' title='Lenda Viva'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109667239356375794</id><published>2004-10-01T23:52:00.000+01:00</published><updated>2004-10-02T00:13:13.563+01:00</updated><title type='text'>O Regresso do Livreiro</title><content type='html'> O Livreiro Contra-Ataca, Um Novo Livreiro, O Livreiro Fantasma, O Ataque do Livreiro, etc, já perceberam a ideia. Voltei. Depois de um interregno (demasiado longo, em abono da verdade) eis que volto a teclar, que é o que faço melhor. Aliás, é única coisa que faço. E agora que penso nisso, não faço nada bem. Raios.&lt;br /&gt;Pois bem, porquê a minha ausência? Mudança é a palavra que melhor define a situação. Saiem pessoas, entram outras, mas o sentimento de ausência não desaparece. Boa sorte, LFL, és grande. Depois surgiu um novo período de ambientação, e agora tudo correr pelo melhor. E o trabalho tem sido tanto que nem tem dado para estar atento às personagens do balcão. Mas que existem, existem. A minha relutância em escrever estava a tornar-se deveras incomodativa. Até que hoje, uma senhora mudou o meu destino...&lt;br /&gt;Depois de um início de tarde caótico, com três nobres e bravos trabalhadores atrás de um balcão, chegou a calma mais que merecida. Então, depois de alguns minutos em que a loja permaneceu quase tão vazia como a galeria de troféus do Sporting, entrou uma tia e a sua filha juntamente com uma amiga. E lá estavam elas, junto às novidades a debitar informação e conhecimento literário. Até que se decidem pelo Bosque dos Pigmeus. Nada mal. Ao aproximar-se do balcão, a senhora parece começar a coxear, e acompanha os passos vacilantes com uns sonoros: "Ai.. Ai.". Fiquei ligeiramente assustado, tenho que confessar. Ao chegar ao balcão, diz, gemendo e por entre dentes: "Tem um penso?". Nesse momento, acho que terei feito a maior cara de parvo da minha vida, pelo olhar da senhora. "Tem um penso?" Repetiu ela "Ai.. É que estou a sangrar". Bom, pensei em ir à carteira buscar o Evax para emergências, mas a senhora interrompeu-me, dizendo: "Ai.. Tem um lenço de papel, ou um pano? Ai." E eu respondia sempre negativamente. Ela insistia: "Ai. Mas não tem nada?". Respondo negativamente novamente, e é aí que entra em cena a filha. Chegada perto da mãe, olha para esta, leva as mãos à boca, talvez para suster o vómito e diz: "AAAAAAAH, mãe que é que lhe aconteceu? Que horror mãe!". A resposta foi célere: "Filha, bati com o pé em algum lado, estou a sangrar muito, muito, ai. Ai.". A filha, assustadíssima retorquiu: "Sente-se mãe!" Ao sentar-se, a senhora, como se fosse o seu último desejo pede: "Filha, vai aí à loja da frente (Vista Alegre) e traz me um pano, vai." Pensei que ia acrescentar que se morresse, que nunca deviam esquecer a mãe, mas ficou por ali. Depois, a muito custo, lá se levantou e se dirigiu cambaleante para o balcão, de livro em punho. Quando pego no livro para passar na máquina, diz me: "Olha, deixe estar, já cá volto, estou AGONIADA." E saiu. Obviamente que não voltou. O sangue perdido deve ter sido demasiado. Que Deus a tenha. E, muito obrigado, onde quer que esteja, pelo trabalho a que se deu para eu voltar a escrever no meu blog. Estou infinitamente agradecido, mas não era preciso chegar a tanto. &lt;br /&gt;As loucuras continuam. Enquanto arrumava a secção do turismo, devido a factores internos, e depois de cuidadosamente ter removido um por um dos livros da prateleira e me encontrar em cima do banco a colocá-los novamente um a um, e usando orgulhosamente o meu distintivo de livreiro, eis que surge da bruma um homem que sem qualquer tipo de aviso dispara: "trabalha aqui?" O não ecoou a minha cabeça, olhei duas e três vezes para a criatura, mas decidi ficar pelo sim. Ele ficou surpreendido. Já hoje, enquanto carregava uma pilha de livros, uma senhora perguntou-me simplesmente: "É funcionário?". Simples, mas terrivelmente eficaz na idiotice. O oposto voltou a acontecer, com uma jovem loura que parecia perdida numa meio da loja a ser abordada violentamente por uma professora que procurava a Agenda do Professor. Ela levantou os braços, e dise: "Não, não, não trabalho!". E fugiu amedrontada da loja. É para sentirem na pele o que nós sofremos no dia a dia. &lt;br /&gt;Nem tudo é o que parece, e o seguinte caso que passo a relatar mostra mesmo isso. Um homem, talvez ainda abalado por ter ultrapassado a barreira dos 30, queria um livro para uma menina de 10 anos. Bom, lá fui eu com ele até ao local onde tais livros crescem, e indiquei-lhe alguns. Como sempre, não pareceu minimamente convencido. Aí, pensei em puxar dos galões, e assim fiz. Dei-lhe o Diário da Princesa. É um diário, é cor-de-rosa, tem uma princesa. Parece-me bem. Ele olha cuidadosamente para o livro, examina-o detalhadamente, primeiro perto e depois longe dos olhos. Até que me entrega o livro e diz: "Não, este não. É muito perigoso." Claro, quando disse que o título era o Diário da Princesa, queria mesmo dizer que o título é Diário da  Princesa Assassina e Terrorista Que Tenta Conquistar o Mundo Através de Atentados Em Nome de Satã e Do Batatoon e Que Demonstra Têndencias Homicidas e Suícidas e um Amor Doentio Por Bananas". Se fosse para uma menina minha conhecida também não comprava.&lt;br /&gt;Para finalizar, atendi um casal já quase a entrar na 3ª idade que queria roteiros de Lisboa. Ao levar-los ao local e entregar-lhes o respectivo livro, tentaram pagar-me ali, no local, longe do balcão. E não saíam de lá enquanto não aceitasse o dinheiro. "Quanto é? Quanto é jovem? Diga lá quanto é." E eu expliquei-lhes que tinha de passar o livro na máquina, mas nem isso os demoveu. Nem sabem o quão persistentes podem ser, estes velhinhos inocentes. &lt;br /&gt;Ah... É bom estar de volta...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109667239356375794?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109667239356375794/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109667239356375794&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109667239356375794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109667239356375794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/10/o-regresso-do-livreiro.html' title='O Regresso do Livreiro'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109588390485792757</id><published>2004-09-22T21:05:00.000+01:00</published><updated>2004-09-22T21:11:44.856+01:00</updated><title type='text'>Back in Black</title><content type='html'>Ah, o regresso ao trabalho depois da folga é sempre algo de especial. Durante um ou dois dias parece que nos esquecemos de tudo o que faz parte da vida de livreiro. Mas, ao voltar à loja, ao colocar-me, qual espantalho, atrás do balcão, volta tudo a ser como era dantes, a dura e inóspita realidade acerta-nos em cheio e devolve-nos à nossa mísera condição humana. Para os leigos, e numa linguagem compreensível, curto é tar de folga. &lt;br /&gt;Espantalho é um termo apropriado. Quando a loja está vazia, muitos clientes passam à porta, ou espreitam pela montra, olhando fixamente para nós. E não entram. Alguns vão a entrar, mas ao verem a loja vazia e O Livreiro no seu posto heróico atrás do balcão, saiem imediatamente. Parece que os ouço, ao longe, como se a sua voz fosse trazida pelo vento seco do verão: “Olha, um livro giro, vou entrar. Ah não, está ali o espantalho, tenho medo, volto noutra altura.”. Por vezes, a loja encontra-se cheia, mas o balcão deserto. O espantalho volta a atacar. Alguns clientes, já com alguns livros na mão, vão olhando de soslaio para o balcão. E quando algum destemido cliente ousa enfrentar olhos nos olhos o espantalho do balcão, correm todos para trás dele, para aproveitarem que enquanto ele distrai o espantalho. &lt;br /&gt;Durante a semana que passou, tivemos a loja ocupada. Não, não foi por terroristas sedento de vingança. Algo pior. Auditores. Todos os dias, enquanto a loja estava aberta, lá estavam eles. Sentados, junto ao balcão. Eu bem vi nos olhos deles, o olhar de quem vê o sofrimento alheio dos funcionários obrigados a permanecer em pé durante as 8 horas do serviço, e eles, sentados, quase sempre a ler, parando apenas para apontar o preço. Alguns tinham alguns problemas nos sentidos, pois não captavam os preços que eram ditos no balcão. Outros ainda revelaram um atraso temporário substancial, não sendo raro ouvir: “Olha, desculpa (enquanto mascavam pastilha) qual foi o preço da terceira venda à meia hora atrás?”. Além de bons ouvintes, eram perspicazes. O melhor momento do dia ocorria cada vez que, estando os livreiros a arrumar a loja ou a atender outros clientes, alguns clientes se dirigiam aos auditores e pediam este ou aquele livro. O olhar de pânico na cara deles era inenarrável. Já partiram, tão rápido quanto chegaram.&lt;br /&gt;O povo não pára de me surpreender. Com a atribulada abertura do ano escolar, a caça aos manuais e livros de leitura e apoio vai no ponto alto. E pedem-nos de tudo: “Tem o livro Serras e Montes, ou  Montes e Vales, ou lá o que é.” Ou seja, A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz. Temos também aqueles que procuram “A Verdade da Mentira” (Falar Verdade a Mentir, de Almeida Garrett). E claro, não podemos esquecer A Breve História da Lua, de António GUedeão. Ainda agora veio um jovem adquirir a obra de Gedeão. Dei-lhe o livro, ele olhou para ele rapidamente e correu para junto da mãe. Ao chegar ao seu lado, coloca o livro à frente dos seus olhos. A senhora fica visivelmente enfurecida e berra: “TIRA ISSO DAQUI. NÃO TE VOU COMPRAR ISSO, NÃO VOU PAGAR ISSO! SAI!.” O rapaz faz um ar envergonhado e diz à mãe, num tom triste: “Oh mãe, mas é para a escola, a professora mandou ler antes de ir dormir…”. A resposta não se fez esperar: “QUERO LÁ SABER SE É PARA A ESCOLA, E ANTES DE DORMIR A ÚNICA COISA QUE VAIS FAZER É REZAR! AGORA TIRA-ME ISSO DA FRENTE PORQUE NÃO TE VOU PAGAR ISSO!”. A criança veio, depois, pagar o livro sozinha, e visivelmente abalada.&lt;br /&gt;Muitas vezes dizem-me: “Oh Livreiro, tu que dedicas a tua excelsa vida e imensa obra aos livros e à tua suprema loja, não consegues ver os Ídolos.” Eu, olho sabiamente para os delatores e, respondo que não preciso. De forma alguma. Várias vezes por dia temos actuações musicais, quer dentro da loja quer à frente da loja. Certos clientes, após serem atendidos, começam a cantarolar violentamente. Ninguém os pára. Outros, com a música que ecoa lá fora, vão cantarolando, nunca acertando nas letras ou no tom. Muitas vezes, ao passarem lá fora a cantar, o som começa a ouvir-se, primeiro baixo, como se fosse uma ambulância a aproximar-se. Quando atravessam o breve espaço da porta, o som invade e preenche o interior da loja, causando muitas vezes o pânico. Depois, afasta-se lentamente, com o som a diminuir de intensidade, e a calma a reinar. &lt;br /&gt;Outro espectáculo interessante é ver alguém a consultar um livro ter um ataque de soluços. Depois, depende de cada pessoa. É bastante engraçado ver uma pessoa, junto a uma mesa cheia de livros, a consultar os livros, e mais ou menos a cada página que passa, dá um saltinho abixanado, geralmente acompanhado de um som não muito edificante. Cada folha, cada salto. Uns abanam-se mais que outros, que apesar de não saltarem tanto, são bastante mais sonoros. E muitas vezes vêm também falar connosco, aos saltinhos e aos soluços. É bastante difícil suster o riso. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109588390485792757?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109588390485792757/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109588390485792757&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109588390485792757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109588390485792757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/09/back-in-black.html' title='Back in Black'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109537423227454846</id><published>2004-09-16T23:34:00.000+01:00</published><updated>2004-09-16T23:37:12.273+01:00</updated><title type='text'>Doenças</title><content type='html'>Nem tudo tem graça neste espaço que a raça humana apelidou de loja. Aliás, nem há assim tanta coisa engraçada agora que penso nisso. Hoje, atendi um cliente. Chegou ao balcão, e parou para consultar o livro que carregava nas suas mãos. Pelo estado delas, pulso com um bruto relógio de ouro, via-se que era um senhor que levava uma vida dura. Deu mais um trémulo passo rumo ao balcão e chegando perto deste, deixa cair violentamente o livro em cima do balcão. O livro não cai por milímetros.  A chave do seu BMW escorrega-lhe também pelos dedos, demonstrando algo que parecia inegável. Este homem, com porte atlético, relógio de ouro e BMW, sofre de Parkinson. Digo-lhe boa noite, ele não responde. Até a voz está afectada, pobre homem. Pensei de imediato em fazer lhe um desconto. Quando lhe disse o valor, deixou cair o cartão AMERICAN EXPRESS em cima do balcão. Novamente, a doença não o deixava segurar nada nas suas frágeis mãos. A natureza é bela, mas cruel por vezes. Processei a venda, pensando nas vicissitudes da vida mundana que levamos. Ao entregar-lhe o cartão, ouvi um ténue obrigado. Afinal, ele fala. Nem tudo está perdido. Fiquei um pouco mais em paz. Depois, lá seguiu ele, com a sua mulher loura, a caminho do sem BMW. Deus o proteja. &lt;br /&gt;A ignorância é felicidade. Pelo menos é o que dizem. E se é verdade, anda por este mundo muita gente feliz da vida. Parece que os vejo agora, aos magotes, saltando pelos campos. Burros que nem uma porta. Uma senhora procurava uma GEOGRAFIA DO MUNDO. Queria uma geografia do mundo, dizia ela, apesar de eu lhe explicar que só tínhamos atlas. Segundo ela, uma geografia do mundo tinha: “MAPA DO PAISES DO MUNDO, MONTANHA DO MUNDO, RIO DO MUNDO!”. Tentei, com todas as minhas forças, explicar-lhe que os Atlas também continham tais informações. Acedeu, contrariada, a consultar um Atlas. Ao folheá-lo, parece que vislumbrou a face de Deus. Boca entreaberta, olhos escuros esbugalhados. Fecha o livro, visivelmente desiludida. “AFINAL QUERO SÓ MAPA MUNDO!”.  O problema é que não temos mapas desse género. Mas, a senhora insistiu: “COMO NÃO TEM MAPA MUNDO?”. Não temos, não tivemos, não vamos ter, provavelmente. Pareceu convencida e afastou-se. Depois, qual Obelix a aproximar-se do caldeirão tentando enganar Panoramix e beber a mítica poção, a senhora passava por aqui e falava comigo de ângulos em que eu não a conseguia ver: “TEM MAPA MUNDO?” dizia, alterando ligeiramente a voz. À terceira ou quarta, passou à minha frente, e enquanto perguntava fazia um rectângulo com as mãos: “TEM MAPA? PARA POR PAREDE.”. Finalmente, decidiu-se por um mini Atlas. E lá seguiu, feliz.&lt;br /&gt;Ainda há momentos, tivemos um jovem, com o cabelo à Beckham (tipo, como ele utilizou durante bastante tempo, talvez um mês, preso atrás) a perguntar pelos mini livros. O que eram, para que serviam. O jovem estava maravilhado. É então, no meio do delírio, que reparou no mini livro com o título ZARATRUSTA. “ZARATRUSTA… QUÉ ISSO, UMA DOENÇA?!”. Expliquei-lhe, e ele, como sinal de agradecimento, levantou o seu polegar e saiu em direcção a outros livros. &lt;br /&gt;Num momento calmo da loja, uma jovem que deveria andar na casa dos 14 anos, não mais, aproxima-se do balcão. Como seria de esperar, não disse nada antes de passar à razão da sua vinda ao respeitável estabelecimento. Disparou: “ONDE ESTÁ O CINEMA?” Sparta, o velho Sparta, estava ao balcão, enquanto eu arrumava os livros. Olhou para mim, calmamente. Via-se nos seus olhos cansados que nem sequer tinha percebido bem a pergunta que lhe tinha sido feita. “Sabes onde está?”, perguntou-me. Apontei-lhe a zona dos livros práticos, onde estão os livros de cinema. Ele indicou à jovem o caminho. Ela bateu o pé e exclamou: “NÃO! ONDE ESTÁ O CINEMA! AQUI! AQUI NO CENTRO!!!”. Bateu novamente o pé, e saiu furiosa da loja. Devíamos proibir a entrada a raparigas que estão a ter o período pela primeira vez. Ainda pensei dizer a Sparta para segui-la e dar lhe o livro: O LIVRO DO PERÍODO. Mas, Sparta parecia exausto.&lt;br /&gt;Dia após dia, a caça ao desconto perdido (obrigado LFL) continua. Em várias ocasiões manifestei ao meu superior mestre livreiro, esse mito do meio fundo movido a tabaco, que deveríamos criar uma nova categoria de descontos, categoria essa que devia figurar em letras garrafais na factura. Proponho a criação, para aqueles clientes com Gold Card e nome pomposo, de categorias como: DESCONTO PARA PEDINTES, DESCONTO PARA DESALOJADOS, DESCONTO PARA POBRES, DESCONTO PARA ANORMAIS, DESCONTO PARA PERSONAGENS, DESCONTO PARA MENDIGOS. Nos casos mais extremos poderíamos ter DESCONTO PARA ANORMAIS. Enfim, a lista pode ser interminável. A estupidez também o é. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109537423227454846?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109537423227454846/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109537423227454846&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109537423227454846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109537423227454846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/09/doenas.html' title='Doenças'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109529165986076945</id><published>2004-09-16T01:02:00.000+01:00</published><updated>2004-09-16T00:40:59.860+01:00</updated><title type='text'>Os Imortais</title><content type='html'>Depois de um breve hiato cá está o Livreiro novamente ao vosso dispor. Mas não abusem, por favor.&lt;br /&gt;Bom, recentemente, em mais uma das minhas incursões de âmbito profissional por territórios livreiros, vi-me obrigado a arrumar os livros do Diário de Sofia. Movido por uma curiosidade masoquista, li a contra-capa do terceiro livro, na esperança de desvendar o mistério da idade de Sofia. E eis que, para meu espanto, Sofia, ao entrar para o 12º ano, ainda tem dezassete. Ou seja, 10º, 11º e 12º com dezassete anos. Mas, desta vez menciona que tem quase dezoito. Não te preocupes Sofia, quando acabares o curso de Medicina já tens dezoito. É o realismo da escrita que tanto deve atrair as jovens. Força, continuem. E agora, temos o diário de Mariana. Quem é Mariana? Não sei, mas se for imortal como a Sofia temos sucesso garantido. Melhor, se comprarem o Quinto Livro do Diário de Sofia bem como o Diário de Mariana, em vez de serem forçosamente submetidos a sessões com um psiquiatra para o resto da vida, ganham um diário. Pois é amiguinhas, vocês mesmas podem vir a ser imortais como a Sofia. Mas, desde já vos digo algo, se a Sofia e Mariana se degladiarem até à morte e consequente decapitação porque no fim só pode haver uma, eu compro já!&lt;br /&gt;Imortal é a questão dos descontos. Sim, ainda encontramos almas poderosas que procuram ascender ao céu dos descontos por todo e qualquer meio possível. Temos o caso do senhor que, ao exigir o desconto, refere que é bastante amigo de um dos nossos colegas. Ao verificar a minha desconfiança, disse que não se lembrava do nome, mas que era um rapaz de cabelo escuro. Bom, sendo que na loja existem apenas 5 rapazes que correspondem à descrição... Não quis embaraçar mais o senhor e deixei-o ir. Já uma senhora, com um ar confiante e vencedor, chegada ao balcão e depois de ter atirado devidamente os livros para cima deste com a habitual delicadeza, pede o seu desconto. O meu colga pergunta-lhe porquê. Ela diz que é nossa colaboradora. Um silêncio negro instalou-se. Queríamos ouvir mais. Ela, reparando na nossa indisfraçável desconfiança, prosseguiu: "Sim, sou vossa colaboradora. Sou a vossa fornecedora de RECORTES DE JORNAIS!". Se alguém merece um desconto é esta senhora. Genial, brilhante, inovadora. Ouvimos diariamente várias desculpas. Mas, esta, pela originalidade, merece o livro gratuitamente numa bandeja. Pensei em convidá-a para actuar em casamentos ou despedidas de solteiros. Quem sabe, iniciar uma carreira de artista? Recortes de jornais, portanto... Muito bom.&lt;br /&gt;Falando em genialidade, temos o típico caso da apurada e trabalhada pronúncia inglesa de alguns clientes. Enquanto trabalhava com umas facturas, um senhor apresenta-se pelo meu lado direito e pergunta: "Tem o livro CINK?". Parei um segundo para pensar. Nesse segundo, tenho de discernir rapidamente o que o cliente realmente deseja. Sem demoras, acrescentou: "cink. CINK. PENSAR!". Boa, não digas a ninguém para pensar junto à àgua, senão ainda se afoga. Lá fiz a habitual e mandatória busca que veio revelar bastantes livros com THINK (ou cink, como preferirem) no título. Pergunto ao senhor se ele sabia nome do autor, ao que ele responde: "Se me disser qual é eu digo-lhe o nome". Descartes... Nietzsche... Heiddeger... Nada se compara a este homem e à sua mente avançada. &lt;br /&gt;O novo livro de Isabel Allende, Bosque dos Pigmeus, tem se vendido bastante bem, como não poderia deixar de ser. E, sendo um favorito do público em geral, já teve o seu nome distorcido das mais variadas maneiras, entre as quais: O BOSQUE DOS COGUMELOS e o O BOSQUE DOS PIGMENTOS. Já o Código Da Vinci Descodificado continua a ser muitas vezes denominado como o DESCODIFICADOR. "Isto é o romance, já tenho. Tem o DESCODIFICADOR?" perguntam os clientes. Não sei que pretendem eles descodificar, mas se querem ver mulheres desnudas em actos impróprios para menores esqueçam. Um livro que vai dar que falar é Eargon, um livro sobre um rapaz e um dragão, escrito por um jovem de 15 anos. Que, se lermos no livro afinal tem 20. Enfim. Diversos clientes têm demonstrado interesse no livro, e a pergunta que mais vezes ecoa através do ar corrompido pelo belo sistema de ar condicionado é: "É uma trilogia? Onde estão os outros?". A obsessão humana pelas trilogias é extremamente curiosa. Sai um livro, o primeiro do rapaz, e o público já pergunta pelos outros dois. Vendo bem, soa muito bem dizer: "Ah, sim, já li a Trilogia. Sim, três livros. Uma trilogia. Vejam como sou fixe." Só posso imaginar os fãs do Harry Potter: "Trilogia. Bem, eu tou a ler uma... hmmm... pois...". Pentalogia não soa minimante bem, quanto mais heptalogia. Já sabem, para todos os futuros e presentes escritores, a Trilogia é o caminho. Palavra de Livreiro.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109529165986076945?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109529165986076945/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109529165986076945&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109529165986076945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109529165986076945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/09/os-imortais.html' title='Os Imortais'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109491108101671162</id><published>2004-09-11T14:55:00.000+01:00</published><updated>2004-09-11T18:14:27.023+01:00</updated><title type='text'>Clic</title><content type='html'>Um dos cantos da nossa loja está atulhado de BD. Todo e qualquer esforço para o arrumar vem sempre a revelar-se algo de sobre-humano. Mas, atenção, nós nunca desistimos. Na BD encontramos um pouco de tudo para todas as idades. E existe uma BD em especial que tem merecido maior destaque. É uma publicação para adultos, do autor Milo Manara. Existem várias obras, mas a mais curiosa parece ser a trilogia O CLIC. Já não é a primeira vez que, as BD de Manara são encobertas por algum monte de outras BD, talvez por alguma senhora mais zelosa. Mas, mais cedo ou mais tarde, algum transeunte repara nos seus encantos e coloca-a no seu devido local. E de que é que trata O CLIC? Este clic, refere-se a uma máquina que apenas com um simples e inocente clic, deixa as criaturas do sexo feminino tresloucadas de desejo. Ora, parece-me correcto e extremamente propositado. Imaginem um cientista, magnifico estudante e com um futuro brilhante à sua frente, quando recebe os parabéns dos seus professores: “Parabéns rapaz, tens um grande potencial. Tão grande, que podes um dia vir a fazer algo para o bem da humanidade e salvar o mundo”, e o cientista responde: “Qual quê, vou inventar uma máquina para ver gajas nuas”. &lt;br /&gt;Outro fenómeno curioso é o livro O DIÁRIO DE SOFIA. Este livro conta a história de uma jovem na sua adolescência, e tem sido um enorme sucesso. &lt;br /&gt;Mas, algo de estranho se esconde por trás desta Sofia. Talvez ela não seja tão inocente como quer fazer parecer. Senão vejamos: no primeiro livro, a Sofia tem 17 anos e está a entrar para o 10º ano. É no mínimo de estranhar, com 17 anos estava O Livreiro a ser inundado de gema de ovo e cebola, enquanto me pintavam a cara com verniz, nas praxes da Universidade. E ela no 10º ano. Não sei, mas pode ser sinónimo de uma vida ímpia, envolvendo substâncias ilícitas e actividades criminais, assim como insucesso escolar. Mas, há mais. No segundo livro, Sofia entra para o 11º ano. Como? Ninguém sabe. O curioso é que Sofia continua com 17 anos. Ou seja, vamos supor que Sofia entrou para o 10º ano em Setembro de 2003, então com 17 anos. Em Setembro de 2004, ao entrar para o 11º ano, continua com 17 anos. Além de burra, aparenta ser imortal. É no mínimo suspeito. Esta Sofia não pode ser um bom exemplo para os jovens. Uma possibilidade já adiantada é que Sofia, aparentemente uma simples jovem, sofra do síndrome de Mantorras, e tenha rasurado o seu B.I., tornando assim impossível determinar a sua real idade. &lt;br /&gt;Nos raros momentos em que a paz e o silêncio reinam na loja, aproveito para ficar a conhecer um pouco das mais variadas obras dos mais diversos sectores da loja. Um destes dias, debrucei a minha atenção sobre a área da Arte, Pintura e Arquitectura. Vasculhando os livros à procura de algo que me despertasse uma curiosidade especial, deparei-me com um pequeno livro chamado O LIVRO DA ARTE. Este livro é uma compilação de 500 obras, com uma pequena descrição/apreciação crítica. Fui vendo, obra a obra, e admirando a qualidade e o talento dos mais variados autores. Se é verdade que existem obras impressionantes, existem outras que são difíceis de definir. Génio? Loucura? Falta de jeito? Só Deus sabe. O caso paradigmático do que acabei de dizer é uma pintura (?) de Robert Ryman. Imaginem, e não é difícil, uma tela branca. Uma camada de esmalte branco aplicado numa folha de alumínio. Completamente branca, apenas fixada à parede por parafusos de metal. Agora, reparem na brilhante descrição do crítico: “ (os parafusos) fazem parte integral da composição nu, que tem por finalidade libertar o quadro de qualquer traço ilusório de pintura. (…) Dá ao espectador uma grande tranquilidade, que é constante na sua intensidade; (…) demonstra a interacção única entre a planura da superfície do quadro e a parede lisa por trás. A relação da obra com o Minimalismo é revelada pela ausência de emoção e ilusão na sua construção. (…) Concentra-se na ênfase dada às qualidades dos materiais usados.” E foi neste momento, quando li este delírio literário que a minha vida mudou. Quando for grande quero ser crítico de arte. A espontaneidade, a classe, a imaginação… Genial mesmo, brilhante. Se este senhor diz isto acerca de uma tela em branco, imagino o que não dirá do resto. Os meus maiores e sinceros parabéns. Quando releio aquelas palavras, aparentemente tão simples, perco toda e qualquer vontade de escrever, seja o que for. A imagem da tela e da crítica surge, como uma assombração, na minha mente e aí sei que não sou digno de escrever. Talvez um dia chegue ao seu nível… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109491108101671162?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109491108101671162/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109491108101671162&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109491108101671162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109491108101671162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/09/clic.html' title='Clic'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109476964693025125</id><published>2004-09-09T23:40:00.000+01:00</published><updated>2004-09-09T23:40:46.930+01:00</updated><title type='text'>Mortos e Enterrados</title><content type='html'>Diversas vezes sou confrontado com situações inesperadas e com as quais não sei como reagir. Vejamos os seguintes casos: há um tipo de clientes que se destaca por ser único 99% das vezes que vêm à livraria, os emigrantes de Leste. Seja por quererem dicionários de Croata – Português ou Ucraniano – Português ou seja por quererem livros escolares da 1ª classe para os filhos de 15 anos. Num destes dias, uma senhora de Leste, acompanhada de um filho com cerca de 16 anos e outro ainda bebé, aproximou-se do balcão e com o seu característico sotaque disse: “Olhe, tem livro Homens de Marte, Mulher de Vénus?”. Expliquei à senhora que de momento não tínhamos o livro. Ela ficou um pouco irritada e disse: “Em livraria de Faro havia livro.” Confirmei que efectivamente existia um exemplar em Faro, e expliquei que o facto de a livraria de Farto ter o livro não significava que nós o tivéssemos. Em seguida, pediu-me para ver se existia o livro em mais algum lado. Enquanto estava compenetrado na pesquisa, vejo pelo canto do olho o jovem a apontar para mim com um ar desconfiado. Aproxima-se do ouvido da mãe e, enquanto apontava ostensivamente, exclama: “Olha… Olha… (e diz o meu nome, duas vezes!). “Boa, sabe ler “ pensei eu. Daqui a uns anos já escreve. O problema é que o rapaz disse isso de forma totalmente audível. Então lá estava eu, empenhado como qualquer bom profissional do universo livreiro, a tentar pesquisar e a ouvir o rapaz repetidamente, a 1 metro (!) de mim, a dizer o meu nome e a apontar paro meu identificador. Nada constrangedor. Depois, quando estava a revelar o resultado da minha pesquisa, olhavam-me como se fosse alguma aparição divina. &lt;br /&gt;Já hoje, o primeiro cliente que atendi foi um senhor acompanhado da mulher e do filho. Então, vinha com um desejo insaciável de livros do Gaston. Tudo porque, em Marrocos, aprendeu a falar francês com os livros do Gaston. Imagina-se o domínio extraordinário da língua. Primeiro, queria os livros em português, porque queria a colecção em português. Quando lhe mostro o livro que estava na montra, começa a reclamar, porque segundo ele: “Ah, MAS ISTO É IGUAL AO FRANCÊS! EU CONHEÇO ISTO!”. A perspicácia dele em relação a esta problemática deixou me de pé atrás. Neste momento, vi que estava a lidar com alguém cuja inteligência estava num plano muito superior ao meu. Tinha que agir cuidadosamente. Depois de lhe ter dado o primeiro livro, comecei a procurar mais livros da mesma colecção, pois foi essa a indicação que me deu quando nos encontrávamos junto ao balcão. Quando procurava fanaticamente a colecção, ouço do meu lado esquerdo o senhor a perguntar à sua mulher: “O QUE É QUE O GAJO ESTÁ A FAZER?”. Novamente, o cliente falava de forma perfeitamente audível e perceptível. Fingi que não ouvi, e a mulher também não retorquiu. Ele insistiu: “MAS O QUE É QUE O GAJO ESTÁ A FAZER?”. E depois, acrescentou: “desculpe, o que é que está a fazer?”. A procurar vida em Marte, acho que facilmente se depreende que é o que estou a fazer. E parece que encontrei. Lá lhe expliquei o que estava a fazer, o que deixou o senhor bastante espantado. Em seguida incitou-me a ler a BD de Gaston. Tive que concordar que tinha momentos engraçados. Seguimos para o balcão, para finalizar a transacção. Dei à sua esposa o nosso cartão de cliente, ela aquiesceu em preenche-lo, mas depois lembrou-se que tinha de ir almoçar, porque queria ir para o cinema. Segundo ela, “temos de ir comer, temos temos, senão o miúdo encharca-se em pipocas.” Dei o talão para a senhora assinar, e ela assina toda feliz da vida. Aí, exclama o marido: “O QUÊ?! ENTÃO ASSINASTE O MEU TALÃO DO MEU CARTÂO?!”. Ela sorriu e disse: “FIZ A TUA ASSINATURA, É O HÁBITO!”. Ele franziu as sobrancelhas e não disse mais nada. Antes de abandonarem as instalações, a senhora ainda teve tempo de mostrar por breves segundos o seu novo cartão de cliente, mais um cartão para gastar o dinheiro do seu marido. Ele viu o cartão e exclamou: “AH! MAS ESTAMOS NESTA LOJA?! MAS ISTO AINDA EXISTE?! PENSEI QUE TINHA ACABADO!” É, acabou. O que está ali escrito de termos algumas dezenas de lojas é só para enganar, já estamos mortos e enterrados. Eu próprio (e agora percebo o porquê de certas coisas, agora tudo faz sentido) sou uma assombração, que paira sem vida no limbo dos livreiros. Por quanto tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109476964693025125?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109476964693025125/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109476964693025125&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109476964693025125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109476964693025125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/09/mortos-e-enterrados.html' title='Mortos e Enterrados'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109456506113552135</id><published>2004-09-07T10:26:00.000+01:00</published><updated>2004-09-07T16:25:42.863+01:00</updated><title type='text'>Cheira a Lisboa</title><content type='html'>Existe um livro chamado SELECÇÂO NACIONAL DE FUTEBOL -  NÚMERO, FACTOS, NOMES… Junto ao balcão tínhamos uma publicidade, em cartão, com a capa do livro: uma camisola encarnada com as cinco quinas. Este facto, só por si, não encerra nada de especial. Mas, certo dia, uma tia acompanhada de crianças e jovens (Salvador, Lourenço e Martim, entre outros) entra na loja, causando um grande alvoroço. Entre gritos e desarrumação, chega finalmente ao balcão. Desde logo começa bem, interrompendo o meu colega, enquanto este atendia outro cliente. Depois, quando já tinha toda a atenção e quando o colega começou a falar, atende o telefone, começa a falar aos berros e vira-se de costas, ignorando-o totalmente. Quando termina, volta a falar com ele. Nem um mínimo pedido de desculpas, nem nada que se assemelhe. Ela, olha para o cartaz do livro, e pede um exemplar. Examina-o detalhadamente, e pergunta: "Onde é que está a camisola? Posso ver?". O meu colega pensou durante uns segundos, não percebendo o que se estava a passar. Ao ser inquirida sobre a que camisola é que se referia, respondeu: "A camisola, a oferta do livro!". O meu colega explicou que não existia qualquer tipo de oferta com esse livro. A senhora enfureceu-se: "Desculpe, está aqui o cartaz com a camisola, onde é que está a camisola? É uma oferta." O colega, pacientemente, explicou que a camisola é a capa do livro. A tia voltou insistir que era uma oferta. Confusos, saímos de trás do balcão e fomos confirmar o cartaz. Onde a senhora dizia que algo mencionava uma oferta, só encontrámos o titulo do livro. Mais nada. Quando finalmente cedeu, entre mais um telefonema e alguns berros para os miúdos, não quis levar o livro, porque "Não vale a pena sem a camisola". Quando pensámos que a situação ia acalmar, eis que chega um dos miúdos que a acompanhava, com o livro na mão: "Onde é que está a camisola?". Não há qualquer camisola, respondi eu. "Mas a minha tia disse que havia...". Enquanto ele perguntava, os outros juntaram-se a ele, desejosos de ver a tal camisola. Saíram bastante frustrados, enquanto a tia lá berrava em mais um telefonema. &lt;br /&gt;Também relacionado com futebol, aconteceu outro caso. Numa manhã calma, em que estou sozinho no balcão, entra um senhor e um jovem O senhor, com um ar distinto, lança um olha desconfiado para um livro e prontamente dirige-se a mim. "Bom dia, podia me dar uma lupa, se faz favor?" diz o senhor. Uma lupa? - Pensei eu... Boa, que bela maneira de começar o dia. Isto promete... O senhor continuou: "Sabe, é que está ali um livro sobre o futebol de Lisboa, e eu acho que estou na bancada." A imagem em causa está bastante desfocada, não se consegue diferenciar ninguém. Mas o senhor queria mesmo tentar. Aí, começou a discursar sobre o campo (não era um estádio, mas sim um campo), sobre os locais onde se podiam sentar os ricos e os pobres, e sobre a magia do futebol. Como não podia deixar de ser, demonstrei o meu alargado conhecimento sobre a matéria em questão, deixando o cliente visivelmente impressionado. Depois de me fazer umas perguntas, e eu ter respondido acertadamente a elas, vira-se para o jovem, dá lhe um valente calduço, deixando-o cabisbaixo, e exclama: "Estás a ver?! Este jovem sabe o que é futebol. Não é como tu, tens a mania que a bola era quadrada antigamente! Assim dá gosto falar de futebol com o jovem. Vê se aprendes!". O jovem ficou cada vez mais embaraçado enquanto o cliente prosseguia com o seu discurso apologista do futebol que se praticava nas décadas de 60 e 70. Despediu-se, manifestando o seu contentamento por falar comigo, e saiu, sempre a criticar o filho.&lt;br /&gt;Um livro com algum sucesso é o livro com fotografias panorâmicas sobre Lisboa. Grande parte das compras do livro destinam-se a ofertas, e devo dizer que é um belíssimo presente. Com essa intenção, um senhor com a sua mãe idosa (já mencionados em crónicas passadas) trouxe o livro até ao balcão, no sentido de tirar o plástico e observar melhor o livro, para ver se era digno de ser oferecido. Depois de retirado o plástico que envolvia carinhosamente o livro, começaram quase imediatamente a folhear o livro. Cuidadosamente passavam página após página, acompanhando sempre cada foto com um sonoro "AHHHHHHHHHHHH" de espanto. Os comentários eram qualquer coisa como: "Ah que fabuloso, incrível, maravilhoso, o máximo!". Até que chegam a uma fotografia que consiste em Lisboa vista do Tejo, com uma magnífica vista das colinas. Observam lentamente a foto, uma e outra vez, comentando: "Ah... Este fotógrafo é mesmo o máximo. O máximo. Tirou estas fotos tão boas, escondendo o que está por trás dos montes. Sim, por trás dos montes. Por trás destes montes, para aqui, (dizia isto enquanto gesticulava à imagem e semelhança de Cláudio Ramos) isto aqui por trás é TUUUUUUUUUUUDO badalhoqueira. Para esquerda e para a direita, só badalhoquice! Um HO-RROR!". A perspectiva sociologica do cliente era deveras interessante e digna de registo. Quem sabe se um dia não lança um livro?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7584498-109456506113552135?l=olivreiro.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://olivreiro.blogspot.com/feeds/109456506113552135/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7584498&amp;postID=109456506113552135&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109456506113552135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7584498/posts/default/109456506113552135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://olivreiro.blogspot.com/2004/09/cheira-lisboa.html' title='Cheira a Lisboa'/><author><name>O Livreiro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16195860250451987488</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7584498.post-109434517771453380</id><published>2004-09-04T23:30:00.000+01:00</published><updated>2004-09-05T01:46:17.716+01:00</updated><title type='text'>Afinal havia outra</title><content type='html'>Ao abandonar a casa olho, ensonado, para o céu que cobre todo o globo. E, a visão amedronta-me: nuvens. Nuvens negras. Chuva. Só pode significar uma coisa. Vocês sabem do que eu estou a falar.&lt;br /&gt;Logo para começar em beleza o dia, temos as habituais mães/avós a comprar os livros para as crianças, logo pela manhã. Uma das primeiras mães, não conseguindo encontrar nada naquele monte interminável de livros desarrumados que apelidamos de zona infantil, dirige-se a mim e diz: “OLHE… TEM O BAMBI 4?”. Para quem não conhece, é o livro em que o Bambi, munido da sua fita vermelha e da sua arma de destruição maciça, destrói o Iraque para construir um oleoduto e um gasoduto. Além de extremamente educativo, tem um forte cariz histórico. A não perder.&lt;br /&gt;A cultura e versatilidade dos nossos clientes não para de surpreender quem diariamente faz a sua vida atrás daquele balcão. Senão vejamos: uma senhora, de meia-idade, pretendia o livro Os Últimos Instantes Da Vida. Obviamente, não sabia a autora. A busca do nosso extenso catálogo veio a revelar-se infrutífera. Frustrada, a senhora queria pelo menos ver se tínhamos em Inglês. Perguntei-lhe qual o título do livro em Inglês. A cliente pensou, pensou, pensou e disse: “LAST INSTANTES LIFES”. Muito bem, pensei eu. Que honra, devo estar perante uma daquelas pessoas que traduz os títulos do cinema americano em algo mítico. Um pequeno exemplo: o filme THE ONE, com Jet Li. Em português, FORÇA EXPLOSIVA. Faz sentido: The = Força; One = Explosiva. Tradução literal.&lt;br /&gt;Tivemos também a visita de mais uma das muitas comediantes perdidas do nosso país. Estava com uma amiga. A cliente pergunta-me insistentemente se faço o desconto com o cartão ACP, apesar de este ter passado de validade à 3 anos. Lá encontrou o certo, pudemos prosseguir. Então, a amiga estende a mão gentilmente e oferece-me o livro para passar, acompanhado do seu cartão de crédito. Passo o livro, e digo prontamente o preço à senhora. A amiga, simpática, debruça-se sobre o balcão, olhando para o preço, perguntado depois: “O preço é esse? Então o desconto?”. A amiga leva o livro, a outra é que tem cartão, o que me fez perguntar: “mas quer que faça desconto?”. Ao que a senhora, inteligentemente, responde: “ERA ESSA A IDEIA!”. E ri-se muito, muito… E toda a gente à volta, calada e circunspecta. Somos um público difícil. Depois, seguiu o espectáculo. A sua amiga estava a tentar inserir o código do cartão, mas a outra não se calava. O resultado só podia ser um: o engano. A senhora ficou bastante envergonhada, e a amiga, não contente, disse: “TAS A VER, NÃO TE DISSE PARA NÃO USARES O CARTÃO ROUBADO?”. E voltou a rir-se, sozinha. Acho que estava a gosta
